Globalidades, Surrealismo & Expressividades Eletro-Conteporâneas.
7 dez
“A idéia de sacrifício é culturalmente
estimulada em nossa sociedade.
Ele aumenta o valor da coisa conquistada:
se não há dor, não pode haver prazer”
Antes de pularmos pro próximo capítulo, onde vou apresentar personagens fictícios, porém criados na base de relatos reais, cabe uma reflexão sobre a busca do prazer.
Flashbacks – Cap. VI – Parte 4
Jogos de prazer

O que você quer ganhar nesse natal: uma TV de LCD, ou de Led? Um leitor de livros virtuais cairia bem não é? E aquele celular que se conecta com tudo na internet, paginas reais, vídeos online e que tem mais gigas de memória do que muitos computadores por ai?
Reparou que nos meus últimos post’s tem pessoas fumando? Se você é fumante, aposto que acendeu um cigarro enquanto lia algum texto. Se não é fumante, deve ter lamentado e sentido o gosto daquela fumaça fedorenta na boca, enquanto fazia uma leve cara de “éca” …
O que você pensa na quinta feira ensolarada logo após sair do trabalho? E na sexta por volta das 18 horas? Pensou em cerveja, chopinho, whisky?
Vivemos em mundo em que estamos o tempo todo sendo guiados. Estimulados a desejar o que não temos, a sentir fome que já perdemos, ao obter prazer a qualquer preço. Seja o prazer de adquirir um bem material ou consumir uma droga, estamos a serviço de satisfazer um único desejo, mesmo que por vias diferentes.
Ao realizarmos um desejo, abrimos espaço a outros, o que pressupõe mais escolhas, ou mesmo frustrações. Por outro lado, o desejo nos revela a nós mesmos e aos outros e, se nos acharmos em dívida com alguém, talvez nos envergonhe em desejar qualquer coisa. É como se sempre estivéssemos tirando do outro, por exemplo, aquilo que não pudemos dar aos pais, ou o que falta a um amigo. Relacionado a isso ocorre o medo da punição: ao se dar alguma coisa, outra lhe será negada, por desígnios além do seu domínio.
Alguns vão mais longe, tomando como uma questão absolutamente pessoal as desigualdades do mundo. Nesse caso extremo, realizar o desejo é para eles uma afronta aos mais necessitados. Acreditam que satisfazer-se tira o mérito da luta pelas questões sociais. Muitas vezes, eles nem se envolvem com essas questões, apenas as usam para não mexer nos próprios desejos.
Nesse momento é útil comentar sobre o instinto, entendido aqui como a busca de sensações agradáveis e a fuga de sensações desagradáveis, sendo esses dois processos os movimentos de todo e qualquer estímulo bio-físico-químico provocadores de prazer e/ou fuga de dores (como esportes, radicais ou não, sexo, álcool, cafeína, maconha, cocaína e outros) passíveis de originar um condicionamento ao vicio, na medida em que não souber lidar de maneira temperada com esses estímulos. Portanto, dizer não ao prazer e sim à dor são movimentos contrários à natureza animal, e, portanto, humana.
Assim, por que alguém diria não ao prazer? Por que alguém diria não às drogas? (aqui compreendidas como qualquer processo utilizado com a intenção de trazer prazer ou tirar a dor).

5 dez
Raves, boates, noitadinhas? Que nada, festa boa é festa caseira.
Ressaca moral e moderna é aquela que todo mundo vê, revê e deixa comentários.

