Matéria rolando mês passado no Isratrance:
http://www.isratrance.com/www/genera...icle.php?id=10
Eu escrevi e também traduzi para o Português, mas aconselho a leitura do texto original em inglês disponível no link acima.
Também não consegui inserir as fotos, que são bem ilustrativas, acessem o link original para vê-las.
Espero que gostem.
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Entendendo o presente para construir o futuro
Desde seu inicio até
próximo ao ano 2000, o gênero musical psytrance foi um dos estilos musicais menos comerciais. Existiam poucas gravadoras e a maioria dos álbuns lançados vendia menos de 2000 cópias, apesar das pessoas envolvidas estarem muito conectadas entre si e com a música.
Nossa cena psy está passando por mudanças nesses últimos anos, e esse processo está acelerando. Exemplos de mudanças relevantes são o número de gravadoras, artistas e festas comerciais, que crescem cada vez mais, e também os objetivos dos organizadores de festas e das pessoas nas festas também são diferentes. O que está acontecendo? Essas mudanças são positivas? O que acontecerá no futuro? Para melhor responder essas questões, é útil relembrar as “boas e velhas vibes” e então olhar para a presente situação da cena psytrance.
Alguns sentimentos não são fáceis de se esquecer. Me lembro muito bem do meu entusiasmo nas primeiras festas de psychedelic trance em que eu participei. Qual é a vibe da qual estou falando?
A festa era mais como um encontro com diferentes tipos de pessoas compartilhando o mesmo objetivo: se divertir enquanto curtia a boa música psicodélica e ajudar outros a alcançarem o mesmo. O elemento introspectivo era forte; a experiência psicodélica por si
própria é uma jornada individual e frequentemente introspectiva, de forma que as pessoas mudam após cada encontro.
O encontro começa bem antes da festa em si, e geralmente ocorre em um lugar junto à natureza, como
próximo a uma cachoeira ou a uma floresta. Algumas pessoas chegavam antes para ajudar a limpar o local e carregar o sistema de som. Quando o som começava a funcionar, tocando algumas músicas mais relaxantes, era fácil ver a expectativa no rosto de cada um. Alguns começam a limpar a pista de dança enquanto outros pintam panos com figuras psicodélicas e preparam a decoração... Uma garota chega trazendo água gelada e outra traz algumas frutas frescas e o sentimento de união é imenso.
O sol está se pondo. Algumas pessoas se divertem com diferentes malabares, uma mulher mais velha se oferece para pintar o corpo de quem quiser com tintas verde e branca. Algumas decorações e panos fluorescentes onde estão pintadas estrelas, naves espaciais, notas musicais, fractais e cogumelos estão prontos, ao mesmo tempo em que objetos fluorescentes e lâmpadas UV surgem do nada.
Um dos rapazes que estava cuidadosamente ajudando a colocar cada peça de decoração em seu lugar se aproxima do sistema de som e, surpresa: aquele cara humilde é o DJ e ele começa a tocar músicas tão diferentes e coloridas como as roupas das pessoas no encontro. Não tem muitas pessoas na festa, mas a pista de dança é uma espaçonave impulsionada pela dança e elementos psicodélicos na música e no malabarismo.
O sol está quase nascendo e de repente duas melancias estão sobre a mesa, a fruta nunca foi tão **. Uma atitude de respeito pela festa se reflete em cada rosto, e a pista de dança e os banheiros estão tão limpos quanto poderiam, porque as pessoas se sentem em casa.
Isso é quase um tipo de utopia. Nesse cenário, o encontro se desenvolve em uma festa e, ao invés de dar dinheiro, as pessoas se doam.
Com a comercialização do trance psicodélico, muito do “sentimento de encontro” se perdeu. Alguns organizadores seguem receitas baratas de festas, não se importando em prover um bom ambiente para uma jornada psicodélica apropriada. Os problemas nas festas vão desde lixo na pista de dança e seu impacto na natureza à falta de água; além de problemas com eletricidade e sistema de som. Alguns DJs estão mais interessados na fama que em se focarem para construir uma jornada única em cada set. Por exemplo, alguns DJs insistem em tocar quase que apenas músicas unreleased (não lançadas), mesmo quando essas músicas não se encaixam na linha de seus sets e não são tão boas quanto centenas de músicas já lançadas. Olhe para os Top 10 antigos de diversos DJs, você encontrará um bando de músicas ruins e “nunca para serem tocadas novamente”, mas que estavam no Top 10 porque elas eram unreleased.
Mas o que levou a essa mudança em nossa cena psy? Na minha opinião uma das mudanças mais relevantes veio com a idéia errada de que festas com “grandes nomes” no line up são automaticamente boas. Pseudo-organizadores de festas em todo mundo começaram a explorar essa idéia, promovendo eventos comerciais usando os nomes de Artistas e DJs para atrair o máximo de público possível. Elementos importantes em festa psicodélicas, como decoração, sistema de som eficiente, latas de lixo e espaço para o Chill Out começaram a ser ignorados, e eu ouso afirmar que toda a ideologia PLUR foi deixada de lado, porque, dessa forma, a festa se torna mais lucrativa.
O foco das festas mudou da música, do ambiente psicodélico e do
próprio encontro para a fama dos artistas. É apenas outra festa cara na qual música eletrônica está sendo tocada, não uma atmosfera na qual a música conecta as pessoas a todos os outros elementos psicodélicos, criando aquele intenso sentimento de paz, união e respeito.
Muitas pessoas na pista de dança não se importam com a música, elas curtem a música por é “outra festa”, mas na verdade não a respeitam. Muitos estão na festa apenas pelas **, e durante a festa a quantidade de lixo no chão chega a dar nojo. Ao invés de ajudar a “criar o clima da festa” a maior parte das pessoas em grandes festas de um dia apenas compram seu lugar na festa.
Claro que ainda existem organizadores de festas, gravadoras e DJs profissionais, e nas mãos deles está o futuro da cena psy “ainda underground, mas lucrativa”. Bons organizadores de festas são essenciais para o desenvolvimento da cena psy, porque é necessário dinheiro para fazer Festivais de 3 ou mais dias em algum local bonito. Esses festivais geralmente trazem artistas respeitados por sua originalidade e pessoas mais conectadas a música, muitas das quais nunca experimentou o lado psicodélico da natureza antes, e isso pode mudar a forma que elas vêem as festas psicodélicas. Esses festivais são organizados por pessoas que se importam com a qualidade da festa (sistema de som, comida, decoração e espaço do Chill Out) e usualmente promovem atividades alternativas em suas festas, como workshops em malabarismo e meditação.
Gravadoras sérias procuram pelas melhores músicas para lançar, dando o tratamento adequado às Demos que recebem e contratando artistas bons, que produzem música no estilo da gravadora. DJs profissionais realmente dedicam seu tempo à busca e pratica de diferentes técnicas de mixagens, ouvindo sua música tendo em mente a linha que querem seguir e a vibe que querem transmitir.
E existe e sempre vai existir uma cena psy não lucrativa e muito pequena, na qual cada membro colabora com o desenvolvimento da festa. O futuro da cena psy está em nossas mãos, e podemos torná-lo melhor se, ao invés de esperar por respostas e pelos outros, começarmos a fazê-lo nós mesmos.
Respect!