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17-02-2010, 22:08
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| | Beto Lima Entrevista realizada em julho de 2008. Encontrei a entrevista procurando pelos trabalhos do Beto pois queria traçar quando começou a decadência do “pisai”. Quando tiver pronto vou postar esse texto , mas essa entrevista é bem interessante por mostrar o pilar principal, ou seja, o cara que mais alimentava o “romantismo trance” ou "visão romantica do trance" no Brasil. Entrevista - Stupa Surya (Beto Lima) Entrevistamos Beto Lima, figura bastante conhecida no início da cena Trance no Brasil. Autor de diversos textos e matérias relacionados ao trance, atuou ao lado dos precursores desse "estilo de vida" aqui no brasil, como Ricardo (Orion), Rica (XXX), Vistar (Trancendence), Juarez (Universo Paralello), seja como crítico, DJ, cenógrafo ou folião. Fundador do iD (Instituto de Desenvolvimento da Consciência Humana), hoje ele é proprietário do Centro VOR, Centro de Formação em Purificação Bioenergética e é conhecido pelo codinome espiritual Stupa Surya. [mushrootz] Quando e como foi seu primeiro contato com a cena Trance? [stupa surya] Através da uma rave privada, em um sítio. Foi amor à primeira vista! Uma liberdade de expressão que nunca havia experienciado. [mushrootz] Qual foi sua participação para o crescimento da cena no Brasil? [stupa surya] Iniciou-se através da Klatu Barada Nikto que significa, Federação [stupa surya] Iniciou-se através da Klatu Barada Nikto que significa, Federação Intergaláctica Vindo em Missão de Paz. Quando o grupo, l iderado por André Mayer e Milton, decidiram levar o conceito trance para o meio urbano, Eu e Nena criamos a "logomarca". Depois disso, eu que me encontrava destruindo uma escala de valores sociais e econômicos, comecei a escrever para diversos sites sobre a cena, sempre apresentando uma visão filósfica que chamava de "tranceismo". Existiu um texto sobre RAVE que rodou o mundo, onde eu apresentava um roteiro cheio de romantismo, desde a chegada para a festa, o processo de aliviar as tensões mentais (amarras) e, finalmente, a libertação através da dança (Probérbio hindu: Não acredite em um Deus que não saiba dançar. Referindo-se ao Deus Shiva, criador dos ásanas do Yoga). . [mushrootz] O que acha do rumo que a cena tomou, da comercialização e da banalização das festas? [stupa surya] Pois é. A mídia daquela época, tipo, Noite Ilustrada da Erika Palomino e Jornal da Tarde, tentavam banalizar as raves, pois as baladas urbanas estavam ficando vazias. Todos os burgueses formadores de opinião estavam pirando com as raves ou com a "novidade" por aqui, já que, na Europa já se tinha raves grandes e nós curtíamos ainda as trance party (uma maravilha!). Quando a Klatu tirou o trance da beira da cachoeira e levou para dentro de um caixote preto, acabou promovendo a manutenção da robotização. Aquilo que era para despertar, acabou como mero paliativo para afogar o caos urbano vivido solitariamente numa cidade como São Paulo.Mas as coisas são o que são. Creio que, de fato, a banalização alcançou o ápice e a proposta contra-cultura já não existe mais. Tudo é apenas uma diversão, igual ir ao cinema. Ser louco virou moda. Se divertir é muiiito bom! Mas não é disso que estamos falando. Trance é transe, promovido pelo sacudir do corpo a um bit veloz. Sob as condições ambientais naturais, podemos sim perder padrões de respostas, alcançando a sublimação em Ser e, daí, a construção de uma nova escala de valores condizentes com a Nova Era Aquariana, absolutamente eletrônica, e usada em nome do amor e da fraternidade. . [mushrootz] Você foi fundador do IDCH, Centro de Desenvolvimento da Consciência Humana. Como foi esse período e porque deixou a sociedade da casa? [stupa surya] A mesma experiência vivenciada pela Klatu no tocante a ter trazido o trance para o seio urbano, aconteceu comigo no iD. A idéia do iD era gerar descondicionamentos, abrindo espaço para o novo. Seguia o modelo chill out que somente nos festivais trance se tinha este ambiente e eram poucos na epoca. Acrescentei terapias de autoconhecimento, como o yoga, e tratei de dar um tom espiritual, fazendo do espaço um lar ou um lugar