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Antigo 27-05-2009, 11:47
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poesia ou morte!
 
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Padrão Repressão, Pânico Moral e Crise de identidade

Reunindo varias matérias. Trago pra vocês uma trilha das ações repressivas a musica eletrônica ao longo dos anos.
Seja qual for o motivo que envolvem as noticias abaixo, vale ter em mente que o consumo de drogas (legais e ilegais), mortes, perturbação da ordem publica, e varias acusações que já conhecemos, existem em numero até superior em vários níveis da sociedade e que comparados com a musica eletrônica são de chocar, pela nítidas em que se constata a perseguição.
Estou traduzindo isso em números, para os que ainda defendem essas ações. Isso será pra um futuro post.

Histórico das atividades repressivas

Vigiado por câmeras numa mansão em Beverly Hills, em Los Angeles, com a mulher e dois filhos, o ex-vocalista da Black Sabbath, Ozzy Osbourne, de 53 anos, causou espanto ao proibir o caçula, Jack, de ir a uma rave num dos episódios do reality show “Os Osbournes”, exibido pela MTV em 2002.

A mídia brasileira lançou no dia seguinte de exibição do episodio a pergunta; O que há nestas festas que nem o roqueiro cinqüentão, que na juventude costumava exagerar na mistura de bebidas e drogas, as enxerga com bons olhos?

Como muitos pais, Ozzy nunca foi a uma rave e se habituou a associá-las a overdoses de álcool, drogas, música eletrônica e festas que duram dias seguidos. Essa pequena nota ao pé do matéria publicada pelo jornal O Globo, nem chegou a ser observada pela sociedade, que logo em seguida foi bombardeada pela grande mídia com o fenômeno de “caça as raves”.

O primeiro Estado a proibir festas de música eletrônica foi Santa Catarina.
Em seguida, em Niterói, Rio de Janeiro a festa Omega Rave, teve uma ação cinematográfica onde quase 100 policiais, encapuzados, armados e com agentes disfarçados no interior da festa, fingindo curtir o evento, deflagrarão uma operação truculenta, que resultou em pânico geral e prisões. A operação foi preparada com meses de antecedência pelo coordenador de Justiça Terapêutica do Ministério Público, Márcio Mothé. Quem viveu esse dia não esquece. Todos, homens, mulheres, trabalhadores, foram tratados como bandido, e muitos agredidos sem a menor possibilidade de reclamar.

No mesmo ano, ainda comandado por Mothé, varias festas foram inavadidas, como a festa Utopia que acontecia em Vargem Grande. Ainda nesse ano, um festival em Barra Mansa (Full On Festival), foi invadido pela policia, que apreendeu um saco de munição dos seguranças, drogas, multou o local por falta de um alvará para a realização do evento e prendeu o dj Lourenço de Almeida Gomes de Amorim (Fluorenzo), começando assim a perseguir dj's e produtores de festas, que pelo olhar dos representates da justiça, passaram a ser encarados como traficantes de drogas internacionais.

Muitos eventos durante o ano, qualquer um que tocasse musica eletrônica, foram proibidos, assim como o caso da Rio Parade, evento que reuniu cerca de 200.000 no centro do Rio de Janeiro, com 12 trio elétricos e muita musica eletrônica, tendo terminado sem nenhum incidente, porem a sua 2º edição, foi proibida pelo prefeito Cesar Maia.

Os eventos continuaram sendo proibidos até o inicio de 2005, agora com ações comandadas também pelo governo do estado do Rio de Janeiro (Garotinho e Rosinha), que não concediam alvará para a realização de tais “raves” com a alegação de que as festas fariam apologia ao consumo de drogas. Segundo o Jornal do Brasil de 25 de abril de 2004, “tais festas estariam se tornando um caso de segurança pública, tendo a necessidade de se criar uma delegacia especial.”

Em 2005 a casa caiu também fora do Rio de Janeiro e muitas festas em todo o Brasil foram invadidas pela polícia, que acompanhada da mídia registrou suas apreensões e televisionou para a massa brasileira um festival de distorções fantásticas sobre o universo das raves.

Em julho de 2005 o festival Trancendence em Alto Paraíso/Chapada dos Veadeiros foi o alvo da vez. Realizada em uma fazenda particular de natureza exuberante, o clima estava tenso por lá e foi possível observar a “violência” do “poder de repressão” da lei diante do pacifismo dos que buscam o direito de livre-disposição do corpo e de autonomia sobre si próprio. Quase duzentas pessoas foram presas e levadas para um hotel onde tiveram que assinar uma liminar e pagar uma fiança para serem liberadas.

Em dezembro de 2006 as festas raves voltaram a ser alvo de especulações proibicionistas no Rio de Janeiro. O vereador Fábio Silva da bancada evangélica da Câmara Municipal do Rio, apresentou projeto transcrito no Diário Oficial da Câmara proibindo as raves ou qualquer outro tipo de evento de música eletrônica que ocorra de madrugada, de manhã ou à tarde com características semelhantes das raves.

Em sua justificativa, FÁBIO SILVA comparou as festas raves aos bailes funks ''onde traficantes contratam os artistas para cantarem e durante os bailes venderem livremente suas drogas para os freqüentadores'' .

"Esse tipo de evento se tornou um antro de consumo e distribuição de todos os tipos de drogas, mas principalmente de drogas sintéticas" informa outro trecho da justificativa publicada no Diário Oficial.

