| PsyTrance: história, filosofias e ideais Sabe como tudo começou? Quer entender? Participe e divida seus conhecimentos! |  | | 
26-05-2010, 15:14
|  | DJ | | Registrado em: Mar 2009
Posts: 254
Valeu: 618
Recebeu 947 valeus em 222 Posts
| | O que está mudando é o objeto de observação ou o observador?
........ E eu a olhar essas ondas, essa praia....
Desde sempre aqui estou eu. Deixando o sol bater em meu rosto, admirando as Cagarras e o horizonte que se funde no azul do céu e mar.... Há quanto tempo estou aqui.... Sinceramente, por mais tempo que esteja aqui, por maior que seja o rodízio de fulanos e beltranos nessa orla 100% 40 graus, tudo permanece igual. Todo verão o sol morre ao mar, bem do ladinho do morro Dois Irmãos, assim como em todo inverno nos frustramos com a sombra que o famigerado e inconveniente Cezar Park faz nas nossas areias. Como falei, nem a rotatividade de freqüentadores e barraqueiros faz com que meu quintal mude drasticamente do que ele sempre foi. Sal, sol e mar tudo do mesmo jeito, tudo em seu lugar.
Impressionante como esse lugar me traz lembranças, como consigo lembrar em mim mesmo o que fui e o que sou num passado de memórias resgatado no ritmo da maré. É..... De fato já fui muitos, aqui, sentado nessa cadeira de praia. Já fui moleque, já fui irresponsável, já fui abusado e já fui pego de surpresa. Engraçado, mas hoje nesse mesmo local, me sinto diferente do que fui. Reconheço-me no que fui, mas não sou mais o que era. Hoje sou adulto, responsável com meus compromissos, gracinha só faço com meus amigos e nada mais nessa área é grande novidade, não existem mais tantas surpresas para quem já está a tanto tempo no mesmo local.
Nesse clima de reflexão que ratifico o que já sei há anos. Em certas situações o que muda não é o objeto de observação, e sim o observador.
Entendeu o que eu falei? Não?! OK. Explico melhor.
Já tem bastante tempo que escuto por todos os lados a celebre e superficial frase: “As raves não são como antes”. Sinceramente, são pelo menos uns oito anos escutando essa frase e dizeres sinônimos.
Vou te falar..... QUE SACO!!
Tudo bem, eu confesso que em algum dia, não mais que uma vez, eu falei que as raves não eram como antes. Mas nesse mesmo momento fiz o que sempre faço em qualquer que seja a situação: Parei para pensar no que disse. Será que as raves não são mais como antes de fato? Será que muita coisa mudou? Quando mudou? Quando deixou de mudar?
Bom, são 13 anos nessa de e-music e falar que nada mudou desde 1997 seria uma loucura, mas falar que as raves de 2004, 2005, 2006...... são diferentes das de hoje, pelo menos na minha cabeça, me parece uma avaliação superficial.
Pra ser sincero, em 97 eu não via rave por aqui. Quem curtia e-music ficava em pequenas festas fechadas, clubs e escutava o som em casa. A onda era comprar cds originais caçando lançamentos em lojas especializadas (isso realmente foi uma mudança). A partir de 99/00 comecei a ver as pequenas raves pipocarem em nossa cidade. Até 2000 realmente via as festas em outro formato. Eram pequenas, informais, era possível conhecer pelo nome quase todos dentro do evento e os Djs eram todos iniciantes. Ainda havia uma diferença drástica em relação às restrições (não havia seguranças nas festas), localizações (era possível fazer uma festa na floresta da tijuca sem problemas, por exemplo) e decorações (quanto tinha era algo só pra compor mesmo, a decoração sempre foi a natureza). Mas a principal diferença era a do público. Naquela época, todos estavam começando entender e-music pelo simples fato deste gênero musical não ter dado as caras de forma importante antes de tal momento. Eram todos como crianças descobrindo o novo. Festas abertas e durando até o amanhecer eram novas, músicas sem vocal eram novas, se embrenhar no mato para dançar era novo, as drogas sintéticas eram novas...... Porém pra quem está desde essa época na ativa, nada mais é novo e o que sobrou é o amor puro pela e-music.
