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Textos e Poesias Lugar pra tudo o que a sua Intuição e Sensibilidade ache interessante compartilhar!

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Antigo 17-04-2007, 23:11
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As mentes mais brilhantes de nossa geração estão definhando antes de germinar.
Há uma guerra nos subterrâneos da consciência.
Os prováveis guerreiros de uma nova Aurora.
São entorpecidos pela televisão e drogas
São subvertidos de sua solidão por degredos mil em meio da multidão.
São enlouquecidos por todas as noites e dias de dinheiro e glórias.
São escarnecidos por filosofias podres e ensinos técnicos.
Produzindo e fazendo merda atrás de merda.
Enfileirando corpos e queimando a selva.
Somos tragados pela prosa e rima e métrica e mantras e desfilando em palcos de incompreensão.
Rimos com a mais doce expressão da face expressa atrás de um todo coração que transborda e espera uma doce ilusão entre os arcanjos de uma nova era.
Atravessamos as pontes sob águas turvas vendo os dias cada vez mais vagos sobre a face da terra e nosso destino não tem pecado nem bem nem mal na loucura agonia de um grito desesperado e curado de toda a falta de manejo com o exercício de discernir, de matizar, de ponderar, de se rir de si mesmo e tracejar futuros próximos sem glória sem pesar sem conceituar e se fechar sob um céu de estrelas mortas vazio de revoluções passadas revoluções de revoluções dentro de revoluções e mortos a contar.
Existem mundos menos absurdos em que Deus pode nos dar mais do que tirar e menos absurdos se cometeriam se de nós mesmos aprendêssemos a entender o mal que somos a nós mesmos e reconhecêssemos que não existe tirar nem pôr na contabilidade da vida do amor que corre farto em pensamentos não abstratos sem resignação sem culpa sem dor nem mal nem pudor que possa concorrer com algo que chamamos de bem como tese ou antítese mas que é puramente unidade na verdade de tudo que ocorre na unidade de todas as coisas que a razão tende a dicotomizar.


vlw.............................paz............... .........paz...........................paz
__________________
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Em Cristo
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Antigo 05-10-2007, 13:36
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essa é de minha autoria, e eu recomendo:

