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PsyTrance: história, filosofias e ideais Sabe como tudo começou? Quer entender? Participe e divida seus conhecimentos!

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Antigo 14-03-2006, 18:53
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Padrão Entendendo o presente para construir o futuro

Matéria rolando mês passado no Isratrance:

http://www.isratrance.com/www/genera...icle.php?id=10

Eu escrevi e também traduzi para o Português, mas aconselho a leitura do texto original em inglês disponível no link acima.

Também não consegui inserir as fotos, que são bem ilustrativas, acessem o link original para vê-las.

Espero que gostem.

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Entendendo o presente para construir o futuro

Desde seu inicio até próximo ao ano 2000, o gênero musical psytrance foi um dos estilos musicais menos comerciais. Existiam poucas gravadoras e a maioria dos álbuns lançados vendia menos de 2000 cópias, apesar das pessoas envolvidas estarem muito conectadas entre si e com a música.

Nossa cena psy está passando por mudanças nesses últimos anos, e esse processo está acelerando. Exemplos de mudanças relevantes são o número de gravadoras, artistas e festas comerciais, que crescem cada vez mais, e também os objetivos dos organizadores de festas e das pessoas nas festas também são diferentes. O que está acontecendo? Essas mudanças são positivas? O que acontecerá no futuro? Para melhor responder essas questões, é útil relembrar as “boas e velhas vibes” e então olhar para a presente situação da cena psytrance.

Alguns sentimentos não são fáceis de se esquecer. Me lembro muito bem do meu entusiasmo nas primeiras festas de psychedelic trance em que eu participei. Qual é a vibe da qual estou falando?

A festa era mais como um encontro com diferentes tipos de pessoas compartilhando o mesmo objetivo: se divertir enquanto curtia a boa música psicodélica e ajudar outros a alcançarem o mesmo. O elemento introspectivo era forte; a experiência psicodélica por si própria é uma jornada individual e frequentemente introspectiva, de forma que as pessoas mudam após cada encontro.

O encontro começa bem antes da festa em si, e geralmente ocorre em um lugar junto à natureza, como próximo a uma cachoeira ou a uma floresta. Algumas pessoas chegavam antes para ajudar a limpar o local e carregar o sistema de som. Quando o som começava a funcionar, tocando algumas músicas mais relaxantes, era fácil ver a expectativa no rosto de cada um. Alguns começam a limpar a pista de dança enquanto outros pintam panos com figuras psicodélicas e preparam a decoração... Uma garota chega trazendo água gelada e outra traz algumas frutas frescas e o sentimento de união é imenso.

O sol está se pondo. Algumas pessoas se divertem com diferentes malabares, uma mulher mais velha se oferece para pintar o corpo de quem quiser com tintas verde e branca. Algumas decorações e panos fluorescentes onde estão pintadas estrelas, naves espaciais, notas musicais, fractais e cogumelos estão prontos, ao mesmo tempo em que objetos fluorescentes e lâmpadas UV surgem do nada.

Um dos rapazes que estava cuidadosamente ajudando a colocar cada peça de decoração em seu lugar se aproxima do sistema de som e, surpresa: aquele cara humilde é o DJ e ele começa a tocar músicas tão diferentes e coloridas como as roupas das pessoas no encontro. Não tem muitas pessoas na festa, mas a pista de dança é uma espaçonave impulsionada pela dança e elementos psicodélicos na música e no malabarismo.

O sol está quase nascendo e de repente duas melancias estão sobre a mesa, a fruta nunca foi tão **. Uma atitude de respeito pela festa se reflete em cada rosto, e a pista de dança e os banheiros estão tão limpos quanto poderiam, porque as pessoas se sentem em casa.

Isso é quase um tipo de utopia. Nesse cenário, o encontro se desenvolve em uma festa e, ao invés de dar dinheiro, as pessoas se doam.

Com a comercialização do trance psicodélico, muito do “sentimento de encontro” se perdeu. Alguns organizadores seguem receitas baratas de festas, não se importando em prover um bom ambiente para uma jornada psicodélica apropriada. Os problemas nas festas vão desde lixo na pista de dança e seu impacto na natureza à falta de água; além de problemas com eletricidade e sistema de som. Alguns DJs estão mais interessados na fama que em se focarem para construir uma jornada única em cada set. Por exemplo, alguns DJs insistem em tocar quase que apenas músicas unreleased (não lançadas), mesmo quando essas músicas não se encaixam na linha de seus sets e não são tão boas quanto centenas de músicas já lançadas. Olhe para os Top 10 antigos de diversos DJs, você encontrará um bando de músicas ruins e “nunca para serem tocadas novamente”, mas que estavam no Top 10 porque elas eram unreleased.

