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14-07-2009, 17:10
|  | poesia ou morte! | | Registrado em: Mar 2005 Localização: Celtx
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| | Glamourização das drogas
Chico Buarque – Acho que a descriminalização das drogas vai acabar com a sua glamourização. O sujeito que consumir maconha vai ficar aí, meio bobão, achando que está tudo certo. O cheirador de cocaína vai ser um chato social. Acaba a glamourização de se consumir uma coisa proibida.

As drogas sempre despertaram fascínio nos seres humanos e definitivamente nos anos 90 elas entraram de vez na moda através do estilo conhecido como “Heroin chic” popularizado através da modelo Kate Moss nos anos 90.
A característica dessa “moda de corpo” era a magreza, a pele pálida, as olheiras, e alguns traços de androginia.
O heroin chic surgiu junto a popularização da heroína que passava a ser consumida pelas classes média e alta. Outros famosos“seguidores deste movimento” foram Kurt Cobain, Courtney Love, River Phoenix e alguns filmes clássicos da época que trabalhavam em cima desse estilo foram o Pulp Fiction (Tarantino) e Trainspotting (Danny Boile).
O marco inicial, ou o auge, do heroin chic foi a campanha da Kate Moss para Calvin Klein, em 1993, e o declínio foi em 1997, quando um fotógrafo famoso do ramo (Vincent Gallo) morreu de overdose. Vincent era apaixonado por modelos adolescentes com ar de viciadas, ele tem fotografias mundialmente conhecidas por serem responsáveis pela glamourização das drogas (numa delas uma modelo está com uma nota de cem dólares enrolada na mão prestes a cheirar pedras de diamante). 
Modelos e campanhas a parte, essa moda não se restringe às passarelas. Escândalos envolvendo celebridades, drogas, internações, bebedeiras e vexames públicos têm suas fotos publicadas em sites de fofoca internacionais e servem como passa-tempo e “inspirações” para jovens e não tão jovens, do mundo todo. 
Em 1995, o filme Kids viria pra reforçar ainda mais esse estilo de vida junkie. As cenas do filme chocaram professores, pedagogos, sociólogos e pais do mundo todo. Segundo os críticos, as cenas iriam despertar o interesse dos jovens pela vida desregrada, pelo abuso do álcool, das drogas e pela prática do sexo precoce e sem proteção.
Em 2000 foi à vez do filme Requiem for a Dream que também explorou o tema. Com uma história moderna, que se passa nas ruas do Brooklyn, e conta a vida paralela de quatro pessoas que decidem procurar uma vida melhor. “Requiem for a Dream” é um dos filmes mais pertubadores sobre o mundo dos “junkies”. Uma obra completamente soberba onde cada imagem e cada som é exemplarmente bem tratado e transformado num momento de beleza indiscutível.
O filme mostra o percurso triste, mas real, de vários personagens ligados, de um modo ou de outro, a um vicío, de uma forma muitas vezes chocante e até mesmo sádica, que nos provoca um nó na garganta ao concluir de fato que “A Vida Não É Um Sonho”. Sociedade Dionisíaca
Dioniso, como reza a lenda, era o deus das festas, do vinho em particular e do prazer. Filho de Zeus – o deus supremo – com a princesa Sêmele. Foi o único deus filho de uma mortal.
Superficialmente, o caráter dionisíaco tem uma grande aproximação na formação do ser humano moderno, por sua imagem de um deus frívolo, de bebedeiras – personificação da liberdade do homem agindo pelos seus instintos naturais, vencendo a razão e a moral. Na Grécia antiga os cultos epifânios celebrados em homenagem a essa divindade eram cinco dias de folias ungidas com muito vinho. Durante as festas ninguém poderia ser detido e quem estivesse preso era solto para participarem das comemorações. Segundo Nietzsche, esses rituais eram a pura manifestação de vitalidade aprisionada pela moral, pelo preconceito e pela razão. 
