A arte como um estilo de vida
8 dez
Uma das coisas que os fotógrafos mais reclamam é o fato de ter que ficar trocando de lente toda hora. Realmente é muito chato ter que parar tudo pra trocar a lente da câmera. Sendo que algumas lentes são bem pesadas e você acaba tendo que parar o que está fazendo mesmo, procurar um apoio, abrir sua mochila, enfim, é um processo.
E em festas e festivais geralmente há muita poeira no ar, por conta da galera dançando ou do vento. Isso faz com que o processo de se trocar lentes ainda ofereça o risco de entrar alguma partícula de terra ou poeira dentro da câmera. Se acontecer isso e a partícula se alojar no sensor, as próximas fotos acusarão um objeto não-identificado na imagem. Pode-se tentar resolver isso acionando-se o dispositivo de auto-limpeza do sensor, caso a sua câmera apresente esse tipo de ferramenta. Mas nem sempre ele é eficaz. Se isso não adiantar ou se a câmera não possuir esse dispositivo, então temos um problema mais chato.
A questão é que se acontecer isso no meio do evento, você provavelmente não vai querer/poder parar de fotografar. E isso significa muitas horas de photoshop pra conseguir limpar o “alien” de todas as fotos. Algo chato de se fazer, mas necessário. Ninguém merece fotos com sujeiras voando no céu… E daí só resta recorrer a uma assistência técnica após o evento, pra que um profissional faça a limpeza manual do sensor, o que deverá custar algo em torno de 50 a 100 reais, dependendo da localização e do nível de mercenarismo da assistência…
Voltando à questão das lentes… E pra que precisamos ficar toda hora trocando de lentes? Bom, infelizmente eu ainda não vi pra vender por aí uma super-lente que sirva pra todas as ocasiões. E imagino que se houvesse algo do tipo, custaria os olhos da cara. Mas eu tenho certeza que com as tecnologias de hoje é possível a fabricação de uma lente desse tipo. Porém, se existisse uma lente que servisse pra maioria das situações, os fotógrafos não mais iriam comprar 5 ou 6 lentes diferentes e as empresas de equipamentos não lucrariam seus bilhões…
Falando um pouco sobre cada tipo de lente… Apenas uma visão básica, coisa que se aprende em qualquer curso de fotografia ou até mesmo em uma pesquisa na Internet.
Pra começar, uma lente na verdade é um conjunto de lentes. Chamamos de objetiva e o conjunto de lentes é chamado de aparato ou conjunto ótico. O termo lente é usado popularmente.
Super-grande-angular e Grande-angular - São lentes cujo ângulo de visão é bem grande. Você consegue capturar a cena de uma perspectiva bem ampla, conseguindo enquadrar tudo ou quase tudo do ambiente. Em outras palavras, quanto menor a distância focal da lente, maior o ângulo de captura dela. Exs.: 10mm, 16mm, 24mm, etc…

Foto famosa do nosso amigo Silvio Sato (emusic.brasil), tirada no Universo Paralello com uma lente 10-20mm
Normal - São as lentes cujo ângulo de captura é parecido com o nosso ângulo de visão dos olhos. Exs.: 35mm, 40mm, 50mm…

Foto minha, com uma distância razoável e um ângulo mais aberto em relação à próxima foto
Tele-objetiva - São as lentes com distância focal alta e portanto, ângulo de visão estreito. Elas são caracterizadas principalmente por aproximar bastante o objeto. São bastante usadas em fotografia de esportes, de pássaros e muito comuns também em festivais de música eletrônica, pois permitem que o fotógrafo registre os momentos de longe, sem interferir. Exs.: 70mm, 100mm, 300mm, 500mm, etc.

Foto tirada com uma tele, aproximando bastante o objeto da foto anterior
Zoom - São as lentes que apresentam distância focal variável. Qualquer tipo citado acima pode ter um zoom. São práticas, pois o fotógrafo pode simplesmente regular o zoom, ao invés de se mover pra frente ou pra trás. Exs.: 10-20mm, 24-70mm, 75-300mm, etc.
Ainda existem algumas categorias especiais de lentes… Até os preços delas são especiais! Heheheh! Bem salgadinhos…
Olho-de-peixe - Apresentam um ângulo de captura extremamente largo, papo de 180º ou mais, de modo que as bordas da imagem se arredondam. São lentes divertidas, pois capturam a imagem em uma perspectiva bastante distorcida. Exs.: 6mm, 8mm

Foto do colega Márcio Freitas (www.marciofreitas.com.br), tirada com uma olho-de-peixe verdadeira

Foto do nosso amigo daqui do site Rodrigo Fávera com um adaptador acoplado à lente que imita o ângulo de visão de uma olho-de-peixe
Macro - São lentes que permitem o registro do objeto em tamanho real ou ampliado. Com uma lente dessa você consegue se aproximar bem do objeto, porém o foco é bastante crítico. Apenas uma pequena área fica em foco e você precisa de bastante luz pra conseguir isso. Ex.: As chamadas lentes “1:1″ (lê-se “um pra um” e isso diz respeito à ampliação que ela gera do objeto fotografado)

Linda foto também do Silvio Sato (emusic.brasil), tirada com uma 105mm
Luminosas - São as lentes que possuem abertura máxima do diafragma (f) bastante ampla, permitindo assim que entre mais luz através dele. Essas lentes permitem que você fotografe sem flash em situações de pouca luz, que você congele movimentos extremamente rápidos e também que você tire fotos com o plano de fundo bastante desfocado. Exs.: 30mm f1.8, 50mm f1.4, 24-70mm f2.8, etc.
Com tantas lentes diferentes no mercado, cada uma com seus pontos a favor e contra, é muito difícil um fotógrafo resistir a não comprar nenhuma além daquela que geralmente vem no kit básico da câmera. Fotografia acaba se tornando um hobby um tanto quanto caro, de modo que nós torramos todas as nossas economias em lentes e acessórios que nos permitem fotografar cada vez mais uma gama maior de situações, objetos e cenas. Quando você acha que já chegou no seu limite, você encontra uma lente nova e super legal pra comprar, pra tristeza da sua conta bancária! Hahahah!
Para fotografar eventos de música eletrônica e cultura alternativa, eu diria que o kit básico do fotógrafo deve conter uma lente zoom grande angular, uma lente zoom tele-objetiva e uma lente luminosa, a qual pode ser a própria zoom grande-angular pra facilitar a vida.
Quando eu estava no Universo Paralello 2006/07, eu assisti a uma apresentação artística em uns bambus perto do palco principal. Eu tinha apenas uma câmera compacta na época e tentei a todo custo fotografar o pessoal fazendo as acrobacias. O problema é que em festivais, as apresentações artísticas são quase sempre no fim da tarde e de noite. Acredito eu que isso seja por conta do sol forte, afinal deve ser muito difícil se apresentar, fazer malabares, acrobacias e tudo mais com um sol esturricante no lombo. Esse detalhe também acaba dificultando as coisas pra quem quer fotografar, pois a intensidade de luz é um fator extremamente limitante.

