22/06/2004 Entrevista com Bizarre Contact Bizzare Contact é formado por dois integrantes: Didy Ezra e Kfir Lankry, ambos nasceram e moraram numa cidade do sul de Israel. Seu som teve um “boom” definitivamente em 2003, ano em que eles apareceram na cena psy como um dos melhores grupos do estilo. Os dois também formam o famoso rol de “novos produtores”, assim como Junya (Eskimo), entre outros que surgiram recentemente na cena, nascidos em 1985 (ou seja, 19 anos e já fazem um barulho pancadão!)
Além de seu novo álbum, as músicas do Bizzare Contact já podem ser encontradas nas maiores e melhores compilações psy do momento e, em sua grande maioria, produzindo ou remixando ao lado de nomes já idolatrados no mundo todo.
A primeira track que explodiu no Brasil foi “Frequencies”, que possui um groove extraordinário além de um synth hipnotizante. Quem sabe sobre qual música se trata, sabe do que eu estamos falando.
Eles produzem no “Cubase” (assim como diversos outros famosos, tais como Melicia e nosso eterno Cosma produziam) e usam um Keybord Reval. Parece pouco, mas com isso eles conseguem fazer algo muito técnico.
Entrevista com Kfir Quem é Bizzare Contact?
Kfir: Bizzare Contact é Kfir Lankry e Didy Ezra, ambos nascidos em 1985, na cidade de Dimona no Sul de Israel, aonde vivem atualmente e possuem seu estúdio. Eles se conheceram na escola aos 13 anos de idade e de lá para cá vêm produzindo todos os estilos de Psytrance.
Porque o nome Bizzare Contact?
Kfir: Hummm (pensativo) Difícil de responder.
Difícil, mas possível?
Kfir: Melhor não (risos)
Tudo bem... Bom, qual foi a melhor festa onde vocês já tocaram?
Kfir: Aqui em Israel, no Boombamela Festival. Imagine 10.000 pessoas dançando que nem loucas bem sobre seu nariz ! Foi muito bom mesmo!
Qual foi a coisa mais louca que você viu neste dia?
Kfir: Não sei se louca, mas enquanto tocávamos, uns dois caras dançavam bem na nossa frente com um cartaz escrito: “You are the Kings!” (vocês são os reis!) e aquilo foi realmente muito bom para nós!
O Bizzare Contact é um grupo ainda muito novo na cena, mas ele cresce dia a dia de maneira muito forte. Como e por quê você vê essa ótima situação?
Kfir: Nós trabalhamos juntos desde os 13 anos e nosso sonho sempre foi lançar o nosso
próprio álbum. Agora que esse sonho se realizou, nós não queremos que ele acabe e por isso estamos produzindo intensamente, diariamente, muitas músicas, para que as pessoas nos conheçam e nunca se esqueçam de nós.
Como você vê isso do Bizzare Contact ser um dos grupos mais respeitados do mundo?
Kfir: É um sonho que se tornou realidade !
Vocês já vieram para o Brasil?
Kfir: Não! Nós fomos convidados algumas vezes, mas devido ao exército Israelense, nunca podemos sair daqui! Já vimos muitas fotos daí e a única coisa que temos a dizer é: Whow! Um dos países mais belos do mundo !
Você sabia que o Brasil é hoje em dia um dos maiores países do Psytrance?
Kfir: Não, não sabíamos ! Desculpas...
Sim, somos ! Temos grandes produtores já reconhecidos no mundo todo, tais como Wrecked Machines, Skulptor, U Men, Burn N Noise, Mukunga Umbura, Brain XL, Killer Buds, etc ! Você nunca ouviu falar deles?
Kfir: Claro que sim! Nossa, nós não sabíamos que eles eram do Brasil ! São grandes artistas, com excelentes produções!
Vamos falar sobre o álbum. Primeiramente, quem foi que fez as capas, tão estilo Cartoon? E qual suas opiniões sobre ela?
Kfir: Eu (Kfir) e o Didy pensamos muito e decidimos que queríamos algo diferente, não igual a de todos os artistas e então decidimos de nós dois aparecermos na capa e então escolhemos por um Cartoon estilo Beavis and ButtHead. E quem criou foi o designer israelence, Nomgy, único e inigualável !
Qual é a música favorita do álbum, na opinião de vocês?
Kfir: Nossa música favorita.... (pensando)... Todas! (risos). Brincadeira, eu acho que é Creative World, a música número 9 do CD.