Flashbacks – Cap. VI – Parte 3
Ta tudo em casa
Segunda feira Thiago recebe a mensagem; “festa na casa do Rafael nessa sexta. Traga bebidas”. Mais tarde no mesmo dia outra mensagem: “festa na casa da Natália neste sábado. Traga 1 caixa de cerveja mais R$ 15,00. Laricas e bebidas liberado”.
Logo o pensamento conclui; final de semana vai ser sinistro.
O assunto durante a semana, não poderia ser outro. Todo mundo animado comentando do potencial das festinhas e assim a semana parece durar mais que as outras, o que pra alegria já nitidamente visível de todos os convidados, só parece, pois a sexta feira chega, e até mais rápida do que se esperava.
Temporariamente a carta de alforria é dada pra todos e é hora de cair na putaria generalisada.
Pré
Sedento por alguma bebida alcoólica gelada, Thiago abre a geladeira e às 18 horas de sexta feira já começa a esgotar seu estoque de cervejas, compradas especialmente pra beber antes da festa na casa do Rafael.
As 18:27, toca a campainha e chega o Felipe, Caio, Juliana e Drica, que sorridente levanta na altura dos olhos de Thiago uma smirnoff citrus na mão esquerda e uma smirnoff preta na outra.
Thiago repara que a citrus já esta na metade, e com cara de que não esperava ouvir outra coisa, escuta a confissão de Drica em tom quase que infantil – não resistimos e viemos bebendo no caminho, você se importa?
Várias sacolas de mercado com outras bebidas estão distribuídas nas mãos da galera, que também seguram maços de cigarro recém comprados, carteiras, bolsas e chaves de algo que não é de um carro (na galera todo mundo anda a pé, de bus ou taxi [regra de sobrevivência pra bebedores assumidos]).
Todos sorridentes, se abraçam, falam merda ainda no corredor do apartamento e já entram empolgados como o Caio que vai direto pro som mostrar um cd com musicas novas que acaba de gravar.
Por volta das 00 horas, a pré-festa esta bombando com mais outras 9 pessoas que chegaram ao apartamento do Thiago, sendo alguns amigos íntimos e outros apenas conhecidos, mas como tudo é informal, todos trouxeram bebidas e chegaram no pique da primeira galera, então ninguém parece estar preocupado com nada, principalmente a essa altura, em que o pré-festa já começa a concorrer com a festa principal e já rola um deboche no ar - “festa do Rafael que nada, eu vou é ficar por aqui mesmo, huahauhaau”.
A sala do Thiago já virou pista de dança, de luz apagada e fumaça de tudo quanto é tipo de cigarro, legais e ilegais. Alguns casais já se formaram no canto mais iluminado da sala, ao lado da janela, onde alguns vão pra fumar, tentando não intoxicar muito o ambiente com suas fumacinhas cancerígenas.
Sons estranhos vindo do banheiro, fazem um grupinho se juntar no corredor de frente pra ele, com os ouvidos na porta, logo se afastam ao concluir que alguém deveria esta se pegando ali dentro. Ate que a porta se abre, uma luz vinda do corredor ilumina a sala por uns 10 segundo antes de se apagar e da escuridão surgir Julio voltando do banheiro, sozinho e com a cara molhada, de quem ao contrario do que se pensava, não estava se pegando com ninguém que não fosse o vazo sanitário – “não comi o dia inteiro” – diz Julio com aquela cara de quem acabou de vomitar e quase recebe a atenção devida da galera se não fosse a Drica parar o som e dizer em tom decepcionada – “acabou as bebidas galera e não são nem meia noite direito, sacanagem…”

3 dez
Flashbacks – Cap. VI – Parte 2
Famílias legalize

Se você tiver sorte de pertencer a uma família que previne irresponsabilidade e falta de consciência, justamente condicionando os que fazem parte desta, a lidar desde cedo com liberdade e conseqüências, sem duvida sua pista de decolagem será mais segura, moderna e independente. Não necessariamente ampla e autorizada pra todos os destinos, mas sim sólida, com sinalização e alertas claro e eficientes. Nesse caso, você pode estar me lendo bêbado, doido de ácido ou fumando um gostoso baseado tranquilamente no conforto do seu lar ou escritório, enquanto seus familiares dizem coisas como “me da um traguinho”.
Sem conflito, sem stress, sem drama, a harmonia reina, e se preocupar com alardes histéricos da mídia, sociedade e religiões, não parece fazer nenhum sentido quando todos são bem sucedidos no que se propõem a fazer tanto no trabalho, como nos estudos e na vida social.
Essa é a nova sociedade urbana, com famílias regidas pela confiança interna, com regras e cultura própria. Não é a sociedade que liga a TV pra saber o que pensar ou consulta um religioso pra saber como agir. Elas consomem vorazmente conteúdo, informação, opinião, mas não abrem mão do protagonismo e contextualização fazendo fluir o conhecimento por vias harmoniosas e não mais os conflitantes.
- Sente o vento batendo no seu rosto?
“No começo, fumava maconha em casa, escondido, sabendo a hora em que minha mãe chegaria. Um dia, ela voltou cedo e me pegou desprevenido”, conta Eduardo, 23 anos.
Na maioria das famílias, isso seria o início de uma crise. Não na de Eduardo.
“Ela percebeu e disse: Deixa eu dar um dois também’”.