Uma das fotos que tirei da apresentação dos bambus (com câmera compacta)
Bem, naquele dia eu consegui fotos muito ruins e fiquei bastante decepcionada. A minha vontade de registrar o momento era tão grande, mas tão grande, que eu senti que a minha câmera compacta, apesar de maravilhosa, me impedia de alcançar meus desejos. Ela fazia questão de controlar a maior parte das variáveis das fotos, ao invés de me permitir fazer isso eu mesma de acordo com o objetivo que eu tinha pra cada foto. Foi então que eu decidi que queria uma câmera profissional. Decidi que no próximo festival que eu fosse, eu tinhaque, do verbo terque, estar com uma câmera que me permitisse registrar o mundo do jeito que eu via. Eu já havia feito um curso básico de fotografia no ano anterior, mas não tinha grana pra bancar a câmera ainda. Bem, eu consegui isso e juro que foi uma das melhores decisões que já fiz na vida. Me senti tão mais livre, tão mais capaz…
Até que comecei de novo a me sentir limitada pelas lentes básicas que vieram com a câmera! Hahahah! Pois é, tudo que é bom dura pouco, pois nós humanos somos exigentes e insatisfeitos por natureza. Foi então que adquiri uma lentezinha luminosa danadinha. Em julho de 2008, estava eu no Chill out da Trancendence em Goiás, quando pra minha surpresa, a mesma galera dos bambus apareceu. Pra variar, em um horário de luz péssimo (quase 18h no inverno). Porém, com a pequena lente f1.4 eu consegui registrar o momento que me frustrou 1 ano e meio antes. Apesar das fotos não terem ficado uma maravilha dos deuses em se tratando de nitidez, pois já não havia quase nenhuma luz, só o fato de eu ter conseguido fotografar aqueles momentos já me deixou extremamente feliz e satisfeita!

Foto da apresentação na Trancendence, usando uma lente luminosa
Só finalizo este post frizando que não devemos deixar nossas vontades pra depois. Se queremos algo de verdade, devemos correr atrás pra conseguir, mesmo que isso demore um tempo. Desistir, jamais!!!
Abraços a todos!
19 out
Eu sempre sonho que algum dia irá existir uma super-câmera capaz de registrar exatamente aquilo que estamos vendo. Com todas as cores, nuances e perspectivas de tamanho e foco. Já imaginaram se isso fosse possível? Uma câmera capaz de capturar a exata mesma imagem que seus olhos estão visualizando em qualquer momento que seja!

Foto sem flash
E quando por acaso a nossa câmera “erra” na medição de luz ou o flash não dispara, ou simplesmente você tira uma foto sem flash tremida e o resultado é muito louco?!

Foto sem flash e tremida
Várias das fotos que a maioria das pessoas consideraria “ruins” ou simplesmente deletaria por ser “uma foto que não deu certo”, são as fotos que eu guardo e considero como especiais. Fotos com excesso de luz (superexpostas) ou a falta dela (subexpostas), fotos com movimento de luzes e pessoas, fotos tremidas, pessoas coloridas, objetos distorcidos, etc. São fotos que a priori você não entende, afinal o resultado não foi o proposto ou esperado. Mas às vezes a mistura de luz e sombra, contrastes extremos e cores intensas gera uma imagem que eu julgo ser altamente psicodélica. As pessoas não costumam gostar do desconhecido ou de algo que dá muito trabalho pra pensar e entender, mas é isso que realmente enriquece uma imagem. O poder que a foto tem de gerar uma reflexão ou sentimento na sua mente.

Foto sem flash e com movimento
E como podemos aproveitar melhor esse tipo de coisa? Deixando a máquina “errar” de vez em quando ou forçando perspectivas inusitadas. Desligando o flash e usando o modo manual (nas compactas geralmente tem um modo noturno com símbolo de lua, que fica captando luz por um tempo grande quando você dispara). E principalmente, não deletando de cara todas as fotos que aparentemente não saíram boas. De repente algumas merecem uma pensadinha extra antes de serem apagadas pra sempre. Quem sabe elas não podem ter uma perspectiva artística ou serem úteis de alguma forma.

Foto de objetos em movimento, sem flash
Uma coisa legal pra quem tira muita foto em rave e não costuma deletar esse tipo de foto é ir fuçando seus arquivos e copiando pra uma pasta todas as fotos mais loucas que for encontrando. Quando terminar, você vai se surpreender com a quantidade de fotos psicodélicas que você já tirou!

Foto super-exposta
Há alguns efeitos de programas tipo Photoshop que podem criar imagens bem loucas, mas eu estou falando aqui de imagens que já nascem assim. Vale lembrar que as fotos que eu coloquei para ilustrar esse post são todas minhas e NÃO sofreram alterações ou distorções digitais.

Foto super-exposta
E os eventos de música eletrônica são um prato cheio pra quem curte esse tipo de imagem! Quase sempre, pra não dizer sempre, as festas e festivais são repletas de cores intensas, luzes piscantes, lasers, estrobos e outras coisas utilizadas para criar imagens alucinantes em nossas cabeças. E sabendo utilizar os recursos de sua câmera, dá pra capturar imagens bem loucas também! Ainda não podemos infelizmente capturar as imagens 100% como vemos, mas é possível gerar imagens bastante psicodélicas que nos remetem àquela nossa experiência anterior, nos fazem lembrar dos momentos especiais, dos pensamentos, das imagens que passaram por nossa cabeça e nos fazem pensar que há muito mais além da fotografia tradicional.

Câmera debaixo do cabelo de uma amiga
7 out
Continuando as dicas pra galera que quer fotografar em festival… Pra quem já começa com uma DSLR, carregue com você o mínimo de coisas que puder. Os trambolhos vão aumentando nas costas e proporcionalmente diminui a sua alegria em fotografar! Mas é essencial carregar consigo o carregador de baterias, e não esquecer das parafernalhas noturnas (flash externo e tripé, caso tenha). Sugiro se programar pra buscá-los na barraca ou guarda-volumes em um horário certo no fim da tarde, pois o dia vira noite em um instante e é sempre ruim sair do meio de uma atração que você está a fim de fotografar, por que não há mais luz suficiente pra conseguir aquela foto que você queria.
Você está fazendo arte e ainda tem que pagar pra carregar sua bateria? Não mesmo! Eu pelo menos me recuso a isso! Hehehe! O técnico de som é seu melhor amigo, atrás do palco tem 500 tomadas e uma delas foi feita exatamente pra você! Heheheh!

