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PsyTrance: história, filosofias e ideais Sabe como tudo começou? Quer entender? Participe e divida seus conhecimentos!

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Antigo 07-03-2006, 10:55
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Presepadas
"Triste xenofobia que acabou numa macumba para turistas." - Oswald de Andrade
03.03.06 Lá pelos idos de noventa-e-fluor - data altamente subjetiva, pois a impressão que se tem é que as raves começaram na primeira open-air de cada um e, de repente, todo mundo freqüentou e adorava o Hell's - a sensação de que se participava de um lance especial era latente. A convivência harmoniosa das singularidades nunca ficou tão escancarada e a inocência-com-cara-de-mau, esquisitices passageiras, teses cosmicamente corretas e umas fofuras sem fim mostraram seu papel, compondo uma firme estética comportamental - própria, rica e interessante. Finalmente a libertação da ordem de entretenimento jovem era real (dançar até o meio dia no clube, ou de dia no sítio!), e o tal “underground”, vez ou outra, aparecia à tona para dar suas respiradas, fosse com eventos corporativos, mega-raves e algum marketing, quebrando alguns preconceitos e apostando na heterogenia com os sopros de globalização da época.

Criou-se, dentre os protagonistas dessa historinha, uma típica aversão à cultura jovem até então disponível. Homofobia, sexismo e qualquer pessoa “do mal” não tinha mais lugar, e a auto-proteção do grupo se misturou à necessidade de se ouvir “aquele som” em todos os eventos que se freqüentasse – entenda por “evento” amigos-secretos, compras no shopping e batizados.

Mas se quisesse vir pro parquinho tinha de saber brincar. E ser convidado.

Quem enxerga o mundo com os olhos de vanguarda (não confunda vanguarda com preguiça de fazer direito) sabe que não dá pra multiplicar o processo criativo quantitativamente. Expressão cultural inovadora - e de qualidade - simplesmente não combina com produção industrial: é preciso o toque individual, o respeito pelo esforço e resultado alheio e a postura sutilmente contraventora, mas nunca contra-producente. Não há dúvida que o que quer que exista hoje sob a alcunha de “cena” foi forjada sob essas bases culturais e comportamentais – uma façanha da qual todo mundo que participou de um jeito ou de outro se orgulha, seja tendo carregado gerador nas costas no meio do mato, seja bancando do próprio bolso noites em clubes mofados, seja lidando com represálias sociais, políticas ou que o valha.

No entanto, como tudo que é reproduzido, certa hora se perde o vínculo com aquilo que tornava o assunto especial e, em algum momento, alguém achou que isso seria uma fórmula de fácil reprodução e assimilação. Estavam certos, mas tão errados como quem acha que jogar tinta em uma tela de 30m2 reproduz um Pollock.

Exageros à parte – e sem colocar a questão no cliché dos “bons tempos” - vale a reflexão de aceitarmos que as coisas vão mudando de mãos. Antigas “figuras da noite” ganharam as passarelas, microfones, agências de DJs, cabines de som e caixas registradoras dos clubes – e em muitos casos também alguns quilos, filhos e um relógio biológico decente. Do Lado B pro A em 10 anos – e seria leviano fazer juízo de valor disso – deixando, como em todo movimento cultural do passado, um certo legado para outros cuidarem, principalmente quando o assunto é colocar as mãos na massa, fazer volume na pista e bater cartão em festas. E a cultura da música eletrônica, às vésperas da maturidade e com um rico acervo, já permitiria que isso acontecesse sem atropelos.

Quem poderia fazer a diferença nesse mar de conceitos subjetivos, e um tanto abstratos, talvez tenha chegado já como medo de dançar descalço na rave pelo perigo de cortar o pé em caco de vidro; que é legal se pendurar nas estruturas do palco; que pegar filas enormes e ser mal tratado é normal; que é válido se preocupar com a chapinha da namorada; e que chupetas e bichos de pelúcia são....bem...“engraçados”.

É quase trágico, mas enquanto as cabeças pensantes e que fariam toda a diferença gastam cada vez mais tempo criando dificuldades entre si mesmas, tal qual a família italiana no almoço de domingo que consegue discutir concordando sobre o assunto, e enquanto outros lamentam do presente e remexem no passado, um caminhão de bobagens passa ao largo, enlatando uma cultura que foi criada debaixo de tanta inspiração e os desavisados se focam em se lambuzar com a bobageira como marmelada fresca. Não se trata aqui de trazer mais uma teoria à tona (nesse caso, de conspiração) mas sim de reavaliar se tudo o que foi ricamente moldado lá atrás não está sendo dado de bandeja a interesseiros e profissionais das presepadas.

De que adiantou tanta aversão quase xenofóbica se a macumba dos turistas é servida diariamente com pompa e circunstância, falsas conquistas e top DJs imaginários? Aliás, quantos desses existem de verdade?

