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Antigo 30-06-2009, 02:48
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poesia ou morte!
 
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Padrão Kaballah Rio de Janeiro - 27/06/2009



Foi se o tempo em que o Psy-Trance era o único som que predominava nas festas de musica eletrônica. Hoje as festas estão mais democráticas, se abrindo pra varias vertentes e a cada virada na “cena” um estilo musical fica mais em evidencia e tido como mais inovador do que outros. Seguindo interpretação semelhante, varias festas vem deixando o bom e velho Psy-Trance de lado. Caso esse que não é o da festa Kaballah que continua investindo no estilo sem deixar de ser democrática. E convenhamos, a psicodelia se foi dos festivais urbano de musica eletrônica então que pelo menos o bom e velho Fullon continue pulsando alto.

Festa no Rio de Janeiro é aquilo né. Você nunca sabe o que te espera. Mas algo me dizia que a edição carioca da Kaballah seria interessante...
A começar pelo local, que em tempo de leis e ditadura política em cima das festas, Santo Aleixo é um paraíso que torna tudo mais bonito. Sem sombra de duvidas é o melhor local que temos pra realização de festas de grande porte.
A única incerteza que vem a cabeça quando pensamos em ir a uma festa por la é se encontraremos engarrafamento ou não. Mas quem deixou de ir na Kaballah RJ por medo disso, errou feio na previsão.

A chegada

Cheguei a Santo Aleixo em baixo de um chuvaral, por volta de 1 hora da manhã e a rua que passa em frente à entrada do Haras estava tranquilissima. Poucos carros e todos seguindo em velocidade reduzida, mas nada de anormal. Inclusive algumas pessoas faziam o percurso da rua até o sitio a pé, pouco se importando pra chuva fria. É claro que a maioria dessas pessoas estavam naquele ritmo né, bebida nas mãos ou garrafa de algo alcoólico em baixo do braço e papos eufóricos amenizavam o tempo ruim.

Chegando ao estacionamento é inacreditável ver como ainda tem gente que cultiva aquele habito ridículo de ficar com o porta malas do carro aberto ouvindo, em 100% das vezes, um som horroroso na maior altura. Mas tudo bem, o pessoal em volta desses carros sempre parece estar feliz, então é o que importa.

Já na entrada, tudo fluiu de forma rápida e sem fila. A revista seguiu no mesmo esquema de sempre. Abre mochila, mexe aqui, mexe ali, cheira o neosoro, olha os bolsos, abre os braços ...
Não vi ninguém sendo convidado a retirar tênis, meia, nem nada disso, como já vi outras vezes. Não sei se era pela aguaceira fria que caia e a lama impregnada nos pés de todo mundo, desencorajando uma revista mais detalhada, mas achei a revista na medida exata, pelo menos comigo.
Mas la dentro fiquei sabendo de gente que teve bala, chiclete, pirulito e outros pertences confiscado e acho isso péssimo.

Apresentações

Cheguei nos minutos finais do Dithforth, mas como estava muita lama e com a atenção redobrada ao andar pra já não chegar se esparramando no chão escorregadio e ainda encontrei varias pessoas que não via a tempos, o som do cara acabou ficando de fundo e nem prestei atenção.

THE REALITY SCIENTIST, puta merda, é muito bom. É a terceira vez que vejo e ouço esse projeto e sempre é uma experiência muito animadora. Ter Timothy Leary, Albert Hoffman, Che Guevara, e outras figuras históricas interagindo com a musica instiga nossas melhores sensações. Alias, o 1º ponto hilário da noite foi quando um grupo animado de pessoas que estavam ao meu lado comentando a apresentação e eles sismavam em chamar o Timothy Leary de Timothy Downtown, huahauah, ouvir isso rendeu risadas compulsivas. Ainda tentei explicar mas não fiz sucesso.

O ponto alto da festa foi o final da apresentação do The Reality Scientist. É claro que todo mundo já podia esperar que algum dj fosse homenagear o Michael Jackson mas o primeiro da noite a fazer essa homenagem foi o Shaman. Ele simplesmente pegou todo mundo de surpresa, soltando a musica e o clipe original, sem remix nenhum, afinal Michael Jackson não precisa de nada disso.

Com aquele P.A, gigantesco, cristalino e poderoso, a musica e o telão enorme do palco, fizeram com que o próprio astro estivesse ali por alguns minutos, cantando ao vivo. Pelo menos era essa a impressão que parecia ter causado na maioria das pessoas que estavam no dancefloor, que claro, ficaram emocionadas e até rendeu arrepios dos pés a cabeça. Eram aplausos por tudo quanto é lado, gente gritando, dançando e em certos momentos pairava um silencio misterioso, misto de pesar e satisfação... A festa ficou marcada por essa homenagem que você confere na integra no vídeo abaixo.


