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19-07-2009, 20:08
|  | poesia ou morte! | | Registrado em: Mar 2005 Localização: Celtx
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| | Cristal na Veia - Memórias de uma viagem sem limites ao inferno das drogas “A ideia de ser um artista drogado que quebra as regras da sociedade sempre me foi muito atraente. Lembro que conheci um artista em Nova York, que já havia sido viciado e era um pintor bem famoso. Ele me contou que, se tivesse achado que se drogar o ajudaria a criar quadros melhores, então nunca teria parado de se injetar. Mas seu trabalho ficava melhor quando ficava careta. Afinal, disse ele, a arte é a coisa mais importante.” Nic Sheff começou a se viciar em drogas quando ainda estava na escola, onde aprendeu a injetar estudando um diagrama que achou na Internet, e por mais de uma década usou drogas injetáveis. Por grande parte deste tempo, ele morou nas ruas, prostituindo-se, vendendo drogas ocasionalmente (apesar de nunca ter sido muito bom nisso) e comendo das lixeiras; ele aparecia na vida dos pais ocasionalmente, algumas vezes para roubá-los.
Internado várias vezes para tratamento, quase morreu de overdose em um relato de seu livro ele descreve como quase perdeu um braço quando o furo de uma agulha infectada infeccionou-se e virou uma bola horrível de pus e carne necrosada. “Preciso de mil quilos de heroína. Preciso me afogar na metanfetamina. Preciso de pílulas, maconha, litros e mais litros de ácido líquido..."
Após se injetar em um banheiro de restaurante, Nic descreve sua angustia ao mesmo tempo em que percebe sua atração por relacionamentos doentios enquanto fazia amor com sua namorada. “Após sair do restaurante, nós acabamos indo para o quarto dela e fizemos amor, mas eu ainda estou chorando. Uma fenda se abre no chão e nós escorregamos para dentro, engolidos pelo sexo e pela proximidade da morte, duas coisas tão eróticas. Nossos ossos batem uns contra os outros e nossas juntas se estalam...”
Nic começa a perceber que se não tomar uma atitude em breve, vai acabar morrendo. Em um dialogo com um de seus “amigos”, Gack tenta tirar a ideia de se afastar das drogas da cabeça de Nic utilizando um pensamento muito comum entre alguns jovens. “A gente só tem uma vida – diz Gack - Prefiro ser feliz por pouco tempo do que levar uma vida chata de merda até os 90 anos. A vida é isso aqui, cada dia uma aventura.”
Outra passagem interessante do livro, e que me identifiquei com Nic, é que ele é um ateísta militante. Achava a crença em Deus ultrapassada, ilusória e ignorante.
Em um momento difícil de sua vida, em que definhava, sem energia até mesmo pra expressar amor pela sua namorada ou por si mesmo, acreditando que seria melhor morrer naquele momento, sem conseguir suportar a dor, Nic se lembra das palavras do seu padrinho no programa dos 12 passos e decide recorrer a Deus... “- eu rezo. A prece sai do fundo da minha alma. Rezo em voz alta, falando com um Deus em que não acredito. As palavras saem sem controle.
Hoje em rezo. Não é a primeira vez que faço isso, mas é a primeira vez que faço com sinceridade. Estou desesperado. Por isso eu choro e peço ajuda a Deus.
- Deus – digo. – Olha, eu não acredito em você nem nada, mas, se estiver por ai, por favor me ajude. Não agüento mais. Faço qualquer coisa. POR FAVOR.
Nada acontece. Nenhum relâmpago, nenhum arbusto em chamas, nada.
Aí, eu decido ligar para casa.”
Me identifiquei pelo fato de que durante muito tempo, acreditei não existir um Deus. E de fato ainda não acredito na maioria de suas descrições clássica, porém existem momentos, que se você não acreditar em uma força superior, fica difícil ou impossível, permanecer de pé, vivo. “Se não estou vivendo a beira da morte, sinto que não estou vivendo de verdade.
Sempre me sinto sem valor quando estou sem namorada
Depois da Savannah (1º namorada de Nic), eu fui pulando de uma namorada pra outra. Quando não estava namorando ninguém, estava procurando alguém para namorar. Aquilo me fazia sentir mais completo. Quando estava sozinho me sentia um nada.”
Nic descreve essas experiências com a vividez e desapego angustiantes, como se estivesse observando outra pessoa. Facilmente identificamos em seus relatos, pessoas que poderiam se encaixar perfeitamente naquela situação. Nesse trecho que citei acima, eu sem duvida vi vários amigos(as) meus, que parecem viciados em relacionamentos vazios, mas se relacionam por uma quase carência obsessiva, por pânico de ficar sozinho.
Entre vários trechos que dariam ótimas discussões, vou citar um ultimo que muito me lembrou o caso do Michael Jackson.
