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Antigo 23-05-2010, 11:50
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poesia ou morte!
 
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Padrão Doutor Caveirão e a maquina de matar do Estado






Em uma manha de terça-feira cinzenta do mês de maio. Tive a oportunidade de bater de frente com o caveirão. Um veículo blindado, de negror absoluto, com um intimidador símbolo de uma caveira com uma adaga encravada em sua cabeça e duas garruchas douradas cruzando a caveira. Garruchas, são aquelas armas antigas, que sem duvida você já pode observar nas mãos de piratas como Jack Sparrow. O negror daquele veículo, a blindagem, e o símbolo, não deixam duvida. A primeira impressão faz brotar imediatamente a mensagem: somos a maquina de matar do Estado do Rio de Janeiro.

Em 2006 iniciou-se um movimento para eliminar a utilização dos blindados e até mesmo mudar o brasão medonho que pertence ao Batalhão de Operações Policiais Especiais; o famoso Bope. No mesmo ano, participantes do seminário "A Polícia que Queremos", pediram a mudança do símbolo por vários motivos. Alguns pediam o seu fim, alegando que ele desperta uma gama de sentimentos negativos na população. E os evangélicos, dotados de um simplismo enraizado, não foram além: o símbolo é "do mal". Outros participantes consideraram esse tema de menor importância, por tratar-se "apenas de um símbolo". Já os três policiais do Bope, presentes na sala colocaram-se firmemente contra a interferência, por diversas razões: a simbologia seria internacionalmente utilizada e reconhecida por forças de segurança; ela representa a vitória sobre a morte, e não a morte; e é motivo de orgulho para os policiais deste batalhão.



De fato, é que o símbolo amedronta. E desde 2006 nada mudou.
Nessa manhã cinzenta de maio de 2010; estar diante do aparato dos Policiais do Batalhão de Operações Especiais e do Batalhão de Choque, passando ao meu lado com três caveirões, seguindo para concluir a primeira fase da implantação da UPP (Unidade de Policia Pacificadora) de alguma comunidade pobre próxima. Além de fazer com que o clima ganhasse reforço nos tons de cinza, me conduziu a vários pensamentos.

Na rua, o comboio seguiu atraindo olhares. Com homens vestindo um manto negro, capuz cobrindo completamente seus rostos e pele. Pareciam se alimentar da felicidade dos observadores do comboio, sugando todas as lembranças felizes dos que ali estavam. No melhor estilo J. K Rowling ao descrever os dementadores de Azakaban em Harry Potter. O bonde sinistro seguia em silêncio, com carros menores do Bope acompanhados por aeronaves, blindadas, com policiais apontando a todo o momento para baixo, armas daquelas que só o Rambo parecia dominar com intimidade.


Fiquei realmente impressionado com o que senti. Foi muito diferente de ver na televisão, ler nos jornais e imaginar as incursões daqueles veículos e seu potencial elevado ao máximo quando o assunto é finalizar; destruir; pulverizar; indivíduos que por alguma razão estão quebrando o código de conduta de uma sociedade civil.

A minha frente, o emblema do modelo militarizado de segurança pública levou meus sentidos até as favelas. Colocou-me dentro de um daqueles casebres. Me fez temer que meus filhos brincassem fora de casa. Me fez temer que minha casa se situasse naquela região do Estado. Me fez temer que a população desse Estado investisse nesse aparato, sem questionar como ele estava sendo utilizado. Me fez temer que o Estado gastasse bilhões de reais pra comprar blindados, armas poderosas, e autorizar pessoas pra entrar no meu quintal e apontar toda aquela megalomania bélica em minha direção, quando seria desejável, uma forma mais humana de diálogo. Imaginei-me sentado a frente da tv. Dessa vez, fora das favelas. Onde os noticiários fazem o alvo de toda aquela força, mais letal do que disciplinadora ou administrativa, parecer tão cirúrgica e precisa. Mas logo voltei para o meu casebre na favela. E me vi como o câncer da sociedade; o nódulo; o tumor que deveria ser extraído a todo custo.



Aqueles homens de manto negro com caveiras estampadas, durante uma operação no Morro do Andaraí, nessa ultima quarta-feira mataram o pai de família, Sr. Hélio Barreira Ribeiro, de 47 anos, que estava no terraço de sua casa consertando uma porta de armário. E seu único delito fatal, foi estar utilizando uma furadeira.
Tudo com precisão cirúrgica. Vale refletir.



Em 1948 na África do Sul os brancos detentores absolutos do poder. Obrigaram os negros a viver separados dos brancos, de acordo com regras que os impediam de ser verdadeiros cidadãos. A terra conferida aos negros era tipicamente muito pobre, impossibilitada de prover recursos à população forçada a ela. Onde raramente tinham saneamento, eletricidade ou o mínimo de condições de vida. A esse regime foi dado o nome de apartheid (vidas separadas). De 1948 aos tempos atuais, o apartheid Sul-africano mesmo condenado internacionalmente como injusto e racista. Ainda parece servir de inspiração para muitos povos.



O caveirão sul-africano, hoje apenas faz parte do Museu do Apartheid em Joanesburgo


Nosso caveirão, que teve sua estréia no regime segregacionista do apartheid, é apenas um dos símbolos de como temos uma grande vocação para se inspirar no que há de mais sombrio na humanidade. O medo generalizado e a militarização das problemáticas urbana vai sacrificando cada vez mais a justiça social e a liberdade em nome da “segurança”. Tudo celebrado com números e estatísticas, que fazem do assassinato do Sr. Hélio apenas um mal necessário para que possamos sediar copas do mundo, atrair mais e mais bochechas rosadas e para que o povo carioca possa dormir em paz.