São tantos debates, tantas teses e teoremas que parece que se esquecem de alguns princípios fundamentais – de inspiração, criação e acima de tudo se divertir com a dança e a música. Isso, feito com dedicação legítima, e um pouco de paciência, é sustentável e não serão os fanfarrões de plantão que terão a força de mudar o ciclo virtuoso.

Mais provável, aliás, que aprendam algo de bom.

*Bruno Camargo aka Carbon23 é advogado, DJ e quase-pai. Desde os 2 anos de idade fala pelos cotovelos e nunca ligou pro Bicho-Papão, mas hoje tem medo do Frito-Passa-Mal.



Bruno Camargo



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Antigo 07-03-2006, 13:02
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Quem enxerga o mundo com os olhos de vanguarda (não confunda vanguarda com preguiça de fazer direito) sabe que não dá pra multiplicar o processo criativo quantitativamente. Expressão cultural inovadora - e de qualidade - simplesmente não combina com produção industrial: é preciso o toque individual, o respeito pelo esforço e resultado alheio e a postura sutilmente contraventora, mas nunca contra-producente.

Exageros à parte – e sem colocar a questão no cliché dos “bons tempos” - vale a reflexão de aceitarmos que as coisas vão mudando de mãos.
Enlatando uma cultura que foi criada debaixo de tanta inspiração e os desavisados se focam em se lambuzar com a bobageira como marmelada fresca.

São tantos debates, tantas teses e teoremas que parece que se esquecem de alguns princípios fundamentais – de inspiração, criação e acima de tudo se divertir com a dança e a música. Isso, feito com dedicação legítima, e um pouco de paciência, é sustentável e não serão os fanfarrões de plantão que terão a força de mudar o ciclo virtuoso.

Muito foda o texto :clap:
Esses são os pontos que chamaram a minha atenção. Bom eu quero que a criação e inspiração volte a tomar parte da cena trance brasileira, pena q cada vez menos fala-se no PLUR ! Não sei aonde vai parar, mas infelizmente o rumo da cena tá meio perdido, acho que a ganância tem grande culpa nisso ! A arte tem que ser elevada as alturas, a múscia eletrônica tem que ser respeitada por seus apreciadores, não importa o estilo. Lindo é ver pessoas dançando juntas, malabares brilhando na noite e girando de dia, decorações que nos façam entrar num mundo imaginário, dj's que tenham a proposta de executar da melhor maneira seu material sinfônico e um ambiente aonde todos utilizam o R de respeito com o seu próximo. Agora quem acha bonito caretas e mais caretas, buzinas, bixinhos de pelúcia, subir em estrutura, jogar lixo no chão e ficar fazendo fanfarrises e fanfarrises devia anilisar melhor o local das festas em que prefere frequentar. Todos temos o poder de contribuir, mas somos tão falhos que nem ouvir a gente quer...

abraços,,,
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Antigo 07-03-2006, 14:17
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Primeiramente, quero dizer, como já disse no meu review da Tranceformation, que todas essas coisas que a maioria aqui não pára de repetir, que é a falta da presença do plur e tudo relacionado a ele, que tudo isso pôde ser visto e experimentado no festival, tudo mesmo!

Em segundo lugar, não entendo essa preocupação toda e exagerada com o "rumo que a cena vem tomando"...Parece até que o rumo da cena significa o rumo da vida de vcs. O trance ou a cena ou seja lá o que for, é secundário na minha vida, e não prioridade.

Voltei do festival feliz da vida, fiz várias amizades, e presenciei o clima de maior paz, amor e respeito que eu já havia experimentado. Ficar indo pra chemical music, e depois ficar falando e falando que estão tristes com o "rumo que cena vem tomando", que não aguenta mais ver "frito passa mal" etc etc etc, aí realmente será decepções atrás de decepções.

A essência do trance ainda existe, só não vá procurá-la na chemical music.
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Antigo 07-03-2006, 14:45
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caraléo, tb tenho essa foto que postaram ai,
vila fritex na solaris de 2005....... tive que tirar uma foto

na boa, os fritos, os fanfas não me incomodam mais....
é só abstrair e gastar a onda neles........
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Antigo 07-03-2006, 15:00
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EU gostaria que esse texto estivesse na home, gostaria que todos o lessem antes de postar no forum.

Seria lindo se alguem se preocupasse em fazer uma festa pra curtir apenas, não estou dizendo que quem produz festas e trabalha não deva ganhar dinheiro, mas a iniciativa de juntar os amigos e fazer algo me parece tristemente extinta.

Gostei dos trechos sobre a familia italiana que briga msm concordando e do trecho que diz ser mais facil aprenderem algo do que estragarem o conceito. Sem muito mais o que dizer, fantástico o texto....
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Antigo 07-03-2006, 15:16
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O Bruno Camargo é na minha opinião uma das pessoas que descreve melhor a realidade da "cena". Sempre que se depararem com um texto dele, parem e leiam, pois muito provavelmente vai valer a pena.