Nic começa um relacionamento com uma atriz mais velha de Los Angeles. Zelda, que também é viciada e vive envolvida entre relacionamentos que não dão certo e clinicas de reabilitação. Zelda então recorre a um medico conhecido por fornecer receitas de acordo com as necessidades do cliente. Ou seja, um traficante com diploma de medicina, que lhe receita um remédio chamado subutex, que tem efeito semelhante à heroína, porém aparentemente devolve à pessoa que é viciada a aparência de “estável”, “abstêmio”.
Eu estava lendo esse trecho do livro justamente no auge das noticias de que a morte de Michael Jacksonfoi foi facilitada, ou induzida, por médicos que receitavam medicamentos de acordo com o cliente e não de acordo com a analise especializada do medico. E não é uma caso isolado, esse costume a cada dia parece ficar mais comun.
O livro foi escrito em 2007, quando o autor tinha 24 anos e foi lançado recentemente no Brasil com o titulo de Cristal na Veia - Memórias de uma viagem sem limites ao inferno das drogas (Tweak: Growing Up on Methamphetamines).
O livro ficou quase um ano na lista dos mais vendidos do New York Times, e transformou seu autor numa personalidade nos EUA. Hoje, aos 26 anos, Nic está famoso, mora em Savannah, Geórgia, com sua namorada, e está trabalhando em um segundo livro, um romance sobre adolescentes moradores de rua e o fim do mundo, mas continua lutando contra as drogas. Ele também trabalha como modelo em uma escola de arte local. "Tirar a roupa na frente das pessoas não é nada, comparado a escrever o livro", disse ele, e acrescentou: "Todo o ponto da minha recuperação é não escolher quem eu sou, mas aceitá-lo." Diferente de praticamente todos os livros que eu li até hoje, o livro apresenta uma escrita tão natural e atual que poderia ter sido escrito por qualquer um de nós, e é dessa forma que o livro conquista, com uma leitura tão fácil e dinâmica, quanto se estivéssemos ouvindo o relato da própria boca do autor. Nic Sheff traz um relato real, sem julgamentos, com o único compromisso de relatar sua difícil experiência. Com os dois últimos post, Crystal Meth e Glamourização das drogas, tentei trazer um pouco da realidade da droga que vem devastando a vida de vários americanos e mexicanos. Termino com essa dica de leitura que por meio de uma parceria entre a Editora Agir e o Plurall, até o dia 30 desse mês uma promoção esta dando 4 exemplares do livro. Saiba mais aqui. | | Os seguintes 4 usuários disseram valeu para Roosevelt Soares por este post: | | 
19-07-2009, 21:00
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| | Re: Cristal na Veia - Memórias de uma viagem sem limites ao inferno das drogas
Taí to quase na idade de escrever um livro também.
Vai se chamar Lost in Space Dialético.
Eu acho o seguinte, durante toda minha adolescência minha mãe me deu livros relatos de ex-viciados do tipo reduzido a pó e afins...
Não é que eu ache bobagem mas vida de junkie romantizada virou clichê.
Mas a gente sempre espera que o próximo livro tenha algo a mais. E pelo entusiasmo do roosevelt deve ter.
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"Mas isso era apenas fantasia...O muro era muito alto, como você pode ver. Não importa o quanto ele tentasse, ele não poderia se libertar E os vermes comeram seu cérebro..." http://meadiciona.com/vjorion
Última edição por Orion ..; 19-07-2009 às 21:18.
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20-07-2009, 16:10
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| | Re: Cristal na Veia - Memórias de uma viagem sem limites ao inferno das drogas Não é entusiasmo, é uma resenha pra quem possa se interessar. Clichê é, tb não é meu tipo de leitura. Nem Castaneda que aborda o tema de uma forma “antropológica” me interessa muito. Ler sobre viciados e as drogas não me atrai, afinal sou bem frio em relação a esses envolvimentos quando descambam pro lado doentio, dramático...não tenho paciência. Afinal, tem força pra usar mais não tem força pra deixar o vicio, então, não me venha com drama.. Mas o legal do livro é realmente a escrita em forma de diário. Uma forma simples de contar a historia. | | Os seguintes 3 usuários disseram valeu para Roosevelt Soares por este post: | | 
20-07-2009, 19:30
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| | Re: Cristal na Veia - Memórias de uma viagem sem limites ao inferno das drogas
Sim, esse lance do diário me deixou curioso.
Agora o castaneda é interessante pq se vc pegar erva do diabo e viagem a ixtlan é exatamente o mesm período histórico, sendo que em um ele concentra os ensinamentos do peiote e outras plantas e no outro os ensinamentos do don juam.
Sendo assim ele dissocia as duas coisas e mostra que na verdade a verdade vai muito além do ato de tomar a substância.
