Rave como ritual? Como pode?

Posted by Renan Reis on fevereiro 1, 2009 | 1 Comment

Muito vem se discutindo sobre como uma rave representa uma prática “religiosa”. Não há presença de entidades específicas à cultura eletrônica, templos, nem práticas ritualísticas próprias. A manifestação espiritual das raves funciona dentro do contexto de um sincretismo religioso, este que é a união de diferentes elementos de diferentes religiões para construir algo único. Sabe-se que a raves psicodélicas surgiram na Índia para serem uma ferramenta de ritualidade onde os instrumentos musicais orgânicos seriam substituídos por sintetizadores eletrônicos, o “xamã1″ seria o DJ (pois este é o que guia os praticantes dentro daquela realidade própria), os enteógenos2 gradualmente vão sendo sintetizados, etc.

O que uma rave se propõe a fazer (ao menos em sua essência) é colocar o indivíduo em contato direto com outro aspecto da realidade, o mesmo é feito nas práticas xamanísticas. A diferença entre entrar em contato com “outra” realidade e um rito é que neste existe um objetivo. Poderiam falar que este “contato” é feito por intermédio de psicoativos e isso retiraria a validade do rito. Isso não procede, pois independente da forma que se alcança tal contato (que não é feito somente por psicoativos), existe um propósito e uma ordem de funcionamento. O propósito das raves provocarem este contato é “equalizar” as mentes dos indivíduos nesta realidade, provocando a experiência da união, da paz, do conhecimento fantástico e do contato direto com as forças esotéricas3 da Natureza. Já por “ordem de funcionamento” podemos observar a repressão pelo uso irresponsável de psicoativos, falta de comportamento perante as pessoas e a Natureza, desacordo com o “espírito essencial” das raves, ou, em outras palavras, fanfarrice.

Vale salientar que o rito pode ser ou não praticado. Dentro da cultura eletrônica a defesa da liberdade de opinião e de ideologia é assídua, dessa maneira, você pode considerar as raves como um rito ou como uma festa, ou até os dois ao mesmo tempo. Está aí a raiz da natureza híbrida das raves. Como causa do hibridismo das raves temos a soma entre a cultura hippie, elementos xamanísticos indianos, hinduísmo, introdução da música eletrônica (principalmente o trance europeu) em um contexto (no caso, o estado de Goa - Índia - nos anos 80).

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