Por que essa?
Kfir: Porque ela é realmente diferente, especial. O Kick dela é diferente, o bassline dela é diferente, tudo!
E o que vocês sentem ao tocá-la?
Kfir: Tudo! Sentimos o sangue correndo rapidamente pelo corpo!
Foi difícil produzi-la? Quanto tempo vocês gastaram?
Kfir: Semanas... E não achamos que foi difícil... É algo que a gente brinca no computador e faz com o nosso coração e cabeça, sem pensar muito.
Em quem vocês se inspiraram no Psytrance?
Kfir: Simon Posford, Delirious, X Dream, Space Cat e Oforia principalmente.
Por que o nome do CD é “Plastic Fantastic”? Isso não era o nome de uma famosa gravadora Européia (não do Psytrance, mas de outro gênero)?
Kfir: Pelo que a gente sabe não! O nome é esse porque decidimos por algo que fosse fácil de memorizar e ficasse retido na cabeça das pessoas. É um nome que combina e muito fácil para memorizar! Tudo tem a ver com conquistar as pessoas!
Sobre o álbum, gostaria de comentar sobre uma música específica, que talvez seja a que os Djs brasileiros mais curtem hoje em dia: Run Away. Queria que você comentasse um pouco sobre ela.
Kfir: Esta música foi feita em companhia com outro grande produtor, Nameless, que por sinal é de nossa cidade. A música possui uma melodia maravilhosa que, como já dito, foi feita com o coração. Então o que eu sinto é basicamente isso, todo o sentimento do coração.
Que instrumentos vocês usam para produzir e especificamente fazerem aquele Groove considerado por muitos o melhor do Psytrance atual?
Kfir: Sound Card regular e speakers, sem equipamento algum. O álbum foi feito apenas com isso e com muitos sons em VST.
Nenhum Hardware? E que programa vocês usaram, Cubase?
Kfir: Usamos Reason, Fruitty Loops, Cubase, não usamos nenhum hardware, apenas aqueles equipamentos e o
próprio Cubase para edições.
Falando sobre Live PA. Hoje em dia, é muito discutido aqui no Brasil, a questão do que é um verdadeiro Live PA. Qual é seu conceito de Live PA e como vocês realizam o de vocês?
Kfir: Nós podemos fazer o Live PA de duas maneiras. Um de nós no Laptop no comando das músicas e o outro fazendo efeitos no Synth. Uma outra opção, que é mais difícil e é a que normalmente fazemos, de um de nós remixar ao vivo nossas músicas como se fosse um Dj Set e enquanto isso o outro fica no Synth fazendo efeitos extras que não existiam nas músicas. Este segundo é o melhor de todos, pois ambos estão trabalhando simultaneamente!
Qual é o seu produtor de Psy favorito hoje em dia e porquê?
Kfir: Hoje em dia é muito difícil selecionar apenas um, mas acho que de todos, nossa opinião é que o Space Cat é o melhor do mundo. Ele tem um perfil
próprio dele, você escuta uma música dele e de cara já reconhece isso. O groove dele é o melhor do mundo.
Vocês curtem algum outro estilo sem ser Psy ? Reggae, Rock, Pop?
Kfir: (Pensando).... Pop não! (Risos!) Acho que gostamos apenas de Chill Out, Dub, coisas assim.
Agora um assunto difícil: Mp3. Eu queria saber sua opinião sobre Mp3, tendo em vista que se não fosse por ela, nem eu nem a grande maioria dos brasileiros iriam conhecer suas produções.
Kfir: Nossa, que pergunta! Você quer nos matar? (Risos). Bom, existem dois lados, um bom e um ruim. O Bom é o lado promocional, que com ela você pode atingir um público bem maior e o lado ruim é que ela mata a música, mata o artista e mata a gravadora.
Eu tenho o seguinte critério na cabeça: As pessoas podem baixar mp3, contanto que ao gostar do álbum, o compre! O que vocês pensam disso?
Kfir: Aí sim, seria uma grande maneira, incentivadora aos artistas e ao público.
Para finalizar essa entrevista, queria saber quais são suas expectativas para a vinda ao Brasil, agora sabendo mais sobre nossa cultura trance e nossa evolução, principalmente referente às produções e tudo mais.
Kfir: Porra, são tantas!! (risos) Brincadeira... Nós queremos ir para ver esse maravilhoso país, com pessoas lindas e, claro, nossos ótimos amigos que temos aí!
Crédito: Gui Milani
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