Fotografe os artistas!
Não existe fotógrafo ruim, (tá talvez, exista um ou outro hahaha!), o que existe são formas diferentes de fotografar e sensibilidades divergentes. O que eu mais vejo em fotógrafos iniciantes de festival (não que eu seja a mais experiente por aí…) é uma câmera legal, uma boa tele-objetiva e um dedo nervoso! Pare com o dedinho, pense mais antes de clicar, trabalhe mais cada foto! O resultado é sempre muito melhor! Mas sempre deixe no modo continuous que nunca se sabe quando aparecerá uma cena fantástica e mais rápida do que a velocidade normal de processamento da câmera. Dessa forma, você mantém o disparador pressioado e a câmera tira várias fotos em sequência, com maior chance de pelo menos 1 ter registrado a cena. Já tive vontade de beijar a minha câmera por ter conseguido capturar momentos fantásticos com essa ferramenta valiosa!

Foto obtida graças ao modo de disparo contínuo
Outra dica, ou melhor, REGRA: gaste seu dinheiro com filtros UV! Eles são essenciais em festivais cheios de vento, poeira e areia! Além de ser mais tranquilo limpar um filtro engordurado do que uma lente engordurada, é muito mais barato trocar um filtro arranhado do que uma lente arranhada! FILTRO UV É VIDA!!! =P
E use o bom senso na hora de trocar lentes! É sempre bom virar a frente da câmera pra baixo quando estiver no momento “entre-lentes”, minimizando assim a chance de voar algum “alien” pra dentro da câmera e fazer um contato imediato de 3º grau com o seu CCD! Se isso acontecer, o que não é improvável, use o dispositivo de auto-limpeza da sua câmera, caso ela tenha. A maioria das DSLR recentes apresentam essa maravilha moderna que nos salva de passar horas a fio no Photoshop removendo os “aliens” das fotos…

Foto com "aliens" no céu (neste caso era poeira no filtro da lente)
Outro problema que acontece muito, principalmente com as DSLR de entrada (as mais básicas, vide posts anteriores) é quando o clima está muito úmido e a parte elétrica da câmera fica incomodada com isso. Já aconteceu de eu estar fotografando com uma leve garoa de fim de noite, aquelas gotinhas minúsculas que flutuam no ar e você só vê contra a luz, por que nem chegam a te molhar, e simplesmente a câmera enlouqueceu. O obturador resolveu funcionar só quando ele tava a fim e aí foi hora de desligar a câmera e guardar na barraca. No dia seguinte bem cedo, coloquei a bichinha pra tomar uns 10 minutinhos de sol, só pra garantir que a umidade foi embora e tudo voltou ao normal. Isso acontece por que essas câmeras mais básicas apresentam uma estrutura externa geralmente de plástico e não têm uma vedação legal. Já as câmeras mais profissionais, o esqueleto é de alguma liga metálica, além de possuírem uma vedação reforçada contra a umidade.

Festival não é só música!
A respeito da parte artística da atividade, o que eu posso dizer? Bom, primeiro de tudo, não sou nenhuma expert do assunto. Apenas estou compartilhando aprendizados que adquiri nos últimos anos. E aprendizados obtidos com muita porrada! Quantos “aliens” já não abduziram as minhas fotos!!? Hhahahah! Incontáveis! E como eu disse, não necessariamente um fotógrafo é “ruim”. O que eu vejo muito em festivais, são fotógrafos (nem sempre iniciantes) achando que um bom equipamento garante fotos sensacionais, não prestam atenção nos momentos e saem fotografando pessoas aleatoriamente, somente por que as acharam bonitas. Pessoas andando, pessoas paradas, pessoas fazendo cara feia ou falando. Foto de mulher gostosa de biquíni em festival é o que mais tem, não é mesmo? É claro que essas fotos também fazem parte, não digo que não. Mas é interessante que não se tire apenas esse tipo de foto, entendem? Na minha humilde opinião, os álbuns de fotos de festivais mais interessantes são aqueles que passam emoção. Aquelas fotos que quando você vê, consegue sentir algo diferente. Fotos que provocam algum sentimento no observador, mesmo que sejam sentimentos ruins como raiva, tristeza e revolta, o que é muito comum em fotos jornalísticas e de denúncia, por exemplo. Fotos que contem como foi o festival, o que rolou de legal e quem estava lá participando. Por que festival não é feito somente de rostinhos bonitos e corpos esculturais!

Tire fotos que passam emoção!
O interessante de fotografar em festival é justamente registrar momentos únicos, cenas inusitadas, cenários diferentes, coisas acontecendo, pessoas interagindo, etc. É por isso que hoje em dia eu não tenho medo de colocar uma grande-angular e me meter no meio da pista de dança. Para os tímidos, umas doses de vodka devem ajudar a criar coragem (não muitas, senão sai tudo torto! Hahaha!!) As fotos do tipo dance like no one is watching são realmente do caralho, com perdão da expressão, mas hoje em dia eu tenho valorizado um pouco mais aquelas fotos de pessoas dançando olhando pra câmera, dançando comigo, dançando com a fotografia!! É uma loucura!! Heheheh! Acho que é muito mais interessante você capturar a emoção da pessoa numa situação onde você está perto e a pessoa sabe que você está ali e está agindo espontaneamente, do que você com uma tele-objetiva, tentando capturar sem que a pessoa te veja no ato. É sensacional quando rola essa troca de emoções e sorrisos entre o fotógrafo e a galera, quando está todo mundo dançando na mesma sintonia. Você deixa de apenas registrar o momento e passa a vivê-lo também. É como se você fizesse parte da foto também, apesar de estar do outro lado da câmera! E o que mais rola em festival é gente com a “veia poser” sobressaltando na pista e dançando fingindo que não tá vendo o fotógrafo, quando na verdade está posando pra ele como uma modelo num estúdio. Óbvio que isso também resulta em diversas fotos espetaculares, mas sei lá, pessoalmente e atualmente, eu acho que perde um pouco da mágica que vem de brinde com a espontaneidade, entendem? Mas isso é só a minha opinião…

Fotografe no meio das pessoas dançando!
Outra coisa que rola muito em festival é fotógrafo bitolado na pista de dança. Festival tem TANTO a oferecer, mas tanto, que é realmente um pecado passar o dia todo na pista! E sem dúvida, várias das minhas fotos preferidas foram tiradas longe da pista… Seja nos arredores da pista, na tenda cultural, na praça de alimentação, na área infantil, no chill out… Ahhh o chill out! como esse lugar é emocionante pra um fotógrafo! Posso afirmar com convicção que boa parte das fotos mais espetaculares dos fotógrafos de festival foram tiradas lá! Talvez por ser um ambiente mais tranquilo, sem a fritação das pistas, onde as pessoas são mais espontâneas, desinibidas e dançam mais altruisticamente, se é que esse termo existe! Hahahah! Ahh, como eu AMO o chill out!!!