Botafogo, Rio de Janeiro, 28 de Setembro de 2007

Por que estou escrevendo para você quando deveria estar estudando - ou trabalhando, já que sou pago para isto - para a prova de fundamentos da matemática que farei hoje à noite? Questão de fácil resposta!
Primeiramente, porque quando escrevo me sinto como se estivesse conversando com a pessoa para qual escrevo, o que me faz ficar escrevendo mais e mais, e que a cada linha me deixa com vontade de sorrir de uma forma nunca antes experimentada. Isso me acontece sempre, em todas as "cartas" que escrevo, logo, tenho de mostrar também um sentimento único para esta carta...
O que seria este sentimento? Incondicionalmente, seria - ou é - o fato de mais ou menos 1 semana eu não parar de pensar em você. Não que eu tenha esquecido de ti, mas, algo ressurgiu em mim de uma forma esquisita. Tudo começou quando mandei um email para você - uma conta que tens no yahoo - chamando-te à ir na Bienal do Livro. Acho que fazem uns 8 dias que lhe mandei este email... Enfim, fui para a Bienal, pensei em você algumas longas horas; começou a semana, não parei de pensar em você; chegou o dia do meu aniversário, desejava de todo o coração poder passar este dia somente com você - sim, isso era impossível, eu sei!; e aqui estou eu, ainda pensando em você.
Eu sou maníaco possessivo? Já me perguntei isso. Me perguntei o por quê de quando eu gosto tanto de alguém a reciprocidade é inversamente proporcional. Me perguntei e esta "possessividade" seria o motivo. A resposta? Não faço idéia.
Me pergunto, por que a única pessoa com quem eu sentia demasiado prazer em estar junto, fazendo o que fosse, lá na Bahia, não conseguia sentir o mesmo por mim? Permaneço sem resposta... a culpa é por que ela é baiana e não está acostumada com meus hábitos "carioqueses" antiquados? Pois, voltemos à Cidade Maravilhosa...
Por que, ela, tão pequena; aparentemente inofensiva; de pensamentos tão complexos como os meus; possuidora dos cabelos mais bonitos e cheirosos já apreciados por mim; de olhos que me fazem acreditar ter encontrado meu outro "eu", para enfim, poder viver; por que, esta, também é capaz de não se entregar à mim como estou entregue a ela desde aquela tarde de agosto de 2004 no Arpoador? E aí meu coração dói, pois, não é somente por não ter uma resposta para esta questão que fico encabulado, mas, também por querer nunca ter me perguntado isto. Por achar que a vida é injusta conosco, por não querer acreditar neste dilema, por achar que é capaz de não precisar das resposta para todas essas questões e subitamente voltar a realidade, e enfim, por não compreender como conseguir amá-la tanto assim... Internas...
Sim, essa é a maior de todas as dores. Ver todo seu narcisismo e egocentrismo desabar diante de somente uma pergunta... Seus pensamentos dividem-se: um lado incentiva-o a não desistir; a acreditar que tudo é possível; a manter aquela promessa que fez de nunca desistir dela; a provar que é o único que a ama tanto, tanto que nem compreende o quanto; a... querer escrever todos os dias para ela, somente um singelo "eu te amo" para renovar a auto-afirmação de que é possuidor do sentimento mais sublime do universo. E há aquele lado, que diz a si quão estúpido é; que lhe pergunta como pode sentir uma coisa dessas por alguém que não faz questão de saber como está; que diz "a fila anda, mané"; que faz você sentir-se como um excluído do planeta; que lhe diz que você deveria respeitá-la, pois, ela lhe evita exatamente por isto, para você parar de sonhar coisas utópicas; que afirma quão manipulável és tua pessoa diante da dela, e como isto é notável, fazendo com que ela se aproveite mais e mais...
Daí você volta a realidade, dolorida, incerta... e se pergunta: que caminho seguir? O silêncio lhe consome...
Pós silêncio, seu pesamento continua inerte. Subitamente, ele é forçado a recordar-se de todas as peraltices aprontadas ao lado daquela que não cessa de seus pensamentos. Questões sem resposta dão lugar à recordações demasiadas agradáveis. Memórias... a vida dele estagna-se momentâneamente nelas. Pós saudosismo, ele se pergunta o que fará. Só que ele já tem uma resposta para isso, e por ter uma resposta para uma questão das "seletas complexas", ele se anima. A resposta é: ame-a, ainda que isto passe despercebido aos olhos alheios, ame-a. Preencha todo o resquício vazio em seu coração com o montante necessário para afirmar que seu amor é de todo o coração. Não sendoo bastante, faça este transbordar por si até o coração dela.
Ainda que isso não a conquiste, lute! E enquanto lutar a razão lhe chegará, trazendo consigo as respostas necessárias e novas perguntas. Ei-la, a razão...
Não! Não chega perto de ser um maníaco e possessivo. Quando está a pensar nisto é porque deseja obter respostas rápidas para questões não tão simples. O que lhe ocorre é a vontade de aproveitar a vida como se não houvesse amanhã. De querer reviver o passado no agora. Não... os tempos são outros. Acorde!
Oras! Acredite: A razão não está dentro de você! Não és Kant, és Luciano! O mundo e as pessoas não giram ao seu redor... e não passas ignoto no mundo. Haverá o dia em que o amor virá ao seu encontro...
E a inspiração vai embora, eu volto a assumir minha personalidade. Nada de terceira pessoa.
Pois bem, é por isso que estou lhe escrevendo. Porque te amo. Porque não compreendo como posso ser simplesmente um qualquer em sua vida. Porque eu queria - e quero - que fosse diferente. Porque eu não compreendo porque me evita, apesar de me afirmar, após ler isto, que é mentira. Porque continuo te querendo. Porque quero conseguir passar a cada instante planejando passar o resto de minha vida contigo - algo que ainda não tenho um motivo para fazer, mas que desejo. Porque eu olho para o mundo e não enxergo nada além de você. Porque eu não enxergo ninguém que te ame tanto quanto eu. Porque eu acredito que posso lhe fazer feliz como ninguém, nunca, poderá. E por que eu não sei o que você pensa sobre mim. O quê?