Portanto vem a pergunta: Disso tudo o que sobrou pra você??
É evidente que hoje, em 2010, estamos em outra fase para a maioria do público da cena. Se em 2000 estávamos todos descobrindo essa forma de celebrar, em 2010 temos exatamente o oposto. Todos já conhecem e-music (não entro no mérito do grau de conhecimento), todos já foram numa rave e todos têm suas idéias a respeito da cena que ai está.
O que consigo tirar de conclusão é algo complexamente simples. O processo de conhecimento da cena é obrigatório para todos, mas cada caso um caso. Eu vivi o conhecimento da cena em 97, alguns em 2000, outros em 2005 e pra grande parte dos que estão aqui um pouco mais recentemente. Sistemático é gostar, adorar, se encantar com o processo de conhecimento. Tudo que é novo encanta, provoca gargalhadas e fortes emoções. Todos passam por esse processo, isso é fato. Mas todo conto de fada tem seu início, meio e fim, correto? Sim, correto!! Em geral, o conto de fadas de cada um dentro da e-music dura pouco. Uns vão numa festa e nunca voltam. Outros ficam por poucos anos e somem, alguns guerreiros ficam mais tempo e uns raros malucos ficam mais de 10 anos nessa onda.
Ai é que está um dos problemas. Como o ciclo dentro da cena é, em geral, curto, quem vem chegando admite como referência o que é, e não do que foi. Deu pra, novamente, entender? Não adianta eu e mais alguns dinossauros querermos explicar como foi e ainda por cima querer convencer quem vem chegando que aquela realidade era melhor (conclusão subjetiva). Não há como descrever com palavras uma experiência sensorial.
Acredito fielmente, com a mais profunda sinceridade, que não há nada de muito novo nas raves de nossa cidade desde 2002/2003. Única exceção feita é a do público, que como disse anteriormente, tem alta rotatividade. Esse é o pulo do gato! Ai a origem de tantos questionamentos e reclamações. O processo que todos vivem de entrar, conhecer e se deslumbrar com a cena é certo. Também é certo que após um primeiro momento o que era novo passa a ser velho mesmo que esse objeto de observação (no caso as raves) seja exatamente a mesma coisa de antes.
Resumidamente o que quero falar é o seguinte: Se você é um dinossauro da e-music ou está chegando lá, o lance é aprender como manter sua relação com a música (digo música mesmo, pois “cena” é mato!) e não se afastar de algo que gosta, mesmo que não seja mais agradável interagir como antes em certas festas ou ocasiões. Quem chegou tem uns poucos anos e está vivendo, nesse momento, o processo de desconstrução do novo a dica é entender que tudo tem inicio meio e fim e que o fim é determinado por você. Evidentemente pra quem ta chegando agora e está vivendo o novo a dica é se lambuzar mesmo. Aproveita o melado até o fim, pois já já as raves não serão tão doces como você acha agora. Eu to nisso há 13 anos e to longe do fim, mas no meu modo de me relacionar com o que está ai. Importante é cada um encontrar sua forma de lidar.
É amigos.... Acho que estamos vivendo um processo coletivo de entendimentos e seleção de quem fica, quem sai e quem fica resmungando o que foi e não é mais. Escolha sua opção. A minha já decidi há muitos anos atrás. Sigo com meu amor à e-music e admitindo que nessa cena em que tantos reclamam nada muda há tempos, não muda há quase 10 anos!
Eu envelheci, mas as Cagarras, o Dois Irmãos e meu quintal a beira-mar permanecem os mesmos. Quanto à mim, de fato foram várias mudanças.
