Globalidades, Surrealismo & Expressividades Eletro-Conteporâneas.
12 jan
Ola pessoal.
Estou de volta, mas ainda não comecei 2010. Por isso estou vindo apenas pra trazer um pouco do que rolou no festival Universo Paralello #10.
Alias, como foi o ano novo de vocês?
Enquanto isso, espero que possa levar um pouco do festival até vocês.
Mas é um pouco mesmo, pois apesar dos pesares, o festival é gigantesco e sou incapaz de traduzir em palavras, fotos, vídeos ou tudo isso junto, ainda não seria capaz de passar tudo que acontece por la.
Por enquanto é isso =]
No vemos em breve.
Link: http://www.plurall.com/forum/plurall-doc/reviews/33252-universo-paralello-10-a/
18 dez
(E assim começou meu 2009)
Eu queria fazer uma retrospectiva de 2009, mas não tenho memória pra isso. Então essa retrospectiva será um pouco incompleta e levemente confusa.
Foi um ano especial pra min. E disso não tenho duvidas. Um ano que me senti mais lúcido do que o normal e com uma paz tão sólida que eu seria capaz de afirmar que nada nesse mundo poderia me tirar essa sensação.
Foi um ano de muita diversão também, muitos projetos que sempre quis iniciar, muitos livros que devorei, muita poesia, muitos amigos, muitos novos, muita inspiração, muito trabalho gostoso de fazer… Mas também foi um ano de medo. Não o medo que nos afugenta e que faz a gente se encolher em um canto. Mas o medo de enxergar as coisas com tanta clareza ao ponto de me tornar imune a ilusões e enlouquecer. Pois se tornar imune a ilusões, já é o principio de que uma ilusão ainda maior, mais poderosa e difícil de escapar, acaba de começar…
Na contra mão do samba…
Mas os fatos não me deixam mentir. Foi um ano da volta dos sons psicodélicos em vários cantos do Brasil e até mesmo aqui no Rio de Janeiro. E por aqui, fico feliz de ter participado disso ativamente junto com amigos e desconhecidos que compartilham da mesma visão e que não querem deixar a chama se apagar.

Começamos o ano fazendo a Enlight Party, uma linda festa, que reuniu um bom tanto de freaks em uma longa noite de dark psicodelico, a 2 horas do Rio de Janeiro. Foi à chave pra engrenar o ano na contra mão do pop.
Depois tivemos duas edições de um mini-festival que fazemos entre amigos e amigos de amigos. O que foi uma experiência incrível. Um final de semana inteiro em um sitio particular, uma celebração sem fins lucrativos, apenas música eletrônica psicodélica e diversão junto a natureza. Por fim, parimos a SUBversos. Uma festa que vem pra se adaptar aos novos tempos onde somente festas indoor estão sendo viáveis. Porém “se adaptar” não significa se render e sim subverter as regras com arte e caos sonoro.
Fora isso teve a Tripping (SP), o Freak Carnival Festival (SP), Respect (SP), Eartdance (SP) e algumas outras iniciativas que fazem com que eu conclua: foi um ano lisérgico!

Você pode ler alguns textos de review que escrevi sobre esses momentos especiais de 2009:
http://www.plurall.com/forum/plurall-doc/reviews/22396-review-tripping-17-janeiro-sp/
http://www.plurall.com/forum/plurall-doc/reviews/29095-respect-15-agosto/
http://www.plurall.com/forum/plurall-doc/reviews/30518-earthdance-sao-paulo-26-09-a/
http://www.plurall.com/forum/plurall-doc/reviews/32139-subversos-psychedelic-underground/
5 anos
No dia 08 de março de 2005 me registrei no Plurall como Roosevelt Soares e oficialmente esse ano completei 5 anos que habito essa gostosa comunidade virtual. Oficialmente, digo, pois já tive outros nomes, antes de me registrar com meu nome verdadeiro. Aqui dentro fiz amigos (as) pra vida inteira. Pessoas maravilhosas, que sem duvida deixariam minha vida menos feliz e chata se eu não tivesse os conhecido.
Marcos Prado.

