Globalidades, Surrealismo & Expressividades Eletro-Conteporâneas.
12 jan
Ola pessoal.
Estou de volta, mas ainda não comecei 2010. Por isso estou vindo apenas pra trazer um pouco do que rolou no festival Universo Paralello #10.
Alias, como foi o ano novo de vocês?
Enquanto isso, espero que possa levar um pouco do festival até vocês.
Mas é um pouco mesmo, pois apesar dos pesares, o festival é gigantesco e sou incapaz de traduzir em palavras, fotos, vídeos ou tudo isso junto, ainda não seria capaz de passar tudo que acontece por la.
Por enquanto é isso =]
No vemos em breve.
Link: http://www.plurall.com/forum/plurall-doc/reviews/33252-universo-paralello-10-a/
18 dez
(E assim começou meu 2009)
Eu queria fazer uma retrospectiva de 2009, mas não tenho memória pra isso. Então essa retrospectiva será um pouco incompleta e levemente confusa.
Foi um ano especial pra min. E disso não tenho duvidas. Um ano que me senti mais lúcido do que o normal e com uma paz tão sólida que eu seria capaz de afirmar que nada nesse mundo poderia me tirar essa sensação.
Foi um ano de muita diversão também, muitos projetos que sempre quis iniciar, muitos livros que devorei, muita poesia, muitos amigos, muitos novos, muita inspiração, muito trabalho gostoso de fazer… Mas também foi um ano de medo. Não o medo que nos afugenta e que faz a gente se encolher em um canto. Mas o medo de enxergar as coisas com tanta clareza ao ponto de me tornar imune a ilusões e enlouquecer. Pois se tornar imune a ilusões, já é o principio de que uma ilusão ainda maior, mais poderosa e difícil de escapar, acaba de começar…
Na contra mão do samba…
Mas os fatos não me deixam mentir. Foi um ano da volta dos sons psicodélicos em vários cantos do Brasil e até mesmo aqui no Rio de Janeiro. E por aqui, fico feliz de ter participado disso ativamente junto com amigos e desconhecidos que compartilham da mesma visão e que não querem deixar a chama se apagar.

Começamos o ano fazendo a Enlight Party, uma linda festa, que reuniu um bom tanto de freaks em uma longa noite de dark psicodelico, a 2 horas do Rio de Janeiro. Foi à chave pra engrenar o ano na contra mão do pop.
Depois tivemos duas edições de um mini-festival que fazemos entre amigos e amigos de amigos. O que foi uma experiência incrível. Um final de semana inteiro em um sitio particular, uma celebração sem fins lucrativos, apenas música eletrônica psicodélica e diversão junto a natureza. Por fim, parimos a SUBversos. Uma festa que vem pra se adaptar aos novos tempos onde somente festas indoor estão sendo viáveis. Porém “se adaptar” não significa se render e sim subverter as regras com arte e caos sonoro.
Fora isso teve a Tripping (SP), o Freak Carnival Festival (SP), Respect (SP), Eartdance (SP) e algumas outras iniciativas que fazem com que eu conclua: foi um ano lisérgico!

Você pode ler alguns textos de review que escrevi sobre esses momentos especiais de 2009:
http://www.plurall.com/forum/plurall-doc/reviews/22396-review-tripping-17-janeiro-sp/
http://www.plurall.com/forum/plurall-doc/reviews/29095-respect-15-agosto/
http://www.plurall.com/forum/plurall-doc/reviews/30518-earthdance-sao-paulo-26-09-a/
http://www.plurall.com/forum/plurall-doc/reviews/32139-subversos-psychedelic-underground/
5 anos
No dia 08 de março de 2005 me registrei no Plurall como Roosevelt Soares e oficialmente esse ano completei 5 anos que habito essa gostosa comunidade virtual. Oficialmente, digo, pois já tive outros nomes, antes de me registrar com meu nome verdadeiro. Aqui dentro fiz amigos (as) pra vida inteira. Pessoas maravilhosas, que sem duvida deixariam minha vida menos feliz e chata se eu não tivesse os conhecido.
Marcos Prado.