Mas o que levou a essa mudança em nossa cena psy? Na minha opinião uma das mudanças mais relevantes veio com a idéia errada de que festas com “grandes nomes” no line up são automaticamente boas. Pseudo-organizadores de festas em todo mundo começaram a explorar essa idéia, promovendo eventos comerciais usando os nomes de Artistas e DJs para atrair o máximo de público possível. Elementos importantes em festa psicodélicas, como decoração, sistema de som eficiente, latas de lixo e espaço para o Chill Out começaram a ser ignorados, e eu ouso afirmar que toda a ideologia PLUR foi deixada de lado, porque, dessa forma, a festa se torna mais lucrativa.

O foco das festas mudou da música, do ambiente psicodélico e do próprio encontro para a fama dos artistas. É apenas outra festa cara na qual música eletrônica está sendo tocada, não uma atmosfera na qual a música conecta as pessoas a todos os outros elementos psicodélicos, criando aquele intenso sentimento de paz, união e respeito.

Muitas pessoas na pista de dança não se importam com a música, elas curtem a música por é “outra festa”, mas na verdade não a respeitam. Muitos estão na festa apenas pelas **, e durante a festa a quantidade de lixo no chão chega a dar nojo. Ao invés de ajudar a “criar o clima da festa” a maior parte das pessoas em grandes festas de um dia apenas compram seu lugar na festa.

Claro que ainda existem organizadores de festas, gravadoras e DJs profissionais, e nas mãos deles está o futuro da cena psy “ainda underground, mas lucrativa”. Bons organizadores de festas são essenciais para o desenvolvimento da cena psy, porque é necessário dinheiro para fazer Festivais de 3 ou mais dias em algum local bonito. Esses festivais geralmente trazem artistas respeitados por sua originalidade e pessoas mais conectadas a música, muitas das quais nunca experimentou o lado psicodélico da natureza antes, e isso pode mudar a forma que elas vêem as festas psicodélicas. Esses festivais são organizados por pessoas que se importam com a qualidade da festa (sistema de som, comida, decoração e espaço do Chill Out) e usualmente promovem atividades alternativas em suas festas, como workshops em malabarismo e meditação.

Gravadoras sérias procuram pelas melhores músicas para lançar, dando o tratamento adequado às Demos que recebem e contratando artistas bons, que produzem música no estilo da gravadora. DJs profissionais realmente dedicam seu tempo à busca e pratica de diferentes técnicas de mixagens, ouvindo sua música tendo em mente a linha que querem seguir e a vibe que querem transmitir.

E existe e sempre vai existir uma cena psy não lucrativa e muito pequena, na qual cada membro colabora com o desenvolvimento da festa. O futuro da cena psy está em nossas mãos, e podemos torná-lo melhor se, ao invés de esperar por respostas e pelos outros, começarmos a fazê-lo nós mesmos.
Respect!
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Antigo 16-03-2006, 12:28
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achei a análise boua. me faz lembrar daquela eterna discussão sobre qual o lado bom das festas serem essa merda. e a resposta sempre é "se não fossem por essas festas, não teríamos a chance de ver os grandes NOMES do psy". é exatamente o caô citado pelo autor desse texto...

e digo que é caô pq é o tipo de papinho que só deveria convencer quem é completamente ignorante a respeito da música. quem entende alguma coisa consegue se ligar que mtas vezes o zé das couves da esquina executa um dj set mto mais consistente e interessante musicalmente do que o de um astrix ou de um alien project, só pra exemplificar. e pro zé das couves tocar na festa, não há necessidade de amontoar uma multidão que nem sabe direito o que tá fazendo naquela pista de dança pra poder pagar o cachê do dj e ainda sair no lucro.

mas a galera é tarada por NOMES, fazer o que né?! nem com a performance dessa galera cheia de nome sendo tão mixuruca e decepcionante, a galera se toca...
:doh:
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  #3 (permalink)  
Antigo 16-03-2006, 17:39
Juliachan
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Concordo t.f.p