Conhecer o Marcos Prado, um diretor/produtor/fotografo/documentarista que eu já admirava pelos trabalhos: Ônibus 174, Os Carvoeiros, Tropa de Elite e Estamira e poder trocar idéias e impressões sobre o mundo psicodélico, foi incrível pelo simples fato: falamos sobre realidades. Pois é na realidade que esta a instigante mágica. E a realidade não é boa nem má, ela simplesmente é. E algo tão obvio é constantemente aprisionado pelos seus extremos, deixando de existir por completo. Falar da realidade é pra poucos, pois pra maioria é uma obscenidade que deve mesmo permanecer aprisionada na eterna dicotomia do pensar. E o cinema, é uma das poucas artes que não se prende a essa dicotomia. É uma arte que pode ser completa!
Algo mais aconteceu…
Lembro que deixei de lembrar de coisas muito importantes que aconteceram esse ano, mas não sei exatamente o que foi. Alguns vão interpretar isso como algo ruim, mas acredito que justamente o fato de não lembrar, seja um sinal de que foram ótimas e muito importantes naquele momento.
Um salve a isso!
Revelações
- Conclui finalmente que não quero ser um dj e desde o inicio do ano apenas tenho feito pequenas participações em festas. Foi interessante tocar nas centenas de festas que pude participar desde que comecei em 2003, mas hoje, minhas noites de sono, inspiração ou sexo selvagem (risos), é prioridade.
- Desejo produzir música, um dia, nada agora, mas dar o play e ficar girando botões em um notebook não é emocionante pra min. Então espero dar a luz a algo mais interativo.
- Descartes já apontava que o bom senso é a coisa mais bem distribuida do mundo pois todos se acham bem providos dele. Ou seja, não vou mais me meter em “meios” onde as pessoas não tem bom senso, pelo menos não como eu gostaria que tivesse.
- Não se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam – Aceitei totalmente esse pensamento em minha vida.
- Esse ano terminei alguns ramos de raciocínio que vinha desde minha infância. Sempre pesquisando e colocando tudo em teste. Finalmente me sinto confortável pra aceitar que não há nenhum Ser consciente por trás da criação do Universo. Não há um Deus ou se quer vários. E se existisse, deveria ser repudiado.
Não há vida após a morte e a própria morte é questionável como certeza unânime. Não há destino, carma, nem nenhum senso de justiça cósmica. Há evolução, seleção natural e zeitgeist.
Eu sou o primeiro Ser Humano e serei o ultimo. Onde mais estou vivo além da minha mente? Na sua! E essa é a forma mais concreta e bem sucedida de vida e existência após a destruição do corpo.
1º objetivo de 2010
- O lançamento do meu livro que ira abordar justamente o tema Deus e o nosso Zeitgeist (espírito intelectual e cultural do mundo em determinada época). Esse é meu principal objetivo em 2010!!!
Desejo um ótimo fim de ano pra todos. E lembre-se que o Natal é uma data qualquer apenas com um pouco mais luzes e a autorização de tudo e de todos, pra praticar o consumismo máximo . Reúna sua família assim como reuniria em qualquer outra data. Celebrar com a família nunca é um desperdício.

Universo Paralello #10
Estou partindo dia 26/12 pra esse festival que ja é tradição a 7 anos em minha vida. La passarei minha virada de ano e pretendo voltar de la com varias matérias e entrevistas. Conto tudo pra vocês depois.
Nos vemos em meados de janeiro =]
Beijos pra quem é de beijo e abraços pra quem é de abraços.
7 dez
“A idéia de sacrifício é culturalmente
estimulada em nossa sociedade.
Ele aumenta o valor da coisa conquistada:
se não há dor, não pode haver prazer”
Antes de pularmos pro próximo capítulo, onde vou apresentar personagens fictícios, porém criados na base de relatos reais, cabe uma reflexão sobre a busca do prazer.
Flashbacks – Cap. VI – Parte 4
Jogos de prazer

