Minha mente está confusa.
Borderline ou Bipolar? Fodas, odeio ser alguma dessas coisas e ter esses sintomas que enchem o saco.
Fico na duvida se quero ser o espelho da decadência social ou se quero ser um lapso de esperança. É complicado quando você esta dos dois lados da história, analista e analisado.
[Odeio terapia] Mas como diz Matanza ''Há quem saiba o que ninguém mais sabe E quem veja o que ninguém mais vê'' [adoro Matanza]
Lembremos de Heráclito, filósofo
pré-socrático que diz: Tudo Flui! [ ''phanta hei'' ]
E que não podemos entrar no mesmo rio duas vezes... Pois as águas serão outras e você também já não será o mesmo.
Lembremos de Sartre e Husserl na fenomenalogia e existencialismo... Com a idéia de que somos apenas algo que sempre esta para ser... ''vir-a-ser''. Como um sopro em direção ao que você será... Logo, você nunca é, e sim: sempre estará para ser. Assim como Hegel afirmou... ''O pensamento nada mais é do que um infinito vir-a-ser dialético''. Tá...chega de filosofia e teoria... Onde está à aplicação
prática da dialética, do devir, do vir-a-ser... Mas principalmente da DIALÉTICA.
Dialética pra mim é a libertação.
Mas antes digo mais, jogo mais teorias... Agora mais distantes do ocidente. Quem já ouviu falar da eterna roda do samsara budista? Penso que vivemos em meio um rio turvo arrastados pela força mecânica da natureza... Penso que somente peixes mortos se deixam levar meramente. A libertação é paradoxal, quebrar esses paradigmas de ser e não ser... E vir-a-ser....Meu fim de semana foi pura sensação e extremos. Cheguei aos meus auges. Domingo depois que cheguei do clube fui para cobertura do meu
prédio. Olhei a noite... Nadei na água gelada de roupa. Deitei-me no chão sob as correntes de vento e deixei que a noite me secasse. Vi estrelas... Curti uma marijuana, conversei com nuvens. Lembrei de mágoas... Desvinculei-me delas. Lembrei-me dos prazeres... Deixei que o vento os levasse. Comi doces, muitos doces. Fumei cigarro careta. [ e eu não fumo ] Vomitei as tripas. Tomei banho quente, escovei os dentes, a guela. Lavei os cabelos. Observei cada instante de prazer. E achei prazer em coisas diferentes como ficar molhada no frio. Por horas. Deliciosa solidão e mente vazia. Vislumbrei minha vida caótica dos últimos tempos, sem ordem, sem controle... Os extremos, as decadências. As necessidades descabidas, desejos aos montes... Lamúrias enjoativas. Lembrei-me da dor, do prazer. Tudo fugaz... Mas essenciais para dar movimento. Eis um lado da dialética não? Os opostos, os contrastes, os choques gerando algo... Que algo é esse? Tudo que dará uma nova tese, que por sua vez terá por natureza uma antítese... E que formará aquela síntese... Eternidade. E ainda tem gente que duvida do infinito. Sabe qual a diferença entre os meus prazeres, as minhas dores e as da maioria das pessoas? Eu sinto-as com toda intensidade, com toda consciência e atenção. Sinto o efeito. A causa. O resultado... A origem. E descubro que a libertação consiste em desligar efeitos das causas. Em quebrar a mecanicidade. Em chutar a terceira lei de Newton. A libertação consiste no que mais quero. Não ser mais condicionada por causas. Não reagir como o esperado. Quebrar o Círculo Perfeito. Mas antes... É necessário entender, sentir... Viver o círculo perfeito. Por isso gosto desses filósofos... Das teorias, das culturas que me levam a entender o círculo viciantes. É viciante viver. Ser, não ser... Cair, levantar. Entrar na água, sair... Se molhar, me masturbar, comer... Respirar, chorar, sorrir... Dormir, sonhar, acordar... Mas quem nesse vício Acorda? Eu diria que meu vício consiste em fazer isso não só por fazer. Para mim a vida não é uma finalidade em si mesma. Eu existo para um dia não existir mais. Eis meu vir-a-ser: