Globalidades, Surrealismo & Expressividades Eletro-Conteporâneas.
8 set

Em uma sociedade onde todos são culpados,
o único delito é ser pego.”
Hunter S. Thompson
Maconha, cocaína, álcool, éter, mescalina, ácido lisérgico e qualquer outra substância que faça de Las Vegas um lugar normal. Baseado em obra do jornalista Hunter S. Thompson, o filme Medo e Delirio em Las Vegas (Fear and Loathing in Las Vegas), recusa-se a avaliar os prós e contras do uso das drogas. Limita-se a enfocar os seus efeitos – desde a atraente sensação de incoerência até as conseqüências de uma “bad trip’’. O estilo visual acompanha o tom alucinógeno, enchendo a tela com imagens atordoantes como um suposto ataque de morcegos e uma seqüência em que os motivos de decoração do carpete começam a subir pelas pernas do protagonista.
Terry Gilliam (diretor do filme) vai além. Propõe um ensaio sobre a liberdade, que cada um aproveita como quer ou como pode, preocupando-se acima de tudo em refletir um estado de espírito.

O escritor norte-americano Hunter S. Thompson, criador do gonzo journalism, desafiou a legislação do seu país no quanto pode com os seus textos e no uso desenfreado de drogas, bebidas, velocidade e armas. Marcado com o selo de bad boy, apesar disso o jornalista era tratado pelo seu editor da Rolling Stone, Jann Wenner, com o distinto qualificativo de Dr. Hunter Thompson.
Criador e principal representante de uma modalidade de jornalismo literário denominada Gonzo Journalism, Thompson propôs a transposição da barreira essencial que separa o jornalismo da ficção: o compromisso com a verdade. Também chamado de jornalismo fora-da-lei, jornalismo alternativo e cubismo literário, o gênero inventado por Thompson tem sua força baseada na desobediência de padrões e no desrespeito de normas estabelecidas, além da insistência em quatro grandes temas: sexo, drogas, esporte e política.
A edição mais recuada de um livro de Hunter Thompson no Brasil deve-se à editora carioca Anima, que, em 1984, publicou Las Vegas na cabeça. Estampou na quarta capa a setença atribuída ao The New York Book Review, de que a obra era “o melhor livro da década das drogas”. Esse livro ganhou nova edição da Conrad, editora de São Paulo que tem publicado nos últimos anos a obra de Thompson, e seu título agora é Medo e delírio em Las Vegas, o mesmo que foi adotado pelo cineasta Terry Giliam para o filme de 1998, inspirado no livro, em que Johnny Depp contracena com Benicio del Toro.

Thompson nasceu em 1937, no estado do Kentucky, às vésperas, portanto, da II Guerra Mundial. Quando jovem, serviu à força aérea norte-americana, onde iniciou o jornalismo. De redação em redação, passou a condição de freelancer e colaborador regular da Rolling Stone. Seu modo invulgar de tratar os temas tornou a trajetória de Hunter Thompson extraordinária. Foi o caso, por exemplo, da pauta que recebeu para cobrir uma convenção dos Hell’s Angels, o polêmico grupo de motoqueiros dos Estados Unidos. Ele excedeu o previsto e só retornou à redação seis meses depois com material suficiente para publicar o livro Hell’s Angels – medo e delírio sobre duas rodas (São Paulo: Conrad, 2004).
O autor de Medo e delírio em Las Vegas viveu intensamente os seus dias e suas contradições. Amante das armas, era a favor da paz. Consumidor de drogas e bebidas alcoólicas, optou pela vida no campo, nas montanhas de Aspen. Desordeiro, pretendeu ser o delegado de Aspen, para o que fez campanha e quase chegou lá. Hunter S. Thompson, após cuidar da construção de um imenso monumento a si e ao gonzo journalism – uma grande torre no formato de uma adaga com a empunhadura em forma de figa com um polegar de cada lado.
No início de 2005, Hunter S. Thompson se matou com um tiro de rifle na cozinha da própria casa. Estaria deprimido e, mais uma vez insubmisso, não se deixou levar pela morte anunciada. Em agosto do mesmo ano, suas cinzas foram espargidas por um canhão colocado no alto do monumento que ele ajudara a construir num vale de Aspen em uma cerimônia bancada pelo ator Johnny Depp, seu amigo e que interpretou o personagem Raoul Duke na versão para o cinema de Medo e Delírio em Las Vegas.

O estilo gonzo de Hunter Thompson, no Brasil, ganhou destaque em alguns textos da revista Trip, e não posso negar que é o estilo que mais me excita e inspira quando escrevo.
Nas próximas postagens vou trazer mais textos sobre esse estilo, o autor e textos excelentes não só de Tompson, mas de vários outros escritores que seguem o estilo.
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2 Respostas para "Jornalismo Gonzo - Hunter S. Thompson"
Oi!
Adorei o texto, gosto do estilo Gozo de Jornalismo e gostaria de saber mais sobre o assunto.
Hunter S. Thompson foi muito bom no que fez.
Vale a pena ver o filme “Gonzo in Life as in His Work Hunter S. Thompson”, de 2007 (não a tradução em português do nome).
Esse filme passou, inclusive, no Festival do Rio do ano passado. Bom pra saber mais sobre a vida desse jornalista e personagem.
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