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09-12-2006, 13:26
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| | Para Saber Quem É Quem Para saber quem é quem  15.05.2004 | A maneira pela qual eu conheci o The Who foi curiosa e quase-recente. No meu antigo trabalho, que chamavam de estágio, acho que porque perto dos meus alvos-calvos colegas eu era ainda um feto cabeçudo sem os dedos da mão formados completamente, apesar de fazer um ótimo cafezinho, mais quatro gotas de adoçante para a Sra. Regina (a chefe), que entrou em dieta no mesmo dia em que inventaram a sacarina... Perdoem-me, onde estava? Ah sim! No meu trabalho ou estágio ou seja lá o que foi aquilo, o que fiz de melhor foi passar umas belas horas em frente ao computador, baixando músicas pela internet num daqueles programinhas em que você compartilha seus arquivos compilados até que, de repente, aparece escrito no canto inferior da tela que “o seu computador explodirá em cinco segundos... quatro... três...”. O passatempo se tornou rapidamente um vício daqueles que te fazem suar sem piscar os olhos até o final e no fim de três meses eu já tinha sete CDs gravados com os maiores roqueiros da história, segundo o Hall da Fama do Rock, de cujo sítio virtual eu tirava as pesquisas para a minha vontade de conhecer um pouco mais sobre o assunto e poder opinar contra qualquer opinião numa mesa de bar – o passatempo predileto de uma valise sem rodinhas. Queria a arrogância e consegui alcançá-la por alguns meses, até que combinei de assistir a um DVD biográfico do Jimi Hendrix com o meu pai.
Era sobre o Jimi Hendrix e era ótimo porque mesclava algumas performances inspiradas a entrevistas com outros artistas, gravadas pouco depois da morte do cara, quando ele bateu na porta errada numa de suas andanças por labirintos lisérgicos. Sei que o primeiro entrevistado era um sujeito com um nariz enorme e um cabelo marrom-claro, no formato de uma semiesfera, com uns olhos interessados e saltitantes, de um azul-piscina, cheios de coisas para dizer e gotas de colírio para pingar. Meu pai soltou uma gargalhada que poderia se confundir facilmente com uma tosse seca, mas que queria dizer um estalo de uma lembrança antiga cutucada no seu cérebro desavisado.
- Esse cara é bom pra caralho.
- Quem? Esse narigudo, aí? Me parece um pouco bêbado... Quem é ele? Lenda do rock: guitarrista Pete Townshend em ação no Who
Caí numa longa queda e fui traído pelo meu conhecimento rápido. Meu pai me olhou de lado, como que de cima pra baixo – mesmo tendo ele um e sessenta – e perguntou se eu não sabia quem era Pete Townshend, se eu não conhecia o The Who. Disse que não e fiquei meio nervoso de vergonha; comecei a estalar os dedos e a perguntar os quês e porquês daquele cara e daquela cara que o meu pai fazia ao falar dele. Ele me contou uma historinha rápida que respondia a minha questão. No começo da carreira do Who, enquanto a banda estourava nas paradas inglesas e americanas e explodia ginásios universitários, onde jovens desquitadas em seus permanentes choravam espremidas no palco e mascavam chicletes, os mais sacanas faziam sempre a mesma piada quando escutavam o nome “The Who”: “Who?”, perguntavam para que, em seguida, eles mesmos respondessem em uníssono: “Pete!!!” Consideravam que o guitarrista era a própria banda. Uma primeira impressão compreensível – Pete compôs letra e harmonia de 95% das músicas do grupo –, mas para uma segunda impressão mais atenta já não serve. Digamos que o guitarrista fosse... Insubstituível, seria mais justo assim. E na época, ele e o Eric Clapton eram os maiores guitarristas de rock do mundo, sem chance pro Keith Richards, apesar dos sonhos movimentados que o trouxeram o simples e genial – bela combinação! – rife inicial de “Satisfaction”. E, claro, isso vale até entrar em cena o afro-marciano Hendrix que fundaria um estilo diferente de qualquer outro, inimitável, e, como disse Townshend no documentário sobre Jimi, “ao mesmo tempo nos entretinha e ameaçava”, referindo-se à sensação de doce roubado experimentada por ele e por Clapton – com quem Pete andou trocando algumas figurinhas e vendo uns filmes italianos no cinema neste mesmo período – quando Jimi entrou em cena sem nunca nos ter deixado saber a que veio, tão rápido e tão intenso. Mas do Hendrix falamos outra hora. Dele todo mundo fala.