O que você quer ganhar nesse natal: uma TV de LCD, ou de Led? Um leitor de livros virtuais cairia bem não é? E aquele celular que se conecta com tudo na internet, paginas reais, vídeos online e que tem mais gigas de memória do que muitos computadores por ai?
Reparou que nos meus últimos post’s tem pessoas fumando? Se você é fumante, aposto que acendeu um cigarro enquanto lia algum texto. Se não é fumante, deve ter lamentado e sentido o gosto daquela fumaça fedorenta na boca, enquanto fazia uma leve cara de “éca” …
O que você pensa na quinta feira ensolarada logo após sair do trabalho? E na sexta por volta das 18 horas? Pensou em cerveja, chopinho, whisky?
Vivemos em mundo em que estamos o tempo todo sendo guiados. Estimulados a desejar o que não temos, a sentir fome que já perdemos, ao obter prazer a qualquer preço. Seja o prazer de adquirir um bem material ou consumir uma droga, estamos a serviço de satisfazer um único desejo, mesmo que por vias diferentes.
Ao realizarmos um desejo, abrimos espaço a outros, o que pressupõe mais escolhas, ou mesmo frustrações. Por outro lado, o desejo nos revela a nós mesmos e aos outros e, se nos acharmos em dívida com alguém, talvez nos envergonhe em desejar qualquer coisa. É como se sempre estivéssemos tirando do outro, por exemplo, aquilo que não pudemos dar aos pais, ou o que falta a um amigo. Relacionado a isso ocorre o medo da punição: ao se dar alguma coisa, outra lhe será negada, por desígnios além do seu domínio.
Alguns vão mais longe, tomando como uma questão absolutamente pessoal as desigualdades do mundo. Nesse caso extremo, realizar o desejo é para eles uma afronta aos mais necessitados. Acreditam que satisfazer-se tira o mérito da luta pelas questões sociais. Muitas vezes, eles nem se envolvem com essas questões, apenas as usam para não mexer nos próprios desejos.
Nesse momento é útil comentar sobre o instinto, entendido aqui como a busca de sensações agradáveis e a fuga de sensações desagradáveis, sendo esses dois processos os movimentos de todo e qualquer estímulo bio-físico-químico provocadores de prazer e/ou fuga de dores (como esportes, radicais ou não, sexo, álcool, cafeína, maconha, cocaína e outros) passíveis de originar um condicionamento ao vicio, na medida em que não souber lidar de maneira temperada com esses estímulos. Portanto, dizer não ao prazer e sim à dor são movimentos contrários à natureza animal, e, portanto, humana.
Assim, por que alguém diria não ao prazer? Por que alguém diria não às drogas? (aqui compreendidas como qualquer processo utilizado com a intenção de trazer prazer ou tirar a dor).

5 dez
Raves, boates, noitadinhas? Que nada, festa boa é festa caseira.
Ressaca moral e moderna é aquela que todo mundo vê, revê e deixa comentários.

