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Papo Cabeça Assuntos interessantes e não necessariamente relacionados ao trance.

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Antigo 30-06-2008, 19:26
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Padrão "A Representação do Eu na Vida Cotidiana"

"A Representação do Eu na Vida Cotidiana" (Resumo)
- Erving Goffman-
Erving Goffman dedica seu artigo as interações sociais entre indivíduos, entretanto, ele foca numa “micro-interação”, ou seja, naquela que se caracteriza entre um pequeno grupo num dado momento e num determinado espaço.

Para ele, a informação sobre um indivíduo possibilita o conhecimento prévio do que se pode esperar dele, e o que ele espera dos demais. Desta maneira, saber-se-á como obter as informações desejadas do mesmo.

Se o indivíduo for desconhecido, tal informação se baseará na sua conduta e aparência, de acordo com experiências prévias com o mesmo estereotipo.
No jogo da interação, o indivíduo deverá expressar a si mesmo e impressionar os observadores. Sua expressão envolve duas atividades:

1Expressão transmitida: Símbolos verbais para transmitir a informação.

2Expressão emitida: Ações.

A segurança (confiabilidade) no mesmo seria determinada de acordo com a quantidade de informações, mas ainda assim as ações sociais serão baseadas na inferência. Será do interesse do indivíduo regular a conduta dos outros, independentemente de seu objetivo na relação ou das razões para isto.

Das duas formas de comunicação (expressão transmitida e emitida) o autor se focará na expressão emitida, de natureza não verbal, seja ela intencional ou não.

Para Goffman, o indivíduo influencia o modo que os outros o verão pelas suas ações. Por vezes, agirá de forma teatral para dar uma determinada impressão para obter dos observadores respostas que lhe interesse, mas outras vezes poderá também estar atuando sem ter consciência disto. Muitas vezes na será ele que moldará seu comportamento, e sim seu grupo social ou tradição na qual pertença.

A partir da ação dos outros, vinculada a impressão dada pela ação do indivíduo, pode-se obter uma visão funcional ou pragmática da interação, e também considerar que o indivíduo provocou uma definição da situação e sua compreensão.

Sabendo-se que o indivíduo mostra-se sob uma perspectiva favorável, os observadores poderão perceber duas partes constituintes de sua atuação:

1 A que ele facilmente manipula, principalmente suas afirmações verbais.

2 A que possui menos controle, ou seja, as expressões que emite.

Os observadores podem utilizar os aspectos fora do controle do indivíduo para legitimar os aspectos controláveis pelo mesmo. Percebe-se desta maneira uma assimetria na comunicação, onde o indivíduo só tem consciência de um aspecto da sua expressividade, e o observador tem dos dois aspectos.

Entretanto, tendo consciência disto, o indivíduo pode manipular suas expressões de modo a dissimular os observadores para que os mesmos utilizem destas expressões moldadas para validarem as informações transmitidas. Isso restabelece a simetria da comunicação e possibilita o jogo de informação e atuação.

Porém, os observadores podem perceber tal simulação e poderão procurar no próprio ato da manipulação alguma conduta na qual o indivíduo na tenha conseguido manipular. Isso restabelece a assimetria da comunicação.

Na interação, o grupo espera que o indivíduo ignore seus sentimentos pessoais e expresse-se de maneira supostamente aceitável a todos. Isso ocorre com facilidade, pois se espera que todos os participantes da interação ignorem seus desejos pessoais em prol de valores falsamente aceitos por todos os presentes.

Juntamente a isso, existiria uma espécie de “divisão do trabalho deficional”. Onde o indivíduo pode regulamentar experimentalmente assuntos diretamente vitais para ele, e não para os demais, assim como o contrário também ocorre.

Os participantes em conjunto fazem uma única definição do assunto, que implica num “acordo real quanto às pretensões de qual pessoa, referentes às quais questões, serão temporariamente acatados”.
Observando a aceitação de um participante nas exigências de definição dos outros, percebe-se a importância da quantidade de informação que um indivíduo possui a cerca dos demais participantes, pois é com base nestas informações que o indivíduo arquiteta suas ações. Sua posição inicial o prende em sua proposta e o impossibilita de se expressar de forma diferente. Com o progresso da interação, este estado inicial será somado a outras informações ou modificado, desde que não seja de forma contraditória.

Quando esta impressão inicial pertence a uma longa série de interações, fala-se comumente em “começar com o pé direito”. Podemos supor que certos fatos cometidos pelo indivíduo contradigam esta posição inicial, ou que lance dúvida sobre o mesmo, isso poderia provocar uma confusão ou constrangimento na interação.