http://lucianosousa.blogspot.com/200...sob-prosa.html
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"Os burros nunca aprendem. Os inteligentes aprendem errando. E os sábios aprendem com os erros dos outros."

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Antigo 08-10-2007, 08:18
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Q lindo Lú!Tá apaixonado,difícil ver um homem declarar-se assim,expondo-se dessa forma!Isso mostra q ainda existem pessoas românticas e uma delas é vc!Boa sorte
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Antigo 08-10-2007, 08:36
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Q lindo Lú!Tá apaixonado,difícil ver um homem declarar-se assim,expondo-se dessa forma!Isso mostra q ainda existem pessoas românticas e uma delas é vc!Boa sorte

:~~
digamos que eu estava!
isso foi um desabafo... estranho, mas foi...
mas é legal... sempre é bom ter um sentimento nobre em si... só que a vida tem de continuar!
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Antigo 08-10-2007, 08:38
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que isso parabens meu borther, isso prova mais uma vez que existem sim pessoas romanticas!!!

E que essa papo de que todo homem e igual... nao existe!!
Continue assim escrevendo o que realmente sente!!!
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Estou gravido de pensamentos e ideias, as dores de minha cabeça são dores de parto
:red_banda
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Antigo 26-10-2007, 00:54
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PARA VIVER UM GRANDE AMOR...

" Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.

...Vinícius de Morais...

:love:


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Antigo 26-10-2007, 16:42
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PARA VIVER UM GRANDE AMOR...
eu tenho esse livro...
em quase tudo que escrevo há uma parte de inspiração das coisas que leio/li dele....
também tenho o "para uma menina com uma flor"... onde também tem uma crônica que leva o nome do livro...

PARA UMA MENINA COM UMA FLOR

"Porque você é uma menina como uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nosasas malas seguiram
sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas
estrangeiras. E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu
cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair
para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você
se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você
é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada",
a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.
E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche
de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobre tudo porque você é uma menina com uma flor."

isso sem falar na Elegia Desesperada, que era o que eu queria postar... mas só achei na internet a segunda parte desta...
mesmo assim eu recomendo, acho que no releituras tem... se chama "o desespero da piedade".
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Antigo 26-10-2007, 18:42
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Na primeira hora era só nervosismo. Cigarros, e risos.
A expectativa falava mais alto que qualquer voz do tipo, as quais só escutamos depois que já se passou algum tempo que falaram.
As horas que se seguiram, apesar de mais calmas, eram excitantes, e cada momento era sugado pra dentro do ser como se nada pudesse escapar aos olhares e toques. O suor escorria pelo rosto, porém as atenções não se voltavam para isso.
E a cada hora uma felicidade.
E a cada hora, menos outra.
E a cada hora eu era mais feliz.
Muito.

Até que um dia acordamos e percebemos o quanto é frágil um sonho; se desmorona e esfarela quando mudamos de posição na cama, ou sons vêm nos encontrar ao pé do ouvido.

Teria sido sonho? A fragilidade está. A fragilidade é.
Jamais acordei desse sonho. Hoje, solitário, sobre terras distantes, novos mundos, descobrimentos e navegações; penso naqueles momentos e não posso deixar de me imaginar uma pessoas presenteada pela vida, e por isso mais triste... mais distante.

O navio continua, sempre buscando novos portos. Mas foi naquela terra que depositei minha alma. Meu sonho. Meu amor.

