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13-07-2009, 23:46
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| | Barulho ou música? Do ruidismo ao Goa Trance... 
Ao mesmo tempo em que Goa Gil fazia a ponte definitiva entre a musica Trance e espiritualidade, o Trance continuava a se espalhar pelo mundo como uma semente que iria gerar frutos bem peculiares por cada territorio que era semeado.
Circulando de forma underground somente através das mãos de DJs e dos próprios produtores musicais, pois ainda não existia nenhuma gravadora interessada em colocar em circulação aquela nova sonoridade, o som foi sofrendo novas mutações por onde passava como o surgimento do Trance Psicodélico, que iremos falar mais adiante.
Antes precisamos deixar registrado, que foi o Goa Trance, o primeiro estilo de musica eletrônica a ganhar um contexto espiritual, traços impensados até o momento, afinal musica eletrônica e espiritualidade jamais havia sido proposto. 
E isso vale uma volta no tempo, ao momento embrionário da criação da própria musica eletrônica onde provavelmente nem o compositor futurista Luigi Russolo, pensava nessa conexão ao publicar em 1913 o manifesto L´Arte dei Rumon (arte de ruídos) sendo o primeiro a desafiar a musica tradicional com novas práticas de combinações de sons, onde em 1917 com seu Gran Concerto Futuristico chocou e provocou reações violenta do público que assistia seu concerto sendo rejeitado de imediato porém criando assim um novo estilo musical, inspirado nos sons e ritmo das máquinas, fábricas e do caos urbano, chegando a criar instrumentos específicos, como o intonarumori (entoadores de ruídos), que produziam estampidos, estalos, roncos, rangidos e zumbidos (foto abaixo). 
Aquele público e nem mesmo Russolo poderia imaginar que estavam construindo as bases de uma nova percepção humana.
12 anos depois, George Antheil inspirado por Russolo, apresentou seu Ballet Mécanique, que usava na instrumentação campanhias elétricas e uma hélice de avião, e que também causou espanto em seu público na Paris de 1929. Russolo e Antheil, foram os principais artistas do Brutismo ou Ruidismo, um estilo que surgiu no século XX e ainda hoje é utilizado com o intuito de transpor os ruídos do quotidiano para a música. 
Mas foi só nos anos 50 que o compositor norte-americano, de origem francesa Edgar Varèse e outro norte-americano, John Cage consolidam de vez o estreitamento da fronteira do ruído e dos sons ditos musicais, tornando-a tão tênue que possibilitaram o surgimento e consolidação dos dois principais seguimentos que formaram a base do que é hoje chamado de Música Eletroacústica: a Musique Concrète na França e a Eletronic Musik na Alemanha. A obra “Poéme Eléctronique” (1958), de Edgar Varèse foi apresentada na Exposição Universal de Bruxelas de 1958 através de 425 alto-falantes instalados numa mesma sala, sendo o primeiro a conduzir o ouvinte em uma jornada através do tempo e do espaço, unindo para isso arquitetura, cinema, música, ruidos e luz, sendo considerado o marco inicial dessa nova forma de se criar, pensar e ouvir musica eletrônica.
É de longe a necessidade do homem de ampliar o universo sonoro e rítmico até então existente e de se penetrar em zonas do som nunca antes exploradas. Ainda nos idos dos anos 50 Athanasius Kircher descreve em seu livro, Musurgia Universalis, um dispositivo mecânico capaz de compor música usando números e relações numérico-aritméticas para representar escala, ritmo e parâmetros de tempo. Vale entendermos que nesse momento o mundo começava a obter avanços tecnológicos.
Porém o background tecnológico na criação de instrumentos que reproduziam mecanicamente sons, já vem desde 1738 onde se registra o primeiro órgão capaz de imitar sons de cantos de pássaros. Em 1832 Morse inventa o telégrafo elétrico. Um ano depois o cientista Inglês, Charles Babbage, constrói um grande computador mecânico. Hips, em 1867, inventa o piano eletromecânico. Elisha Gray, parceiro de Graham Bell no projeto do telefone, cria uma espécie de piano que transmite sons através de fios em 1876. O próprio Bell em 1880 patenteia vários dispositivos que transmitem e gravam sons. Três anos antes Thomas Edison e Emile Berliner já levavam a cabo projetos de fonógrafos. A pianola aparece em 1895 criada por E.S. Votey (Antheil utilizou 16 pianolas ou players pianos sicronizados em seu Ballet Mécanique).
Em 1910 surge o primeiro sistema de radiodifusão em Nova York, antecedendo em dez anos à primeira estação de rádio no mesmo local. Em 1922 Darius Milhaud faz experiências com transformações vocais em gravações feitas num fonógrafo de mudanças rápidas.
O primeiro gravador em tape aparece em 1935, o piano eletroacústico em 1937. Os anos 40 são a década do aparecimento dos órgãos elétricos. Robert Moog provocou uma revolução nas técnicas da música eletrônica em 1964 com seus sintetizadores controlados por teclados ou outros dispositivos que ofereciam uma enorme variedade de sons prontos para serem manipulados.
Os estudiosos da organologia referem-se ao advento dos instrumentos eletrônicos como uma grande revolução nos conceitos deste setor da instrumentação que se ocupa da definição e classificação dos instrumentos musicais. O computador vem abrir horizontes antes inimagináveis na área da música tecnológica. E ainda sentimos a sensação de estarmos só no começo…
Também um aspecto importante do inicio da rápida disseminação da música eletrônica ja nos anos 80, foram as tecnicas de sampleamento, amostras de sons aleatórios alinhados eletronicamente a outros panoramas musicais. Com o sample, torna-se possível colar, ou seja, copiar diversos tipos de som, inclusive os acústicos, e repeti-los numa ordem programada. E foi se utilizando e muito desse recurso que o Goa Trance começou a sugar pra musica Trance, a espiritualidade e o misticismo de Goa e de seus mais expressivos habitués.
Nessa época começou a mudar também o conceito de DJs, que agora não apenas tocavam música nos clubes, mas começavam a remixar produções existentes e criar suas próprias musicas [continua...]
Última edição por Roosevelt Soares; 14-07-2009 às 00:03.
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