Curiosidade despertada, sabia o que tinha que fazer. A primeira coisa que ouvi do Who foi a melhor que ouvi até hoje: “Tommy”, que apesar da tosca adaptação para o cinema de Ken Russel, mesmo com Jack Nicholson, Eric Clapton, Elton John e Tina Turner fazendo o que podiam fazer, foi uma peça premiadíssima na Broadway e uma das sacadas progressivas mais geniais da história do rock n’ roll. Uma fusão que eu nunca tinha imaginado, nem eu nem ninguém, até Pete Townshend vir com essa maluquice de “ópera-rock”, ou seja, música para todos os ouvidos; de Sabbath a Giacomo Puccini.
Foi um amigo que me ligou, eu me lembro. “Cara, tô com um CD que tu não vai acreditar. Sabe ópera? Então, é opera... Só que de rock.” “Como assim?” “Porra, cara, uma música emenda com a outra e tem uma historinha e tudo o mais...” “Putz, deve ser chato pra caralho...” “Me devolve na quinta.” Ouvi, achei demais pra mim. Desliguei, li o encarte, “talvez de noite a coisa engrene”. Tentei de novo. Demais! Que bateria é essa? O cara sola o tempo todo. Nunca deve ter feito uma aula na vida. Ninguém deveria fazer. Babei demais, dormi ouvindo, esqueci de dormir, virei o próprio garoto cego, surdo e mudo da peça, virei “Tommas”, como Pete Townshend se refere carinhosamente ao protagonista da sua cria.
Quando chegou quinta-feira foi um papo curto. “Seguinte, cara: tô passando aí pra pegar de volta o CD. Como foi? Absurdo, não?” “Absurdo. Quem é o baterista? Você entendeu aquilo?” “Keith Moon. O maior porra-louca da história. Morreu em 78, doidinho. Anfetamina com gim... Não, eu nunca entendi, mas adorei! Vou te levar um presente.” “O quê?” “Você vai ver e vai me agradecer.” “Que papo de boiola!” “Tô chegando aí...”
Ele chegou meio vidradão. Eu estava ansioso. Ouvindo “Tommy” e fumando alguma coisa que eu fingia que era maconha, mas que era um farelo qualquer. Parecia ração pra esquilo. Mas fui parar lá em cima de qualquer maneira. Fui e voltei muitas vezes. Sempre ouvindo “Tommy” e mudando as faixas que nem um louco. “See me! Feel meeeeeeeeeeeeee! Touch me. Heeeeeeeeeeal me...” Eu era um babaca. O refrão parecia meio meloso, mas eu cantava mesmo assim. Quando meu amigo passou da porta, reparei que tinha um DVD na mão. E mais maconha. Ia ser um trabalho pesado. “Prepare-se para ficar sem ar”, e botou o DVD. Uma multidão. Devia ter pelo menos quinhentas mil pessoas naquele matagal. Um mais doido e faceiro e abobado que o outro. Era um evento grande. Ilha de Wight, ao sul de Londres, 1970. O auge e o fim do negócio, dizem os sabidos. Jim Morrison nas últimas. Jimi Hendrix pronto pra pifar, ácido na testa e na virilha. Joni Mitchell e Joan Baez pras menininhas. Emmerson Lake and Palmer pra quicar – quem falou que a música eletrônica é da nossa geração? É dos 70’s, só que não é eletrônica. Leonard Cohen pra cortar os pulsos ou acender isqueiros. Jethro Tull pra ouvir e abrir a boca. Moody Blues, Free, Kris Kristofferson, a turma toda. Porra, o Miles Davis tava lá! Era o Woodstock inglês. Alguns dizem que foi melhor. Eu acho que foi. E às duas horas da noite as luzes se acenderam e as pessoas começaram a assobiar e a subir umas nas outras pra ver o melhor show da noite, o mais esperado: The Who no palco. Isso, sim, é história. Uma descarga de raiva. Eles quebrariam os instrumentos dessa vez? No Woodstock ficaram devendo. Essa era a polêmica do Who: não eram tão certinhos como os Beatles nem