Não posso deixar de pensar nas coisas boas que me aconteceram nos útlimos anos. Talvez uma antítese deste por qual passamos, talvez retorno;

O que se sabe é: como?

perguntas.

nada.vale.mais.um. grande amor.


Marcelo Dominguez dos Santos
__________________
It seems strange that my life should end in such a terrible place, but for three years I had roses and apologized to no one. I shall die here. Every inch of me shall perish. Every inch, but one. An inch. It is small and it is fragile and it is the only thing in the world worth having. We must never lose it or give it away. We must NEVER let them take it from us. I hope that whoever you are, you escape this place. I hope that the worlds turns, and that things get better. But what I hope most of all is that you understand what I mean when I tell you that, even though I do not know you, and even though I may never meet you, laugh with you, cry with you, or kiss you, I love you. With all my heart, I love you.
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Antigo 26-10-2007, 18:58
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eu tenho esse livro...
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em quase tudo que escrevo há uma parte de inspiração das coisas que leio/li dele....
também tenho o "para uma menina como uma flor"... onde também tem uma crônica que leva o nome do livro...".


Mto legal né Timaum!!!

Poxa eu ainda naum tive a oportunidade de ler o livro, conheço pelo site dele... q por sinal é mto bom tb!!
Amo poemas e crônicas e o vinícius é espetaculaaar!!!

É muito bom viver a vida com amor e com inspiração =DD

Olha essa prosa !



Separação


Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto imemorialmente irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito; mas ao chegar à porta sentiu que nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contada na história do amor, que é história do mundo. Ela o olhava com um olhar intenso, onde existia uma incompreensão e um anelo, como a pedir-lhe, ao mesmo tempo, que não fosse e que não deixasse de ir, por isso que era tudo impossível entre eles.
Viu-a assim por um lapso, em sua beleza morena, real mas já se distanciando na penumbra ambiente que era para ele como a luz da memória. Quis emprestar tom natural ao olhar que lhe dava, mas em vão, pois sentia todo o seu ser evaporar-se em direção a ela. Mais tarde lembrar-se-ia não recordar nenhuma cor naquele instante de separação, apesar da lâmpada rosa que sabia estar acesa. Lembrar-se-ia haver-se dito que a ausência de cores é completa em todos os instantes de separação.
Seus olhares fulguraram por um instante um contra o outro, depois se acariciaram ternamente e, finalmente, se disseram que não havia nada a fazer. Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou, de golpe, a porta sobre si mesmo numa tentativa de seccionar aqueles dois mundos que eram ele e ela. Mas o brusco movimento de fechar prendera-lhe entre as folhas de madeira o espesso tecido da vida, e ele ficou retido, sem se poder mover do lugar, sentindo o pranto formar-se muito longe em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce.
Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias - um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas.
De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde...


Vinicius de Morais

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Antigo 29-10-2007, 08:52
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Mto legal né Timaum!!!

Poxa eu ainda naum tive a oportunidade de ler o livro...
mas eu faço questão de lhe emprestar os dois!
é só pedir!


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Postado Originalmente por TamTam Ver Post
Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias - um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas.
De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde...

acho que nunca li esse texto...
muito bonito esse final!

meu texto de hoje, apesar de ser considerada uma poesia...

Elegia Desesperada
(O Desespero da Pieadade)

Meu Senhor, tende piedade dos que andam de bonde
E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos...
Mas tende piedade também dos que andam de automóvel
Quantos enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.


Tende piedade das pequenas famílias suburbanas
E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingos
Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam
E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina


Tende muita piedade do mocinho franzino, três cruzes, poeta
Que só tem de seu as costeletas e a namorada pequenina
Mas tende mais piedade ainda do impávido forte colosso do esporte
E que se encaminha lutando, remando, nadando para a morte.