Sobre o texto, não sobra muito o que falar, só queria destacar a que na minha opinião é a melhor passagen to texto:

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Postado Originalmente por t.f.p
Expressão cultural inovadora - e de qualidade - simplesmente não combina com produção industrial: é preciso o toque individual, o respeito pelo esforço e resultado alheio e a postura sutilmente contraventora, mas nunca contra-producente.
Nada mais a declarar.



Citação:
Postado Originalmente por tdietzold

Em segundo lugar, não entendo essa preocupação toda e exagerada com o "rumo que a cena vem tomando"...Parece até que o rumo da cena significa o rumo da vida de vcs. O trance ou a cena ou seja lá o que for, é secundário na minha vida, e não prioridade.
Sei lá, talvez pra quem SÓ frequenta festas e festivais isso realmente não tenha muita importancia. Mas pra quem vive DA "cena" e PARA a "cena" isso definitivamente importa muito!

abraços
joão
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Antigo 07-03-2006, 15:26
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Até acho que abstrair os fritos, fanfas, aproveitadores...etc etc etc é uma ótima opção dentro da nossa realidade atual.

Mas perder o sonho de ver as festas com o mínimo da cultura que originou isso tudo... jamais.

É lógico que cada um tem sua opinião e perfil, na minha opinião é questão de essência, seja ela real ou bem utópica.
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Antigo 10-03-2006, 10:37
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Acho que hoje em dia ficou muito facil querer falar que quer mudar a "cena" pq ela ta muito queimada feia e bla bla bla; mas praticamente nao vejo as pessoas dando suas vidas para mudar isso! A cena esta desse jeito e será muito dificil mudar qualquer coisa.. com o tempo as raves param de ser moda e quem sabe voltam a ter a essencia quetinham ha anos atras.....

agora, ficar por ai dizendo que frito eh isso, frito eh aquilo e por ai vai!!

Nao acho que seja simplismente "ignorar" os "fritos-passa-mal" pois muitas vezes eles incomodam e muito!!!! Acho que o frito que ta la na sua eh uma coisa, mas infelizmente nao eh isso que acontece!

Nao acho que seja uma questao de ignora-los, mas acho que seria o caso de "apresentar" e tentar mostrar a eles que rave nao eh o tal do plur (aquele negocio que eles acham q serve para abraçar e etc)...

Tem que mostrar a eles que por tras disso tudo ha uma essencia; essencia essa que hoje esta apagada... mas cabe a cada um de nós revive-la e com isso mostrar que as coisas nao sao o que parecem!!!!

vamos reeducar os fritos afinal eles tb sao gente
auhahuauhuahhuauhahauahauhauahau :bleh:
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Antigo 10-03-2006, 11:33
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Postado Originalmente por Thoth
Sei lá, talvez pra quem SÓ frequenta festas e festivais isso realmente não tenha muita importancia. Mas pra quem vive DA "cena" e PARA a "cena" isso definitivamente importa muito!
Seguindo essa sua linha de raciocínio, as pessoas que vivem da cena, então teriam que estar dando graças a deus com o "rumo que a cena vem tomando", na medida em que, o mercado de trabalho só aumentou e tende a aumentar cada vez mais.

Hoje em dia, qualquer DJ por exemplo, mesmo os que acabaram de iniciar suas carreiras, têm espaço pra poder mostrar seu trabalho e ganhar um qualquer, vide a quantidade de festas, afters e privates que estão rolando.

Isso serve também, pra quem vive da cena de outra forma, como fazendo excursões para as festas, trabalhando com a decoração, com performances etc etc etc.

Na verdade, esse rumo que tanto dizem, só afeta mesmo as pessoas que viveram e que curtiram, veja bem, curtiram o trance numa época não comercial.

Se eu estiver errado, me corrija por favor.

abraço.
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  #10 (permalink)  
Antigo 10-03-2006, 12:07
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Postado Originalmente por psytito
Acho que hoje em dia ficou muito facil querer falar que quer mudar a "cena" pq ela ta muito queimada feia e bla bla bla; mas praticamente nao vejo as pessoas dando suas vidas para mudar isso!
cara, quem é que vai querer dar sua vida por uma cena que se presta apenas a ser um bom investimento para quem faz mega-festa, uma oportunidade pra ganhar uns trocados pra quem tb rala pra fazer as coisas acontecerem, exaltar pseudo-super-stars da música eletrônica e serve como parque de diversão para entreter uma playboyzada que não quer mto mais que ficar mto doida e exaltar o próprio ego. são causas não mto nobres pra motivar uma pessoa, não acha não?

e a culpa disso tudo tá longe de ser dos fritos sem noção. eles só estão ali pq foram convidados...
:wink2:
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