Muita coisa interessante acontece na tenda cultural!
A última dica que eu dou nesse post pra quem quer fotografar em festival é: fotografe sorrisos!!! Delete as fotos de pessoas emburradas! Festival é só alegria! =D

Interaja!
Eu poderia fazer 500 posts falando sobre festivais! E provavelmente farei mais alguns! Pra quem nunca fui, não deixe de viver essa experiência incrível!
Obs: Todas as fotos deste post foram tiradas por mim mesma em festivais.
16 set
É engraçado como os festivais de emusic brasileiros sempre lotam de fotógrafos! Eu diria mais até do que os festivais europeus. O Universo Paralello, por exemplo, tem fotógrafo saindo pelo ladrão! Fotógrafo com todos os sotaques, fotógrafo novo, fotógrafo velho, mulher, homem, iniciante ou figurinha já carimbada de outros festivais; enfim, é fotógrafo pra dedéu! E o que faz os festivais serem tão atrativos pras lentes dos fotógrafos??

Universo Paralello 2005/06
Bem, acho que esteticamente falando, é o mix de pessoas de todos os tipos, tribos, looks… É uma sopa de freaks, hippies, sorrisos lindos e felizes, crianças maravilhosas, tudo num ambiente quase sempre paradisíaco. Com tantas cenas propícias ao registro de uma imagem mágica, os fotógrafos surtam!
Por experiência própria, é uma coisa que dá na gente, que vem lá de dentro, uma energia, uma loucura, uma doidera, uma força maior que surge do nada quando você vê tanta cor e música pelo buraquinho. Não estou falando de loucura propiciada pelo uso de psicotrópicos e sim de uma loucura mais interior. Uma adrenalina que sobe quando você presencia um momento único e sente a necessidade de registrá-lo em uma foto. E de vários ângulos! E de várias posições! E de várias distâncias!

Sartori Festival 2006
É um tesão que sobe e faz com que o seu dedo fique frenético no gatilho da câmera! É uma vontade de eternizar aquela cena que você está tendo o prazer de ver com seus olhos, pra poder dar a outras pessoas o mesmo prazer de vê-la. É claro que é um prazer diferente você ver ao vivo e em uma imagem estática, mas a 2ª opção pode ser ainda mais interessante, pois apesar da foto perder muitos fatores do “ao vivo” que enriquecem o momento, ela ganha na perspectiva artística embutida pelo olhar do fotógrafo. Ela perde a tridimensionalidade, a temperatura, o vento, a música, mas dependendo da sensibilidade do fotógrafo na hora do registro, a imagem pode ganhar tanta intensidade, tanta profundidade, que ela é capaz de transmitir o som, o cheiro e até mesmo o gosto da cena.
Eu realmente sinto tesão em fotografar festivais. Tanto tesão que hoje em dia estou com minha câmera quase que 100% do tempo, pois já passei por momentos em que surgiram cenas incríveis que quis muito fotografar e perdi a chance por que a câmera estava guardada no guarda-volumes.

Boom Festival 2006
Quem curte fotografia e festivais, e quer unir essas duas paixões, pode começar a fazer isso mesmo sem ter uma câmera profissional. Eu fotografei bastante com câmera compacta antes de ter a chance de comprar a minha 1ª reflex. E tem várias fotos daquela época que gosto bastante, entre elas, algumas estão neste post.
A dica pra quem vai pra um festival com uma câmera compacta é, primeiramente: acople a câmera na cintura ou na cartucheira, de forma que ela fique facilmente acessível em qualquer momento. Nada de guardar em caixinha e em mochila que quando você conseguir tirá-la e ligá-la, o momento já passou. Leve pilhas e baterias extras, e alguma coisa pra limpar a lente. Se você não tiver um kit de limpeza (vende em várias lojas de revelação), use um cotonete ou um paninho, mas MUITO cuidado, por que se tiver algum grãozinho de areia, vai arranhar! E não sei o que é pior, foto estragada por que a lente tava engordurada ou arranhada! Ambiente de praia sempre engordura a lente por causa da maresia, vento, etc. É bom estar sempre checando se a lente está limpa por que estraga as fotos pra valer. Já viram aliens no céu de algumas fotos? Pois é, são poeirinhas que caem na lente ou então no sensor, no caso das profissionais. E até dá pra limpar no Photoshop, mas é bem desagradável..

Universo Paralello 2006/07
Outra dica é experimentar olhar pelo buraquinho da câmera, se ela tiver! Muitos não acreditam, mas é um mundo inteiramente novo por dentro daquele buraquinho! =D
E mais: Conheça sua câmera! Explore todas as funcionalidades que ela tem! Fuxique o menu do painel, as ferramentas, as diferentes configurações, aprenda! Experimente novos ângulos! Se abaixe, agache, deite no chão se for preciso! Não tenha vergonha e se meta no meio das pessoas dançando! Fotografar em festival é sempre muito gratificante, pois as pessoas estão quase sempre abertas a interagir! Você aponta a câmera e elas sorriem, ao invés de abaixar a cabeça com vergonha, como em muitos eventos por aí!
Outra dica legal é ter um mini-tripé. Custam relativamente barato e quebram um galho enorme em vários momentos. Apoie a câmera com o tripé na mesa do DJ para fazer vídeos sem tremer; abra o tripé inteiro e use como um “alongador” pra você elevar a câmera em uma altura maior e pegar um ângulo diferente das pessoas dançando na pista; gire o tripé de lado, de modo que ele fique na horizontal e a câmera também, e então apoie os pés dele em alguma parede, árvore ou qualquer superfície vertical, na falta de uma superfície horizontal, e tenha fotos norturnas perfeitas e sem flash. A foto abaixo é um exemplo desse método. Eu apoiei o mini-tripé de lado em um coqueiro e consegui estabilizar a imagem para uma exposição mais longa.

