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Antigo 28-05-2008, 16:43
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Zendhi
 
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Thumbs up Ellen Allien - Sool

O novo álbum da produtora alemã é um "fantasma" íntimo e abstrato, longe do 4x4
27.05.08 17:45
"Sool é um fantasma...uma criação que reflete a atmosfera em que foi concebido o disco, mas também minha personalidade", diz Ellen Allien, dona do emblemático BPitch Control, sobre seu novo disco. Ellen se reinventou com Sool, lançado agora em maio. O espírito pós-rave de Berlinette, a atmosfera clubber de Thrills e o progressivismo apoteótico alcançado ao lado do parceiro Apparat no Orchestra of Bubbles, foram postos de lado no trabalho mais intimista e confesso da multiartista berlinense.

Sool não tem muitos momentos para pista de dança: é um disco out-of-dancefloor. É conceitual, talvez. É devagar e não anima...pode ser. Mas seu brilho se esconde entre essas palavras e foge delas. É uma obra que espelha o íntimo da artista. Pode ser que dessa característica perceba-se a influência da co-produtora do disco, AGF. Poeta, cantora, produtora e filósofa, Antye Greie - que tem como processo de trabalho a música que nasce a partir da poesia - já figurava sua influência com a faixa que abre o quarto volume, da série Boogybytes, mixado pela própria Ellen e lançado em março deste ano.

Ainda sobre sua personalidade, Ellen Allien, declara: "Eu sou eu, mas também sou quem vocês me fizeram, sou o que vocês fazem comigo e o que eu faço com vocês". Desse pensamento transcorre a idéia de que a artista é também o reflexo do ambiente à sua volta e vice versa - Ellen é Berlim e Berlim é Ellen. E isso fica claro na faixa que abre o disco, "Einsteigen" - um passeio pela área central da capital alemã.

GÉLIDO, PORÉM DELICADO
Gravado durante o rígido inverno berlinense, o disco nos leva a momentos gélidos, como em "Zauber" - tema sublime da obra - e "Ondu". Mas dizer que Sool é frio seria ignorar sua organicidade, coisa tão rara e incomum na música feita por máquinas, hoje ou em qualquer outra época, e tão presente nas faixas "Caress" e "Frieda" - esta última, uma homenagem póstuma à sua avó, com participação (de novo) de Apparat. Tratar o disco com indiferença é deixar de conhecer a beleza onírica existente em "Euphine", faixa co-produzida com Holger Zilske aka Smash TV, que em determinado momento nos presenteia com um delicioso e grudento assovio.

Mas como boa animadora de pista que sempre demonstrou saber ser, Ellen nos brinda - mesmo que poucas vezes - com momentos quentes, em especial na faixa "Its". Ela conta que foi uma idéia que ficou durante 11 meses esperando para ser realizada. Valeu a espera! Assim como em outros momentos into-the-dancefloor ("MM" e "Sprung"), percebemos que a produtora aboliu o uso de batidas quebradas. A linearidade e o minimalismo desses momentos fazem lembrar, às vezes, Richie Hawtin e a turma M-nus.

Mas mesmo aí, a berlinette reinventa o estilo; com sutileza, a tal organicidade é introduzida nas batidas retas deixando o 4x4 vivo, presente e profundo. Sool é vivo nas variações, nas oscilações e no diálogo estabelecido entre a produtora e a máquina, onde cada um parece saber extrair do outro aquilo que ele pode oferecer de melhor, neste caso, o som e as sensações. Aqui a máquina não é mera ferramenta, instrumento polifônico usado mecanicamente, ela é usada como extensão das impressões da artista, acerca de si, dos outros e do mundo.

Este é um disco que traz uma artista na busca de sua própria reinvenção. Para se renovar, ela preferiu revelar seu íntimo. Não irá agradar àqueles que gostam da Ellen Allien na pista de dança, mas esses perderão a poesia alcançada na sinceridade de sua arte.

fonte: rraurl
autor: rodrigo roman

link para escuta as músicas: http://rraurl.uol.com.br/resenhas/52...Sool:thumbsupu
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Antigo 28-05-2008, 18:22
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legal essa notícia..

ellen allien é uma artista que sempre fez esse fusion de minimal-tech e outras vertentes...mais uma vez se reinventando...

sabe...essa coisa de não ver o equipamento como uma coisa mecânica mas ver uma organicidade natural da relação da ferramenta com o artista...atinge uma cumplicidade interessante de ver a arte não como um conjunto de regras estéticas mas como as contingências necessárias tanto sociais econômicas como cognitivas do corpo...a arte como somática...como entendimento metafísico da realidade...

muito bom...

resta ouvir pra ver como ficou isso...
__________________
Citação:
Em Cristo
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allien , ellen , sool


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