Sun in your head
12 ago
Estou postando aqui a discussão que o Tópico “O Vazio Transcendental” gerou na comunidade do Orkut “Enteógenos sem Dogmas”. Obrigado pessoal pelo ótimo feedback.
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Rafael
Legal o texto…
Terence McKenna disse duas frases sobre isso que eu concordo muito…
Pessoas verdadeiramente estúpidas não se interessam por psicodélicos porque não conseguem compreender do que se trata
Quanto menos inteligente você é, menos desafiadora a experiência psicodélica se torna, porque menos capaz de vislumbrar as implicações dela você é
Estou de acordo com o que o brother chamou de vazio transcendental. Eu diria que esse vazio é a abstinência da experiência imediata com a manifestação do sagrado no aqui e agora. É algo que a nossa cultura tirou de nós através de um longo processo histórico, que tende a colocar a validade da experiência direta do indivídoo sempre em segundo plano, seja através de religiões, instituições midiáticas ou científicas. Tudo isso se trata de uma terceirização da experiência do indivíduo, que não mais vê o sagrado ou o mecanismo da natureza através da sua própria vida, mas sim através de crenças em autoridades.
Nem precisamos ir até a experiência psicodélica para verificar esse tipo de superficialidade intelectual sobre a realidade, reinante na nossa sociedade. Basta observar nossas instituições de ensino, que forma biólogos que nada sabem sobre a vida e psicólogos que nada sabem sobre a psique. Como escreveu Aldous Huxley:
Literária ou científica, liberal ou especializada, toda nossa educação é predominantemente verbalista e, pois, não consegue atingir plenamente seus objetivos. Ao invés de transformar crianças em adultos completamente desenvolvidos, ela produz estudantes de Ciências Naturais que não têm a menor noção do papel promordial da Natureza como elemento fundamental da experiência; entrega ao mundo estudantes de Humanidades que nada sabem sobre a humanidade, seja ela a sua ou a de quem mais for.
Todo nosso sistema de ensino é um grande mecanismo para a formação de reprodutores de conteúdo, e não de conhecedores e desenvolvedores do conteúdo. Tem uma grande diferença aí, que é justamente um dos eixos pelo qual a experiência psicodélica trabalha: a reinvidicação da compreensão autêntica através da experiência direta.
O “vazio transcendental” é o espaço em nós que precisa ser preenchido pelo senso de autenticidade da experiência direta. É a fome do espírito, buscando alimentar-se através do corpo. É o motor da motivação humana pela transcendência.
Acredito sim, que todos nós temos capacidade para fazer isso no contexto das nossas próprias vidas - desde que nos esforcemos para tal, como com qualquer coisa na vida. Mas a cultura pela qual se ergueu a nossa sociedade se trata de um tremendo mecanismo contra o desenvolvimento da inteligência; contra a compreensão autêntica que flui da nossa experiência direta no mundo. Assim, podem existir pessoas - e de fato existem - que passam por experiências verdadeiramente grandiosas mas tiram muito pouco ou nenhum proveito disso para suas vidas, simplesmente porque a coisa é tão doida em relação às concepções ordinárias da pessoa, que ela simplesmente fica confusa e não consegue contextualizar o conteúdo, decifrar suas significações e vislumbrar o tipo de questão que pode ser levantada a partir daí. Mas “não consegue”, justamente porque não se esforça pra isso, não desenvolve esse potencial por estar acostumado a delegar a responsabilidade pela compreensãio de mundo a autoridades terceiras; o que e chamo de “terceirizar a experiência”.
A experiência psicodélica por nos levar a pleni-consciência deve ser recebida de uma forma mais passiva e o vazio transcendental é exatamente essa vacuidade, a ausência das roupagens que criamos para a experiência em sí.
Só nesse estado é que se adiquire o conhecimento perfeito, o conhecimento que não passa pelo jogo dualista do sujeito-objeto, mas a sabedoria que vem da unidade com a nossa essência.
A experiência psicodélica por nos levar a pleni-consciência deve ser recebida de uma forma mais passiva e o vazio transcendental é exatamente essa vacuidade, a ausência das roupagens que criamos para a experiência em sí.
Só nesse estado é que se adiquire o conhecimento perfeito, o conhecimento que não passa pelo jogo dualista do sujeito-objeto, mas a sabedoria que vem da unidade com a nossa essência.
Tudo bem, mas repare no paradoxo intrínseco à sua formulação….o que você está fazendo com ela senão justamente aplicando uma roupagem à essa experiência transcendetal, e assim a trazendo inevitavelmente para o jogo dualista?
Esse é o paradoxo da linguagem, sempre buscando apontar para algo que está além dela própria. Limitando o ilimitado. Como meu brother Danyel disse uma vez: “falou, já tá errado!”
… E é a pura verdade, porém, daí não podemos saltar à crença de que a linguagem e os nossos modelos de interpretações são inúteis. É evidente que nenhum modelo pode alcançar a realidade absoluta daquilo que está modelando, mas eles continuam sendo referências muito úteis, desde que tenhamos consciência disso e não tomemos o modelo pela verdade, assim como não podemos achar que ver uma foto de um local é o mesmo que estar nesse local. Mas ainda assim as fotos são úteis, não é? Tanto como um link para a memória da experiência quanto como uma referência para aqueles que não conhecem o local fotografado.