Será que você também não envelheceu, amadureceu, tem saudade do velho e esqueceu-se de entender que antes das raves mudarem quem mudou foi você? Será que você não ficou mais exigente, mais conhecedor de e-music e as raves estão praticamente iguais? É nisso que acredito........
Agora pensa ai você e me diz o que acha....... Garanto que esse exercício é muito mais salutar à cena do que rasgar críticas e comentários mal-educados a cada tópico de festa (igual) que aparece no Plurall. Essa reflexão me proporcionou ir gradativamente me afastando das raves que ai estão (até que em 2008 parei de vez) e me incitou o desejo de criar um evento de e-music em que eu acredito e atende as expectativas de uma parcela dos freqüentadores da cena. Olha como um exercício filosófico é muito mais produtivo do que “cornetadas” no plurall. Ignorar o que não te agrada e buscar o que te faz feliz é o melhor caminho.
PAZ
Última edição por Janzito; 27-05-2010 às 12:53.
| | Os seguintes 13 usuários disseram valeu para Janzito por este post: | Ale Devecchi,
babylettuce,
FleK,
Gisastar,
Hórus,
hugo_wolf,
Orion ..,
ProgMind,
Psyninja,
Rodolfooo,
tHiaGo_cAtalDi,
tohany,
tomfat | 
26-05-2010, 15:33
|  | Ohm, on and on... | | Registrado em: Oct 2006
Posts: 119
Valeu: 186
Recebeu 206 valeus em 78 Posts
| | Re: Quem está mudando é o objeto de observação ou o observador?
mano, eu posso não estar há tanto tempo qto vc... to há uns 8 ou 9 anos no q já foi uma cena, e hj é chacota... e a única coisa q eu tenho a te dizer é uma célebre frase do tb saudoso Gabriel, O pensador:
Seja vc mesmo, mas não seja sempre o mesmo.
Então Jan, oq vc tava fzndo com uma galera, q eu vi florescer e cuidei, e mts cmg e alguns dps, foi passado pra uma galera q não teve uma revolução vital como a nossa... e q deixaram algo definhar e cuidaram de outra coisa... ou cuidaram mal do q nós fizemos... ou então a própria ganância de uma galera empreendedora da sua ou da nossa onda... mas no fim das contas, como vc mesmo disse, vc não é mais aquele de 97, e eu não sou o cara de 2001 ou 2002, mas em essência somos algo parecido com aquilo, só q amadurecidos...
então brother, a revolução está em abandonar o velho e criar o próximo, só q dessa vez, guardar pertinho do peito e só segurar pra próxima geração q tenha o mesmo zelo q a nossa.
e isso serve pra tudo!
OPEN YOUR EYES!
PAZ sempre!
__________________
'Some say you're trouble-boy
Just because you like to destroy
All the things that bring the idiots joy
Well, what's wrong with a little destruction?'
| | Os seguintes 6 usuários disseram valeu para tHiaGo_cAtalDi por este post: | | 
26-05-2010, 18:57
|  | Proghedelic | | Registrado em: Aug 2005
Posts: 1,246
Valeu: 2,124
Recebeu 1,796 valeus em 447 Posts
| | Re: Quem está mudando é o objeto de observação ou o observador?
Belo texto Jan! Concordo com tu q vc e o Thiago falaram...Realmente a maior mudança foram as pessoas, não só dentro da cena, mas no mundo inteiro no geral...Só queria faze uma pergunta baseada nisso q o Thiago falou: Citação:
Postado Originalmente por tHiaGo_cAtalDi então brother, a revolução está em abandonar o velho e criar o próximo, só q dessa vez, guardar pertinho do peito e só segurar pra próxima geração q tenha o mesmo zelo q a nossa. | Guardar o Que, Por Que e Pra Quem???
Qd passamos a ser donos de alguma coisa? Será q nós somos realmentes donos d alguma coisa??