Tende imensa piedade dos músicos de cafés e de casas de chá
Que são virtuoses da própria tristeza e solidão
Mas tende piedade também dos que buscam o silêncio
E súbito se abate sobre eles uma ária da Tosca.


Não esqueçais também em vossa piedade os pobres que enriqueceram
E para quem o suicídio ainda é a mais doce solução
Mas tende realmente piedade dos ricos que empobreceram
E tornam-se heróicos e à santa pobreza dão um ar de grandeza.


Tende infinita piedade dos vendedores de passarinhos
Quem em suas alminhas claras deixam a lágrima e a incompreensão
E tende piedade também, menor embora, dos vendedores de balcão
Que amam as freguesas e saem de noite, quem sabe onde vão...


Tende piedade dos barbeiros em geral, e dos cabeleireiros
Que se efeminam por profissão mas são humildes nas suas carícias
Mas tende maior piedade ainda dos que cortam o cabelo:
Que espera, que angústia, que indigno, meu Deus!


Tende piedade dos sapateiros e caixeiros de sapataria
Quem lembram madalenas arrependidas pedindo piedade pelos sapatos
Mas lembrai-vos também dos que se calçam de novo
Nada pior que um sapato apertado, Senhor Deus.


Tende piedade dos homens úteis como os dentistas
Que sofrem de utilidade e vivem para fazer sofrer
Mas tente mais piedade dos veterinários e práticos de farmácia
Que muito eles gostariam de ser médicos, Senhor.


Tende piedade dos homens públicos e em particular dos políticos
Pela sua fala fácil, olhar brilhante e segurança dos gestos de mão
Mas tende mais piedade ainda dos seus criados, próximos e parentes
Fazei, Senhor, com que deles não saiam políticos também.


E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tenha piedade das mulheres
Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres
Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres
Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres!


Tende piedade da moça feia que serve na vida
De casa, comida e roupa lavada da moça bonita
Mas tende mais piedade ainda da moça bonita
Que o homem molesta — que o homem não presta, não presta, meu Deus!


Tende piedade das moças pequenas das ruas transversais
Que de apoio na vida só têm Santa Janela da Consolação
E sonham exaltadas nos quartos humildes
Os olhos perdidos e o seio na mão.


Tende piedade da mulher no primeiro coito
Onde se cria a primeira alegria da Criação
E onde se consuma a tragédia dos anjos
E onde a morte encontra a vida em desintegração.


Tende piedade da mulher no instante do parto
Onde ela é como a água explodindo em convulsão
Onde ela é como a terra vomitando cólera
Onde ela é como a lua parindo desilusão.


Tende piedade das mulheres chamadas desquitadas
Porque nelas se refaz misteriosamente a virgindade
Mas tende piedade também das mulheres casadas
Que se sacrificam e se simplificam a troco de nada.


Tende piedade, Senhor, das mulheres chamadas vagabundas
Que são desgraçadas e são exploradas e são infecundas
Mas que vendem barato muito instante de esquecimento
E em paga o homem mata com a navalha, com o fogo, com o veneno.


Tende piedade, Senhor, das primeiras namoradas
De corpo hermético e coração patético
Que saem à rua felizes mas que sempre entram desgraçadas
Que se crêem vestidas mas que em verdade vivem nuas.


Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto alegria e serenidade.


Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras
Que são crianças e são trágicas e são belas
Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam
E que têm a única emoção da vida nelas.


Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse
Ter piedade de si mesma e da sua louca mocidade
E outra, à simples emoção do amor piedoso
Delirava e se desfazia em gozos de amor de carne.


Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas
A vida fere mais fundo e mais fecundo
E o sexo está nelas, e o mundo está nelas
E a loucura reside nesse mundo.


Tende piedade, Senhor, das santas mulheres
Dos meninos velhos, dos homens humilhados — sede enfim
Piedoso com todos, que tudo merece piedade
E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim!
__________________
"Os burros nunca aprendem. Os inteligentes aprendem errando. E os sábios aprendem com os erros dos outros."

*linux user #456387
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