Me perguntaram se eu ia na festa X e eu disse q não, e a reação foi "mass como assimmm vc não vai!!!?"

e eu disse q não me sinto bem em lugares emuvucados, cheio de gente fazendo careta e se mordendo, gente esbarrando, lixo amontoado no chão, etc...

e falaram "mas vai tocar fulanoo e ciclanooo! vc tem q ir! como vc vai perder!!?"

sinceramente, curto o som? curto.. mas em um ambiente desconfortável e com clima pesado, sei q não vou curtir nada. e pra pagar um ingresso caro e me senti mal, prefiro ficar em casa.

prefiro mt mais estar em uma festa tranquila, com pouca gente, natureza ao redor, conforto de poder colocar a mochila no chão e não ter q ficar checando de 5 em 5 min se a carteira ainda tá na cartucheira, respirar ar puro e sem cheiro de solventes E OUVIR UM SOM BOM DE UM DJ POUCO CONHECIDO OU ATÉ DESCONHECIDO, do q abrir mão desse conforto pra ir numa festa cara só pq fulaninho top10 do psy vai tocar...

acredito q esse senso crítico e o hábito de selecionar melhor os eventos q merecem a sua presença, só vêm com o tempo...

pros novos na cena, é normal achar q tudo são flores... mas com o tempo, a gente vai enxergando q nem tudo é colorido, há mts tons de cinza pelo mundo das raves e a gente começa a se sentir incomodado com isso. E é aí q a gente começa a selecionar melhor os eventos e passamos a ser mais exigentes com as produções.

Mas acho q o problema é q a velocidade com q as pessoas caem em si é menor do q a velocidade com q pessoas novas tão descobrindo o mundo das raves... Por isso esse inchaço da cena..

bjs
:thumbsupu
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Antigo 17-03-2006, 17:34
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Muito bom o texto.


Eu particularmente não vou mais a grandes eventos de psy-trance hoje em dia, pois nesses eventos eu não encontro mais nada que eu conheci nas festas do passado e que me fizeram mudar todo o rumo da minha vida e me apaixonar pelo movimento psicodélico. No Rio de Janeiro (estado) pra min só salva as PVT hoje em dia e ainda assim só algumas.
Em relação ao Brasil ainda temos alguns poucos festivais que conseguem ser grandiosos e manter todas as ideologias culturais e musicais.

Os eventos atuais parecem verdadeiros parque temáticos, criados para vender os ideais já perdidos a muito tempo, parece que alguém construiu um manual (comico) de como ser um RAVER e distribuiu por ai... tem aquela menininha bonitinha que tropeça em você e vem pedir desculpa que é super carinhosa, brincalhona, que pega a lata de cerveja vazia na sua mão que você quase joga no chão, e te leva ate a lixeira e joga a lata la, uma garotinha toda estilosa, cheia de PLUR.....falante, falante, nervosa, suando, com uma garrafinha de água na cartucheira, com os dentes rangendo.... ai você percebi o que esta acontecendo... PLUR É O CARA*** isso é efeito colateral mesmo... você olha ao seu redor e tem um monte de gente de óculos escuros, mastigando chicletes, um monte de mostro fazendo careta e se contorcendo... ai você para ao lado de uma pessoa que te diz que foi ali pra curtir o som de fulaninho top top e escuta – QUE LIVE ABSURRRRDO DESSE CARA!!!! ... ai você olha pro palco, olha pra cara do cara e não sabe nem o que dizer, porque o fulaninho top top ainda não esta tocando e o que esta tocando esta fazendo um set e não um live... e assim você continua sua jornada na noite, vivendo varias coisas engraçadas, rindo muito....um parque tematico que atrae uma massa cada vez maior de publico.

Um publico muito subdividido, uma parte que esta em busca de diversão em grande estilo, que não conhece os sons dos artistas mais já foram alvos da massificação e comercialização do nome deles, outra parte que vai porque estão conhecendo a cena agora, todo os seu amigos vão e fulaninho top top dj vai tocar...e perder a festa é quase um pecado, tem também aquela parte que esta em busca de um lugar tranqüilo pra ficar muito doido se divertir, beijar na boca e se largar na noitada... e tem uma parte que vai porque ainda acredita que algo novo pode acontecer naquele evento e quem sabe ele(a) consiga viver um flash back do passado...