__________________
"Se cada um fizesse a sua parte, ao invés de tentar mudar o mundo inteiro; que bem isto realmente seria em prol do mundo."
| | Os seguintes 8 usuários disseram valeu para FleK por este post: | | 
26-05-2010, 19:33
|  | Junior Member | | Registrado em: Apr 2010 Localização: Goiânia
Posts: 19
Valeu: 14
Recebeu 50 valeus em 18 Posts
| | Re: Quem está mudando é o objeto de observação ou o observador?
Texto simplesmente fantástico!
| | Os seguintes 4 usuários disseram valeu para FernandaBrisa por este post: | | 
26-05-2010, 21:54
|  | poesia ou morte! | | Registrado em: Mar 2005 Localização: Celtx
Posts: 2,201
Valeu: 2,365
Recebeu 3,607 valeus em 931 Posts
| | Re: Quem está mudando é o objeto de observação ou o observador? Fui a minha primeira rave com carteira falsificada, com 15 anos. Rave de techno, D&B, house, e pouca coisa de trance, e o que tinha era euro. Jamais fullon. Época que só tínhamos a Bunker 94 voltada pra musica eletrônica. Mesmo assim em dias específicos. Virei o que as pessoas chamavam de “clubber”. Six, Galeria Café, Lound, Fundição. Vi a Dama de Ferro nascer, fui em uma de suas primeiras festas. Depois a Fosfobox. Ai a coisa no Rio ja estava bem grande. A cultura “clubber” ficou forte. Com muita tristeza me despedi da Bunker 94 (ah se a cama e os sofás da Bunker contassem historias...rs...) Em 2001 conheci a rave de trance. Me apaixonei. Me afastei dos clubinhos e minha mente começou a mudar através do que eu ouvia e sentia. Tudo mudou. Não EXISTIA, um lugar onde os jovens pudessem se encontrar pra ouvir aquela música e para viver dias de completa liberdade. Foram os primeiros passos de um senso comum e natural de comunhão, de paz, de comunidade. Era um mundo a parte do mundo das pessoas com sua impotência em viver os valores que pregavam. Tudo parecia ser possível. Parecia ser uma tribo revolucionaria. A sensação era de que a evolução da música e dos sentidos humano, estavam sendo testados e ampliados de fato, ali ...hehehe...e de certa forma explica-se isso pela enorme quantidade de droga consumida nesse período.
Você saia pra um lugar no meio do mato. Pra ouvir musicas obscuras, que ninguém, absolutamente ninguém mais conhecia ou se importava. Você se vestia pensando em coisas praticas: roupas que te deixassem transpirar e dançar por horas e dias. Não mais que isso e uma mochila nas costas. Não tinha a necessidade do dj parar de tocar ou ter varios. Não tinha a necessidade de tocar musicas conhecidas. Nada do que era feito, precisava ser aprovado. Tudo fluía ... até que deixou de fluir pra girar de forma esquizofrênica.
Mas sem duvida eu mudei infinitamente mais do que as festas e a própria música eletrônica. O que me dava tezão com 15, 16, 18 anos. Ao passar dos vinte e poucos já não é mais o mesmo. Se não fosse os clubes do Rio com suas noites ainda memoráveis. Temos uma vida noturna pequena, mas me sinto muito satisfeito. Com as festas, feitas por pessoas comuns, que estão ai a tempos ou que apenas sabem como fazer uma Festa. Não confunda festa com EVENTOS. É sem duvida nas caixinhas de concreto que sinto o que sentia quando fui a minhas primeiras festas. Ta certo que isso também é algo raro (principalmente nos ultimos anos). Mas acontece de forma que você vê que a “coisa esta viva e forte”. No Trance, Psy, é tudo zumbi que esqueceu de cair. Mas nos meus fones de ouvido, ainda me arrepio. O som, o transe, as vezes me possui e tipo que no meio do metro lotado eu me vejo tendo calafrios e as mesmas sensações que me fizeram ficar apaixonado por tudo isso. Diria o mesmo que você. Gastar energia com o que não agrada mais, ou tentar mostrar algo a alguém. Seja festas, musicas, DJs... é jogar energia fora.... cada coisa esta no seu caminho e tem seu tempo. Gaste o seu focando apenas no que é interessante. Todo o resto merece existir da exata forma que esta. Enfim. Parabéns pelas palavras e sensações expostas Jan =] Abraços
Última edição por Roosevelt Soares; 26-05-2010 às 22:00.