17 nov
Numa esquina de San Francisco nasceu a mais profunda revolução do século 20. O que sobrou do furacão psicodélico que começou ali na Haight com a Ashbury?

Por DAGOMIR MARQUEZI
—Jimi! Hei, Jimi!
— Será que havia algo naquele capuccino além de simples adoçante?
—Jimi!
Pode ser um flashback. Ou o efeito colateral dessa estranha névoa púrpura. Mas qualquer um pode jurar que aquele espectro atravessando o portão de ferro e puxando a fumaça roxa no seu vácuo é Jimi Hendrix em pessoa, ele e a namorada, calça boca-de-sino em farrapos, cabelão preso por uma bandana colorida e o cheiro de patchuli. Quanto ao Jimi, ele deveria estar beijando o céu, e não mais entrando numa casa da Haight,
O fantasma de Jimi e o de sua namorada e a névoa desaparecem e a Haight volta ao normal deste início do século 21:
turistas, punks, rastas, freaks, darks e… hippies. Hippies existem no mundo todo. A diferença é que eles surgiram ali, naquela rua.
Se não fosse pela Haight, a vida hoje seria diferente. São sete quarteirões, um gramado chamado Panhandle, duas ruas paralelas (Page e Waller), a entrada do vasto Golden Gate Park. Em uma hora o pedestre já viu tudo. O restaurante mexicano, o tailandês, os dois cafés, as lojas de roupa, a livraria “anarquista”, a casa de sucos, as três head shops. Por ironia, a primeira casa da Haight é um grande McDonald’s. Muito freqüentado pelos hippies, por sinal.
A nuvem púrpura voltou. Vamos entrar nela.
Em 1965, aquela, era uma vizinhança decadente de casas vitorianas típicas de San Francisco, com suas torres arredondadas e telhados “chapéu de bruxa”. Algumas daquelas mansões estavam sendo vendidas por 20 mil dólares. O que atraiu gente pobre do resto da cidade: trabalhadores braçais, escritores, negros, músicos beatniks e orientais fugindo da lotada Chinatown.
Mas aos poucos começou a aparecer outro tipo de gente esquisita nas redondezas da Haight: garotos de cabelos mais longos, meninas adolescentes de minissaia descendo com suas mochilas e violões de Kombis coloridas. O ponto de referência era uma esquina que se tonaria em meses a mais famosa do mundo: a Haight com a Ashbury. Numa região já acostumada a terremotos, aquela esquina seria o epicentro da mais duradoura de todas as revoluções do século 20.
26 ago

A descoberta de que o flower power já contava com uma multidão de adeptos se deu com a organização de um festival de grupos psicodéiicos organizado pelos Merry Pranksters e o Grateful Dead: grátis, ao ar livre, o First Human Be-ln reuniu milhares no Golden Gate Park, em janeiro de 67 em São Francisco. A indústria fonográfica — sediada ao lado, em Los Angeles — percebeu o potencial e, em junho do mesmo ano, promoveu o Monterey Pop Festival. A movimentação era divulgada via satélite para o mundo todo, mas a contracultura criava seus próprios sistemas de divulgação: rádios pirata, fanzines, gibis underground, jornais como o Detroit Free Press, revistas como Rolling Stone, International Times e — na Inglaterra, IT e Oz.
1967 foi sem duvida um ano especialmente marcante. Foi em outubro, por exemplo, que ocorreu aquela enorme e colorida manifestação pacifista na qual se tentou, nada mais nada menos, que fazer levitar o Pentágono, no melhor estilo do ativismo da época. Imaginem um ato dessa grandeza simbólica nos tempos atuais, em que se fala em cercar o congresso brasileiro no dia 7 de setembro pra expulsar Sarney…seria um feito semelhante se não fosse nossa geração uma geração conformista….

