Fala pessoal, tudo bom?
Queria conversar com vocês sobre um tema recorrente em conversas com amigos, noticiários e divãs. O tédio, no seu completo sentido, tem se mostrado uma doença social com alto grau de contágio, com o agravante de não se ter mensurado a sua escala de danos.
Numa rápida pesquisa, constatei que tédio não é sinonimo de chateação. Como relatado no
Wikipedia, tédio é falta de vontade, um vazio estabelecido, diferentemente da noção que temos sobre chateação, que seria algo mais efêmero e condicional.
Essa falta de vontade, esgotamento da atitude.. O ser proativo é raro. Não sei se é impressão de um entendiado, mas vejo o tédio ao meu redor, e de certa maneira busco confirmar isso com vocês através desse tópico: vocês detectam esse desestímulo corrente na sociedade em geral? em vocês mesmo, ocorre o tal sentimento?
No verbete constante à Wikipedia, o tédio aparece associado em alguns tópicos com a repetitividade de ação e com a incapacidade da pessoa em deliberar sobre aquilo que realmente deseja fazer. Na mesma hora, me identifiquei com as hipóteses, e seguidamente relacionei-as com a plataforma estrutural do capitalismo.
De pronto, afirmo que não sou de esquerda e nem de direita, e pensar que esse tópico é de cunho politico é perda de tempo. Além do que, apresentar o modo de produção capitalista como inimigo comum está consagrado como tosco, então tenham a certeza de que não o faria caso não acreditasse piamente nessa conexão. O ponto é que não se há de negar aquilo apresentado pela realidade. E o sistema capitalista, em corpo, alma e espírito, está vinculado aos tópicos que suscitei (do tédio conjugado a repetitividade das atividades e da incapacidade de auto-determinação).
Dentro dessa ordem, operei nova busca no Google, e encontrei esse link,
amplamente elucidativo quanto ao paradigma cultural do século XXI em detrimento dos vícios da modernidade. Em suma, relata o autor que houve um esgotamento cultural e intelectual do indivíduo em favor do sistema, que privilegia o conhecimento
prático e técnico, e que essa vaziez é refletida na noção de pós-modernidade, que é um conceito sem grande substância, que remete tão somente a um tempo posterior a modernidade, donde não se possui traços e características marcantes, nenhum rumo decente, nenhum um propósito palpável existente. O autor diz muitas outras coisas interessantes, vale a pena ler e pensar.
Confesso que dentro de minha pequena pesquisa deixei de lado aspectos psicológicos do tédio, enfatizando mais o aspecto social e formal (o que é, o que significa) do tema. Mas adianto ter simpatizado com as proposições do autor Robert Kurz, de modo que não espero ter uma opinião final muito distante do que foi por ele abordado.
E você, nobre plurallis? o que pensa sobre tédio?
abs e plur