Flashbacks – Cap. VI – Parte 2

Famílias legalize

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Se você tiver sorte de pertencer a uma família que previne irresponsabilidade e falta de consciência, justamente condicionando os que fazem parte desta, a lidar desde cedo com liberdade e conseqüências, sem duvida sua pista de decolagem será mais segura, moderna e independente. Não necessariamente ampla e autorizada pra todos os destinos, mas sim sólida, com sinalização e alertas claro e eficientes. Nesse caso, você pode estar me lendo bêbado, doido de ácido ou fumando um gostoso baseado tranquilamente no conforto do seu lar ou escritório, enquanto seus familiares dizem coisas como “me da um traguinho”.

Sem conflito, sem stress, sem drama, a harmonia reina, e se preocupar com alardes histéricos da mídia, sociedade e religiões, não parece fazer nenhum sentido quando todos são bem sucedidos no que se propõem a fazer tanto no trabalho, como nos estudos e na vida social.

Essa é a nova sociedade urbana, com famílias regidas pela confiança interna, com regras e cultura própria. Não é a sociedade que liga a TV pra saber o que pensar ou consulta um religioso pra saber como agir. Elas consomem vorazmente conteúdo, informação, opinião, mas não abrem mão do protagonismo e contextualização fazendo fluir o conhecimento por vias harmoniosas e não mais os conflitantes.

- Sente o vento batendo no seu rosto?

“No começo, fumava maconha em casa, escondido, sabendo a hora em que minha mãe chegaria. Um dia, ela voltou cedo e me pegou desprevenido”, conta Eduardo, 23 anos.
Na maioria das famílias, isso seria o início de uma crise. Não na de Eduardo.
“Ela percebeu e disse: Deixa eu dar um dois também’”.

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Famílias como a dele, que fumam maconha juntas, não são tão difíceis de se encontrar.

Os pais dizem preferir que os filhos fumem em casa e com eles. Seus argumentos vão da segurança à redução de danos.

“Tenho certeza de que é melhor assim, porque aí sei o quanto e como meu filho fuma”, diz a mãe de Luís. “E, se ele ficar dependente, é melhor ter na mãe um amigo.”


Na família de Alice e de Alex, moradores do Rio de Janeiro, sempre houve preocupação com a segurança. “Até hoje pego maconha com meu pai. Ele sempre pediu para evitar pegar por conta própria. Isso me protegeu de situações perigosas, como subir morro”, diz Alex.


Outra recomendação constante do pai é “não andar com “flagrante” e ter cuidado com os “homens’”. O que não foi suficiente. “Já “rodei” na mão da polícia, indo à praia. Aí perdemos um dinheiro “de leve’”.


Para o especialista em drogas Osvaldo Fernandez, antropólogo da Universidade do Estado da Bahia e professor visitante da Universidade Columbia (EUA), os argumentos dos pais fazem sentido, especialmente por tratar-se de droga ilegal.

Muitas vezes a ilicitude leva à desinformação, então torna-se imprescindível um manual de sobrevivência com vistas à educação dos filhos. Pais que fumam com filhos podem ajudar a reforçar valores como moderação e autocontrole.”

Filho de pais bem-sucedidos, João, 24, sempre manteve uma relação de diálogo com a família, estudou nos melhores colégios da cidade e, aos 19, já falava três idiomas com fluência. Aos 15, chegou em casa com os olhos vermelhos e achando graça de tudo. Aí, foi o suficiente para o pai chamar para uma conversa séria, daquelas, como dizem por aí: de homem para homem.

“Conversamos por mais de três horas e me senti à vontade o suficiente para assumir para o meu pai que tinha fumado naquele dia pela primeira vez”, lembra João. Ao contrário do que esperava, a reação do pai surpreendeu. “Ele me deu uma aula sobre as drogas e deixou muito claro que aquilo poderia estragar minha vida, mas, por outro lado, me confessou que também já havia usado”, revelou.

Depois desse papo, João continuou fumando e decidiu experimentar outras drogas. “Provei de tudo o que você possa imaginar, tudo mesmo. Coca, ácido, ecstasy, chá de cogumelo, só não tive coragem de provar heroína e crack, porque fode o cara”, diz.

Hoje, passados nove anos desde o primeiro “baseado”, ele cursa o 3º ano de psicologia e cultiva cinco pés de Cannabis sativa em uma estufa improvisada dentro do armário do quarto. Segue todas as recomendações e, de vez em quando, faz enxertos botânicos na tentativa de conseguir aumentar a concentração de THC (substância responsável pelo efeito alucinógeno da maconha). Tudo o que planta, afirma consumir na companhia dos amigos mais próximos e que não vende em hipótese alguma. “Se meter com tráfico é loucura. Só quero relaxar em paz”.

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Opiniões contrarias

A psicóloga da USP Maria Abigail de Souza, especialista em tratamento de dependências químicas, reprova o costume. Para ela, isso causa uma confusão de papéis.


“Me dá a impressão de que esses pais querem dar uma de condescendentes para se aproximar dos filhos, talvez porque não tenham outra maneira. Saem da posição de pais e entram na de amigos. Mas adolescente precisa de um pai. Amigo ele tem bastante”, diz.


Para as famílias entrevistadas, não é assim. “A gente se dá bem porque sempre se deu. Fumar junto é consequência da nossa amizade, e não o contrário”, afirma Marcela, que diz fumar com a mãe socialmente, em festas ou ocasiões parecidas -elas não compram a droga.

O pai de Alex e de Alice tem opinião parecida. “Não é por fumar com eles que sou mais próximo.” Alex explica: “O ambiente da família é que sempre foi de muito diálogo”.

Juízes consultados pela reportagem dizem que o hábito pode até levar à perda da guarda de filhos menores de idade.
Mas todos os entrevistados ressaltam a importância de conversar abertamente sobre drogas com os filhos.
Para a mãe de Luís, o pior a fazer é ignorar o fato. “Fingir que não vê é hipocrisia. E reprimir não é saída. É beco.”

Fontes:

Folhateen

Da Agência Baiana

[continua . . .]

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