FLIP FLOP veio em seguida com um Fullon genuíno, sem nenhuma palhaçada, sem nenhuma mistura electro+house+minimal+progressivo, muito em moda hoje em dia. Flip Flop arrancou energia da galera que estava em baixo da chuva que voltava a cair, mas ninguém parava de dançar. Em minha opinião foi a segunda melhor apresentação da noite.

No vídeo abaixo você pode conferir um pouco da apresentação do The Reality Scientist e um pouco do Flip Flop.



SHANTI
. Essa foi à primeira decepção da noite. Fez a primeira meia hora de set no pique, naquele estilo clássico que todo mundo que já pode conferir e ficou fã, mas com menos de 20 minutos de live, sua musica foi abaixando, abaixando, como se o live estivesse chegando ao fim, ficou tudo em silencio por alguns segundos e de repente o Shanti volta com um som totalmente diferente, como se estivesse apresentando outro live, seguindo exatamente a tendência chatissima de misturar fullon com sonoridades da moda... eu fui embora da pista...

MEGABAND ESKIMO + VOID. O que falar dessa apresentação?
Gravei o inicio do live e posso dizer que o que vocês vão ver e ouvir, foi exatamente a linha que se manteve durante todo o live... Tirem suas conclusões. Ouvi gente adorando e gente odiando. Eu particularmente não esperava que fosse tão ruim quanto foi. Superaram o Skazi na barulheira e mau gosto nas produções. E olha que a pista estava bombando de gente nessa hora.


POPOF. Cheguei na Cocoon Stage esperando que essa tenda estivesse lotada porém estava ótima. Galera animada e dançando hipnotizada. Alguns mais perdidos, e isso era quase a pista inteira, comentavam que não era o Popof no palco enquanto outros não faziam idéia do que era pra tocar naquele horário, mas sabiam que tinham que estar ali. Apesar da imagem do Popof ainda ser pouco conhecida, a qualidade do seu som já arrasta até os mais desligados.

Por via das duvidas, fui olhar de perto quem tocava e pra minha tranqüilidade era ele mesmo. O cara pegou exatamente o horário de fim da noite e o amanhecer. No momento em que cheguei ainda estava escuro e a techneira rolava nervosa. Logo quando começou a amanhecer Popof progressivamente foi jogando musicas mais contemplativas. Mostrando domínio completo do que estava fazendo além da vontade de interagir com o ambiente.

Apos essas apresentações que ouvi atento, ainda peguei o inicio do CHRIS TIETJEN tocando um som mais houseado, muito bom por sinal, mas o cansaço e meu bolso já estavam reclamando de tudo.
Beber uma latinha de cerveja minúscula por R$ 5.00 e descobrir ao amanhecer que a água, custava o mesmo valor, me tirou um pouco do bom humor.

Com meus últimos suspiros dentro da festa fui ouvir já desacreditado o Protoculture. Desacreditado pelo seguinte. Antes de seguir pra festa fui ao myspace do Proto e o que escuto la? Fullon misturado com electro e toda aquela atmosfera firulesca que pela terceira vez tenho que criticar aqui nesse review...
Ao chegar na pista principal, me certifiquei do que temia. Protoculture se entregou ao modismo. Todo o seu live seguiu essa linha de misturas estranhas, com
um som forçado e difícil de engolir, principalmente pra quem já esta acostumado com o som do Proto desde seu inicio..

A partir daí o som da festa foi seguindo pra esse lado que não me atrai muito.
Pelo menos o tempo frio da noite começou a dar lugar a um sol maravilhoso. O Haras estava com um amanhecer incrível, cercado por nuvens branca que sumiam no horizonte abrindo espaço pra adimirar o verde das montanhas e um sol forte que começava a esquentar a todos.



Nessa hora o LIQUID SOUL chegou pra dar uma animada extra no dancefloor mas não tem como negar, seu live estava praticamente igual ao do Universo Paralello.

Sem mais o que esperar, AMO & JULIO NAVAS surgiu tocando hit atrás de hit. Cansativo e sem empolgar muito, parecia o mesmo live que vi na primeira vez que eles tocaram aqui no Rio.
JOHN AQUAVIVA sem surpreender ninguém, também tentou homenagear Michael, mas não foi muito feliz. A pista não respondeu bem e a lamaceira parecia já finalmente ter irritando a todos. Porém o povo já estava ali mesmo e não arredou o pé usando suas ultimas forças pra tentar acompanhar seu som que pelo menos foi autentico.