Flashbacks – Cap. VI – Parte 3
Ta tudo em casa
Segunda feira Thiago recebe a mensagem; “festa na casa do Rafael nessa sexta. Traga bebidas”. Mais tarde no mesmo dia outra mensagem: “festa na casa da Natália neste sábado. Traga 1 caixa de cerveja mais R$ 15,00. Laricas e bebidas liberado”.
Logo o pensamento conclui; final de semana vai ser sinistro.
O assunto durante a semana, não poderia ser outro. Todo mundo animado comentando do potencial das festinhas e assim a semana parece durar mais que as outras, o que pra alegria já nitidamente visível de todos os convidados, só parece, pois a sexta feira chega, e até mais rápida do que se esperava.
Temporariamente a carta de alforria é dada pra todos e é hora de cair na putaria generalisada.
Pré
Sedento por alguma bebida alcoólica gelada, Thiago abre a geladeira e às 18 horas de sexta feira já começa a esgotar seu estoque de cervejas, compradas especialmente pra beber antes da festa na casa do Rafael.
As 18:27, toca a campainha e chega o Felipe, Caio, Juliana e Drica, que sorridente levanta na altura dos olhos de Thiago uma smirnoff citrus na mão esquerda e uma smirnoff preta na outra.
Thiago repara que a citrus já esta na metade, e com cara de que não esperava ouvir outra coisa, escuta a confissão de Drica em tom quase que infantil – não resistimos e viemos bebendo no caminho, você se importa?
Várias sacolas de mercado com outras bebidas estão distribuídas nas mãos da galera, que também seguram maços de cigarro recém comprados, carteiras, bolsas e chaves de algo que não é de um carro (na galera todo mundo anda a pé, de bus ou taxi [regra de sobrevivência pra bebedores assumidos]).
Todos sorridentes, se abraçam, falam merda ainda no corredor do apartamento e já entram empolgados como o Caio que vai direto pro som mostrar um cd com musicas novas que acaba de gravar.
Por volta das 00 horas, a pré-festa esta bombando com mais outras 9 pessoas que chegaram ao apartamento do Thiago, sendo alguns amigos íntimos e outros apenas conhecidos, mas como tudo é informal, todos trouxeram bebidas e chegaram no pique da primeira galera, então ninguém parece estar preocupado com nada, principalmente a essa altura, em que o pré-festa já começa a concorrer com a festa principal e já rola um deboche no ar - “festa do Rafael que nada, eu vou é ficar por aqui mesmo, huahauhaau”.
A sala do Thiago já virou pista de dança, de luz apagada e fumaça de tudo quanto é tipo de cigarro, legais e ilegais. Alguns casais já se formaram no canto mais iluminado da sala, ao lado da janela, onde alguns vão pra fumar, tentando não intoxicar muito o ambiente com suas fumacinhas cancerígenas.
Sons estranhos vindo do banheiro, fazem um grupinho se juntar no corredor de frente pra ele, com os ouvidos na porta, logo se afastam ao concluir que alguém deveria esta se pegando ali dentro. Ate que a porta se abre, uma luz vinda do corredor ilumina a sala por uns 10 segundo antes de se apagar e da escuridão surgir Julio voltando do banheiro, sozinho e com a cara molhada, de quem ao contrario do que se pensava, não estava se pegando com ninguém que não fosse o vazo sanitário – “não comi o dia inteiro” – diz Julio com aquela cara de quem acabou de vomitar e quase recebe a atenção devida da galera se não fosse a Drica parar o som e dizer em tom decepcionada – “acabou as bebidas galera e não são nem meia noite direito, sacanagem…”

3 dez
Flashbacks – Cap. VI – Parte 2
Famílias legalize

Se você tiver sorte de pertencer a uma família que previne irresponsabilidade e falta de consciência, justamente condicionando os que fazem parte desta, a lidar desde cedo com liberdade e conseqüências, sem duvida sua pista de decolagem será mais segura, moderna e independente. Não necessariamente ampla e autorizada pra todos os destinos, mas sim sólida, com sinalização e alertas claro e eficientes. Nesse caso, você pode estar me lendo bêbado, doido de ácido ou fumando um gostoso baseado tranquilamente no conforto do seu lar ou escritório, enquanto seus familiares dizem coisas como “me da um traguinho”.
Sem conflito, sem stress, sem drama, a harmonia reina, e se preocupar com alardes histéricos da mídia, sociedade e religiões, não parece fazer nenhum sentido quando todos são bem sucedidos no que se propõem a fazer tanto no trabalho, como nos estudos e na vida social.
Essa é a nova sociedade urbana, com famílias regidas pela confiança interna, com regras e cultura própria. Não é a sociedade que liga a TV pra saber o que pensar ou consulta um religioso pra saber como agir. Elas consomem vorazmente conteúdo, informação, opinião, mas não abrem mão do protagonismo e contextualização fazendo fluir o conhecimento por vias harmoniosas e não mais os conflitantes.
- Sente o vento batendo no seu rosto?
“No começo, fumava maconha em casa, escondido, sabendo a hora em que minha mãe chegaria. Um dia, ela voltou cedo e me pegou desprevenido”, conta Eduardo, 23 anos.
Na maioria das famílias, isso seria o início de uma crise. Não na de Eduardo.
“Ela percebeu e disse: Deixa eu dar um dois também’”.