Conhecer o Marcos Prado, um diretor/produtor/fotografo/documentarista que eu já admirava pelos trabalhos: Ônibus 174, Os Carvoeiros, Tropa de Elite e Estamira e poder trocar idéias e impressões sobre o mundo psicodélico, foi incrível pelo simples fato: falamos sobre realidades. Pois é na realidade que esta a instigante mágica. E a realidade não é boa nem má, ela simplesmente é. E algo tão obvio é constantemente aprisionado pelos seus extremos, deixando de existir por completo. Falar da realidade é pra poucos, pois pra maioria é uma obscenidade que deve mesmo permanecer aprisionada na eterna dicotomia do pensar. E o cinema, é uma das poucas artes que não se prende a essa dicotomia. É uma arte que pode ser completa!
Algo mais aconteceu…
Lembro que deixei de lembrar de coisas muito importantes que aconteceram esse ano, mas não sei exatamente o que foi. Alguns vão interpretar isso como algo ruim, mas acredito que justamente o fato de não lembrar, seja um sinal de que foram ótimas e muito importantes naquele momento.
Um salve a isso!
Revelações
- Conclui finalmente que não quero ser um dj e desde o inicio do ano apenas tenho feito pequenas participações em festas. Foi interessante tocar nas centenas de festas que pude participar desde que comecei em 2003, mas hoje, minhas noites de sono, inspiração ou sexo selvagem (risos), é prioridade.
- Desejo produzir música, um dia, nada agora, mas dar o play e ficar girando botões em um notebook não é emocionante pra min. Então espero dar a luz a algo mais interativo.
- Descartes já apontava que o bom senso é a coisa mais bem distribuida do mundo pois todos se acham bem providos dele. Ou seja, não vou mais me meter em “meios” onde as pessoas não tem bom senso, pelo menos não como eu gostaria que tivesse.
- Não se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam – Aceitei totalmente esse pensamento em minha vida.
- Esse ano terminei alguns ramos de raciocínio que vinha desde minha infância. Sempre pesquisando e colocando tudo em teste. Finalmente me sinto confortável pra aceitar que não há nenhum Ser consciente por trás da criação do Universo. Não há um Deus ou se quer vários. E se existisse, deveria ser repudiado.
Não há vida após a morte e a própria morte é questionável como certeza unânime. Não há destino, carma, nem nenhum senso de justiça cósmica. Há evolução, seleção natural e zeitgeist.
Eu sou o primeiro Ser Humano e serei o ultimo. Onde mais estou vivo além da minha mente? Na sua! E essa é a forma mais concreta e bem sucedida de vida e existência após a destruição do corpo.
1º objetivo de 2010
- O lançamento do meu livro que ira abordar justamente o tema Deus e o nosso Zeitgeist (espírito intelectual e cultural do mundo em determinada época). Esse é meu principal objetivo em 2010!!!
Desejo um ótimo fim de ano pra todos. E lembre-se que o Natal é uma data qualquer apenas com um pouco mais luzes e a autorização de tudo e de todos, pra praticar o consumismo máximo . Reúna sua família assim como reuniria em qualquer outra data. Celebrar com a família nunca é um desperdício.

Universo Paralello #10
Estou partindo dia 26/12 pra esse festival que ja é tradição a 7 anos em minha vida. La passarei minha virada de ano e pretendo voltar de la com varias matérias e entrevistas. Conto tudo pra vocês depois.
Nos vemos em meados de janeiro =]
Beijos pra quem é de beijo e abraços pra quem é de abraços.
12 out

Esses dias estava lendo alguns artigos e discussões sobre esse tema e logo pensei naquele arcaico pensamento de que Música Eletrônica não é música e muito menos pode ser considerada brasileira.
Lembrei de alguns grupos falando de boca cheia que só ouve música popular brasileira e logo em seguida a tentativa clichêzerrima de demonstrar erudição e bom gosto, citando toda aquela constelação de clássicos como; Maria Rita, Chico Buarque, Adriana Calcanhoto, Ana Carolina, Arnaldo Antunes, Beth Carvalho e por ai vai.
Ora bolas, são todos nomes incríveis, artistas únicos, gênios musicais, que dão orgulho de dividir a nacionalidade, e isso é inegável, mas a forma mecânica e glamourizada que esses “jovens boêmios”, que na tentativa de imprimir sua personalidade estereotipada do “tipicamente brasileiro” me soa quase sempre muito forçada e demonstra um nacionalismo caduco.
Afinal de contas, somos um país colonizado e tirando a música dos índios toda a nossa música veio de fora e se misturou e se miscigenou e teve uma nova leitura.
O nosso Samba, o Choro, é resultado de uma mistura das danças européias com os ritmos africanos. A Bossa Nova e o nosso Rock, são releituras e muitas vezes uma mistura muito boa do que nós temos com o que vem de outros países.
14 set
Tive um domingo estranho. Passei o dia lembrando varias coisas da minha infância.
Lembrei de três irmãos, amiguinhos meu, quando tinha uns 8 anos de idade, que moravam com a mãe divorciada, que era esquizofrênica e tinha uma casa toda bagunçada, que sempre tinha um cheiro fortíssimo de fritura e gás.
A casa ficava em uma vilinha e era bem humilde.
Não lembro o nome de todos, mas lembro que era uma escadinha de irmãos. O mais novo se chamava Dudu e devia ter uns 6 anos, ai vinha um do meio, que talvez tivesse a minha idade e o mais velho que devia ter uns 9 ou 10 anos.