Não tenho do que reclamar da festa, exceto os preços altíssimos do bar.
O publico me surpriendeu. Achei muito tranqüilo.
Banheiros sujo e alguns lixos pelo chão já era esperado, principalmente com a lamaceira que era muita, muita mesmo. Poças de lama por tudo quanto é lado, mas você não via ninguém fugindo delas. Todo mundo que estava la, estava entregue ao charme forçado da laminha espalhada pelo corpo, roupa e até nos melhores penteados.

A decoração de festas gigantes como essa, eu sinceramente prefiro hoje em dia esse estilo hitech, com show de luzes, telões e TVs de LCD por tudo quanto é lado, do que quando decidem investir em decoração mais artesanal, com tecidos e estruturas 3d, e acaba decepcionando, pois fazem maior propaganda, que vai ter uma decoração do outro mundo e você chega la e acaba vendo as mesmas peças até da festa “concorrente” e umas coisas coloridas que de tão pequena, passa sem fazer a menor diferença. E dessa vez, a decor hitech deu show.

Mas ainda torço pra que um dia volte a ter decoração psicodélica de qualidade nas festas do Rio, por mais que essa não seja a proposta, ainda assim é uma ótima estética.

Não enfrentei filas em lugar algum, vi muitos seguranças, não vi nenhuma briga. Vi de fato uma festa bem organizada, com os horários das apresentações sendo respeitado e sai de la acreditando ter vivenciado uma festa que cumpriu tudo que se propôs a fazer.

O Rio de Janeiro é carente de festas boas, festas open air é raríssimo hoje em dia, então deixo meus parabéns pra essa edição da Kaballah Rio e espero que com o tempo, os cariocas possão voltar a curtir festas desse porte com Chill-Out, intervenções artísticas e espaços mais culturais além dos headlines.




Roosevelt Soares
Fotos por Sayuri

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Última edição por Roosevelt Soares; 06-07-2009 às 14:12.
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Antigo 30-06-2009, 20:24
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Padrão Re: Kaballah Rio de Janeiro - 27/06/2009

Concordo com tudo, ou quase tudo.
Farei uma ressalva e um reforço.

A ressalva:
Uma festa desse tamanho, com um público tão mesclado e principalmente, a falta de uma estrutura ideológica que sustente a festa, me levam a crer que a mistura de estilos, a tal "entrega ao modismo" que você tanto reclamou é uma saída nescessária. Creio que levar o psy-trance ao pé da letra, pelo menos nesse tipo de festa, vai ser obter respostas extremas por parte do público, que não tem nem consciência do que é isso e muito menos preparo pra tanto. E aí as consequências todo mundo já conhece. Infelizmente.

O reforço:
Pena que você só gastou uma linha pra defender o chill-out, ou atrações alternativas. Assim como você, me cansei varias vezes de ficar na pista. E fui buscar alternativas pra continuar curtindo a festa e a tenda não estava atendendo. Fui buscar um chill-out ou ainda uma tenda de recuperação, qualquer lugar onde pudesse descansar a mente e revitalizar o corpo, mas não tinha nada! E com aquela lama toda a canga ficou guardada na mochila e os pés que se viraram a festa inteira. Ainda tentei sentar um pouco na área vip em frente ao bar mas não da pra dividir espaço com pessoas preocupadas em não sujar o tenis, ou em exibir seu colete novo. Não sou contra os famosos "bondes da oakley", o exibissionismo é uma presença constante em qualquer grupo ou cultura, não sou quem vai atrapalhar. Mas não existe mais em nenhuma festa aqui no Rio um espaço onde a filosofia trance seja predominante, um espaço que o psy vá além da música. Onde as pessoas se integrem e compartilhem aquela tal essência tão explorada comercialmente.

No fim, também gostei da festa. E quanto aos preços, é questão de tempo pra pagarmos 5 reais na água até mesmo no mercado. Acredito que seja uma questão que vá além da festa. Eles só estam explorando antes de todo mundo.

Abs
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. . . Dudu . . .
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Antigo 01-07-2009, 10:34
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Padrão Re: Kaballah Rio de Janeiro - 27/06/2009

Fabio, movi sua postagem pra area de review.

Só pra esclarecer. Vou pedir pra que não façam review nessa área. Aqui na verdade é uma área pra que o user do fórum que não foi ao evento, possa ler um review mais bem estruturado sobre o evento, e o user que foi ao evento, possa comentar o review postado acima, além é claro de deixar sua opinião ou se concorda ou não com o que foi escrito. Como o Dudu fez muito bem.

Fiquem a vontade pra criticar o review, se ele tiver sendo falho ou a própria festa.
Minhas impressões foram as mais desprendidas de questões subjetivas possíveis.
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Última edição por Roosevelt Soares; 06-07-2009 às 14:19.
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