tão ácidos como os Stones. Não usavam ternos feitos sob encomenda nem dançavam como umas bichas. E nunca houve um quarteto mais entrosado tocando música pra garoto ouvir. Pete Townshend entrou no palco com um macacão de operário de fábrica. Só faltou a graxa. O baixo mais rápido do rock, John Entwistle, usava uma fantasia de esqueleto, tipo aquelas que as crianças usam no carnaval ou no dia das bruxas. Só que ele não era criança, em nenhum aspecto. Caladão, quase dois metros de altura, sério. O cara não conseguia se mexer de tão apertado que estava na roupa. Mas ele não precisava se mexer, só os dedos. Roger Daltrey estava meio ridículo, com uma fantasia de caubói com longas franjas, mas ele nunca teve muito espaço. O palco era pequeno pra tanto ego e ele sempre perdia. Talvez por isso usasse roupas de caubói, com a camisa aberta, mostrando os gomos da barriga seca. Ele só tinha os músculos e alguma voz. Keith Moon: "This is serious! It’s a fucking opera, ain’t it?"Mas completava bem o time. Keith Moon, o tal lunático, esse sim, tinha misturado demais. Tava completamente pancado, de enrolar a língua. Tocou mal, brigou com Pete, fez as pazes, riu o show inteiro. Mas o tocar mal dele era mais rápido que qualquer avaliação. E, afinal, ninguém tocava que nem ele. Ninguém podia avaliar. Entraram os quatro como se estivessem saindo e, é claro, todos queriam que eles quebrassem os instrumentos.
Talvez fosse a maconha, mas eu nunca tinha me arrepiado daquele jeito. A química no palco, meu deus!, como eles faziam aquilo? O baixo solava, a guitarra solava, a bateria solava, todos juntos e independentes. Uns gritinhos do Daltrey e umas rodadinhas com o microfone no ar e estava ali a maior banda de rock que eu já vi tocar dando o show da sua história e da história da música adolescente dos anos 60-70. Numa certa hora o barulho da platéia começou a ficar mais alto que o dos acordes. Todos batendo palmas, se sacudindo, endoidecendo, levantando os braços, levantando as saias e mostrando os seios. Acho que fiquei sem respirar durante todos os seis minutos de “Young Man Blues”, adaptação genial de Townshend para a “jazzeada” de Moose Allison. Eu não acredito nisso normalmente, mas havia uma atmosfera naquele lugar. Uma aula sobre comunhão entre artista e platéia a qual algumas bandas do new-rap-rock (essa bosta que alguém inventou e deu o nome de Linkin Park e Limp Bizkit etc...) devem ter faltado. Um exemplo disso pode ser ouvido no primeiro minuto de "Overture", a abertura de "Tommy". Antes do início da apresentação, enquanto Pete funcionava como um mestre de cerimônia bonacheirão, movido por bolotinhas acelerantes e álcool forte, o performático baterista, Keith Moon, exigia silêncio absoluto para o início do concerto. Ele era o maestro da coisa e parecia se divertir levando toda a história a sério. E com as baquetas em riste, cruzando, gritava: "This is serious! It’s a fucking opera, ain’t it?", enquanto o público ria de volta criando o ambiente perfeito para muita improvisação e entusiasmo, o fator diferencial do quarteto de Shepherd’s Bush. O que me faz querer nascer de novo toda vez que eu ouço o disco. Álbum The Who ao vivo em Leeds, gravado em 1970 na cidade inglesaOBS: Aos interessados em bom rock, tem um outro show do Who que muitos dizem que é ainda melhor que o da Ilha de Wight. Eu não sei dizer. “Live at Leeds” foi um show gravado no ginásio da