Mesmo sem entrar no mérito objetivo das técnicas empregadas naquela época (67), é fácil perceber que se trata, no mínimo, de uma geração que criou uma nova e curiosa forma de enfrentar o poder. Ainda durante este ano, dois fatos importantes: em São Francisco, verdadeiro berço do “hippismo”, realizo-se o enterro simbólico do movimento hippie. Um caixão foi cremado, enquanto os manifestantes, em uníssono, bradam: “Os hippes morreram! Vivam os homens livres!” Praticamente ao mesmo tempo, Abbie Hoffman e Jerry Rubin fundam o YIP (Youth International Party, o Partido Internacional da Juventude), tentativa de abrir um espaço mais institucionalizado que fosse capaz de canalizar a energia revolucionária de toda aquela juventude rebelde.
Entrava assim em cena a figura do yippie, o hippie politizado, expressando talvez o início de uma convergência entre os projetos de revolução cultural e revolução política. Jerry Rubin, ex-líder estudantil em Berkeley, afirmava: “Os yippies são revolucionários. Misturamos a política da Nova Esquerda com um estilo de vida psicodélico. Nossa maneira de viver, nossa própria existência é a Revolução”. Aliás, este esforço de tentar a fusão de um ativismo mais diretamente político com o psicodelismo daquele momento era vivível por toda parte.
Em seu livro Rock, o Grito e o Mito, Roberto Muggiati afirma o seguinte sobre o importante congresso de antipsiquiatria realizado em Londres, no ano de 1967: “No verão de 1967, 0 rock é um dos assuntos estudados em Londres no congresso Dialética da Libertação, organizado pelo psicanalista existencial R. O. Laing e seus colegas da ‘antipsiquiatria’, num esforço para conciliar libertação social e libertação psíquica. São grupos da Nova Esquerda, psicanalistas e sociólogos que debatem, procurando dar forma a uma esquerda visionária e fundir a política radical com a política do êxtase”.
26 jun
O quem vem primeiro; O Goa ou o Trance?

Pra continuar a nossa viagem através do transe e do Trance como um fenômeno que vem conquistando milhões e milhões de pessoas ao redor do globo, precisamos de um breve flashback do momento em que se cria a Trance Music, já que muitos textos na internet divergem sobre a sua criação e real ramificação dos subgêneros.
Falando musicalmente, consta que nos primeiros registros, o Trance surgiu como uma combinação de Acid House com o som Ambient na Europa dos anos 70, porém somente no inicio dos anos 80, essa mistura começou a tomar mais forma, incorporando elementos mais dançantes, pinçados do Techno e do House, ganhando uma velocidade de batidas por minutos mais elevada e que de forma progressiva recebia melodias de fácil assimilação, menos industriais e urbanas do que o House e o Techno, com texturas atmosféricas que exploravam a profundidade, a imensidão cósmica. Técnica que até então era mais comumente trabalhada no som Ambient.
10 fev
O que é ego, afinal?

Segundo a psicanálise, através do Ego aprendemos tudo sobre a realidade externa e orientamos nosso comportamento diante do mundo.
O ego é a peça central na estrutura da personalidade do sujeito. Trata-se do núcleo da personalidade e que recebe influências de duas correntes de energias psíquicas o Id (forças Instintivas) e o Superego (instância moral/cultural/julgadora).
Flashbacks - EGO
Cap.: III
Como nasce o ego?
Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer consciência de seu próprio Eu. E a primeira coisa da qual ela se torna consciente é o outro, porque os olhos se abrem para fora, as mãos tocam os outros, os ouvidos escutam os outros, a língua saboreia a comida e o nariz cheira o exterior. Todos os sentidos abrem-se para fora.
Ela primeiro se torna consciente da mãe, depois do próprio corpo – que também é o outro, também pertence ao mundo. Ela está com fome e sente o corpo, quando sua necessidade é satisfeita, ela esquece o corpo.
Então pouco a pouco, contrastando com o TU ela se torna consciente de si mesma. Essa consciência é uma consciência refletida porque a criança não sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os outros pensam a seu respeito. Se a mãe lhe sorri, se a abraça, beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma. AGORA UM EGO ESTÁ NASCENDO.Através da apreciação, do amor, do cuidado, ela sente que é boa, ela sente que tem valor. UM CENTRO ESTÁ NASCENDO.
3 fev