O que salva hoje em dia pra min em uma festa que eu vá por trabalho ou não, ainda são os amigos, porque a muito tempo dj nenhum me leva a festa... line-up nenhum faz a minha cabeça.
Hoje em dia RAVE, psy-trance, musica eletrônica é comercio, uma forma muito lucrativa de se ganhar dinheiro... principalmente dinheiro dos pobres novatos que partem pra qualquer festa com um flyer bonitinho, colorido cheio de flufi-flufi com os nomes dos principais artistas destacados em letras maiores e bem coloridas...

Tem dj se achando ôooo super, e produtor se achando Ôooo rei da cena ...

Já vi um monte de gente começar a produzir vender 2, 5 , 8 musicas pra gravadoras e começar a se achar o bambambam...
A cena cresceu, milhares de novas gravadoras surgiram e o bom gosto do publico despenco... porque será ? Em um cenário onde o publico escuta qualquer porcaria, produzir um lixo rítmico apelativo viro formula pro sucesso rápido... sem querer generalizar mais tem muita coisa assim no mercado, ou melhor no sub-comercio...

Muita coisa esta diferente hoje, muita coisa mudo e mudo pra pior, hoje em dia eu ponho em duvida se esses grandes eventos realmente trazem algum movimento a cena...

Esses organizadores querem o estilo que vende mais que atrae mais publico.
O full on ainda esta no topo do gênero mais comercial com seu som mais rico em vocais e com muita abertura pra remixes de músicas conhecidas, guitarradas e etc... como o publico é bem dividido o prog também esta ganhando espaço e segue também pro estrelato de ser um gênero comercial e que atrai o público contrario ... o publico que ainda esta atrás de bons sons, que não gostam das famosas chacotinhas... o line-up ganha então uma formula mágica de atrair o publico, tanto os novatos quanto o publico carente do rebolation...

Os novos Djs que estão em busca da fama, quase sempre criam e modelam o seu som para agradar produtores de eventos . Daí cria essa engrenagem PODRE onde os eventos são feitos para atrair cada vez mais público esquecendo totalmente do publico antigo que estava ali com um outro espírito.

Organizadores começam a competir quem divulga mais o estilo psy, quem trás mais fulaninhos top top e de novo (já estou chato com isso) eles esquecem de passar ao publico a postura cultural e musical. Daí surgi um monte de lixo musical, pseudo-s djs e dês-organizadores de festa dando um show de inconseqüência cultural, criando uma cena burra por ganância ... não sou contra se ganhar dinheiro com festa, nem com musica, ganhar dinheiro é essencial pra sobrevivência e para construir um movimento (cena que seja) o dinheiro tem que ser parte CONSTRUTIVA fruto natural da integração inteligente entre artistas e publico, não parte principal onde a comercialização e massificação virão armas para se conquistar cada vez mais $$$, quero dizer, publico. Daí o publico novato se acostuma a só gostar do som que esta na moda, a só prestigiar os eventos com ESTRELINHAS no line-up...

Eu realmente só acredito que a cena terá um futuro COMPLETO (cultural e musicalmente) através das PVT e festivais, o que se encontra por ai nesses eventos é a metade podre da maça... que eu já não engulo a muuuuuito tempo.

Qual a graça de escutar um protoculture em baixo de uma tenda lotada de gente, em uma festa sem decoração e com tudo caro no bar... prefiro não ver o artista a ver e ter uma experiência ruim com o som dele como trilha sonora ...

Hoje existe uma divisão entre grandes eventos e PVT, e cada dia criasse cada vez mais um abismo entre os dois tipos de eventos em todos os aspectos e o que vale sempre ser lembrado é que se queremos que a cena se desenvolva então todos temos responsabilidades, eu, você, você que posta tópicos ou você que só le e esta aqui no fórum em busca de informação enfim... acredito que ainda exista gravadoras, produtores, djs, organizadores e um publico mais amante, mais mergulhado nesse mundo mais exigente ... são poucos mais fortes o suficiente pra garantir um futuro “interessante” pra cena psy acho que só falta mais atitude.....afff..cancei de teclar... rs

... acho que é por ai, pelo presente da pra ver que futuro horroroso nos aguarda se não fizermos nada...

Abrx
:unsure:

__________________
. . .

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construir , entendendo , futuro , para , presente


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