2 dez
“Quero que as pessoas entendam
que sou como os outros.
Sou um da espécie humana
e deveria ser tratada(o) como
tal pela sociedade.
Não deveriam fechar-me numa caixa
com a etiqueta “x” ou “y”.
Flashbacks – Cap. VI – Parte 1
O paradoxo do tapa na pantera
Em 2006 o curta “Tapa na pantera” interpretado pela atriz Maria Alice Vergueiro obteve grande sucesso na internet em menos de uma semana, quando foi colocado no site do YouTube sem a permissão dos autores e por abordar de forma cômica um tema polêmico. Nesse curto tempo, o vídeo foi assistido por cerca de 235 mil internautas. O sucesso explica-se pelo humor contido no filme, como quando a personagem declara a seguinte frase: “fumo maconha há 30 anos, todos os dias, não pulo um, e não sou viciada…”
E quem já não cometeu um erro excêntrico de lógica como esse? Os exemplos são vários:
“eu bebo há 20 anos, só nos finais de semana, feriados, festinhas, e quando não tenho algo melhor pra fazer por tanto jamais serei um alcoólatra”
“eu bebo um litro de vodka sem problemas, e por isso estou livre dos males do vicio”
“eu fumo maconha todos os dias, principalmente quando tenho que pensar melhor ou lidar com processos criativos, por tanto a maconha não me atrapalha”
“eu tomo varias balas, vários doces e ainda bebo álcool pra caramba, tudo junto e não tenho uma overdose ou algum problema por misturar tudo, por tanto sei administrar essas substancias e quem morre por ai de overdose ou passa mal com a mistura de substancias, é um imbecil”
Se você se encaixou em algum desses pensamentos acima você já deu o primeiro passo pro condicionamento sutil a dependência dessas substâncias em seu cotidiano. Se você fica doido rápido, ou passa mal, parabéns. Seus alertas naturais estão funcionando e é bem provável que a primeira vista você seja naturalmente imune a dependência da substância provocadora do mal-estar.
Mas se você é do tipo “resistente” ao álcool e precisa beber mais do que todo mundo pra ficar bêbado, precisa tomar mais balas pra ter onda com o êxtase, precisa de mais ácido pra ficar imerso na lisérgia, precisa fumar mais ou constantemente pra ter uma sensação satisfatória, é certo de que seu sistema natural de alerta quebrou ou foi desativado por insistência e seu sistema de compensação esta a solta como um tarado excitado e viciado em sexo por sexo. Se isso não te incomoda à pergunta que você deve estar se fazendo agora é: “ué, se me dou bem com essas substâncias, porque devo ligar pra esse sistema natural de alerta que quebrou?”.

É simples. Esqueça o tarado deselegante e imagine que você seja um piloto de jato supersônico, tipo aqueles do filme “Top Gun - Ases Indomáveis”, só que enquanto você pilota esse super jato e fica hipnotizado com a paisagem, você não percebe que seu painel de controle esta totalmente inutilizado e você não sabe quanto ainda tem de combustível, a bussola gira desgovernadamente, não tem nada que meça sua altitude, nem nenhum instrumento que avise se você esta de cabeça pra baixo ou de cabeça para cima. A única certeza é que você já decolou.
A decolagem pode ser atraente e se pensamos um pouco semelhante, talvez você concorde que só a sensação de voar, já valeria o risco de decolar em um jato tão poderoso mesmo com seu painel de comando inútil.
Mas se parar pra pensar mais racionalmente, percebera que você já esta dependente de uma substância externa ao mesmo tempo em que você criou um lugar especial pra essa sensação de voou e que de tão especial, a vida vai ficando sem graça sem essa sensação novamente.
Não vou falar sobre os riscos diretamente de saúde, nem criminais, afinal viver tem um potencial enorme de riscos fatais. Então vamos decolar e admirar as nuvens passando ao seu redor, sem limites, sem destino, voar, voar…
1 dez