Onde eu morava estava construindo um gigantesco cemitério, desses em forma de jardim, com covas internas na terra, bem bucólico.
Antes de ser vendido pra empresa que construiria o cemitério, era um gigantesco terreno em forma de bacia, cercado por montanhas verdes, com um vale no meio. O terreno pertencia a um casal ricaço de idosos, bonzinhos, e onde costumávamos brincar.
Mas mesmo durante a construção do cemitério, invadíamos o local pra brincar.
Teve um final de semana que eles não guardaram o trator escavadeira e nós ligamos o trator com uma chave de ônibus velha do meu pai, só que a chave quebrou e não conseguíamos desligar o trator. Foi um dia hilário. Estávamos com um bando de crianças e o mais velho deveria ter no máximo 12 anos.
Não andamos muito com o trator, porque só conseguimos colocar ele pra ir pra frente e pra trás, mas ficamos horas brincando de levantar e abaixar outros amigos na pá da escavadeira.
Nunca ninguém descobriu que fomos nós que ligamos o trator.

10 ago

Tropecei em um artigo da New York Magazine que começava assim: “As crianças de hoje…. não tem senso de vergonha. Não tem noção de privacidade. Adoram o show-off, a fama, o erotismo e a pornografia. Publicam a sua vida em blogs, com endereço residencial e números de telefone, poesias estúpidas e fotos sem sentido. Tem amigos virtuais em vez de reais. Falam por instant messaging através de uma língua própria completamente incompreensível. Queixam-se de falta de atenção, mas são incapazes de compreender o conceito e tão pouco de o exercer”
Um artigo muito interessante, que traz algumas verdades porém alguns outros pontos que o autor exagera. Eu por exemplo, vejo essas ferramentas virtuais de comunicação como um utensílio indispensável pra solidificar contatos e desenvolver ao lado de semelhantes uma realidade mais “interessante”, além do fato de agilizar a troca de conteúdo. Mas as vezes me pergunto, até que ponto corremos o risco de nos tornar “fakes”, de nós mesmo. Afinal já repararam que só ha espaço pra compartilhar realidades felizes? Não vemos em álbuns do orkut, facebook, blogs e por ai vai, os dias de tristeza, dor, desilusão, incertezas, ressacas moral…. Não vemos a vida como ela é, vemos o intervalo do patrocinador, um breve comercial alegre de uma vida que vive de oscilar entre bons e maus momentos. É claro que a felicidade é a busca principal, vivemos pra ser feliz, mas a felicidade virtual, muitas vezes é forjada, pra que só assim, o autor, o patrocinador, possa conseguir se sentir plenamente feliz.
27 jul
Cocaína, homens pelados, agulhas e um bebê com a cara pintada são artíficios que o fotógrafo David LaChapelle utiliza para representar Lil’ Kim como a Virgem Maria em recente imagem promocional.
Pra quem não entende nada de moda, mas também ficou curioso com a foto que utilizei no artigo “Glamourização das drogas“, mostrando duas modelos cheirando as roupas da marca Sisley, vamos a algumas explicações. Recebi por email na ultima sexta feira uma duvida perguntando se realmente existiu a campanha Fashion Junkie da marca Sisley, que no Brasil é representada pelo Grupo Benetton, uma empresa transnacional italiana de moda, cujo o nome vem dos quatro membros da Família Benetton que fundaram a companhia em 1965.
A Sisley é uma marca caríssima de roupa tanto masculina quanto feminina. Suas campanhas publicitárias são conhecidas como “atrevidas, extravagantes e excêntricas”.
A campanha Fashion Junkie foi atribuída ao fotógrafo norte-americano Terry Richardson, um fotografo muito interessante e que desperta amor e ódio com seu trabalho. Terry brinca com a técnica, não aposta na luz perfeita, no glamour gelado ou na pós-produção de retoques e photoshop’s. Na contra mão dos trabalhos mais convencionais, ele foca o que há de mais cru em seus fotografados e no ambiente ao redor. Suas fotos focam o mundano, o desagradável, o deselegante, o suor, a saliva, o pelo, a ruga, a imperfeição, a má conduta. Logicamente quando ele é contratado pra fazer editoriais de moda, suas fotos apresentam tudo isso, porém de uma forma mais dosada.