Universo Paralello 2006/07
No próximo post darei algumas dicas para quem quer começar a fotografar festivais com uma câmera pro! Até mais!
obs: Todas as fotos deste post foram tiradas com câmera compacta.
26 ago
Continuando sobre o tema dos diferentes tipos de câmera, vou falar neste post um pouco sobre as câmeras profissionais.
O que caracteriza uma câmera como profissional?

Câmera profissional da Canon
Bem, primeiro tenho que esclarecer que as tais semi-pro no meio fotográfico ainda são conhecidas como compactas/amadoras, assim como às suas irmãs menores, de bolso ou point-and-shoot como são chamadas lá fora.
Portanto, o que nós costumamos chamar de profissionais, podem ou não ser chamadas assim, de acordo com suas características. Popularmente, nós chamamos de profissionais, qualquer câmera mais robusta que tenha lentes intercambiáveis. Já no mercado fotográfico, esse tipo de câmera digital se divide entre pro e semi-pro.
Ok, o que elas têm em comum? São conhecidas pela sigla DSLR que quer dizer Digital Single Lens Reflex. Esse termo, assim como o SLR (usado para as câmeras analógicas ou não-digitais) se refere à forma com que a câmera recebe a luz do objeto focado e redireciona ao visor ocular. Esse redirecionamento é feito através de um espelhinho e um prisma, de forma que você vê no visor exatamente a mesma imagem que a lente da câmera está enquadrando. Nas câmeras que não utilizam esse sistema SLR, o olho vê a imagem através de um visor direto, isto é, um buraquinho que passa através da câmera e se localiza ao lado da lente. Dessa forma, ocorre um fenômeno chamado erro de paralaxe que é uma diferença entre o que o olho está vendo e o que está sendo realmente enquadrado na foto. Vocês devem lembrar das câmeras antigas que nós usávamos com filme e tínhamos que olhar no buraquinho… Algumas amadoras ainda têm esse visor direto, apesar de ninguém usar.

Esquema ilustrando o erro de paralaxe
Já entre as DSLR, temos as que os fotógrafos chamam de semi-pro ou DSLRs de entrada, que são geralmente câmeras mais básicas, com componentes mais simples e demais características que não são voltadas para uso intenso, o que também repercute no preço médio bastante acessível. A partir de uns 1.500 reais você já consegue comprar uma câmera nova desse tipo com uma lente básica no kit.
As câmeras que os fotógrafos consideram realmente profissionais, são DSLRs mais robustas e pesadas, com mecanismos e componentes mais resistentes ao uso intenso, esqueleto metálico (nas outras geralmente é de plástico) e outras características variáveis, como por exemplo entrada pra cabo de luz de estúdio, coisa que um fotógrafo amador não teria necessidade. Mas isso não impede que uma pessoa com uma DSLR básica possa trabalhar e ganhar dinheiro com isso. Se for uma câmera boa, em conjunto com lentes de qualidade, não tem por que não gerar fotos profissionais.
Entre as marcas mais conhecidas temos a Nikon, Canon e Sony. Entre as menos requisitadas temos Panasonic, Olympus, Samsung, Pentax, entre outras.
Eu fiz uma pesquisa sobre alguns modelos atuais das marcas mais conhecidas, para fins de comparação rápida de preços e tipos. Me baseei pelo Mercado Livre pra obter os preços, pois é o único site onde dá pra encontrar todos os modelos, mas geralmente em lojas o preço costuma ser no mínimo uns 20% mais caro, podendo chegar até a mais de 50%. E só pelo preço você já consegue distinguir uma câmera básica de uma profissional.
Canon
Rebel XS ou 1000D (10mp) - cerca de 1.800 reais (com lente básica)
Rebel XSi ou 450D (12mp) - cerca de 2 mil reais (com lente básica)
Rebel T1i (15mp) - cerca de 2 mil reais (com lente básica)
50D (15mp) - cerca de 4 mil reais (só o corpo da câmera, sem lentes)
5D Mark II (8mp) - cerca de 8 mil reais (só o corpo)
1D Mark III (10mp) - cerca de 13 mil reais (só o corpo)
1Ds Mark III (21mp) - cerca de 28 mil reais (só o corpo)
Nikon
D40 (6mp) - cerca de 1.300 reais (com lente básica)
D60 (10mp) - cerca de 1.800 reais (com lente básica)
D5000 (12mp) - cerca de 2.300 reais (com lente básica)
D90 (12mp) - cerca de 3.400 reais (com lente básica)
D300 (12mp) - cerca de 5 mil reais (só o corpo)
D700 (12mp) - cerca de 7.200 reais (só o corpo)
D3 (12mp) - cerca de 16 mil reais (só o corpo)
D3x (24mp) - cerca de 22 mil reais (só o corpo)
Sony Alpha
A230 (10mp) - cerca de 1.700 reais (com lente básica)
A330 (10mp) - cerca de 2.800 reais (com lente básica)
A380 (14mp) - cerca de 3.000 reais (com lente básica)
A700 (12mp) - cerca de 6 mil reais (só o corpo)
A900 (24mp) - cerca de 11 mil reais (só o corpo)
Ufa! Isso deu trabalho! =D Mas foi interessante pra mim também, pois agora tenho mais noção sobre os diferentes modelos que estão à venda no mercado. E confesso que fico bastante confusa com os nomes das câmeras, pois eles seguem uma lógica que faz sentido só na cabeça dos fabricantes! Heheheh! =P
Reparem que as câmeras mais básicas costumam vir em kits contendo uma ou duas lentes básicas, ideal para iniciantes. Já as mais profissionais costumam ser vendidas sem lentes, pois geralmente os fotógrafos que as compram já possuem lentes e estão apenas atualizando o corpo da câmera.

