DANÇA DO AUSENTE
Você começa Dançando e acaba Dançado…

A Dança do Ausente é uma Dança Mística que acontece durante a Experiência Psicodélica quando o sujeito atinge um Estado de Consciência Expandida Ayakamanakam (Ex: Transe Psicodélico). Ela se caracteriza pela ausência, total ou parcial, de consciência do sujeito em relação aos movimentos do corpo. O controle dos movimentos é então assumido pela música ou pela própria experiência. Podemos dizer que na Dança do Ausente você não dança a música, a música que dança você.

Para entender melhor como funciona a Dança do Ausente é preciso entender o significado de dançar. O que nós entendemos por dançar é se movimentar coodernadamente de acordo com o ritmo, melodia e estrutura de um som. Quando programamos esse movimentos para seguir uma sequência lógica e coerente com o som isso se chama coreografia. A Dança também pode ser uma série de movimentos descodernados em oposição a estrutura rítmica da música, mas, por mais que isso seja rebelde você ainda está dançando. Pode acontecer durante uma dança programada, que você entre em uma espécie de transe em que os movimentos que você aprendeu, e está acostumado a dançar, fluem naturalmente sem que você precise se antecipar a eles e direcionar sua intenção em realizar-los. Isso ainda não é a Dança do Ausente, é Automatismo. Apesar de aparentemente você estar fora do controle, o seu subconsciente está no controle respondendo de forma automática ao estímulo da música, fornecendo os passes que você já aprendeu anteriormente. Há uma intenção inconsciente ou pré-consciente acontecendo. Esse Automatismo costuma acontecer depois de muito ensaio, parece mas não é…

Dança do Ausente

Para existir Dança do Ausente não pode haver Intenção. Enquanto uma dançarino normal comando o seu corpo, o Dançarino do Ausente não concentra a intenção em seus movimentos, isso porquê a Dança do Ausente não acontece fora, ela acontece dentro.

O Dançarino do Ausente está em transe. Ele está explorando os diversos níveis de consciência do Espaço Externo que existe no Interior de sua mente. Ele não está preocupado em realizar algum movimento, os movimentos surgem naturalmente como reflexo de seu estado mental. O corpo do Dançarino é que está sendo dançado, enquanto a consciência livre transcede os limites do espaço e tempo.

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Dança do Ausente Acontecendo:

“Quando eu estou em estado de transe, eu não penso sobre como fazer qualquer coisa ou o que eu posso fazer. Eu sou a ação. Assim, se eu estiver dançando, eu sou a dança.” (Autor desconhecido)

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A Dança do Ausente acontece sob dois pontos de vista: Um é o ponto de vista do observador, isto é, eu observando alguém sendo dançado. Neste caso o que eu estou vendo são movimentos que refletem o estado mental do dançarino. Deste ponto de vista posso perceber que não há intenção nos movimentos do dançarino que muitas vezes parecem descordenados.

O outro ponto de vista é o do Dançarino. O Dançarino do Ausente está sendo dançado na realidade externa e Dançando no seu mundo subjetivo. Pode estar experimentando o fluxo natural do planeta ou girando em harmonia com o universo, pode estar explodindo em caleidoscópios multicoloridos. Ele também pode estar experimentando a fusão com a música. O Fato é que seus movimentos serão sempre reflexos de seu estado mental, e se ele estiver experimentando subjetivamente o vácuo universal os seus movimentos poderão ser tão minimalistas que serão quase imperceptíveis.

No mundo subjetivo do dançarino do ausente, pode estar acontecendo muitas coisas, Mas existem certas situações que são características, A Fusão PsicoMúsical é uma delas…

Shakalaka-Lá

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Fusão PsicoMúsical é a fusão da consciência com a música. Na Dança do Ausente os movimentos do corpo são reflexos não intencionais do estado mental do Dançarino. Quando esses movimentos expressam a fusão da consciência com a música temos o Shakalaka-Lá.

Shakalaka-Lá é o movimento que acontece quando a consciência se torna a música.

Quando acontece o tornar-se o som, a música assume o controle do corpo do dançarino e seus movimentos expressam a mais profunda harmonia com a música. É a parte mais bonita de se ver para um observador. Parece até que é o dançarino que está fazendo a música sair de seus movimentos, mas é a música que está fazendo os movimentos saírem de seu Dançarino.

Vou ser muito mais específico, olha bem o vídeo abaixo.

Do meio para o canto direito da tela tem uma menina de barriga de fora com algo parecido com uma cartucheira e um rapaz de blusa preta entre eles tem uma Garota de Bikini e saia com o detalhe de um lenço azul, ela está dançando. O Shakalaka-Lá acontece exatamente aos 10 segundos deste vídeo.