Excelente notícia para o carioca que aprecia o mundo surreal de David Lynch: de 8 a 20 de dezembro, a Caixa Cultural promove uma completíssima mostra sobre o cineasta, composta por nada menos que quarenta filmes. Estão programados não apenas filmes que Lynch dirigiu, mas também alguns que contam com sua participação como ator ou entrevistado, além de longas da sua filha, Jennifer Lynch, e filmes que de um modo geral influenciaram sua obra. O curador da mostra, Mario Abbade, conseguiu reunir todo o material que o cineasta já produziu para cinema e TV ao longo de sua extensa carreira. E o melhor é que boa parte desse material nunca foi exibido no Brasil. Amantes do bizarro, comemoremos!
Serviço:
Mostra David Lynch – O Lado Sombrio da Alma
Caixa Cultural (Cinemas 1 e 2)
Av. Almirante Barroso, 25 - Centro
Tel.: 21 2544-1019 (ao lado da Estação Carioca do Metrô)
Ingressos: R$ 4,00 e R$ 2,00
Conheça David Lynch
“O balbuciar de um bêbado”
Este parecer, dado pelo então professor da Universidade de Princeton, Albert Einstein, às obras de Karl Jaspers, foi a melhor maneira que encontrei de começar este artigo. Afinal, é assim que a maioria das pessoas se sente em relação a David Lynch, e é certamente a impressão que nos dá aos assistirmos pela primeira vez um filme dele. Esquisitices sem nexo postas ao acaso na narrativa. Não que não sejam também um pouco isso, mas as obras dele são bem mais profundas do que aparentam - um tema em si predominante nos filmes dele. Para começar, devo esclarecer que Lynch não é um surrealista (estigma essa tão freqüente e irritante quanto classificar Bresson como austero). O que temos em Lynch é uma constante busca pela ‘imagem diferente’; uma imagem arrebatadora e inesquecível, cuidadosamente trabalhada, e que, por vezes (mas não sempre) utiliza-se do surreal e do obscuro para causar impacto, e fazer-nos entrar no clima. Clima: essa sim é uma boa palavra para definir a obra do diretor.

30 nov

Johnny Depp narra vida de jornalista ‘maldito’ em novo filme documentário sobre o controverso Hunter S. Thompson entra em cartaz nos canais Cinemax e HBO.
Autor de “Medo e delírio em Las Vegas“, Thompson foi o criador do “jornalismo gonzo“.
Mesmo com um Oscar no currículo, o diretor Alex Gibney encontrou tantos obstáculos que quase desistiu de filmar seu documentário sobre o jornalista ‘maldito’ Hunter S. Thompson, ícone da contracultura americana. Com o suicídio de Thompson, em 2005, ninguém queria falar sobre suas experiências alucinógenas, que viraram marca de sua obra. A produção parecia uma missão impossível.
Até que o astro Johnny Depp entrou no projeto e conseguiu tira-lo do papel. Depp é o narrador de “Gonzo: The life and work of Dr. Hunter S. Thompson”, que acaba de entrar em cartaz nos EUA.
O ator agiu como embaixador do projeto na hora de conseguir entrevistas com outras celebridades e financiamento. “Johnny Depp tem uma empatia muito profunda com Hunter”, conta Gibney, cineasta do oscarizado “Taxi to the dark side”, em entrevista à Reuters.

