Chapéu de Boto
A estada larga, iluminada e cheia de pessoas
Caminhando lentamente ou pulando aqui e alí
Sentados à beria do caminho, fumando, conversando
Bebendo e lendo
Mostra que aqui nao é o lugar.
A estrada Vazia de pessoas, de pensamentos alheios
De correrias insanas, de poesias humanas
Estreita e nebulosa
Espinhenta e dificultosa, Sofrida e cognitiva
Empenha o papel do buscador intuitivo, que sempre
Olhando para Dentro de sí, pecador e sonhador
Guerreiro de cinco cores, estimando o florescer da percepção.
Quando o bote aporta e muitos se precipitam
Quando A vida exorta desejos proibidos
Quando Desejos Proibidos são dados de graça no mundo
O pilar que sugere o plácido olhar da Floresta
É uma árvore Samaumeira de frondos altos e raízes profundas
Comunicador Natural. Sapopemas culturais.
Eis que de toda a sorte é o Ser do Mato
Criado no Mito, na Lenda e no Conhecimento Ancestral
Do Silêncio tira a sabedoria Xamã
Do Mergulho agarra Peixes, Muiraquitãs
Amuletos da Sorte para presentear Amigos
Conhecidos nas estradas e Firmados na Caminhada.
O Caminho de olhos abertos, duas pupílas
O Caminho de Olhos Fechados, Uma Glândula
Dimetiltriptamina da Consciência Etérica
Fortes emoçoes e Sensações atmosféricas
O bote que aguarda na margem oposta do Lago Marrom
O Arco que retesa flechas na vida Justa com Coração
É a vitória dos que pedem abrigo ao Pai do Céu
É a Salvaguarda dos que ilhados no escuro mordem os pés
É a Direção dita nas Estrelas, Cruzeiro do Sul
Se o pássaro canta, sente-se seguro de sí
Se a borboleta pousa, sente-se convidada a participar
Se o Que é místico se mostra, o chamado está feito
Então, só mergulhar no mato para morder raízes
Ganhar Penas dos Reis Pássaros
Ganhar Vôos Do Povo Núvem
Ganhar o Chapéu do amigo Boto.
O Pomar das frutas está à disposição
Comer ou Não, eis a questão. Se há um dono,
ele saberá qual escolher, mas se não há
Escolher pra quê? Satisfaça a necessidade, mas não ultrapasse
A linha do que é Integro para que não te envenenes
Para que não apodreça
Para que te purifique
E Fique claro que na Natureza
O homem Bom é o que não Subestima A Beleza.
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Sou do mato, caboco mesmo. Meus espírito nato, nativo, ativo, gosta de açaí com peixe. Sou do rio, da floresta, do Brasil. Índio sem aldeia.
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