| | Os seguintes 12 usuários disseram valeu para Roosevelt Soares por este post: | Ale Devecchi,
babylettuce,
Charlie LG,
Dricalmeida,
FleK,
hugo_wolf,
Janzito,
Orion ..,
Psyninja,
Rodolfooo,
tHiaGo_cAtalDi,
tohany | 
27-05-2010, 10:51
|  | Ohm, on and on... | | Registrado em: Oct 2006
Posts: 119
Valeu: 186
Recebeu 206 valeus em 78 Posts
| | Re: Quem está mudando é o objeto de observação ou o observador?
Poxa roos... profundo... profundo... quem não teve flashs lendo não sabe de nada... Citação:
Postado Originalmente por FleK Guardar o Que, Por Que e Pra Quem???
Qd passamos a ser donos de alguma coisa? Será q nós somos realmentes donos d alguma coisa?? | Eu digo guardar no sentido de nutrir... cuidar... não acredito em propriedade não Flek. De jeito algum... acredito na mais valia de quem cuida e tem interesse... oq é nosso é nosso até nós mesmos querermos, qdo agente deixa ir, já não é mais nosso, principalmente pq não é mais do nosso interesse... alguma coisa se perdeu no traslado e foi esquecido.
Então cuidemos de qq coisa q nos apetecerem daqui por diante... somos mais maduros hj em dia... mais responsáveis.
Agente leva da vida oq a vida leva dagente...
O que resiste persiste, pro bem e pro mal....
só isso q eu quis dizer... bem simples e despretencioso.
PAZ E MT LUZ!
__________________
'Some say you're trouble-boy
Just because you like to destroy
All the things that bring the idiots joy
Well, what's wrong with a little destruction?'
| | Os seguintes 4 usuários disseram valeu para tHiaGo_cAtalDi por este post: | | 
27-05-2010, 12:12
|  | Member | | Registrado em: Mar 2009
Posts: 77
Valeu: 390
Recebeu 207 valeus em 60 Posts
| | Re: Quem está mudando é o objeto de observação ou o observador?
Assim como o Roosevelt, fui a minha primeira festa rave quando tinha 15 anos, levado por um amigo que já frequentava e conseguiu me convencer a ir... no inicio não consegui entender bem o que estava acontecendo, mas aos poucos fui me soltando e curti muito a festa, achei muito legal a musica, a decoração (na época ja rolava legal), o local, o publico... TUDO.
No dia seguinte, em casa, comecei a sufocar esse meu amigo e outros que frequentavam pedindo musicas, informações de outras festas e qualquer coisa relacionada a musica eletronica... e na minha opinião, é isso que difere o publico de hoje do publico da época que comecei a ir em festas (2003 (nem faz tanto tempo assim))... na época a moda não era tanta que nem hoje em dia, a galera tava ali de peito aberto, sem muitas preocupações...
Conheço gente que vai em festas raves a 2 ou 3 anos e ainda assim não faz idéia do DJ que está se apresentando naquele momento, de onde ele é, qual estilo de som ele toca... só quer saber de "fritar" e tirar foto pra por no orkut e dar pala de "raveiro". Eu quando gosto de uma coisa, quero saber o maximo de coisas possiveis a respeito daquilo, em qualquer coisa na vida.
Me afastei das festas "grandes" do Rio por isso, 95% das pessoas ali não fazem ideia do que está acontecendo, só querem saber de se drogar e ficar pulando que nem malucos ao som de qualquer coisa. Gente que não se importa de pagar o preço que paga no ingresso e nos produtos vendidos na festa e ser tratado da maneira que é... EU ME IMPORTO !!!!