Hunter S. Thompson foi o criador de um estilo de jornalismo conhecido como “gonzo”, baseado em impressões pessoais e em elementos da ficção. Seu estilo inspirou não apenas Depp, como gente do quilate do ator Bill Murray (que chegou a encarnar o escritor no filme “Uma espécie em extinção”) e do ilustrador Thompson Ralph Steadman, entre tantos outros.
Mas Thompson também é muito lembrado por seu consumo voraz e constante de álcool e drogas, presente em seu livro mais famoso, “Medo e delírio em Las Vegas” — adaptado para o cinema por Terry Gilliam, em 1998, com Depp no papel principal.
26 nov
Testemunha Ocular
por Lawrence Brennan

O inglês Lawrence Brennan, diretor-geral do selo Stiletto no Brasil, foi testemunha in loco da invasão psicodélica em solo britânico. Mod aos dezesseis, dois anos depois ele estava no centro da Swinging London, e todas as suas loucuras ele revela neste depoimento à Bizz:

O psicodelismo foi uma coisa bem diferente do que havia antes e do que houve depois. Eu diria que tudo começou com os mods, seus ternos, camisas abotoadas até o pescoço, calças Levi’s… O engraçado é que até que esta moda era bem parecida com a de hoje em dia. Era a youth culture, a “cultura jovem”, muito forte na Inglaterra. Um estilo de viver. A música desse movimento era o soul: Sam & Dave, Wilson Pickett, Otis Redding, Marvin Gaye, tudo da Motown/Stax. Os mods também tinham ligações com as drogas, principalmente a anfetamina. As pessoas tomavam muitas, dez, quinze, vinte às vezes. Lembro-me uma vez que estava usando sapatos novos – italianos, como convinham a um mod – e entrei em club chamado Sin (“Pecado”) por volta da meia-noite. De tanto dançar, quando saí, às seis horas da manhã, havia dois buracos nas solas de meus sapatos. O mod perdurou de 62 até 66, fins de 67. Foi quando surgiu um novo movimento.
A grande diferença era o LSD, pois tanto os mods como os hippies também fumavam maconha, devido ao contato com o s imigrantes negros, do Caribe. Este intercâmbio cultural prova que já havia dentro do mod uma semente do que viria a acontecer com os hippies. No início foi estranho: via amigos meus experimentarem ácido e, como não tínhamos muitas informações a respeito, rotulávamos de bichas aqueles que tomavam. Um grande amigo meu, Derrick, virou hippie logo no começo do movimento. Nos primeiros meses fiquei chocado, pois ele morava no mesmo local que eu e era uma coisa muito louca, as roupas, os cabelos compridos. O cara era um mod tipicamente machista, com um jeito de lutador e, pouco depois, estava usando flores nos cabelos, uma bata azul fosforescente. Eu não acreditva naquilo…

25 nov
Fazer um review da própria festa que ajudou a criar é no mínimo suspeito.
Mas assumo as suspeitas e lembro que estamos em um fórum ultra democrático. Então se minhas palavras forem inverdades ou demasiadamente fantasiosas, fique a vontade pra bater o martelo contra =]
Não sabendo que era impossível, foi lá e fez - Jean Cocteau

A SUBversos surgiu com o simples objetivo de unir pessoas que curtem um som psicodélico, mesmo sem saberem ao certo o que diabos é isso. Pois psicodelia não se defini. É sentida e compartilha. Não são rótulos que unem seres psicodélicos. Nem o local que freqüentam ou as roupas que usam, são capazes de sinalizar totalmente os amantes da psicodelia.
E sim a vontade louca de se aventurar, ser sonhador por vocação, realista por opção e acreditar profundamente que não precisamos de asas pra sair do chão.
Vamos então escolher um local pra unir essa tribo – e rodamos todo o Rio de Janeiro – Vamos transformar esse ambiente urbano em uma cápsula mágica – e só um verdadeiro artista, que ainda respira psicodelia poderia cumprir essa missão.
E o som?. . . Não poderia ser nada que nos lembrasse da música de radio. Nada que nos lembrasse dos ídolos da ultima semana. Nada que forçasse uma emoção plástica, com vozes angelicais, pianinhos e riffizinhos melosos. Nada que fosse básico demais pra ser decifrado ou complicado de mais que fosse chato … E assim, devidamente o espírito psicodélico possuiu de vez a mente dos DJs.

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