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Enfim uma vez que você está ausente e ocorre a Fusão PsicoMúsical, a música assume naturalmente o controle de seus movimentos e o Shakalaka-lá acontece…

A Dança do Ausente é a dança como um todo, caracterizada pelo fato de a pessoa não mais assumir o controle da dança, mergulhando em seu interior e se ausentando da realidade externa… Durante a Dança do Ausente pode acontecer ou não Fusão PsicoMúsical. Quando ocorre a fusão temos o Shakalaka-lá…

Os Shakalakas-lá são os movimentos automáticos não intencionais produzidos pelo corpo durante a dança do ausente. Esses movimentos podem ser controlados pelo guia do ritual através do uso da música…

O Shakalaka-lá é o Sintoma da subordinação do ego a música. Porquê Sintoma? Porque quando a consciência se torna a música a manifestação física disso é o Shakalaka-lá.

A principio qualquer música pode dançar alguém na ausência, mas existem músicas que foram feitas especificamente para isso, O trance psicodélico é uma delas, o rock psicodélico é outra, Chill out também, qualquer tipo de música psicodélica serve para provocar Shakalakas-lá…

O Silêncio também, ao se parar para escutar o silêncio quando você finalmente perceber as nuances do silêncio você já estará spaced out ou irá notar que esteve spaced out até aquele momento…

Quando a dança do ausente está acontecendo com alguém, podemos dizer que “Fulano está sendo Dançado no Ausente”.

Quando temos um Shakalaka-lá podemos dizer que “Fulano está expressando seu Shakalaka-lá”.

Shakalaka-Lá, esse lá está indicando um lugar, esse lugar é o “Outro Lado” ou como é conhecido por nós Ayakas, Ayakamanakam. Isso significa que você está expressando um Shakalaka Lá no Ayakamanakam.

Por isso que no Plural não se fala ShakalakaLás e sim Shakalakas-Lá.

Shakalaka aonde? Lá!, No Outro Lado.

Shakalaka-Lá

Shakalaka-Lá Subjetivo

Uma variação do Shakalaka-Lá é o Shakalaka-Lá Subjetivo que expressa a interação do Dançarino com realidades internas ou mirações. Essa variação do Shakalaka-lá é bastante comum e pode acontecer com fusão Psicomúsical ou não. Quando há Fusão PsicoMúsical a música costuma se tornar o cenário, universo ou realidade que o Dançarino está interagindo.

Como Chegar-Lá

Ninguém chega no ausente imediatamente após começar a dança. Ninguém entra sendo dançado, todos começam dançando.

É claro que há excessões, quando você utiliza algum sacramento psicodélico por exemplo, você pode ser subitamente jogado na ausência e expressar mil Shakalakas-Lá por minuto.

Mas o ideal é Chegar-Lá naturalmente e isso é possível.

A Dança do Ausente tem 6 níveis:

1-Aeroporto

2- Decolando

3- Baixa Gravidade

4- Externo Interior

5- Fusão PsicoMúsical

6- HiperEspaço

Quando você entrar no Aeroporto você deve deixar seu ego em casa e se concentrar na música, se ele vier contigo, você deve calar a boca dele, o que equivale a calar seus pensamentos. A Partir daí você deve se mexer, movimente seus membros aleatoriamente sem se preocupar com a música que está tocando, quer dizer, você deve estar concentrado na música e ao mesmo tempo descompromissado com ela, apenas se mova naturalmente, livre seus movimentos de qualquer intenção, apenas deixe fluir. Aos poucos você começará a entrar naturalmente em harmonia com a música, quando isso acontecer você estará Decolando.

Vídeos de pessoas no Aeroporto:

Aeroporto 1

Aeroporto 2

Aeroporto 3

Se você estiver Decolando deixe fluir, esqueça que existe um mundo ao se redor e se despreocupe de qualquer olhar, Flua como se ninguém estivesse te olhando. Você é um barco a vela e a música é o vento, deixe ela te guiar. Concentre-se no movimento de suas mãos, quando elas parecerem estar em câmera-lenta você entrou na dimensão da baixa gravidade.

Dance como se ninguém estivesse te Olhando!

Dance como se ninguém estivesse te Olhando!

Na Baixa-Gravidade tudo parece estar em câmera-lenta, a sensação é de estar flutuando. Um efeito visual muito notável é o Efeito Bruce-Lee. O Efeito Bruce Lee consiste em ver o rastro deixado pelos movimentos. Na verdade o que você está vendo é o movimento completo.

Um segundo de imagem em movimento é formado por 24 Frames (Imagem fixa). Como sua pupila está dilatada seu olho recebe mais luz, o que traz definição à imagem e como seu cérebro está acelerado você capta mais frames por segundo. Como você captou, digamos, 100 frames em um segundo, esse mesmo 1 segundo que você captou será visto por você em 8 segundos. Isso causa o efeito do slow motion e é exatamente o mesmo mecanismo usado pelas câmeras de cinema.