E Carlos Castaneda não escreve sobre drogas no sentido ocidental da palavra ele escreve sobre técnicas xamânicas de parar o mundo
Assim a literatura psicodélica me interessa muito, o que eu realmente desprezo é junkies livros com objetivos moralistas de servir de exemplo rsrsrs.
Mas pena que vc não ta entusiasmado, tava quase me contagiando rsrsrsrs
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Última edição por Orion ..; 20-07-2009 às 19:33.
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20-07-2009, 20:34
|  | poesia ou morte! | | Registrado em: Mar 2005 Localização: Celtx
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| | Re: Cristal na Veia - Memórias de uma viagem sem limites ao inferno das drogas rs.. eu sempre estou entusiasmado antes de ler um livro, depois que leio perco o entusiasmo, e não sei o porque... huaha.. um ou outro são os livros que me fazem continuar entusiasmado mesmo depois de ler, por exemplo, livros do Carl Sagan...hauhaa Realmente “embolei” o que queria dizer...historias de junkies é que são um saco de tão clichê, as que fazem disso um drama então...eita...passo longe. Mas como disse, não é o caso desse livro, pelo menos não interpretei assim. O livro é simples, muito simples...sabe aqueles livros que você percebe uma narrativa simples, mais que são simples por que o autor esta usando uma técnica narrativa pra gerar essa impressão? Então...não existe isso no livro, ele é simples por falta de técnica 9pelo menos eu achei), é natural por ser natural mesmo. Então isso pra min foi o legal do livro, mas do que a historia pra falar a verdade. Esses dias vi o Jô Soares falando algo semelhante sobre. Ele dizia que tem atores que interpretam e você percebe que ele esta repassando o texto na mente dele, ele quase chega a falar as marcações de cena, e tem atores que fazem isso de forma natural, com propriedade....assim tem livros que você le e sente um texto muito preparada, muito “acadêmico”, e tal, e tem livros que fluem natural e hoje em dia são esses livros que estão conquistando a atenção do publico. E isso foi o interessante de perceber nesse livro.
Última edição por Roosevelt Soares; 20-07-2009 às 20:38.
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22-07-2009, 22:36
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| | Re: Cristal na Veia - Memórias de uma viagem sem limites ao inferno das drogas
Não faço um post aqui tem muito tempo e não li esse livro mas acabei de ler o livro chamado "Beautiful Boy" esrcito nada mais nada menos pelo pai de Nic.
E roosevel a dependencia quimica de Nic (fica claro no livro) é uma doença incurável como a Aids ou um Câncer Metastático...
O livro muito mais do que contar sobre os horrores do vício da metanfetamina (crystal meth) conta um drama de um pai que ama mais que tudo o próprio filho e tenta salvá-lo da morte.
É um estória dramática e recheada de detalhes que todo pai, filho, usuário, ou não usuário, adicto de drogas ou não deveria ler...
Acho que ainda não rola tradução para português, eu li em inglês...
"Beautiful Boy, A father´s journey through his son´s addiction, David Sheff"
Recomendo muito...
Eu que tenho inglês médio conseui ler em 2 dias...
Abraços...
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23-07-2009, 10:31
|  | poesia ou morte! | | Registrado em: Mar 2005 Localização: Celtx
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| | Re: Cristal na Veia - Memórias de uma viagem sem limites ao inferno das drogas Exatamente. O pai e o filho lançaram o livro falando sobre o mesmo período problemático, com suas determinadas óticas. David Sheff que foi durante muito tempo editor da revista "Playboy", provavelmente deve ter criado um livro bem interessante. No Brasil ele foi lançado com o nome de “Querido Menino” pela Editora Globo. Sem duvida a historia do Nic, é a de uma pessoa doente apesar de eu não acreditar muito que seja incurável, mas mesmo que seja assim determinado pela ciência, existe tratamento e através desse tratamento a possibilidade de uma vida saudável, sem drama. É o exagero do drama que atrapalham essas historias, mas parece que tanto o pai quanto o filho não cometeram esse erro em seus livros. Vou ler o livro do David e mais pra frente comento. |  
28-07-2009, 22:23
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| | Re: Cristal na Veia - Memórias de uma viagem sem limites ao inferno das drogas
Comprei o livro do Nic, Cristal na Veia e acabei de ler, bem simples, leitura facil, achei a escrita meio pobre mas bastante sincera, não sei se é pq é em forma de diário ou se a tradução ficou pobre...
É bem sem sentimento, sem drama mesmo...
O livro do pai tem muito mais sentimento e muito mais emocional...
O interessante pra tornar o negócio realmente consistente é ler os dois livros...
Na minha opinião o ideal é ler primeiro o do pai que é mais eloquente e com mais sentimentos e depois passar para o do Nic pra ver como a coisa é pesada mesmo...
Ai dá pra sentir como é o negócio...
Abraços...
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