Olá,
Escrevi este texto logo após voltar de uma festa.
Postei em meu blog (
Nosso Mundo a Parte), que utilizo mais como um "desabafo" e decidi compartilhar um pouco com vocês.
Vale lembrar que é apenas um texto, escrito conforme os sentimentos do momento.
Espero que gostem.
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Estava naquela semana de stress no trabalho, na faculdade, na vida.
Aqueles dias os quais tudo que você deseja é parar um pouco o mundo para poder respirar fundo, cuidar um pouco de você mesmo, do seu interior e esquecer um pouco o exterior.
Para mim, dançar sempre foi uma terapia. Ao lado de pessoas de boa energia e com a natureza como cenário, então, é perfeito! Ainda bem que já tinha uma festa para ir naquele final de semana.
Encontrei mais alguns amigos e ficamos todos reunidos. Após toda a agitação de encontro da galera e achar um cantinho para nos instalar comecei a sentir o ambiente e relaxar.
Estava tudo como deveria ser: pessoas que gosto ao meu lado me transmitindo energias boas – o que fazia da energia da festa, algo gostoso de sentir. Música muito boa e o melhor de tudo: o DJ sabia conduzir a pista.
Aos poucos fui me soltando mais e dançando conforme tinha vontade. Fazia tempo que não ia a uma festa à noite, então desta vez pude sentir novamente o ritual completo. A noite estava acompanhada de uma lua maravilhosa e um céu cheio de estrelas. Era só olhar para cima e agradecer à natureza por ter nos proporcionado uma noite tão maravilhosa.
Foi então que fechei o olho. E deixei minha mente ser guiada apenas pelas batidas. Estava bem naquele momento introspectivo. Pensamentos fluíam enquanto eu aguardava o amanhecer. Valeu à pena. O sol vinha nos falando bom dia e, conforme iluminava nossos rostos, trazia com ele os sorrisos.
“Ah, meus amigos continuam bem aqui. E felizes.”, pensei. O amanhecer nos traz tanto ânimo, que, junto com as batidas frenéticas, se torna a fórmula certa para ter um sorriso no rosto e rir, mesmo sem saber do que exatamente. Apenas rir.
Mas eu ainda queria dançar.
Dessa vez, um pouco menos introspectiva, mas queria dançar. A vontade que tinha de caminhar para onde as notas me levavam era mais forte que eu. Fechei o olho novamente.
Pensamentos vinham, iam, voltavam. Mas eu não me prendia em nada. Aos poucos percebi que fui ouvindo menos “ruídos”. Menos risadas, conversas, delírios… Até que ficou apenas a música e eu. Tudo que ouvia, que sentia, pensava, queria. Era ela. Ela me consumia. E fazia isso de tal maneira que era capaz de conduzir minhas vontades.
Cada batida mais forte, cada efeito mais torturante era como uma pontada na mente. Motivo para bicos, e até algumas contorções. Nessa hora eu ainda tentava lutar contra estes efeitos hipnotizantes que aquele som tinha na minha mente. Pensava “Opa, vão achar que estou muito louca. Que mico.” Mas aquilo estava tão bom. E então, me desviei novamente dos pensamentos. Era como se tivesse tampado os ouvidos tanto interna, quanto externamente. Se minha mente tentasse falar: “Pare!” eu não ouviria. Se alguém me chamasse, eu não ligaria. E assim foi.
Quando percebi, tive a exata sensação de que estava em outro mundo, em outra realidade. Era como se flutuasse e visse a festa de cima. Como se minha alma tivesse saído de meu corpo.
Se tinha alguém me observando, eu não sei. Mas se alguém viu, com certeza reparou que eu não me mexia mais conscientemente. O ritmo, as batidas da música, meu corpo e minha mente estavam tão conectados, que eu mesma não precisava mais fazer esforço algum para me mexer.
Sentia como se eu fosse as
próprias notas musicais. Como se fizesse parte da música. Como se, caso eu não me mexesse, a música ficaria com falhas. E então, eu me mexia. Simples assim.
Não ligava para nada. A sensação era tão inexplicável que eu apenas mergulhava mais fundo ainda nessa realidade que me fora apresentada. Nem sei dizer por quanto tempo fiquei assim.
E de repente eu começo a ouvir uma voz de fundo, ao longe, chamando meu nome. Sabe quando sua mãe te chama às 6 horas da manhã e a voz dela parece fazer parte do sonho? Mas ela foi se aproximando… Aproximando…
Quando aquela voz tomou forma e eu percebi que meu amigo me tocava, foi como se ele tivesse me sulgado do mundo em que estava, em 2 segundos. O mundo que eu demorei algumas horas para conhecer e me aconchegar. E ele me tira de lá com apenas um toque.
Ok, eu voltei. Mas era como se eu ainda estivesse lá. A mesma sensação de leveza permanecia. A vontade de rir mesmo sem motivos continuava. O corpo continuava se mexendo, mas sob o meu controle novamente. A diferença que sentia, era que a mente parecia mais clara. Mais organizada, mais limpa. Mesmo tendo a bagunçado um pouco com esta “distorção” de realidade, ela sabia para onde tinha caminhado – para dentro de mim mesma. E entendia que a música me apresentou os caminhos e ela soube dar os passos para o lado certo.
Percebi então que minha energia estava contagiando, pois as pessoas ao meu redor simplesmente se aproximavam para dizer: “Que brisa gostosa que você está. Que energia boa que você passa.” E tudo se confirmava com a troca de sorrisos.
E assim permaneci o restante da festa – feliz, leve. E assim queria que todos também estivessem se sentindo. Ou tivessem a oportunidade para sentir.
A sensação inexplicável de estar aqui e lá. A sensação de ter nascido novamente quando voltou ao seu corpo. Percepção da mente mais clara, as idéias mais concretas. É inexplicável.
E viciante.
Faz ter a vontade de querer voltar naquele mundo a todo tempo. A toda hora. Mas eu sei que posso voltar quando quiser. Não apenas em uma festa, mas dentro do meu
próprio quarto. Eu sei que este mundo, é o meu mesmo, visto apenas com olhares diferentes. Com outros pontos de vista.
E tudo fica mais fácil. E eu fico ansiosa para, sempre que posso, voltar àquele lugar. Apenas para conversar um pouquinho com aquela realidade novamente. Quem sabe não consigo levar alguns amigos junto comigo.
Vamos?