A culpa não é das produtoras não, os caras querem ganhar dinheiro (não acho que estejam errados) então eles colocam nas festas quem o público quer ver, se o publico quer ver essa galera ai, é outra historia...
| | Os seguintes 5 usuários disseram valeu para hugo_wolf por este post: | | 
27-05-2010, 13:25
|  | Membro Avançado | | Registrado em: Jun 2007
Posts: 308
Valeu: 226
Recebeu 147 valeus em 50 Posts
| | Re: Quem está mudando é o objeto de observação ou o observador? Eu acho que isso tem a ver um pouco com o que eu falei lá no tópico da Euphoria. Claro que não tenho a mesma habilidade pra expor idéias aqui como vc, achei o texto brilhante. Mas passa por isso, não adianta ficar nesse desgaste, reclamando o tempo todo, por uma coisa que já não é mais a mesma, sendo q vc tb já não é mais o mesmo. Certamente muito do que a gente acha chato e ridículo nas festas vem de uma insatisfação pessoal com o ambiente ao redor. Talvez se nós tivéssemos 18 anos agora e estivéssemos indo numa Euphoria da vida pela 1ª vez, também acharíamos tudo excepcional e excelente, por não ter parâmetros de comparação. Hj em dia, acredito que a maioria aqui já trabalha, tem sua grana e não quer gastá-la em um evento q vai te dar bebida cara e quente, q vai ter um banheiro químico nojento... sabe... a gente quer algo com mais qualidade, com mais conforto, com mais conteúdo... Por isso tantas reclamações, q a produtora obviamente não tem obrigação de resolver... Espero ter sido clara. | | Os seguintes 7 usuários disseram valeu para Gisastar por este post: | | 
27-05-2010, 15:05
| | Junior Member | | Registrado em: Apr 2008 Localização: Sampa, capital
Posts: 21
Valeu: 0
Recebeu 52 valeus em 16 Posts
| | Re: Quem está mudando é o objeto de observação ou o observador? Citação:
Postado Originalmente por Roosevelt Soares
Mas sem duvida eu mudei infinitamente mais do que as festas e a própria música eletrônica. O que me dava tezão com 15, 16, 18 anos. Ao passar dos vinte e poucos já não é mais o mesmo.
Mas nos meus fones de ouvido, ainda me arrepio. O som, o transe, as vezes me possui e tipo que no meio do metro lotado eu me vejo tendo calafrios e as mesmas sensações que me fizeram ficar apaixonado por tudo isso. | Ainda tenho apenas 21, mas já percebo as mudanças de agrados dos meus 16 aos meus 20.
Isso é evolução...
E, com certeza..eu ainda me arrepio com meus fones de ouvido.
As vezes me pego batendo o pé no chão, fechando o olho ou tendo calafrios no meio do metrô em horário de pico
Ou até mesmo no trabalho. Quantas vezes eu páro até de digitar aqui pq a música deu aquele pico e até solto no pensamento: "putaqueopariuu"
Ainda sinto as sensações.. e só de falar delas eu já fico feliz.
Eu, no meu mundinho, sei do que gosto e como gosto.
As vezes o ambiente de algumas festas desanimam..
O clima, a energia, as pessoas que se tornam ruídos...
Mas quantos sacrifícios já não fazemos para ouvir aquele dj? Para chegar no momento de simplesmente estar em frente ao palco, de olho fechado e deixando as coisas acontecerem?
Seja vc com seu fone de ouvido, vc com seus amigos no meio de uma mega rave (evento / festa comercial)..Seja vc no meio de um festival...de uma festa apenas entre amigos.
Se seu mundo se tornar apenas vc e a psicodelia, vc vai sempre retornar "às raízes", vai ver que o seu mundinho particular e psicodélico continua alí. O que mudou foram as suas percepções.