- "A educação é a arma mais forte que você pode usar para mudar o mundo."
Frase do principal representante do movimento antiapartheid; ativista, sabotador; guerrilheiro e terrorista para alguns... Nelson Mandela.





Por Roosevelt Soares.
Diretamente do front; no bailar do caos!
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Última edição por Roosevelt Soares; 23-05-2010 às 12:00.
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Antigo 23-05-2010, 13:52
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Padrão Re: Doutor Caveirão e a maquina de matar do Estado

Com certeza a frase de Nelson Mandela define exatamente o que é preciso ser feito aqui no rio de janeiro. A grande parte da sociedade infelizmente concorda que o certo é exterminar bandido e é isso ae. Na minha opiniao nao é bem isso. Nao adianta vc sair matando bandido enqt os futuros bandidos estao nascendo no mesmo cenário dos antigos bandidos. Como dizia a deputada Marina Maggessi que foi da policia civil durante mts anos, nao adianta subir no morro e matar bandido, o estado tem que entrar com educação pra transformar os futuros bandidos que nascerão em pessoas descentes com mais escolhas na vida do que apenas virar bandido. O problema da UPP é que nao adianta so expulsar bandido. O cara nao é bandido pq quer, é bandido pq foi a opçao que o estado nem deu a ele. Claro que tem muuuuita e a sua grande maioria que mora no morro é honesta e que nao se converte a bandidagem, mas pra muita gente a opçao e o modelo de vida que lhe é mostrado é isso. O problema é que a UPP vai la , pacifica, mas e a saude, a educação que é o principal fundamento de td ? Nao adianta pacifica, expulsar os bandidos e nao dar opção de vida a ngn. Mas enfim .. é um papo que dá mt pano pra manda. Viva a educação , viva o respeito ao proximo e que todos nós caminhemos pra um futuro de paz e muito respeito pelo próximo
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" Não faça do hábito um estilo de vida ...Veja o mundo de outras perspectivas. "


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Antigo 23-05-2010, 14:28
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Padrão Re: Doutor Caveirão e a maquina de matar do Estado

De certo ponto de vista entendo a "necessidade" do caveirão. É fato que as facções cariocas estão cada vez mais poderosas, seja no que diga respeito a influência ou ao poder bélico.

Acho que seja preciso que haja caveirão quando os "inimigos" (ou seria "frutos"?) são muito poderosos.

Mas essa política de nada adianta se a mesma não for tomada de forma paleativa e temporária. Ela é dada como a mais eficiente e prática. Até concordo que é mais prática, é mais fácil se remediar do que se previnir.

A polícia que temos, infelizmente, não é preparada para ter o poder que possui. Muitos dos policiais são pessoas que tem seu ego inflado por ter o poder que possuem. Daí podemos ver parte do abuso que eles fazem deste poder nas classes menos expressivas e também nos "outsiders".

Não falta educação somente às classes pobres, mas também àqueles que são a mão detentora da violência do Estado.

Se tivéssemos uma política que se expressasse mais na educação e cultura, a força opressora com certeza seria utilizada para neutralizar os males, não para ser a única medida de impedir a sua reprodução.

E também não podemos nos esquecer que uma salário de R$700.00+benefícios não é o suficiente para por sua vida em risco todos os dias, incluíndo-se ai o eterno temor de seus parentes.

Se a polícia não é educada nem tem um salário que corresponda ao peso de sua função, como não colocar os policias em comparação ao "bandido que não teve escolha"?

Acho que parte dos policiais que temos hoje, assim como parte dos bandidos, seriam na verdade fruto do sistema que temos. Sistema esse que envolve a esfera trabalhista, social, de educação, de saúde e da cultura.

Nossos problemas são muito mais essenciais do que de "desvio".

Abs
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Última edição por Renan Reis; 23-05-2010 às 14:33.
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Antigo 02-06-2010, 19:00
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Padrão Re: Doutor Caveirão e a maquina de matar do Estado

É realmente complicado falar desse tema, muita coisa tem que ser melhorada , seja Organização Policial que sofre com o salario, disfunções dentro de suas divisões, etc ... assim como na parte que o estado tem que cumprir (saude,educação,gerar empregos...) ate porque o criminoso após pacificação , se concentra em muitos casos em outra comunidade dando apoio a outra celula de narcotrafico, ou mesmo aumenta o crime na pista* passando a roubar,furtar... enfim sendo por escassez de oferta de emprego ou mesmo sua desqualificação no mercado de trabalho. Quanto ao Bope,conheço um pouco do trabalho deles ,é uma equipe diferenciada da Pm em geral, e tambem a nivel nacional, ocorreu essa fatalidade, assim como ocorreram inumeras fatalidades ao longo dos anos,sinal de que tem realmente algo errado na politica de incursao nas favelas, mas nao so isso, nas politicas em gerais de governo que fazem parte desse ciclo vicioso... ou mesmo como o Renan citou o nosso "sistema".
__________________

"Não há nada a que temer. Mas sua realidade irá reabilitar sua mente e eventualmente seu corpo.Você ficara bem eu prometo. Apenas concentre-se. E acredite na música."

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caveirão , doutor , estado , máquina , matar


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