A maior referencia moderno ao culto de Dioniso é o carnaval. Sua influência é concebida até os dias de hoje. Muitos historiadores acreditam que o carnaval tem raízes históricas que remontam aos bacanais e as festas similares em Roma. O carnaval é, por natureza, uma festa dionisíaca. Marcada pelas liberdades interiores manifestadas exteriormente como nos cultos antigos. Durante sete dias de festas os homens se desprendem dos preconceitos, da moral repressora estabelecida que permeiem seus cotidianos para então assumirem a identidade dos mais verdadeiros desejos do ser.
É nesse estado de graças que o homem assumiu seu caráter genuíno; estabelecendo sua vontade de como ser, agir e pensar sem a influência dos cânones da sociedade que inibi o livre arbítrio formando o ser humano civilizado. Assim, o mito de Dioniso predomina sobre todos nós, como o sonho de exercer nossas vontades acima da razão, e sermos o que realmente somos ao invés de sermos o que querem que sejamos para que não infrinjamos as leis que estabelecem a realidade aparente de nossa sociedade falida. O Mito da Liberdade consumida
O vocábulo liberdade, do latim libertate, se caracteriza pela faculdade de cada um se decidir ou agir segundo sua própria determinação.
Se falamos em liberdade, é porque conhecemos o seu oposto.
Vale ressaltar que tanto a mentalidade dionisíaca como as drogas aqui são apenas engrenagens de uma gigantesca maquina de manipulação.
Refletir sobre a liberdade é algo imprescindível nos dias atuais, principalmente quando nos deparamos com uma falsa liberdade difundida pelos meios de comunicação e amplamente consumida pela nossa sociedade moderna.
Essas práticas, muito ligadas ao egoísmo e ao individualismo do consumo desenfreado, funcionam como uma terrível armadilha social: Seduzem e encantam ao mesmo tempo em que viciam e cegam. “Sou livre e, em nome da minha liberdade, coloco o meu prazer em primeiro lugar”. Interessante essa afirmação... Ter ou Ser?
Última edição por Roosevelt Soares; 14-07-2009 às 17:17.
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14-07-2009, 20:27
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| | Re: Glamourização das drogas
Atualmente enfrentamos muitos problemas causados pelas drogas, acredito que muitos existam por uma carência por algo que atinge o ser humano desde antes os gregos.
esse espírito Dionisíaco deve existir, o problema é quando ele é tomado como O espírito ideal, aquele que devemos colocar como condutor de nossas vidas.
O ter e o ser perdem o lugar para o sentir, e é isso que muitos querem. Simplesmente sentir os prazeres possíveis no mundo, esquecendo-se que uma pessoa é muito mais do que ela é e do que ela tem.
Essa sobreposição de valores tem diversas causas, mas não cabe aqui discutir muito isso. E sim o que fazer para que as pessoas entendam que Dionísio é uma parte de nós (um tanto quanto essencial) mas que devemos aprender a controlar, afinal, se somos seres sensíveis e racionais ao mesmo tempo, é porque devemos encontrar um equilíbrio entre estas duas naturezas "antagônicas" que tornam o ser humano tão singular.
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14-07-2009, 23:08
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| | Re: Glamourização das drogas
Ótimo, acaba a glamourização fuma maconha quem é maconheiro, e quem gosta de parecer usa chapéu.
Agora em relação aos enteógenos, eu acredito que a tendência é as pessoas perderem a importância pessoal reconhecendo ser nada diante do todo. Dessa perspectiva vc compreende que nos ligamos nas mínimas diferenças para ignorarmos a verdade que nos oprime a cada instante, a total semelhança estrutural entre os veículos materiais e a fragilidade humana.
Dentre essa mínimas diferenças, até uma olheira pode virar objeto de culto e se tornar uma hiper-realidade. É o caso do heroin chic.
O que é pior um drogado decadente, ou uma pessoa "saudável" tentando parecer um drogado decadente? Um em processo de decadência moral e o outro no mínimo é um decadente mental.
Uma consciência ampliada de um ponto de vista de distante, entende que todos são pequenos e ao mesmo tempo são gigantes.
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Última edição por Orion ..; 14-07-2009 às 23:17.
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15-07-2009, 07:50
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| | Re: Glamourização das drogas
Os humanos sempre tiveram essa necessidade de se libertar do que pensam ser amarras morais e similares. Faz parte da natureza humana buscar o proibido, o espírito transgresssor está em todos, de uma forma ou de outra.
