O que Psy-Trance tem a ver com mandalas?
Posted by Renan Reis on março 15, 2009 | 3 Comments
Não poderia deixar de dividir com os leitores este vídeo super interessante que encontrei na internet. Trata-se de um experimento com ondas sonoras e seus efeitos na matéria.
Assistam ao vídeo: Sound Wave
Como podemos ver, diversas formas são feitas no sal, principalmente as formas geométricas encontradas na estrutura das mandalas.
As mandalas são uma representação geométrica da relação do humano com os cosmos, é o arquétipo visual do retorno à unidade em um espaço delimitado, simbolizando o espaço sagrado onde podemos encontrar o divino. Eis o motivo da construção de templos serem baseados na forma de mandalas, pois ali se fará a conexão com o sagrado e será um espaço livre dos pecados do mundo ordinário.
Ora, como podemos ver no vídeo, o som tem a capacidade de modificar a organização da matéria (mesmo em níveis atômicos). Se formos investigar a menor das partículas, iremos chegar na teoricamente existente partícula de bóson (ou partícula de Deus). Sua forma de interação e organização é completamente incompreendida pelos cientistas. Aparentemente existe uma forma de inteligência que as organiza de modo a estrutura-las e assim irem criando as partículas que dão forma à matéria.
E porque as ondas sonoras têm o poder de organizar as moléculas? As ondas sonoras têm a capacidade de vibrar as moléculas, com essa vibração o som força as partículas a se moverem de acordo com a frequência da onda, de modo a reorganizá-las dentro da estrutura desta frequência. Sem cotar que o som pode influenciar a matéria de outros modos, como aumentar a temperatura da mesma.
Existiria então uma relação entre as freqüências sonoras e a geometria mística das mandalas? Possivelmente sim, poderíamos cogitar que o mundo material no qual vivemos seria uma ressonância de outro aspecto da realidade, sendo sua forma uma conseqüência das vibrações advindas de outro lugar. Mas isso não passaria de uma suposição com nenhum valor científico de modo a fazermos conclusões.
Mandalas, formas geométricas e som. O que podemos pensar a respeito? O que isso pode dizer sobre música e arte? E além, o que isso pode nos dizer sobre consciência e raves?
Para se fala da relação entre a arte e a consciência, devo antes de tudo dar uma definição da arte que tenta representar a consciência. A arte visionária pode ser definida de um modo bem simples: representação plástica do resultado de experiências de expansão da consciência. Esta forma de arte é muito presente nas raves, vão desde formas geométricas como desenhos de divindades. O que me interessa aqui são as formas geométricas.
Talvez possamos encontrar uma relação direta entre esta forma de arte plástica e o Psy-Trance. Já estamos cansados de ouvir dizerem que o Psy-Trance é uma forma de expansão de consciência através da música, que isso tem relação com as freqüências sonoras e afins. Conclusões nesse momento seriam precipitadas, pois teríamos que analisar cientificamente a relação entre o som e a estrutura cerebral. Mas ainda assim, podemos imaginar que as formas geométricas desenhadas pelo som têm uma relação direta com a música e que esta daria sentido e harmonia para estas formas.
Entende-se como “sentido” aquilo que queremos transmitir pela música, e “harmonia” a relação equilibrada entre aquilo que queremos transmitir e a arte musical. Podemos encontrar aí a forma de linguagem da música eletrônica. Essa linguagem que é representada nas artes plásticas e misticamente compreendida através das mandalas.
Como falei, mandalas são “arquétipos visuais do retorno à unidade em um espaço delimitado, simbolizando o espaço sagrado onde podemos encontrar o divino”. Para compreender melhor, entenda por “divino” como “existência”.
Talvez possamos compreender o Psy-Trance de uma maneira semelhante às mandalas. Poderíamos compreendê-lo como um arquétipo sonoro do “retorno à unidade”, uma musicalidade que nos denota a consciência do divino, ou, da existência.
Tags: Mandalas, Psy Trance, Som