Globalidades, Surrealismo & Expressividades Eletro-Conteporâneas.
17 ago

Pesei, pensei, pensei e não sei como começar esse review da Respect que rolou nesse final de semana (15/08/09) em São Paulo.
Que a galera de sampa manda bem em produção de festas e esbanja educação e simpatia, isso já é quase tradição. Então bastaria eu dizer que a Respect, como de costume foi um FESTÃO!!!!
Dizem por ai que a Respect não é mais a mesma, que cresceu demais… uma grande besteira, pois se for verdade é puro reconhecimento pelo ótimo trabalho que eles fazem e fazem tão bem que conseguiram crescer sem perder sua originalidade, seu caráter alternativo, seu poder de atrair as mais refinadas mentes desse nosso microcosmos psicodélico.
Chegamos ao local da festa pegando o final da peça “A Brava”, que conta a história de Joana D´arc, encenada pela Brava Companhia de Teatro. E pra min o grande atrativo da festa é essa majestosa arte de equilibrar o ambiente interno dos participantes com a atmosfera de festival cultural de um dia em que a festa se realiza.
Promover iniciativas como a troca da latinha de cerveja por mais R$ 1.00 em ficha de consumação e utilizar materias totalmente reciclados como parte da decoração, é louvável, acrescentando de forma simples e inteligente, ações transformadoras.

É da natureza humana o interesse pelo desconhecido e seus mistérios… queremos ouvir os sons dos tambores e atabaques, queremos milhões de cores saltando diante de nossos olhos, queremos a espontaneidade, queremos saldar a lua, sentar em volta de uma fogueira ao lado de estranhos sorridentes, queremos os cheiros de incensos se espalhando pelo ar e o briho no olhar de quem sabe que momentos de desconexão podem gerar a mais profunda conexão com o todo. Reger essa sinfonia, que começa no isolado mundo interno de cada ser humano que é atraído, instigado a viajar horas pra celebrar coletivamente uma verdadeira expressão de Arte e Cultura Alternativa ligada à estética psicodélica, tão rica e ao mesmo tempo subjetiva é digno de Respect!

Não poderei falar muito sobre as atrações musicais, pois pra min toda a festa seguiu em uma harmonia tão grande que não consegui observar trabalhos isolados. E acho que nem era essa a mensagem que se captava no dancefloor ou no chill-out. Os artistas não subiam ao palco pra chamar atenção, subiram pra hipnotizar, pra te arremessar dentro do som. Eu poderia facilmente descrever sensações, mas sou incapaz de dizer nomes, destaques…
Fiquei imensamente feliz em ver o fullon psicodélico vivo, daqueles galopantes, de dançar horas e horas encontrando sentido naquele embaralhar de pés e gestos que tentavam apalpar o abstrato. Ultimamente as pistas têm ficado tão decentes, regradas a prêt-a-porter, sorrisinhos de canto de boca e ciscadinhas elegantes, que estava louco pra sentir novamente um autentico dancefloor selvagem.
Uma coisa muito maneira que rolou no meio da madrugada, foi quando alguem levou pra pista um emaranhado de elastico, tipo uma gigantesca teia que foi se abrindo no meio do dancefloor. Nisso as pessoas dançavam freneticamente, se enrrolando no meio daqueles elasticos que se movimentavam jogando a pessoa de um lado pro outro, todos em uma dança maluca que rendeu minutos de euforia impagáveis.

Aaaah o frio. Nossa mãe sempre diz, “leva o casaco meu filho” e agente quase nunca da atenção a esse sábio conselho. Principalmente cariocas calorentos e de casaquinhos de pano de chão (que custão como se fossem feitos com fio de ouro). Pois bem.. que FRIO INFERNAL fez na madrugada de sábado pra domingo.
A noite me sentei na roda em volta da fogueira, junto com amigos e desconhecido, e la todos participamos de uma prece pra saldar a chegada da lua, que estava incrivelmente linda, sempre um espetáculo a parte. Aproveitamos pra nos esquentar, é claro, e também pedimos através de alguns trabalhos de ancoragem de energia pra que tudo de melhor, as mais belas energias, dominassem aquele local, aqueles seres e o planeta de um modo geral. Se eu soubesse que quase ia congelar naquela madrugada (12ºC), teria pedido casacos mais forte, luvas, meias mais quentes e até um cachecolzinho iria bem. Calma, não sou egoísta, pediria pra todo mundo do mundo =]
Mas nada que uma dança aborígine e litros de catuaba não desse jeito naquela madrugada friorenta.
Não via a hora do amanhecer e de poder sentir os raios de sol. Segui pro chillout, apos tentar dar uma descançada na barraca, descanço esse impossivel por causa do frio, que me fazia sentir como se estivesse dentro de um verdadeiro iglu de gelo. O amanhecer naquele chillout lindo, todo de bamboos, com aquele som atmosferico, e meditativo, foi um momento de pura contemplação e renovação das energias. De la dava pra ver o pessoal no dancefloor subindo os morrinhos que margeiuam a pista, pra disputar os raios de sol que começavam a chegar dando total sinal de que estava vindo pra torrar.

Termino esse humilde review com a seguinte impressão. Acredito que mudamos da estética hippie pra yippi. Ta certo que a festa é incrível, a organização é impecável, as instalações de arte são super criativas e conscientes, mas R$ 80.00 em um ingresso e cerveja a R$ 6.00, ainda não é pra qualquer um. Nem sei analisar, se realmente a festa deveria ser pra “qualquer um”, mas é um gasto elevado no fim da contas. De todas as formas, é extremamente válido se deslocar horas pra curtir um encontro como a Respect. É sem duvida uma grande experiência, uma proposta única em termos de festas atualmente.

Boom Respect!
Texto por: Roosevelt Soares
Fotos por Rodrigo Sens
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