Globalidades, Surrealismo & Expressividades Eletro-Conteporâneas.
12 out

Esses dias estava lendo alguns artigos e discussões sobre esse tema e logo pensei naquele arcaico pensamento de que Música Eletrônica não é música e muito menos pode ser considerada brasileira.
Lembrei de alguns grupos falando de boca cheia que só ouve música popular brasileira e logo em seguida a tentativa clichêzerrima de demonstrar erudição e bom gosto, citando toda aquela constelação de clássicos como; Maria Rita, Chico Buarque, Adriana Calcanhoto, Ana Carolina, Arnaldo Antunes, Beth Carvalho e por ai vai.
Ora bolas, são todos nomes incríveis, artistas únicos, gênios musicais, que dão orgulho de dividir a nacionalidade, e isso é inegável, mas a forma mecânica e glamourizada que esses “jovens boêmios”, que na tentativa de imprimir sua personalidade estereotipada do “tipicamente brasileiro” me soa quase sempre muito forçada e demonstra um nacionalismo caduco.
Afinal de contas, somos um país colonizado e tirando a música dos índios toda a nossa música veio de fora e se misturou e se miscigenou e teve uma nova leitura.
O nosso Samba, o Choro, é resultado de uma mistura das danças européias com os ritmos africanos. A Bossa Nova e o nosso Rock, são releituras e muitas vezes uma mistura muito boa do que nós temos com o que vem de outros países.
26 ago

A descoberta de que o flower power já contava com uma multidão de adeptos se deu com a organização de um festival de grupos psicodéiicos organizado pelos Merry Pranksters e o Grateful Dead: grátis, ao ar livre, o First Human Be-ln reuniu milhares no Golden Gate Park, em janeiro de 67 em São Francisco. A indústria fonográfica — sediada ao lado, em Los Angeles — percebeu o potencial e, em junho do mesmo ano, promoveu o Monterey Pop Festival. A movimentação era divulgada via satélite para o mundo todo, mas a contracultura criava seus próprios sistemas de divulgação: rádios pirata, fanzines, gibis underground, jornais como o Detroit Free Press, revistas como Rolling Stone, International Times e — na Inglaterra, IT e Oz.
1967 foi sem duvida um ano especialmente marcante. Foi em outubro, por exemplo, que ocorreu aquela enorme e colorida manifestação pacifista na qual se tentou, nada mais nada menos, que fazer levitar o Pentágono, no melhor estilo do ativismo da época. Imaginem um ato dessa grandeza simbólica nos tempos atuais, em que se fala em cercar o congresso brasileiro no dia 7 de setembro pra expulsar Sarney…seria um feito semelhante se não fosse nossa geração uma geração conformista….

Mesmo sem entrar no mérito objetivo das técnicas empregadas naquela época (67), é fácil perceber que se trata, no mínimo, de uma geração que criou uma nova e curiosa forma de enfrentar o poder. Ainda durante este ano, dois fatos importantes: em São Francisco, verdadeiro berço do “hippismo”, realizo-se o enterro simbólico do movimento hippie. Um caixão foi cremado, enquanto os manifestantes, em uníssono, bradam: “Os hippes morreram! Vivam os homens livres!” Praticamente ao mesmo tempo, Abbie Hoffman e Jerry Rubin fundam o YIP (Youth International Party, o Partido Internacional da Juventude), tentativa de abrir um espaço mais institucionalizado que fosse capaz de canalizar a energia revolucionária de toda aquela juventude rebelde.
Entrava assim em cena a figura do yippie, o hippie politizado, expressando talvez o início de uma convergência entre os projetos de revolução cultural e revolução política. Jerry Rubin, ex-líder estudantil em Berkeley, afirmava: “Os yippies são revolucionários. Misturamos a política da Nova Esquerda com um estilo de vida psicodélico. Nossa maneira de viver, nossa própria existência é a Revolução”. Aliás, este esforço de tentar a fusão de um ativismo mais diretamente político com o psicodelismo daquele momento era vivível por toda parte.
Em seu livro Rock, o Grito e o Mito, Roberto Muggiati afirma o seguinte sobre o importante congresso de antipsiquiatria realizado em Londres, no ano de 1967: “No verão de 1967, 0 rock é um dos assuntos estudados em Londres no congresso Dialética da Libertação, organizado pelo psicanalista existencial R. O. Laing e seus colegas da ‘antipsiquiatria’, num esforço para conciliar libertação social e libertação psíquica. São grupos da Nova Esquerda, psicanalistas e sociólogos que debatem, procurando dar forma a uma esquerda visionária e fundir a política radical com a política do êxtase”.
2 ago

A palavra ‘bossa’ era um termo da gíria carioca que, no fim dos anos cinqüenta , significava ‘jeito’, ‘maneira’, ‘modo’. Quando alguém fazia algo de modo diferente, original, de maneira fácil e simples, dizia-se que esse alguém tinha ‘bossa’. A expressão surgiu em oposição a tudo o que um grupo de jovens achava superado, velho, arcaico, antigo…
Diferentes harmonias, poesias mais simples, novos ritmos. - Ritmo é batida, como do relógio, do pulso, do coração- Nesse contexto “Bossa” é batida , poesia, mestres diferentes. Não que seja melhor nem pior. Apenas completamente diferente de tudo, mais intimista, mais refinado, mais alegre, otimista. Diferente. Não começou especificamente num lugar, numa rua, num evento, num Festival. A rigor, “Bossa” não é nem um gênero musical. É o tratamento que se dá ao pensar a música.
Minha Bossa é resultado da minha constante busca por artistas de personalidade única, que realmente dão tezão a esse gigantesco universo sonoro. Um set que passeia pelo Nu Jazz, House, Musica Latina, Progressivo, Ambient e pitadas de Funky, Electro, Soul e tudo que tenho escutado de interessante, surpreendente e que me trazem boas sensações.
Play list e comentários sobre os artistas:
26 jun
O quem vem primeiro; O Goa ou o Trance?

Pra continuar a nossa viagem através do transe e do Trance como um fenômeno que vem conquistando milhões e milhões de pessoas ao redor do globo, precisamos de um breve flashback do momento em que se cria a Trance Music, já que muitos textos na internet divergem sobre a sua criação e real ramificação dos subgêneros.
Falando musicalmente, consta que nos primeiros registros, o Trance surgiu como uma combinação de Acid House com o som Ambient na Europa dos anos 70, porém somente no inicio dos anos 80, essa mistura começou a tomar mais forma, incorporando elementos mais dançantes, pinçados do Techno e do House, ganhando uma velocidade de batidas por minutos mais elevada e que de forma progressiva recebia melodias de fácil assimilação, menos industriais e urbanas do que o House e o Techno, com texturas atmosféricas que exploravam a profundidade, a imensidão cósmica. Técnica que até então era mais comumente trabalhada no som Ambient.
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