É certo que há e sempre haverá o culto ao proibido. Se são as drogas nesta geração, o que virá nas gerações seguintes à sua legalização?
Ouvi recentemente relatos de pessoas da Z. Sul do Rio que por exemplo estão extremamente envolvidas com a velha festa do baco, o conhecido bacanal. Pelos relatos, é algo que permeia a vida destas pessoas a cada fim de semana, em algo que para elas é delicioso por ser algo considerado transgressor, libertário, com ideais quase nos moldes da revolução sexual dos anos 60. O que importa é sentir prazer pelo que dizem.
É claro que nunca acreditei que esta prática tinha desaparecido. Só me surpreendi com a quantidade crescente de festas e casas dedicadas a esta prática no Rio. Ou seja, comportamento milenar que se mantém e se renova até hoje.
E sobre as drogas, curiosamente me pergunto o que é cultuado nos países onde a legalização já foi estabelecida.
E então.... O que virá depois?
E é isso... Vlw ae
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15-07-2009, 09:21
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| | Re: Glamourização das drogas
Agora uma coisa que eu reparei é que eu não vejo essa glamourização nas artes. Os filmes livros e músicas disponíveis só mostram o inferno das drogas.
Pq será isso? O único cinema que tratou as drogas de igual para igual foi o cinema psicodélico do final dos anos 60, e seus easy rider da vida.
Quais são os principais filmes de culto e que viraram até música do gms? Réquien, Trainspotting tudo filme sobre decadência de heroína mas que busca ser um arquétipo para todas as drogas. As pessoas que se apegam a esses filmes como um legítimo junkie film e o glamourizam estão realmente carentes de filmes que mostrem a realidade das drogas.
No mundo das drogas existem céus e infernos, tem gente que sai bem, tem gente que se dá muito mal é uma fauna complexa, mas apenas um lado é explorado.
A grande diferença que eu encontro dos 60 pra hoje é a seguinte, antes se glamourizava os fortes efeitos positivos e transformadores das drogas em voga naquela época. Hoje é transformado em produto os infernos das drogas e os próprios drogados sem entender o que são glamourizam esses infernos como única realidade possível. Já o careta depois de ver um filme desse olha pro drogado com peninha ou com raiva.
É como se fosse uma eterna propaganda governamental sobre o perigo das drogas e nesse ponto eu não vejo tal glamourização. Pelo menos não uma glamourização que parta dos formadores de opinião.
É como se a produção contemporânea estivesse escrava do Reefer Madness
Tal glamourização só pode vim da sociedade, e essa glamourização só pode ser derivada das descobertas dos céus escondidos pelo sistema que existem além dos infernos da droga.
E tbm do fato de o usuário de drogas estar cometendo um crime político. Isso é fato. Mas há ainda mais motivos para ser glamourizado. O espírito auto-destrutivo é glamourizado. A suposta sabedoria trazida pelas drogas é glamorizada.
O que difere um usuário de drogas do outro é a busca.
Prazer sensorial, ginástica mental ou transcendencia? tem de tudo no mercado.
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Última edição por Orion ..; 15-07-2009 às 09:33.
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15-07-2009, 11:03
|  | poesia ou morte! | | Registrado em: Mar 2005 Localização: Celtx
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| | Re: Glamourização das drogas Acho que existem drogas e drogas e cada uma vai reagir de acordo com a pessoa que a consome. Ou seja, pra cada tipo de pessoa, existe uma reação diferente
Lógico que tirando as variáveis, o que sobra é a reação que for mais comum. E é dessa reação mais “comum” que se faz os alertas de caça as drogas, a maioria dos filmes, livros, musicas...
Eu acho que a atração pelas drogas é realmente motivada pelo “proibido” pelo “mistério” e isso vem do interior do Homem e não das drogas... se tivéssemos pedras proibidas, pedras com efeitos misteriosos, hoje estaríamos discutindo sobre pedras e não drogas.