Consequentemente, os observadores podem tomar uma postura hostil sob o indivíduo que se contradize, ou deixá-los embaraçados. O que provocaria uma anomia devido ao colapso gerado nesta interação social.
Atribuindo-se características específicas deste posicionamento inicial, não se poderia deixar de inserir elementos distintos nas definições projetadas em situações posteriores, e é deste aspecto “moral” das projeções que Goffman se ocupará principalmente.

Goffman, afirma que a sociedade se organiza baseando-se no fato de que um indivíduo possuindo certas características sociais deve moralmente ser valorizado, e consequentemente, o indivíduo que possua (ou simule) tais características deve ser de fato o que expressa. Entretanto, o indivíduo que possui tais características exerce uma exigência moral sobre os outros de modo que devam tratá-lo e valorizá-lo de acordo com tais características. Também esta livre de ser o que não aparenta ser, excluindo-se do tratamento adequado a tais pessoas.

Poderiam ocorrer rupturas nestes estereótipos, entretanto não se poderíamos julgar tais rupturas deficionais pela sua freqüência, pois ocorreria mais vezes caso na fossem as preocupações que não ocorram. O autor acredita que existam práticas preventivas para que estas rupturas não ocorram, e práticas corretivas para diminuir os efeitos das contradições que não foram evitadas. Quando o indivíduo tenta conservar a definição da situação projetada por outro, conceitualmente esta se falando de “diplomacia”. Quando se soma as práticas defensivas (das projeções) com a diplomacia, forma-se uma ferramenta para conservação da impressão emitida por um indivíduo perante outros.

Em sua introdução, Goffman define certos conceitos, que serão citados em tópicos a seguir para maior esclarecimento:

1 Interação: Influência recíproca dos atores sociais sobre suas ações quando estão em presença física.

2 Desempenho: Atividade de um ator em dada situação que exerça influência em outros participantes

3 Prática: Padrão de desempenho que ocorre numa dada situação, e que pode ocorrer em outras da mesma maneira.

Tomando o ator e seu desempenho como referência, podem-se definir, de acordo com o mesmo, os contribuintes de outros desempenhos como “platéia” ou “co-participantes”. Quando o desempenho ocorre com os mesmo co-participantes surge um relacionamento social.

Desta maneira, sendo o papel social a declaração de direitos e deveres sociais relacionados a uma situação social, pode-se afirmar que ele (o papel social) possui diversos movimentos, e estes podem ser apresentados pelo autor em diferentes situações para o mesmo tipo de platéia, ou para a platéia formada pelos mesmos co-participantes.



Renan Reis
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Antigo 30-06-2008, 21:45
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Irado!!!
Você que concluiu esse texto com os estudos de Goffman?

É meio que um manual básico das relações sociais né. A descrição de um líder, que se posiciona como líder pelas habilidades em lidar com o jogo social em relação a uma tribo que sempre se forma ao redor de um líder. Bem semelhante as articulações da politicagem, ou to errado e na verdade fala da representação de um eu comun?

“Os observadores podem utilizar os aspectos fora do controle do indivíduo para legitimar os aspectos controláveis pelo mesmo. Percebe-se desta maneira uma assimetria na comunicação, onde o indivíduo só tem consciência de um aspecto da sua expressividade, e o observador tem dos dois aspectos.”

Interessante isso. É um dialogo assimétrico que serve pra gerar uma espécie de “degrau de consciência” onde as conclusões são geradas em cima de imperfeições que vão se completando. Muito maneiro.

É bom ler isso pra entender como as coisas podem ser manipuladas e previsíveis.
Muito bom. Deu nó na minha cabeça...mas muito bom.
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Antigo 30-06-2008, 22:28
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Na verdade isso é um resumo feito por mim, não cheguei a fazer nenhuma observação pois quando fiz (ontem) era pra um trabalho de sociologia, mas gostei tanto que farei uma resenha.

E sim, isso é atrelado ao cidadão comum, não somente os líderes.

Goffman fala da interelação no seu aspecto mais diminutivo, onde existe ao menos dois indivíduos em presença física. Fala da maneira da comunicação, ambos podem não ter consciência de tais aspectos expressivos, mas Goffman os conceitualiza e mostra como podem ser utilizados para se controlar a comunicação. Por isso mesmo gostei de usar o termo "ator".

Seus exemplo são de ciuações comuns, como uma mulher indo a praia se comportando de maneira articulada para se mostrar desinteressada pelo ambiente externo, controlando não só a linguagem, mas também a expressão de seu corpo.

O cara é sinistro, hihihi E penar que este texto é de 1973 e ainnda não contradito.

Quando fizer a resenha posto aqui tb.

Abs
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