Por 41 votos a um, a Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou no dia 27 de maio de 2008, o projeto de lei do deputado Álvaro Lins que revoga a Lei 3.410, de 29 de maio de 2000, e que agora impõe normas especificas para a realização de festas raves e bailes funk. A proposta seguiu com a aprovação do governador Sérgio Cabral.

Dezembro de 2008, Guapimirim - RJ. Prefeito Nelson do Posto proíbe realização da Organix. Motivos: “Neste tipo de evento ocorre excesso de consumo de drogas, além de alto índice de vandalismo após o término das festas, com quebradeiras e brigas generalizadas”. Nota da organização: “Somos vítimas de preconceito e discriminação partindo de todas as partes”.

Jaguariúna, 25 de agosto de 2008, festa SOMA cancelada. Duas semanas antes, toda a papelada pronta, o prefeito Tancísio Cleto Chiavegato sanciona a lei Nº 1.817 que “proíbe, no âmbito do Município de Jaguariúna, a realização de eventos e festas de atividades dançantes conhecidas como Festas ‘Rave’ e semelhantes”. E mesmo com o AVCB do Corpo de Bombeiros em mãos, atestando a segurança da festa, não teve jeito...

Prefeitura de Cabreúva nega alvará para realização da PsyArena. Alegações: “festas raves” são mal vistas no cenário nacional e recentemente ocorrera uma morte numa rave grande da região. Por prevenção, não liberaram.

Ainda em agosto de 2008, Chill Beans começa a ser investigada num possível custeio do tráfico por ter sua marca associada a eventos de musica eletronica. “Quando começamos a investigação, a marca surgiu como a grande patrocinadora desse tipo de evento", diz o investigador da DISE (que preferiu não se identificar). "É inacreditável essa situação, mas estamos tranquilos" declarou ao Tatiana, assessora de comunicação da Chilli Beans.

Campinas, 21 de março de 2009, uma liminar da justiça proibiu a realização do evento Kaballah. Motivo? Um vizinho (que não quer ser identificado) moveu um recurso, sob alegação de barulho.


Pânico Moral


A mídia sensacionalista pinta então todo o cenário de forma fúnebre, onde os participantes das mesmas são retratados como se sofressem de falta de “moralidade” e “saúde psíquica”, jogando com a culpa e o medo dos pais. A opinião pública indignada então reclama ações contra essa ameaça e o estado responde a ela.

Como resultado do “Pânico Moral” os inside do movimento cultural da musica eletrônica, começam a se desintegrar com uma crise de identidade que inviabiliza o surgimento de uma união, um consenso e a criação de representates pra dialogar frente ao estado.


Status quo


Statu quo é uma expressão latina que designa o estado atual das coisas, seja em que momento for.
O conceito de "statu quo" origina-se do termo diplomático "in statu quo ante bellum", que significa "no estado (em que se estava) antes da guerra".
Na realidade, a expressão não define necessariamente um mau estado, e sim o estado atual das coisas. Em uma citação, por exemplo, "Considerando o statu quo...", considera-se a situação atual que pode ou não ser mudada através de ações organizadas.


Crise de identidade


A 1º classe (Outorgante)

São indivíduos que assumem uma postura ativa e libertaria, respeitando as raízes culturais do movimento global da musica eletrônica, especificamente assumindo a herança cultural do gênero preferencial de musica (identidade que rege o todo).

Através de tecnologias, conscientização, política, espiritual e social, excerssem a independência de pensamento e ação.
Seus rituais são construídos para celebrar essa independência em forma de arte e cultura própria, criando experiências ativa que modificam o status quo de forma a melhorar o espaço-tempo em que se mafifestão.

São pacifista, assim evitam o confronto pois também desejam continuar invisíveis, porem estão dispostos a confrontar se essa for a única saída pra conseguir exercer sua total liberdade.

A 2º classe (Outorgado)


São indivíduos, não de forma generalizada, mas marcado por sua maioria que assumi uma postura conformista e não ameaçadora, uma vez que carregam uma herança de domestificação segura, do mesmo modo que seus pais, foram regulados pela disciplina do trabalho e das responsabilidade ligadas à família, não acreditam em um modelo seguro, externo a esse.

Seus rituais são simulações rasas que não possuem uma referência mais profunda, havendo pouca densidade cultural de expressão capaz de legitimar como um movimento. Sendo mais bem aproveitados em termos de mercado, onde de integrantes de um movimento, se limitam a ser consumidores.


Cabe ressaltar, que a 1º e 2º classe de indivíduos vivem em transito e constante e vastos diálogos, sendo muito freqüente os indivíduos da 2º classe, perceber que sua real identidade se encaixa melhor na 1º. Esse movimento de migração se torna um rito de passagem, marcado por profundas mudanças reflexivas.
Quando ocorre dos indivíduos da 1º migrarem pra 2º, geralmente é motivado por uma crise de negação que conflita diretamente com seus interesses pessoais e culturais.

Perceba então que ambas as classes são fundamentais pra oxigenar um movimento cultural, logicamente sendo somente a primeira que traz legitimidade pra que o movimento possa requerer seu caráter de expressão cultural contemporânea.

É hora de nos UNIR!

Fontes: Psyte / Raurrl / e-Music / Elisa Torres e Juliana Zaroni / Cultura, poder e educação - Rosa Maria Hessel Silveira
Auxilio: Ana Estrela (Estudante de Ciências Sociais)
__________________
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Última edição por Roosevelt Soares; 27-05-2009 às 12:09.
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crise , identidade , moral , pânico , repressão


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