Universidade de Leeds para virar vinil pouco antes do mega-festival na ilha britânica. O som era melhor, os caras estavam menos doidos, a acústica ginasial favorecia à qualidade. A proximidade da banda com a platéia impressiona e em alguns momentos podemos ouvir longos bate-papos entre Pete, Moon, Daltrey e o público, já que o baixista John Entwistle não falava. O show ganhou uma regravação de luxo em 2001, num CD duplo que inclui, além das clássicas “Can’t Explain”, “My Generation” (versão improvisada e esticada no limite) e “Happy Jack”, a rock-ópera “Tommy”, na íntegra. O primeiro disco do CD, relançado com selo nacional por aqui – o que significa uma despesa de algo em torno de R$ 55 nas grandes lojas –, começa com a furiosa entrada de "Heaven and Hell", que costumava abrir os show do Who na época e é uma das poucas composições sem a rubrica de Townshend. A música comprova a sintonia quase instintiva da banda e se destaca pelos versos de John Entwistle, que compôs texto e melodia. A letra é quase um tratado filosófico. O disco tem também algumas músicas raras como "Fortune Teller" e "Tattoo", além da mini-ópera "A quick one, while he’s away", uma lição divida em pequenas árias sobre traição e perdão que mostra de onde Townshend sacou que uma ópera-rock seria uma boa. No segundo CD (Tommy), vale atentar aos solos de Pete, que parece tomar ar com a guitarra, e às batidas quase cardíacas de Moon em sua Premier cor de mel. Se prestarmos atenção podemos perceber em "Sparks", música instrumental de "Tommy" e quinta faixa do CD 2, um dado antropofágico: os rifes iniciais de guitarra são idênticos aos de "Foxy Lady", do Jimi Hendrix. Genial? "Live at Leeds" é um disco daqueles que se pode deixar tocar da primeira à última faixa e depois outra vez. É o tipo de coisa pra se ouvir e sorrir e chorar. Uma aquisição obrigatória a qualquer aficionado pela invasão do rock inglês no mundo e, no mínimo, interessante a qualquer amante da boa música. Naquelas quase três horas de show, parecia realmente que os céus tinham-se aberto e que o rock n’ roll poderia definitivamente herdar a Terra. 
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09-12-2006, 14:29
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Po esse seu texto fez eu me lembrar de um dvd do jimi hendrix que eu tenho,com depoiment de maior galera,inclusive do pete e do eric clapton.
Lembro do pete falando sobre esse filme italiano que ele foi assistir com o eric clapton e o fato do jimi hendrix ser uma ameça pra eles e tal...
Vou ver se consigo baixar o video desse show na Ilha de Wight,afinal o Who é uma banda muito foda....
Abcc
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09-12-2006, 14:56
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Filipe teles o Dvd ta 34,90 na lojas americanas!!!!!  e tem um do whoo de 2002 no royal albert hall por 14,90 no msm lugar! e de quebra tu compra o do pink floyd live at pompeii por 19,90 e se der sorte acha os 3 diarios de woodstock por 10 reais cada um e se procurar mais um pouco encontra o stones in the park de 69 pelos mesmos dez reais, e se tu der uma caçada tem o festival de stamping ground da holanda em 70 por dez reais també e por fim se tu quiser a opera rock tommy o filme do the who na preciosa lojas americanas tu encontra por dez reais!!
Até trainspotting tu encontra la por dez reaIS!
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