O homem é uma imagem, toda experiência é temporária e ilusória, e este universo é uma sombra.
Frederick West
Como geramos nossos parâmetros do que é a realidade?
Pra dar continuidade a um resumo da minha pesquisa sobre distúrbios causados pelo uso de psicoativos, vamos antes precisar entender a base de dois importantes fatores: Realidade e Ego.
Flashbacks - Realidades
Cap.: II
O homem é condicionado, desde seu nascimento, a pensar que o mundo em que vive é uma realidade absolutamente material. Assim ele cresce sob o efeito deste condicionamento e constrói toda a sua vida baseado neste ponto de vista.
Toda a informação que recebemos de nosso mundo exterior nos é transmitido por nossos cinco sentidos. O mundo que conhecemos consiste do que nossos olhos vêem, nossos ouvidos ouvem, nossos narizes cheiram, nossa língua saboreia e nossas mãos sentem. O homem depende, desde o nascimento, destes cinco sentidos. Assim ele conhece o mundo exterior apenas da forma como ele decodifica esses sinais através dos 5 sentidos.
1 fev
Seria a vida uma alucinação ou o contrario? Como recebemos as coordenadas pra localizar a realidade e nos situar dentro ou fora dela? As drogas podem mudar a forma como sentimos o mundo?

“Não sei como isso começou, mas acho que todos me odeiam, que tudo que as pessoas dizem é a meu respeito, que estou em uma armadilha sem saída, chego a ter alucinações visuais muito intensas. Mesmo sabendo que não ha motivo para ser perseguida, continuo achando que sou vigiada, que as pessoas ao meu redor não gostam de mim e que a qualquer momento vou cair em uma armadilha e ser presa ou morta, não consigo confiar no meu namorado, juntos ha 4 meses, acho sempre que ele esta me traindo, chego mesmo a pensar que ele na verdade não é a pessoa que diz ser e faz parte do complô pra me fazer cair nessa armadilha. Sei que são ideais absurdas, mas não consigo evitar. Da última vez que nos vimos não consegui ter reações sexuais com ele pois achava que ele estava me filmando, cheguei mesmo a ver minha imagem na TV por questão de segundos, mas não disse nada, pois sei que era um absurdo, falei que estava cansada. Não sei o que esta acontecendo comigo. Estou tendo essas sensações mesmo sem usar drogas. Tenho consciência de que isso não é real mas ainda assim, sentir essas sensações me causa muitos transtornos…”
Tatiana. 25 anos. Primeira crise.
“Minha amiga sempre falava coisas absurdas que nunca foram levadas a sério; até que um dia ela teve crises de gritar muito e sem nenhuma vergonha saía por aí transando com todos e também tinha mania de falar que estava falando com Jesus e misturar muitos palavras que variavam entre Deus e o Diabo e principalmente falar que era ILUMINADA e pregar a palavra de Deus. Levada ao hospital falaram que ela tinha um tipo de Psicose, algo como Psicose messiânica.”
Roberta. 28 anos. Primeira crise.
Em 1930, Freud apontava a droga como uma saída para o mal-estar. Esse mesmo Freud que, alguns anos antes, havia se utilizado da cocaína para enfrentar a depressão e a apatia, a indicando a pacientes e amigos. Ele também foi testemunha dos malefícios do uso abusivo da substância, que acarretou o suicídio de um discípulo. Na contemporaneidade, a droga surge como produto da ciência, tendo aspectos sociais, políticos econômicos e psíquicos, de alcance e dimensões incalculáveis. Basta lembrar o narcotráfico, a violência, a manutenção de economias de alguns países, a superlotação de hospitais e clínicas de recuperação, nossos consultórios. Essa saída pode indicar a morte, caminho último, mas também o adoecimento e o desencadeamento de desordens do psíquico.
Algumas pessoas, por pura recreação, atravessam a fronteira entre os mundos e nem sempre sabem como voltar.
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