sagrado. O sucesso, evidenciado pela mídia, fez a idéia virar negócio e, aí, o sistema é que começa a querer governar. A maior burrice que fiz foi partir para uma sociedade de capital com dois rapazes ainda muito envolvidos como sistema, mas que apresentavam um discurso libertador. Eu, cego pelo poder que o iD me apontava, segui em frente e a casa do Paraiso foi inaugurada com a presença de 450 convidados. Mas aí virei escravo do trabalho e o que era para ser um "serviço", virou uma rotina de 18 horas/dia de tarefas e mais tarefas para manter o tom idealista em uma casa com 14 ambientes, incluindo restaurante, alem de uma despesa fixa na rodem de 8 mil reais/mês. Apesar de estar vivendo um redemoinho de intensas responsabilidades, minha lucidez se mantinha e evoluia, e foi, depois de um assalto a casa, onde agressivamente 3 armas apontaram para minha cabeça, que entendi que era hora de ir embora. A primeira idéia era manter o iD com amigos queridos que me apoiavam incondicionalmente. Porém, logo que sai, na mesma semana, o dinheiro gritou mais alto e estes meus amigos queridos foram obrigados a sair. O iDch encerrou um ciclo com ausência de escrúpulos e muita manipulação de informação. Porem, o mais importante aconteceu: tornei-me livre e leve, deixando iD como um presente para os jovens artistas que tanto usaram o espaço para confirmarem seus talentos. . [mushrootz] Atualmente, você dá palestras e aulas de Yoga e Meditação, além de tocar o Centro VOR. Conte-nos um pouco mais sobre a sua ocupação atual e sobre o centro VOR. [stupa surya] Muita coisa rolou desde que me envolvi com o trance. De fato, me libertei de inúmeros condicionamentos promovidos por edução, moral e civismo. Deste processo, criei o iD e o Yoga foi se aproximando cada vez mais. Ao final de uma etapa (existem tantas no decorrer da vida), conquistei a purificação que se iniciou lá com a dança de bit elevado (o trance) debaixo de Sol, chuva e vento. Hoje, para mim, a coisa mais contra-cultura que pode existir diante da cena eletrônica banal, é manter-se puro, sem, com isso, criar uma redoma de vidro em volta da existência pessoal. Pelo contrário, é manter-se puro, lê-se, não contaminado, mesmo em meio a tudo isso que existe no mundo moderno. Portanto, os ensinamentos esotéricos orientais ajudam a manter esta direção, como técnicas mesmo, não só com o erudito. O Centro VOR (de vórtice, chakra) é um centro de formação em purificação bioenergética, tendo como base doutrinária os Vedas e o Tantrismo. Seu objetivo é tornar o amor competente pela via do conhecimento superior, gerando condições de ampliar a capacidade intencional da mente. Isto só pode ser feito atraves de uma mente pura. Então, deixei de lado os escritos e passei a verbalizar, repassando o conhecimento esoterico (= restrito a poucos) para que mais e mais pessoas possam praticar a autocura a partir do autoconheicmento, desmitificando preconceitos e liberando a informação, com responsabilidade e com o apoio da tradição milenar.
. [mushrootz] Atualmente você responde pelo codinome espiritual "Stupa Surya". Qual é o motivo da adoção desse codinome? [stupa surya] O Yoga existe com várias prerrogativas de ação. Uma delas é o samnyasa yoga (yoga da renúncia). Este yoga foi bastante difundido pelo Mestre Osho. Consta, nos estudos esotéricos orientais, a necessidade de despersonificação para dar lugar ao novo. Um nome é uma identidade social. Um novo samnyasa é uma identidade espiritual. Quando deixei o iD Paraiso, segui para o Nordeste a fim de peregrinar. Nesta ocasião senti que era o momento de me dar uma nova chance de construir algo que alimentasse aos meus novos objetivos pessoais e que nada tinham haver com dinheiro ou reputação. Foi aí que decidi me batizar de Stupa, termo que se refere a uma construção tibetana onde enterram mestres habilidosos na arte da meditação, virando um local de peregrinação. Pois bem, meu corpo é uma stupa que abriga uma alma que está sempre a meditar. Stupa é morte e Surya (Sol) é vida, duas constantes na vida física dual. . Mais Informações: www.centrovor.org Fotos: Beto Lima
Última edição por Roosevelt Soares; 17-02-2010 às 22:12.
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