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12-10-2009, 12:31
|  | poesia ou morte! | | Registrado em: Mar 2005 Localização: Celtx
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| | O que é Música Brasileira?  Esses dias estava lendo alguns artigos e discussões sobre esse tema e logo pensei naquele arcaico pensamento de que Música Eletrônica não é música e muito menos pode ser considerada brasileira.
Lembrei de alguns grupos falando de boca cheia que só ouve música popular brasileira e logo em seguida a tentativa clichêzerrima de demonstrar erudição e bom gosto, citando toda aquela constelação de clássicos como; Maria Rita, Chico Buarque, Adriana Calcanhoto, Ana Carolina, Arnaldo Antunes, Beth Carvalho e por ai vai.
Ora bolas, são todos nomes incríveis, artistas únicos, gênios musicais, que dão orgulho de dividir a nacionalidade, e isso é inegável, mas a forma mecânica e glamourizada que esses “jovens boêmios”, que na tentativa de imprimir sua personalidade estereotipada do “tipicamente brasileiro” me soa quase sempre muito forçada e demonstra um nacionalismo caduco.
Afinal de contas, somos um país colonizado e tirando a música dos índios toda a nossa música veio de fora e se misturou e se miscigenou e teve uma nova leitura.
O nosso Samba, o Choro, é resultado de uma mistura das danças européias com os ritmos africanos. A Bossa Nova e o nosso Rock, são releituras e muitas vezes uma mistura muito boa do que nós temos com o que vem de outros países. Das musicascantadas, com exceções a originalidade de alguns artistas da MPB, as únicas que consigo ouvir sem me incomodar com o machismo, preconceito, e fantástica dor de corno compartilhada alegremente com dancinhas bizzaras, salvam o Rap e o Funk, esse ultimo aprendi a gostar por entender e até me identificar com seu caráter de autentica expressão de libertação de um povo que acabou sendo forçado a ficar nas margens, sem direito até mesmo de tentar gritar.
Lembrando, não estou falando de qualidade, pois se não entraríamos em outra subjetividade complicada (fica pro próximo post).
A Música Eletrônica é um dos principais gêneros, considerados “pop” que estão constantemente criando alguma linguagem realmente nova em relação a música no Brasil e no mundo. O próprio “fazer música” é muito diferente do que costumávamos pensar como sendo "música".
A Música Eletrônica nacional vive anos de efervescência, criando e se recriando a todo o momento e, diga-se de passagem; totalmente fora do mainstream, seus profissionais conseguem arrastar multidões todos os finais de semana, seja tocando em terras tupiniquins, como em vários outros cantos do planeta.
Decerto que um pouco mais de uma década apreciando a música eletrônica, me faz olhar pro ano de 2009 como sendo o primeiro que sinto com todos os sentidos uma brutal estagnação criativa no meio, onde ficou cada vez mais raro encontrar produções que sobrevivam à primeira degustação sonora. Porém se comparados com outros estilos, ainda me surpreendo muito mais com a capacidade criativa de novas texturas e fantásticas paisagens sonoras da música eletrônica do que com qualquer outro estilo “pop”. “Apesar da matriz do rap brasileiro ser americana, são muitos os grupos que seguem na contramão do que os americanos estão produzindo, um rap pop grudento e que trata de sexo casual, misoginia, armas e ostentação.” Por outro lado, uma parcela do Funk, segue essa linha ridícula do rap pop americano, muito bem citada no trecho acima, mas isso não é uma regra.
O que é regra, e agora defendida em lei - é que o Funk é a mais nova Cultura popular carioca. Podemos nesse momento fazer uma reflexão mais atual do que a anos atrás o Brasil fazia com ritmos como o Samba.
É legitima e necessária uma lei que defina o que é manifestação cultural?
Como diria Arnaldo Cezar Coelho (não gosto de futebol mais hoje acordei pop):
A regra é clara. O jeitinho brasileiro fede a coco de cavalo dos bandidos mais covardes que hollywood já pode produzir e nossa terrinha consumir com a pança cheia de batatas fritas. “Toda a pessoa tem direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de usufruir das artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios.” (Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1947, Artigo XXVII parágrafo 1)
Toda pessoa possui o direito de ter contato com a natureza e com as diferentes formas de expressão da cultura humana como a arte, música, literatura, esportes etc.
Isto significa que, além de descanso, para recuperar a energia gasta com o trabalho e estudos, as pessoas também precisam de tempo para se dedicar às atividades culturais e de lazer. A participação nestas atividades contribui tanto para o desenvolvimento pessoal como para uma boa saúde física e mental. Esse país de mocinhos industrializados, e em sua maioria, incapazes de ser uma copia com o mínimo de dignidade, ainda sobrevive - e essa sim, podemos chamar sem medo de legitimo “jeitinho brasileiro” - da indústria do negro forro!
Então... Que o Estado do Rio de Janeiro conceda rapidamente a Carta de Alforria pra música eletrônica, mais especificamente pro Psychedelic Trance e suas celebrações a céu aberto, pois ficar trancado em clubes de concreto até é legal – se você estiver curtindo House, D&B, Techno – mas o Psychedelic Trance gosta mesmo é de pés sujos de terra , céu estrelado e toda beleza natural que puder ter a sua volta. Não pode ser difícil compreender isso.
Seja qual for seu estilo musical, caro leitor cara pálida - música brasileira é a música dos índios. E qual índio você vê fazendo sucesso, lançando CDs e fazendo shows por todo o país?
Vamos dar as mãos, pois a única coisa que nos separa é o tempo e um pouco de falta de imaginação. Por Roosevelt Soares
Última edição por Roosevelt Soares; 16-10-2009 às 19:26.
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13-10-2009, 11:31
|  | Linaaaa | | Registrado em: Jun 2004 Localização: niteroi
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| | Re: O que é Música Brasileira?
Hahaha ... Roosevelt e seus bons pensamentos ! Concordo quando você diz que hoje em dia ta dificil de se ver uma boaaaa produção como antigamente. Claro que tem , mas acho que como eu , como você , que ja vamos ha anos e anos pra festa com certeza é notória a diferença de qualidade de som que vivemos hoje. Sem falar nos " lives " que cada vez lives tem é nada. Mas em questao da rotulação da musica .. musica pra mim é musica .. independente de brasileira, espanhola, russa. Curto bossa nova, que veio do jazz, curto rock anos 80 , e sao estilos que conseguiram marcar épocas. Engraçado que ja na musica eletronica eu vejo uma variação tao grande de vertentes que parece q nenhuma consegue se fixar num estilo só. Parece que todos estao sempre em busca de " popzar " ( acabei de inventar ) a musica. O ruim na minha opiniao é o fato das pessoas seguirem muitas tendencias do mercado fonográfico mundial. Pq com certeza os outros estilos de som que tem pelo mundo influencia a psychedelic world. De qq forma , anyway , Viva o openair e aos bons anos que passamos no espaço lonier, fazenda dos prazeres , famoso sitio das trevas, ops , pedras, fazenda alegria ! Cade esse tempao bao que nao volta !!!! Nao somos prisioneiros pra ficar enclausurados em uma boate !
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