Um relato muito interessante que achei dizia o seguinte: “Chega a ser engraçada a forma com que nossos pais são condicionados a nos ensinar sobre drogas, primeiro eles nos educam grosseiramente até que percamos nossa auto-estima e então, na fase em que mais estamos fragilizados, eles só sabem dizer que “vai nos fazer mal e vamos viciar e nos acabar”. Ora, eu era uma adolescentes cheia de duvidas, já me sentia acabada, já não me considerava um indivíduo, tinha minhas mágoas à flor da pele e meus anseios ignorados, e ainda queriam me tirar o direito de me anestesiar?”
Parece que o mundo esta nas mãos de pessoas inteligentes, mas eu só aceito o adjetivo “inteligente” se levar em consideração uma boa dose de sadismo associado diretamente e em maior proporção do que “inteligência”.
Pois as regras que comandam o mundo, tem constantemente se apresentado mais destruidora do que benéfica e assim é quando reduzimos essas regras pro assunto drogasVSmundoVspessoasVSproblemas.
Última edição por Roosevelt Soares; 15-07-2009 às 11:05.
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15-07-2009, 12:48
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| | Re: Glamourização das drogas Citação:
Postado Originalmente por Orion .. Agora uma coisa que eu reparei é que eu não vejo essa glamourização nas artes. Os filmes livros e músicas disponíveis só mostram o inferno das drogas. | Tem varios... Alguns exemplos: "Cheech & Chong", "Half Baked", "How High", "Human Traffic", "Killer Bud", "Dazed and Confused", "Harold & Kumar Go to White Castle", "Saving Grace"...
Tem tambem outros que, apesar de não serem somente sobre o tema, incluem cenas engraçadas. Ex: Morte no Funeral.
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15-07-2009, 13:16
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| | Re: Glamourização das drogas
Esqueci desses, enfim quando não é o inferno das drogas, é comédia. O drogado pateta, o maconheiro abobalhado....
Barato de Grace é legal. Cheech e Chong é ótimo mas brinca com dois estereótipos, o do hippie maconheiro e do mexicano maconheiro. O próprio cheech não fumava cannabis e o chong bem, ele era realmente o chong.
Mesma coisa é pra lá de bagda (half baked), dois doidões em harvard (How Hight), Mesma coisa é Harold e Kumar.
Enfim isso mais estupidifica do que glamouriza apesar de ser engraçado e vc ver algumas verdades exageradas como a caça a larica.
Podiam tratar a coisa de forma mais real.
Porquê não fazem um filme sobre um homem que descobre a cura do cancêr através do óleo de cannabis e começa a distribuir este óleo de graça, acabando por ser perseguido pelas autoridades americanas.
Já fizeram mas é um doc e não passou nos cinemas. Claro.
O 4,5 e 6 catem no you tube.
Enfim o maconheiro e o drogado em geral quando não é marginalizado é tratado pelo cinema sempre como o anti-herói e não como o herói. Não sou a favor de apologia e sim da pluralidade de visões.
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Última edição por Orion ..; 15-07-2009 às 13:39.
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| | Re: Glamourização das drogas
Acredito que a glamorização se dá mais por ser um ato proibido do que por serem drogas propriamente ditas.
E sobre demonizarem as drogas, acredito na teoria de que algumas drogas, assim como artes, leitura ou política, podem trazer uma nova visão sobre o mundo, uma percepção alternativa da realidade, um novo tipo de pensamento que pode ir contra a ordem pré-estabelecida, que pode querer mudar o status quo.
E sinceramente não me lembro de nenhum governo ou organização que detenha o poder que tenha se interessado em mudar este status.
Daí a ridicularização. E também, o homem tradicionalmente sempre teve preconceitos contra o que desconhece. E capacidade da mente humana é uma das áreas mais desconhecidas .
E é isso... Vlw ae
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15-07-2009, 17:38
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| | Re: Glamourização das drogas Citação:
Postado Originalmente por Orion .. Porquê não fazem um filme sobre um homem que descobre a cura do cancêr através do óleo de cannabis e começa a distribuir este óleo de graça, acabando por ser perseguido pelas autoridades americanas. | Você não faz cinema? hehehehehehe
Eu te apoio!!!
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