=**
| | Os seguintes 4 usuários disseram valeu para Kah_pekena por este post: | | 
27-05-2010, 16:05
|  | Member | | Registrado em: Apr 2010 Localização: Infelizmente moro em uma cidade grande.
Posts: 76
Valeu: 43
Recebeu 63 valeus em 40 Posts
| | Re: Quem está mudando é o objeto de observação ou o observador?
Contemplo o final do texto da nossa amiga ai em cima: Citação: |
Hj em dia, acredito que a maioria aqui já trabalha, tem sua grana e não quer gastá-la em um evento q vai te dar bebida cara e quente, q vai ter um banheiro químico nojento... sabe... a gente quer algo com mais qualidade, com mais conforto, com mais conteúdo... Por isso tantas reclamações, q a produtora obviamente não tem obrigação de resolver...
| Minha primeira festa com e-music, não comercial, foi sem querer. Fui a um clube que ia todo sábado, e nesse sabado, tinha uma festa diferente, entrei, e não encontrei mais que uma pessoa conhecida. Eu ia para festas de Dance, sempre ia ao AfricanBar. Aqui em Belém, era época de Mirc (transição para o MSN), Clans de internet, e eles sempre se encontravam lá, eu era de um clan. Nesse dia naum tinha nenhuma dessas pessoas, e nem as músicas Dance que eu conhecia. Era uma musica difente, não entendia. De tanto dançar, sem drogas, apenas alcool, dormi num sofá as 3 e meia e acordei as 7. as 9 fui embora, quandoa achei 50 reais em uma rua movimentada. Aquilo foi marcante, não compreendí, mas descobrí alguns anos depois, que esse momento significava uma sustentabilidade com essa atividade que participei. O ano era de 2002. Eu tinha 15 anos.
COntemplo o que a amiga ai em cima falou no que ela diz: a gente quer algo com mais qualidade, com mais conforto, com mais conteúdo.
Qualidade: no que é dito e propagado. Aproveitamento do local. Orientação do público.
COnforto: Banheiro é algo necessário e inalienável. Mesmo com os homens podendo ir nas árvores, e as mulheres poderem agachar no matinho, existe algo mais que é pedido. Nem todos são como eu, que nasceu na floresta.
Conteúdo: (minha visão particular pede que este ponto seja o mais relevante) Deixou de ser festa de e-music. Agora é Cultura Eletrônica. POis o que começou com eventos e festas, tornou-se um agregador de valores morais e éticos; Gerou novos compotamentos, e reavivação de comportamentos antigos (dançar em Grupo, ir para lugares de paisagens naturais, contato com a natureza.)
Ainda se busca o transe? pode ser que sim, mas esse transe não dura a vida toda. Penso na lucidez como a busca primordial. Quando fui à rave eu não tinha lucidez. NO decorrer desse caminho, acordei sentado na caixa, Balado, e descobrí que tnha algo errado comigo: Eu não pensava como a saúde é importante, como o cuidado com o corpo e com a racionalidade é importante, não pensava que as pessoas do meu lado eram pessoas eu ia encontrar em minha vida e estariam presentes em muitos momentos vindouros. Tinha algo de errado com meu amor próprio. Senti meu Ego. Ví que eu tinha personalidade. Isso me preocupou, mas também me fez ocupar-me de mim.
Depois de tanto tempo me ocupando de mim. E ainda precisando me ocupar um pouco mais. Vejo como devo me ocupar com o próximo. Não com seus caminhos, mas com suas compreensões. O bem pode servir de exmplo, entretanto ele é tão atraente quanto o mal.
Me ocupei em ser um exemplo. Mas isso ocorreu porque tive um Norte para me orientar, e pessoas para servir de exemplo. Se os organizadores dos eventos não podem servir de exemplo para seus participantes, quem irá servir?