A partir daí tudo acontece muito naturalmente e rapidamente. Você é sugado para o Externo Interior, que é nada menos que o Universo MicroCósmico de nossa mente. Ao cair no Externo Interior ocorre a Fusão Psicomúsical já bem discutida aqui, e logo você parece estar alinhado com a música, o movimento da terra, a rotação da galáxia e tudo mais, você tem a sensação de UNO e de ser parte de um TODO. Do lado de fora seu corpo expressa a totalidade da música.

Daí para ser sugado para o HiperEspaço é um mergulho.

É claro que nem sempre você irá alcançar os 6 níveis, nem irá alcançar todos ao mesmo tempo, nem sempre eles se manifestarão nessa ordem também, mas você pode se divertir e transceder em qualquer um dos níveis…
HiperEspaço

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Depoimento do Ausente por Grão Wonka

Wonka tomando um Doce
Perfil Wonka

Venho dividir uma realização mto incrivel com voces.

É um relato de uma “técnica” mto interessante para se ausentar na dança, simples e prática, com a qual tive contato há pouco tempo.

Em um festival, em uma dessas tendas new age ( explosão ), pratiquei uma técnica de meditação que consiste na vendagem dos olhos.

Uma vez vendadas, as pessoas seguem dançando uma série de sons tribais que o “guia” da meditação põe pra tocar. Ele também segue em círculo pelo grupo soprando fumaças de ervas xamânicas ( explosão ) para ajudar na concentração ( ou desconcentração ? ) das pessoas.

O ritmo dos tambores fica cada vez mais acelerado e as pessoas vão mergulhando cada vez mais num frenesi hipnótico ( explosão ).

Parece que não, mas é SINISTRO segurar a barra de não poder abrir os olhos. O trabalho todo dura mais de 90 minutos, e às vezes a idéia de abrir os olhos é tentadora. Mas você não consegue, a venda está lá para garantir isso.

Esse é o grande lance. Eu achava que dançando de olhos fechados eu mergulhava em mim mesmo. Acreditava que eu me ausentava. Mas eu sempre podia voltar a abrir os olhos assim que quisesse. E bem ou mal, você não perde totalmente o senso de direção. Os olhos, mesmo fechados, continuam a perceber a luz.

Eu só me enganava.

Com a venda é diferente. Nenhuma luz atravessa. Não há nada para se guiar. Você não pode piscar, espiar, nada disso. Você assume a missão de se ausentar. Por mais que você não queira, uma hora a ausência se apossa. Ela te força a se entragar ao máximo, ir até o limite da capacidade de estar spaced out.

As vendas me abriram os olhos para esse fato.

O desafio de estar consciente de si, mesmo ausente, durante a dança com venda não é nada se comparado com o fato de que mais que estar consciente de si, é necessário estar também consciente do outro.

As pessoas, mais perdidas que cego em tiroteio, se esbarram ( explosão ), e cada contato com um próximo é um convite à re-conscientização cega de si, do espaço, e das pessoas nesse espaço. Surreal !

Às vezes eu chegava a temer a insanidade, achava que era uma armadilha. Que o “guia” da prática não passava de um lunático que queria tirar sarro dos outros, mandando que nos vendássemos para depois fugir e nos deixar alí pagando mico na tenda. Ou que o som alto dos tambores no rádio não passava de instrumento para que eu não percebesse que as pessoas tinham saído de perto e se postavam longe, rindo de nós ( ou pior… de MIM (apenas) ).

A sensação no fim das contas é que você fez tanto esforço para existir na escuridão, que é como se você não existisse mais ( explosão ).

O mais legal foi voltar para a pista de dança do festival no dia seguinte, transformado.

De fato, a pista é muito ego.

Eu adoro ver as pessoas dançando, adoro admirar gente bonita, adoro reparar na decoração. Tudo ego. Tudo masturbação.

Admirar-se não deixa de ser uma atividade tão egóica quanto enojar-se. O limiar da bondade pelo que te cerca é muito sutil, próximo demais do da maldade, quase insustentável.

Nesse dia eu vi que eu tinha e tenho muita travação. De olhos abertos eu deixava aberta a porta para uma série de preocupações. Fechando os olhos eu encostava a porta, mas qualquer vento podia escancarar a entrada outra vez.

A venda trancou tudo isso. Nunca me sentí tão seguro, tão guardado.

Por isso compartilho essa experiência e vos encorajo: VENDAI-VOS !

VENDAI-VOS E SINTAM AUSÊNCIA NA DANÇA, NÃO A AUSÊNCIA DE DANÇAR COMO SE NINGUÉM OLHASSE, MAS A AUSÊNCIA DE DANÇAR COMO SE VOCÊ MESMO NÃO PUDESSE OLHAR.

ayakamanakam-bandeira