Câmera vendida em kit com 2 lentes
Atentem para os modelos em negrito. Estes são os modelos ditos full frame, isto é, apresentam um sensor digital análogo ao filme 35mm das câmeras analógicas. Já nas demais, o sensor (também chamado de CCD) é menor do que o negativo 35mm, gerando um fator de corte que é um número pelo qual você multiplica a distância focal da lente para saber qual será a distância na prática. Já nas full frame, não há fator de corte. Para exemplificar, uma lente 50mm em uma full frame, funcionará como uma 50mm, enquanto que em uma DSLR básica com fator de corte de 1,5x, essa mesma lente funcionará como uma 75mm, aproximando mais do que deveria.
Sobre as diferenças e características de cada modelo, só mesmo procurando reviews de cada um na internet. Existem fóruns muito bons onde as pessoas postam textos dissecando os modelos, levantando todos os prós e contras e ainda, fazendo testes práticos e comparando com modelos concorrentes.
Alguns que posso citar:
http://www.digiforum.com.br/
http://forum.mundofotografico.com.br/
http://www.forumfotografia.net/
http://forum.brfoto.com.br/
Mas geralmente é mais fácil procurar diretamente no Google que você acaba sendo redirecionado pra algum tópico desses fóruns, sem precisar procurar em todos eles.
Ok, estamos terminando o assunto básico - a introdução ao diversificado mundo das câmeras e já-já podemos falar mais ludicamente de fotografia.
21 ago
O blog esteve parado por motivos pessoais, mas agora iremos reiniciar os trabalhos aqui. Continuando de onde paramos, vamos retomar o assunto sobre aqueles que desejam se iniciar pelo maravilhoso mundo da fotografia.
No último post falamos sobre algumas das variáveis das câmeras amadoras que podem nos levar a escolher entre um modelo e outro.
Nesse post, falaremos rapidamente sobre as vulgarmente (e erroneamente) chamadas “semi-profissionais”.
Quem dispõe de um orçamento um pouco mais tranquilo e deseja adquirir uma câmera “menos amadora”, pode optar por uma semi-pro. O resultado fotográfico é sem dúvida mais animador, assim como a liberdade que a câmera te dá para “trabalhar” sua foto.

Sony Cypershot HX1
Vantagens:
- Nitidez - Sem dúvida nenhuma as fotos das semi-pros apresentam uma nitidez maior e um ruído mais controlado (granulações e aberrações cromáticas que são muito comuns em câmeras mais básicas).
- Lentes - Alguns modelos (não todos) dão ao usuário a opção de adquirir e acoplar pequenas lentes de conversão à câmera, como acontece nas câmeras profissionais. As opções de lentes não são vastas, nem os preços são animadores, mas para quem deseja se aprofundar pelo mundo da fotografia com uma câmera mais compacta que as profissionais, é uma boa pedida. Entre as poucas opções, existem algumas grande angulares (aumentam o ângulo de visão da câmera) e algumas tele-objetivas (aumentam o alcance sem perder a qualidade da imagem, como acontece no zoom digital, mas diminuem o ângulo de visão).
- Flash externo - Alguns modelos também oferecem a opção de acoplamento de um pequeno flash externo. O flash embutido das câmeras geralmente apresenta baixo alcance. Com um flash externo você pode obter um alcance maior do disparo, conseguindo iluminar uma área mais distante do que o normal.

Flash externo para Kodak Easyshare
- Modo manual - Creio que se todas não apresentam esse tipo de opção, com certeza a maioria deve apresentar. Pra quem quer aprender as técnicas fotográficas, ter a opção de modo manual da câmera é algo extremamente vantajoso. Algumas poucas amadoras também apresentam essa opção, mas ao longo dos últimos anos de evolução das câmeras amadoras, eu observei que elas foram perdendo essa ferramenta, talvez por falta de uso em uma teoria quase Lamarckista. Mas é o mais provável mesmo, pois a maioria das pessoas não sabe usar esse modo, tem preguiça de ler o manual e os fabricantes devem ter julgado como algo pouco essencial a um produto para amadores. É claro que o modo manual dessas câmeras amadoras não oferece muita liberdade, mas com certeza nas semi-pros a liberdade é um pouco maior. Em outro momento falaremos de como aproveitar o modo manual das amadoras e semi-pros.
Outras ferramentas opcionais que a câmera pode oferecer:
- Dispositivos de estabilização de imagem - Ajudam a minimizar a vibração causada pela nossa mão que resulta em fotos “tremidas”. Mas vamos lá, o dispositivo não faz milagres para curar o mal de Parkinson que a maioria dos fotógrafos amadores têm!
- Detecção de rosto - Alguns modelos recentes lançaram essa moda. As câmeras simplesmente reconhecem padrões de imagens como olhos, nariz e boca, identificando rostos no campo de visão da câmera. A partir daí a câmera fixa o foco no rosto, ajusta a intensidade do flash de acordo com a distância da pessoa e dispara. Quando você acha que não falta inventar mais nada…
- Arquivo RAW - Isso nada mais é do que o formato de arquivo “cru” da foto. Todas as câmeras essencialmente obtêm a foto nesse formato e depois convertem para JPEG, que é um formato compactado e portanto mais pobre, menor e mais fácil de ser armazenado. Pouquíssimas câmeras não-profissionais oferecem a opção de armazenar em RAW, mas já é possível ver isso no mercado. Essa opção é interessante para quem deseja trabalhar em cima de suas fotos em programas de edição de imagem, com mais liberdade do que se tem ao trabalhar em cima do formato compactado.
- ISO - Algumas semi-pro apresentam opção de ISO bastante alto, como 3200 e 6400. O ISO dita a sensibilidade do sensor à luz. Quanto mais alto o valor, mais sensível será (menos luz ele precisará e maior será a granulação da imagem).
- GRIP vertical - Esse item permite que a pessoa fotografe a foto verticalmente, segurando a câmera como se fosse a posição horizontal normal. Basicamente, a câmera apresenta um 2º botão disparador na lateral direita que faz com que você dê o click na vertical sem entortar a mão.

Lente de conversão grande-angular para Nikon Coolpix P6000
Alguns modelos semi-pro das marcas mais conhecidas:
Linha Sony Cybershot - H9, H10, H20, HX1
Linha Nikon Coolpix - L100, P90, P6000
Linha Canon Powershot - G10, G11, SX1, SX110
Linha Kodak Easyshare - Z915, Z980
Linha Panasonic Lumix - FZ35, FZ28
Como desvantagem principal que eu vejo nas semi-pros (além do preço, é claro hahaha!), é o tamanho da câmera. Elas realmente são mais robustas do que as amadoras e às vezes se tornam um trambolho chato de carregar, como por exemplo em viagens e festas. Porém, ainda são bem mais compactas e leves que as profissionais, se tornando uma ótima opção para quem deseja fotos melhores. Eu, pessoalmente, gosto de câmeras robustas. Entre as amadoras, vejo cada vez mais as câmeras diminuírem de tamanho e peso, o que torna mais difícil a estabilização da imagem (fica mais fácil de você tremer a mão). Por isso as semi-pro são mais gostosas na pegada, mais firmes e fáceis de se estabilizar o braço.
Espero ter ajudado no 1º passo, que é a escolha da câmera. Daqui pra frente vamos falar mais sobre como aproveitar os recursos que a câmera têm a oferecer e em como mesclar arte com fotografia!
22 mar
Aos entusiastas que desejam se iniciar na área de fotografia amadora, nos próximos posts eu vou abordar alguns assuntos básicos. Hoje vou falar um pouco sobre a escolha do equipamento, mais especificamente sobre câmeras amadoras.
Passo 1 - a escolha da câmera:
É um assunto bastante extenso, pois podemos encontrar atualmente centenas de opções de câmeras, das mais diversas marcas, modelos e faixas de preço.