Aqui em belém os eventos são feitos por núcleos. Núcleo X, Icógnita, Goadélic, e outros. Penso que esses núcleos devem servir de exemplos para as pessoas que participarão do evento. Eles devem interferir no conteúdo. O que eles oferecem ao público é o que o público vai usufruir. Nesse contexto, acredito que eles tem um papel social, um papel no desenvolvimento da cidadania. Faz bastante tempo que as raves deixaram de ser apenas festas, para serem um movimento cultural.
Mas por não se identificarem com essa mudança, ainda continuam a se acharem festas. Uma festa só serve para se divertir. Se é pra se divertir então é melhor que fique nas boites.
Não foi isso que aprendí no meu caminho dentro desse objeto de observação, e como observador, percebí e acreditei, no que muitas pessoas visionárias que eu conhecí diziam: Isto é um movimento Cultural, que envolve muitas linguagens: Artes visuais, musicais, cênicas, circenses, performáticas, audiovisuais, plásticas; Todas essas atividades tem um grande potencial de Educar, transformar, fomentar, aprimorar, desenvolver o humano.
Mas hoje em dia esse conceito fica apenas na mente de quem produz o evento, pois ele esqueceu de proliferar o conhecimento. É como aquela teoria de conspiração famosa: As Grandes industrias não tem interesse de ter um consumidor consciente de seus atos, pois a consciência gera uma perda e diminuição de lucros.
Então, respondendo a sua pergunta, no meu ponto de vista: Quem está mudando é o objeto de observação ou o observador? O Objeto de Observação teve transformações em suas maneiras de existir e se apresentar, sendo percebido, pelo antigo observador atento, que suas diretrizes e responsabilidades devem evoluir e ser aprimoradas, para que gerem consciência, Auto-conhecimento, Consumismo Consciente (ou anti-consumismo; o consumo é uma doença que leva, todos os anos, não só lixo, como outras formas de poluição à toda parte do Globo de Gaia); o Objeto de Observação deve ser aprimorado para gerar valores MOrais e Éticos, que estão diretamente ligados aos nossos comportamentos; O Objeto de Observação teve seu tempo de existência expandido, junto com o tempo de existência do Observador, gerando nele vontade de fazer parte do mecanismo de avaliação e mudança (paradigmática, consciêncial, comportamental, contextual); O Observador passou de séries, mudou de casa, arrumou um emprego, teve namoradas, participou de atividades na cidade que não dizem respeito apenas a E-music e Raves, Foi à festivais, e participa ainda do cenário eletrônico de sua cidade. Chegando no Agora, ele olha para sí, para dentro de sí, no meio da última rave que ele foi, e se pergunta, porque isso aqui não está me dando prazer, como se eu sentisse que está faltando algo? ele responde com seu olhar arte-educativo, vendo que o contexto da diversão e aprendizado das pessoas está obscurecido com inconsciência, com a falta de atividades no evento: pista, banheiro, Bar, panos decorativos. Ele imaginou alí naquela festa, um grupo de pessoas em uma roda de conversa, um outro grupo aprendendo Origami; Outro grupo fazendo movimentos em uma oficina de voz e corpo. Ele imaginou outro grupo dentro do Igarapé praticando Yoga simples, imaginou a moça do Yagé que veio à festa para tocar, participando da oficina de voz e corpo. Ele imaginou aquilo alí sendo mais que uma festa
__________________
Sou do mato, caboco mesmo. Meus espírito nato, nativo, ativo, gosta de açaí com peixe. Sou do rio, da floresta, do Brasil. Índio sem aldeia.
| | Os seguintes 4 usuários disseram valeu para tohany por este post: | | |
Usuários Ativos Atualmente Vendo Esse Tópico: 1 (0 membros e 1 visitantes) | | | | Ferramentas do Tópico | Pesquisar no Tópico | | | | | Modos de Exibição | Modo Linear |
Regras para Posts
| Você não pode postar novos tópicos Você não pode postar respostas Você não pode postar anexos Você não pode editar seus posts Código HTML Não | | | plurall.com - plurall@plurall.org - 2004-2009 |