Citando mais uma vez Aldous Huxley…
As palavras são os fios com os quais tecemos nossas experiências
Tive que fazer isso para emitir um parecer sobre a questão, cair em paradoxo ao falar da experiência transcendental não é dialética furada, é até natural que isso aconteça já que não é possível limitar em conceitos a mesma, algumas escolas sacaram isso e criaram os koans e outras tantas frases absurdas que visão quebrar a linearidade da mente.
O tio Aldous também se referiu a isso quando disse que se recebecemos o raio da totalidade, seríamos aniquilados já que individualidade pressupõe limitação. Como a palavra é a arma do intelecto tenho que tentar forçar a barra da linguagem para que ela expresse o sagrado, a poesia tenta isso com toda as suas figuras de linguagem, o símbolo é mais perfeito já que abre um espectro maior de possibilidades interpretativas.
O conhecimento perfeito é a aniquilação do criador da ilusão separatista, que divide o Eu e o mundo, o conhecimento utilitário baseado na dualidade é imprecindível para o viver em sociedade mas dispensado em um transe no vazio transcendental do sí mesmo.
Eu concordo que no meio de uma experiência transcendetal não há necessidade de palavras, modelos ou sistemas. Tudo isso se torna trivializante diante da experiência, assim como, voltando a analogia que fiz anteriormente, uma foto seria trivializante para aquele que já está no local fotografado. Quem iria querer admirar uma foto do próprio local em que já se encontra? Quem iria querer ler uma descrição sobre o que é o vazio da mente enquanto experimenta próprio o vazio da mente? A experiência sempre trancende qualquer tipo de modelo, mas o fato é que, como vc mesmo disse ao citar Huxley, não suportaríamos viver com a percepção integralmente aberta à totalidade o tempo inteiro, por isso nosso sistema filtra boa parte delas para formar nossa percepção ordinária do cotidiano. E nessa experiência ordinária, que é o estado de consciência que passamos a maior parte do tempo de nossas vidas, eu penso que os modelos são muito úteis, assim como a fotografia é muito útil quando não se está no local fotografado. É através desses modelos de linguagem e intelecto que nós trazemos alguma coisa, mesmo que ultra-limitada, daquela experiência com o inexprimível, para nossas vidas cotidianas.
É claro que podemos ir ainda mais a fundo e dizer que o vazio transcendental tem origem no espírito humano, e que a busca pelo preenchimento é a nescessidade do homem ir de reencontro a sua essência.
Isso é o que chamo de Vazio Transcendental.
Som a fusão com a consciência universal eu acho que é a natureza da busca. Acho que todos nós acreditamos que ao atingir este estado teremos chegado no ápice do caminho.
Mas quando voltamos é como nascer, o buraco é esvaziado novamente, só que agora ele está menos fundo.
Dá pra ir longe nas teorias sobre o vazio transcendental, pq é algo que nós todos temos em comum. Que toda humanidade tem em comum.
Depois de definirmos o que é, podemos analisar como ele afeta a personalidade, percepção e comportamento do indíviduo e das massas.
As Igrejas são a prova viva de que este buraco na alma existe.
Acho que dentro do reino material essa é a mais distante experiência de consciencia intensificada que podemos experimentar, a primeira das muitas vindouras… rs
Já aquilo que transcede o materiall e que pode ser a origem esquecida que gera o buraco que iremos vir a tentar preencher, eu não sei o que pode ser, pode ser que os estados trancendentais estejam gravados em nossa composição por sermos feitos de partículas cósmicas, pode ser que tenha ligação com o espírito não criado adormecido no interior de cada homem, pode ser que seja um mecanismo de defesa diante do absurdo da existência e da finitude, pode ser a lembrança do mundo espiritual, pode ser a realidade espiritual suprimida pela sociedade, pode ser que por sermos um microcosmos ele tende a atingir a autoconsciência assim como macro tende, sei lá façam suas apostas…. rsrsrs
Consideranto esse fato, não seria como se resgatássemos o acesso espiritual ou o acesso da consciência em uma fonte de energia de onde nós todos viemos?
Digo isso baseado no pouco que li sobre Amit Goswami com a teoria de todos nós fazermos parte de uma consciência coletiva(Todos Somos um Só).
Considerando os dois fatos anteriores (o DMT que preenche esse vazio/Morte), e o (Todos Somos um Só), o papel do psicodélico é dar esse gostinho de não se estar vivo somente aqui na terra e se sentir em casa longe da nossa casa material?
Se sim, quem já esteve nesse tipo de experiência não acabou tapando esse buraco?
Concordo plenamente com vc, especialmente levando em conta o segundo parágrafo que colei. Dentro do reino material, provavelmente a experiência mais imaterial possível é a de um feto. Talvez possamos estender isso para o lado oposto e dizer que o momento pré-morte também fornece esta experiência (e talvez os estados psicodélicos e meditativos mais profundos também, mas nesse caso são induções). Pois esses são os estados fronteiriços entre o material e o imaterial; nossa chegada e nossa partida. Porém, só o fato dessa experiência existir através do filtro biológico da percepção e do cérebro já nos mostra que ela não pode abranger a totalidade do reino transcendental, pois esta existe justamente no reino de pura potencialidade entre a chegada e a partida do organismo; no silêncio que é a origem e o fim de todas as coisas; a eternidade que sustenta toda essa transitoriedade em que vivemos.
As Igrejas são a prova viva de que este buraco na alma existe.
E também de que isso vêm sendo muito mal abordado …hehe
Como disse Jung: “A religião é uma defesa contra a experiência religiosa”
Uma Resposta para "O Vazio Transcendental “Feedback”"
mt bom ver como o povo tah usando o orkut d maneira construtiva…
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