Se você é um dos que desejam comprar uma câmera, primeiro você deve se fazer a pergunta “Para que eu quero uma câmera?” e a partir da resposta, você poderá focar em um determinado perfil de produto e nas opções de marcas e modelos que se encaixam nele.
Você pode querer uma câmera por diversos motivos… Pode gostar de fotografar apenas para fins de registro (eventos de família, aniversários, noitadas com os amigos, viagens, seus bichos de estimação, etc) ou então você é do tipo que gosta de fotografar plantas e bichos de perto. Você adora testar novas perspectivas de fotos ou fica fotografando qualquer coisa de interessante pelo caminho. Ou então você quer expressar o seu lado artístico por meio das suas fotografias; tudo é válido. Enfim, você muito provavelmente se enquadra em algum ou vários desses perfis de fotógrafo amador.
Na B & H (loja de material fotográfico de maior referência no mundo e que se localiza em Nova Iorque) encontrei cerca de 230 opções de câmeras do tipo “point and shoot” que quer dizer “aponte e dispare” e representa esse tipo de câmera compacta e de fácil utilização. Em lojas brasileiras com certeza esse número de opções cai um pouco… No Submarino (loja online brasileira), nós podemos encontrar cerca de 200 opções, o que ainda é um número alto o suficiente para deixar um leigo em fotografia totalmente perdido. Esse número grande de opções faz com que a maioria das pessoas acabem escolhendo a sua câmera apenas com o critério “preço”, sem dar muita importância para as qualidades do equipamento.
Se você é daqueles que gosta de registrar o churrascão na casa do tio ou aquela ida da galera à rave, sem muita complicação ou exigências e apenas quer ter fotos legais para mandar por email depois, há câmeras razoavelmente boas que cumprem esse papel e apresentam um preço mínimo bastante acessível. Porém, mesmo os outros critérios além do preço não sendo tão importantes para você, é interessante fazer uma pesquisa antes para não acabar se arrependendo depois.

Fatores que podem ser avaliados na compra de uma câmera:
- Marca - É uma marca conhecida e confiável? O produto apresenta garantia? Se sim, de quanto tempo? Possui assistência técnica na sua região?
- Modelo - É um modelo recente ou já está saindo de linha? Isso pode ser importante se mais pra frente você desejar trocar de câmera e vender a sua, pois o valor de mercado de uma câmera já fora de linha será muito inferior ao de um modelo mais recente. Você conhece alguém que tenha esse modelo? Já teve a oportunidade de testá-lo? Procure reviews do modelo na internet, que é algo que às vezes já te previne de entrar em uma furada.
- Zoom - Atente para o “zoom ótico” da câmera, pois ele é o zoom “real” produzido com o conjunto de lentes dela. Já o “zoom digital” é um zoom “virtual” e de baixa qualidade. O zoom ótico das câmeras compactas disponíveis no mercado variam desde 1 ou 2x nas opções mais simples até 10x ou mais, em câmeras mais elaboradas e caras. Se a câmera será apenas para fins de registro, um zoom de 2 a 5x basta. Se você gosta de fotografar paisagens e natureza, talvez a melhor opção seja um zoom de 5 a 10x.
- Fonte de energia - A câmera utiliza pilhas ou baterias? Eu pessoalmente prefiro pilhas recarregáveis, pois geralmente só se precisa de um par e se forem boas, duram uma eternidade! Sem contar que você compra facilmente pilhas extras e baratas, e pode levar seu “estoque” para os eventos e viagens onde quer fotografar, mas isso é opinião pessoal mesmo. E hoje em dia, boa parte das câmeras compactas utiliza bateria e não pilhas. Geralmente vêm com uma bateria apenas e por isso recomendo já comprar uma extra junto com a compra da câmera.
- Resolução da câmera - Resolução não é bem isso, mas como já virou linguagem popular… Com quantos “megapíxeis” a câmera é capaz de fotografar? Se você curte definição e qualidade de imagem, é legal optar por uma de 7MP para cima, porém, a minha primeira câmera digital tinha 3MP e eu tenho fotos tiradas por ela que ninguém diz que não eram fotos de câmera profissional. Hoje em dia é possível encontrar câmeras compactas de até 14MP. Isso nos leva a outra questão: armazenamento. Se você pretende comprar uma câmera de tantos “megapíxeis”, é bom ter bastante espaço livre no seu computador, pois quanto maior a resolução das fotos, mais pesados os arquivos ficam! E por favor, nada de comprar uma câmera de 7MP e ficar tirando fotos em 3MP, pois é desperdício de qualidade! Heheheh!
- Cartão de memória - Há hoje em dia uma infinidade de tipos diferentes de dispositivos de armazenamento… Memory Stick, MS Pro, MS Pro Duo, Compact Flash, Mini SD, XD, entre muitos outros. É bom pesquisar preços de cartões, pois talvez a câmera não acompanhe este item. Ou se você já tem um cartão, é legal comprar uma câmera que utilize um igual e assim você pode aproveitá-lo. A capacidade pode variar desde 256MB até 8GB. Essa capacidade dita a quantidade de fotos que você pode tirar. Se você pretende comprar uma câmera de 7 ou 10MP, é bom planejar comprar um cartão de pelo menos 1 ou 2GB, senão você corre o risco de estar no meio daquela viagem e ficar sem espaço para mais fotos!

