O Que é o Virtual?

Orion

A palavra virtual é usada frequentemente para significar ausência de existência. Para afirmar isso se faz uma assunção a idéia de que a realidade seria algum tipo de presença material e física externa a nós e que o Virtual não passaria de uma ilusão.

Segundo Levy o Virtual não é aquilo que se opõe ao real, mas sim aquilo que existe como potencia. Aquilo que ainda não é, mas carrega em si a potencia de vir a ser. Sendo assim o Virtual não se oporia ao Real e sim ao Atual. O Virtual é então o conjunto de forças e possibilidades que acompanha uma situação, ou objeto qualquer, sendo problema deste objeto/situação encontrar uma forma de fazer vir a tona toda a potencia que existe em si como possibilidade. Esse processo se chama atualização. O virtual não é, portanto, algo falso ou imaginário: tem uma existência própria e produz efeitos.

A Virtualização é o caminho inverso da Atualização. Enquanto a Atualização parte de um problema para uma solução, a Virtualização parte da solução para um novo complexo problemático.

A Virtualização traz consigo o conceito de não presença de desterritorialização, o Hipertexto por exemplo não está presente no espaço/tempo convencional, contudo ele acessa essa camada do atual, através de atualizações de si próprio, na forma de livros por exemplo. O professor da teleaula, está virtualmente presente na sala de aula, através de uma atualização da figura humana em vídeo.
Assim, facilmente de pode concluir que o virtual não é oposto do real, existindo um fluxo multi-direccional entre estes dois mundos: se, por um lado, se procura o real no virtual, por outro, o virtual transforma e complementa o real, “as fronteiras entre os dois mundos estão difundidas e interligadas”.

Levy fala ainda que são 3 as Virtualizações que fazem o Humano. A Linguagem, a Técnica e o Contrato.
A linguagem virtualiza um tempo real que mantém aquilo que está vivo prisioneiro do aqui e agora. A linguagem existe virtualmente, a palavra arvore não é a arvore em si, mas uma virtualização da mesma, virtualização essa que se atualiza na minha mente criando uma imagem mental da mesma. A linguagem nos coloca nesse espaço virtual que não é o das coisas em si, mas o da própria linguagem como virtualização das coisas.

A Técnica virtualiza a Ação. A Ferramenta não seria uma extensão do corpo, mais uma virtualização de suas ações, sendo assim a roda não é uma extensão da perna, mas uma virtualização do andar.
O Contrato é a virtualização da violência. Os rituais ,as religiões, a moral e a lei são dispositivos para virtualizar os relacionamentos fundados sobre as relações de forças, pulsões e instintos.

O Cinema é um artifício, uma ilusão que se quer real. As vezes ela se esconde, as vezes ela se mostra. “O Cinema pelo qual enrolamos o mundo real em um carretel para desenrolá-lo como um tapete mágico de fantasia”. Falando assim McLuhan propõe que a tarefa do escritor e do cineasta é fazer com que o espectador aceite a ilusão como real.

“O Cinema pelo qual enrolamos o mundo real em um carretel” é o mecanismo do artifício. “Para desenrolá-lo como um tapete mágico de fantasia” se refere a aceitação da ilusão como real, como se os espectador entrasse em um sonho lúcido do qual é observador e se quer participante.

Todo o conhecimento humano é uma agregação de descobertas não relacionadas, combinadas, recriadas e redescobertas, e assim é com as novas tecnologias. Pensar novas tecnologias não é nem esquecer nem propor um esquecimento de antigas questões do cinema. Novas tecnologias é olhar para o passado e pensar o futuro para re-escrever o presente.

Exemplo:

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Atualização

ATUAL –> VIRTUAL —> VIRTUAL

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Virtualização

Atual —> Virtual –> Virtual

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Peter Greenaway e o Novo Cinema (Montagem de Artigo com trechos de textos)

Existe um cinema desterritorializado, influenciado, hibridizado com outras formas de imagem em movimento, como o vídeo e a televisão. Libertado do conceito de cinema, é a imagem em movimento pura, que pode tanto contar histórias como criar telas pintadas ou conceitos. O cinema que tratamos aqui é o cinema realizado hoje em tecnologia digital por alguns grandes cineastas, em especial o inglês Peter Greenaway.

Peter Greenaway é um Cineasta, Autor e Artista Multimídia britânico. Os filmes de Peter Greenaway são notáveis pela presença de elementos de arte renascentista e barroca, uso de luz natural, compondo cada cena de seus filmes como se fossem pinturas. Greenaway vem construindo seu mundo ficcional enquanto um compósito de saberes, metáforas, alegorias, textos e linguagens, cuja organização, rigorosamente feita de simetrias e ordenações taxonômicas, é implodida por uma lógica intrinsecamente desordenadora e absurda.

Greenaway sempre trabalhou com o cinema tradicional, película, de forma não convencional, e com a ferramenta da tecnologia digital viu suas possibilidades de experimentação ampliadas. Em 2003, Greenaway iniciou o projeto 92 Tulse Luper, que incluiu uma apresentação ao vivo com sua mesa de plasma onde editava o video ao vivo, um site interativo e um filme cinematográfico. Novas questões são colocadas ao espectador por estes artistas. São imagens fixas ou em movimento? Que estados intermediários existem entre movimento e imobilidade, analógico e digital, o olho e a mão? O movimento e o tempo deixam rastros, se tornam visíveis?
Para ele, as sofisticações da estética da pintura nos últimos dois mil anos moldaram a nossa visão e interpretação do mundo, continuando da mesma forma até os dias de hoje. Ele diz sempre ter desejado que o cinema assumisse essa responsabilidade, mas este infelizmente raramente conseguiu, por ser um meio essencialmente baseado no texto, e não na imagem. Segundo Greenaway, a necessidade de contar histórias, de reproduzir as atividades de uma livraria e de atrair o denominador comum menos exigente dos interesses humanos fez com que o cinema sempre mantivesse esse posicionamento. Para ampliar o potencial de comunicação desses elementos e com a esperança de disseminar sua empolgação com a linguagem visual, ele empenhou-se em mostrar suas idéias em arenas mais públicas e conhecidas, em especial a narrativa do cinema. Muito embora, segundo ele, explorando narrativas mais sofisticadas e radicais.

O cinema de Peter Greenaway é um cinema que vai diretamente contra o ideal naturalista, ele não se omite enquanto discurso. Ele não tem a pretensão de se definir como janela para o mundo, ao contrário, faz questão de se colocar como discurso criador de uma outra realidade. Greenaway é o mestre do artifício, um falsário assumido.

Segundo Ivana Bentes o cinema surge em Greenaway como a virtualização de todas as artes, sobrepondo-se este olho estruturador e enciclopédico a qualquer desejo narrativo.