Gisele Bündchen sem a menor postura e com cigarro na mão
21 jul
“A ideia de ser um artista drogado que quebra as regras da sociedade sempre me foi muito atraente. Lembro que conheci um artista em Nova York, que já havia sido viciado e era um pintor bem famoso. Ele me contou que, se tivesse achado que se drogar o ajudaria a criar quadros melhores, então nunca teria parado de se injetar. Mas seu trabalho ficava melhor quando ficava careta. Afinal, disse ele, a arte é a coisa mais importante.”

Nic Sheff começou a se viciar em drogas quando ainda estava na escola, onde aprendeu a injetar estudando um diagrama que achou na Internet, e por mais de uma década usou drogas injetáveis. Por grande parte deste tempo, ele morou nas ruas, prostituindo-se, vendendo drogas ocasionalmente (apesar de nunca ter sido muito bom nisso) e comendo das lixeiras; ele aparecia na vida dos pais ocasionalmente, algumas vezes para roubá-los.
15 jul
Chico Buarque – Acho que a descriminalização das drogas vai acabar com a sua glamourização. O sujeito que consumir maconha vai ficar aí, meio bobão, achando que está tudo certo. O cheirador de cocaína vai ser um chato social. Acaba a glamourização de se consumir uma coisa proibida.

As drogas sempre despertaram fascínio nos seres humanos e definitivamente nos anos 90 elas entraram de vez na moda através do estilo conhecido como “Heroin chic” popularizado através da modelo Kate Moss nos anos 90.
A característica dessa “moda de corpo” era a magreza, a pele pálida, as olheiras, e alguns traços de androginia.
O heroin chic surgiu junto a popularização da heroína que passava a ser consumida pelas classes média e alta. Outros famosos“seguidores deste movimento” foram Kurt Cobain, Courtney Love, River Phoenix e alguns filmes clássicos da época que trabalhavam em cima desse estilo foram o Pulp Fiction (Tarantino) e Trainspotting (Danny Boile).
10 jul

TEXTO: Meus amigos e eu dividimos tudo. Agora nós dividimos Hepatite e HIV - METH: NEM UMA ÚNICA VEZ.
Na década de 30 um descongestionante nasal começou a provocar em seus usuários estranhas sensações de eufória, falta de apetite, perda de sono e um apaixonante aumento no desempenho físico e intelectual. Logo o medicamento passou a ser usado na segunda guerra para eliminar o cansaço e manter o vigor físico e a vigília dos soldados. No Brasil o medicamento chegou somente na década de 60 com o nome de Pervitinâ e passou a ser apreciado por jovens que dele faziam uso para aumentar sua capacidade produtiva.
Atualmente, enquanto no Brasil ainda se discute a legalização da maconha o Mexico esta prestes a aprovar uma lei que descriminalizaria o porte de pequenas quantidades de drogas sendo essa pequena quantida, definida como; cinco gramas de maconha, 500 miligramas de cocaína, dois gramas de ópio, 50 miligramas de heroína, um comprimido de ecstasy ou um cristal de ice.
Cristal de ice?
6 jul

Ao mesmo tempo em que Goa Gil fazia a ponte definitiva entre a musica Trance e espiritualidade, o Trance continuava a se espalhar pelo mundo como uma semente que iria gerar frutos bem peculiares por cada territorio que era semeado.
Circulando de forma underground somente através das mãos de DJs e dos próprios produtores musicais, pois ainda não existia nenhuma gravadora interessada em colocar em circulação aquela nova sonoridade, o som foi sofrendo novas mutações por onde passava como o surgimento do Trance Psicodélico, que iremos falar mais adiante.
Antes precisamos deixar registrado, que foi o Goa Trance, o primeiro estilo de musica eletrônica a ganhar um contexto espiritual, traços impensados até o momento, afinal musica eletrônica e espiritualidade jamais havia sido proposto.
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