- Visor de LCD - Qual o tamanho do visor da câmera? Encontramos a maioria em torno de 2,5″ (polegadas), o que já está ótimo. Algumas também podem apresentar visor protrátil (que muda de posição, permitindo você se auto-fotografar olhando o visor, por exemplo) ou ainda com “touch-screen” (onde você executa as ferramentas e configurações na câmera tocando diretamente no visor). Esses itens são “opcionais” que encarecem bastante o produto.
- Modos de cena - Se você é daqueles que desejam conseguir a melhor foto possível, em termos de qualidade de imagem, cor e luminosidade, então dê preferência às câmeras que apresentam modos de cena variados (noturno, sol, nublado, paisagem, esporte, etc). Se você é daqueles que curte ver o mundo bem de perto, então tenha certeza que a câmera que você está comprando tem o modo “macro” (permite obter um foco bem perto do objeto).
- Vídeo - Você gosta de fazer videozinhos também? A maioria das câmeras compactas hoje em dia também grava vídeos, mas é bom checar antes de comprar. É interessante também que a câmera grave em um formato comum (ex: .mpeg), senão você pode ter dificuldades para reproduzir os vídeos no computador, ou ser obrigado a utilizar um programa desses que vêm em um CD de instalação da câmera.
Mais importante do que esses fatores, é você ter certeza que a câmera que você está comprando atende às suas expectativas. Algumas câmeras mais em conta apresentam resolução alta, zoom alto e todas as frescuras possíveis, porém, um aparato ótico (conjunto de lentes embutidas) e CCD (sensor que registra a foto na prática) pobres. É por isso que você pode tirar a mesma foto com 2 câmeras de 7MP de marcas diferentes e obter fotos com “caras” diferentes. Muita gente hoje em dia compra uma câmera só por que a achou “bonitinha” e é por isso que muitos fabricantes estão investindo mais para deixar as câmeras bonitas e coloridinhas do que fazer com que tirem de fato fotos melhores.
No próximo post irei falar um pouco mais a fundo sobre as opções de câmeras amadoras e as chamadas “semi-profissionais”. Até mais!
2 mar

Mas o que é a fotografia? Essa vontade estranha que temos de eternizar os momentos em uma imagem estática… Alguém já parou pra pensar como funciona isso?
Com uma câmera na mão, qualquer uma que seja, e o dedo no disparador, temos um fragmento de tempo onde algum estímulo nos faz escolher aquele momento e fazer o click. Temos infinitas opções de momentos e ângulos, mas escolhemos aquele. É isso que faz a fotografia ser tão especial! Eu vejo uma foto como algo tão especial quanto um espermatozóide em milhões, que conseguiu atingir o óvulo. Ela significa uma vontade única transcrita em uma imagem.
O mais interessante ocorre quando mais de uma pessoa fotografa a mesma cena ou objeto. Você tem a chance de ver diferentes perspectivas da mesma coisa. São olhares diferentes, vontades diferentes e estímulos convergentes, porém ainda sim diferentes.
E se você tem duas fotos diferentes da mesma cena, o que faz uma ser mais “bonita” que a outra? Primeiro de tudo, as fotos transcrevem o olhar do fotógrafo. E leia-se fotógrafo aqui como aquele que bateu a foto e não como alguém profissional. Algumas pessoas têm naturalmente um olhar mais voltado pro lado artístico do que outras. Isso pode ser identificado como um talento para conseguir inserir na imagem, uma perspectiva artística que faz a foto ficar “agradável” aos olhos das pessoas. É claro que há diversos fatores técnicos que podem contribuir para uma foto ficar agradável… Fatores como enquadramento, composição, incidência de luz e outros que iremos abordar eventualmente aqui no blog.

Porém, a técnica não determina tudo. Há um “algo mais” que vai além de qualquer curso de fotografia e está intimamente relacionado ao olhar da pessoa. Algumas pessoas têm o dom de ver a cena de forma diferente. Elas conseguem imaginar a foto antes mesmo de apertar o botão. E quando apertam o botão, estão fazendo arte. Como um pintor dá cada pincelada que forma um quadro ou um escultor cuidadosamente esculpe uma forma.
15 fev

Olá! Tenho o prazer de apresentar nosso novo espaço para viajar sobre toda a piração que peregrina junto às minhas paixões, que tenho certeza que são as paixões de muitos aqui… Fotografia, música, sua interação, imagens, técnicas, surtações, viagens visuais, tá valendo tudo… Por isso pensei tanto ao escolher o nome do Blog quando me fizeram este convite! E decidi colocar um nome que fosse além da fotografia, que não me restringisse à técnica e transcendesse ao universo que ronda essa arte que tanto me (nos) fascina.
Silence by sound… Vamos falar um pouco acerca deste nome. Bom, inegavelmente já é um carimbo meu. Uma expressão que vesti na minha vida, está no nick do meu MSN já há incontestáveis anos, no título do meu já semi-abandonado Fotolog, e o domínio ponto-com do meu site pessoal que estará no ar em breve…
Silence by sound se eu bem me lembro, era uma música do Audio-X ou um trecho de uma música, enfim, já nem me importa mais esta música. Creio que depois de tantos anos carregando essa expressão comigo, as palavras já ganharam todo um significado além da música que as trouxe até mim (que na real, não tinha nada de mais, mas sou muito grata a ela por ter me trazido essa expressão).
O Silêncio como forma de comunicação, uma música sem palavras ou vocal. Esta é a realidade que nos cerca em 99% das nossas paixões eletrônicas (ok, chutei descaradamente este valor, mas deve ser algo perto disso heheheh). E como uma música ao mesmo tempo que não tem letra, consegue passar tanta informação para seus ouvintes? Uma música que quase pode ser tocada, sentida na pele, uma música com gosto e cheiro, uma música tão apaixonante, que só quem teve o prazer de conseguir entendê-la em sua essência, já experimentou que ela estimulasse alguns ou todos os seus sentidos. Dessa forma, eu vejo a música eletrônica como uma forma de comunicação que transcende idiomas, culturas e barreiras étnicas. Uma música que mesmo sem letra, consegue transmitir mensagens para mim aqui no Brasil, ao mesmo tempo que pra uma pessoa lá do outro lado do mundo. Duvido que sejam as mesmas mensagens transmitidas, mas isso não importa muito, pois as mensagens mais importantes na minha concepção, são aquelas que a música, com todo o seu poder oculto e inexplicável, resgata do interior mais longínquo de nossas próprias mentes.
Isso, meus queridos, é a música eletrônica em sua essência, atuando silenciosamente dentro de nossas cabeças e sem que a gente perceba, fazendo mudanças impetuosas e que são capazes de mudar todo o caminho à nossa frente. Foi assim comigo em 1999, quando ouvi meu primeiro Trance na vida, continua sendo assim comigo hoje, 10 anos depois, de forma cada vez mais intensa. O tempo passa (e como passa rápido!) e a gente aprende a enxergar essas mudanças mais facilmente e a dar o devido valor que a música merece nesse processo todo, que em último caso contemporiza uma evolução pessoal de nível íntimo, amadurecimento e auto-conhecimento extremos.