Deus realmente existe?

Posted by Renan Reis on fevereiro 12, 2009 | 5 Comments

Essa pergunta pode permanecer o resto da história sem resposta. Afinal de contas, nos parece que provar a existência ou não de deus seja uma tarefa impossível para a mentalidade humana. Temos os argumentos das ciências naturais, sociais e teológicas, porém nunca encontramos um consenso. O máximo que podemos fazer é encontrar diferentes formas de se ver deus, entretanto, estas diferentes “formas” servem para justificar, ou, legitimar uma maneira de pensar e observar o mundo. Quase todas estas visões, por defenderem uma perspectiva específica da realidade, são ou carregadas pelo antropocentrismo ou o seu oposto, o que prefiro denominar de “homem marginal”.

Eu prefiro trabalhar com dois conceitos, ou princípios, de deus. O primeiro é aquele onde deus é um “ser” (o que seria filosoficamente impossível) além de qualquer coisa existente e que tenha o poder de gerir a realidade, apesar de que, por ser consciente tem o poder de decidir em gerir ou não a realidade. O segundo é a visão de deus como a totalidade das coisas, o absoluto presente e manifesto em toda a existência. Dependendo da filosofia que defende esta “morfia” de deus, este pode ser um controlador ou não das coisas.

Ora, como alguém poderia afirmar se deus é uma coisa ou outra? A princípio, deus somente “é”, a manifestação do verbo! Entretanto, por ser universal ele deveria ser manifesto a todos os indivíduos sensíveis a sua presença (o que exclui os seres que não possuem consciência), porém podemos observar em cada canto da Terra que o modo de observar deus varia.

A princípio, todas estas diferentes formas de se ver deus são variáveis da cultura (o que implica na forma da consciência), resta-nos investigar o que é resquício cultural e o que é manifesto, aquilo que é presente e invariável. Para entender melhor isso, pense numa flor qualquer, ao observá-la você pode associá-la a beleza de uma mulher, já um biólogo se encantaria com as diferentes manifestações da vida. São duas visões diferentes para um mesmo objeto. Tomes-mos então deus como um objeto de observação, nossa dificuldade seria eliminar as perspectivas acerca de deus e conseguir isolar o objeto.

Vejamos então duas “subformas” de diferentes perspectivas. A primeira que pretendo falar é sobre a visão monoteísta de deus como um ser benevolente e onipresente. A segunda é a visão monoteísta animista. Nesta primeira (presente no cristianismo, evangelismo e afins) deus se “encontra” além da matéria, se faz presente em tudo, é dotado de moral, influencia a humanidade de forma direta e manifesta a moral em diferentes planos, celestes e infernais. Já na segunda maneira, deus se encontra em toda e qualquer coisa, não atua de forma direta, não possui moral e é representado na forma de arquétipos (inclusive os diferentes planos do mundo “sobrenatural” são dados como arquétipos).

Semelhanças? Sim, a totalidade. Se deus se faz presente na matéria ou é a matéria não faz diferença. Essas diferentes visões são interpretações culturais de diferentes povos. Podemos inclusive fazer uma espécie de mapa teológico. Os povos europeus vêem a matéria como algo sujo e que deva ser superado, os demais povos vêem a matéria como uma etapa e uma necessidade para o aprendizado. Se forem diferentes visões, que varia de cultura para cultura, é lógico que o “fato” de deus ser também a matéria ou não, isso ainda viria a uma perspectiva, logo deus é, não é, se manifesta e não se manifesta na matéria, é a manifestação do paradoxo, ou seja, tudo aquilo que não pode e pode ao mesmo tempo.

Sendo assim, como alguém poderia defender uma visão de deus? Qualquer visão de deus é pertinente, pois deus é aquilo que queremos que seja. Vale salientar que o que quero dizer não é que podemos sair inventando conceitos pra deus, como: “deus é uma galinha travesti”. Não se pode associar nada que seja cultural a deus. Deus não se encontra no paraíso, pois isso denota a idéia de santidade e comportamento ideal sob o prisma de uma moral que é determinada por uma cultura; deus não é acessível por um ritual, pois todos ritual manifesta arquétipos (Oxalá, Brahman, Quetzalcoatl, etc.), deus não é “x” nem “-x” é aquilo “entre” isso (o zero? o nada?).

Em resumo, deus é o paradoxo que por si só é a possibilidade. Deus é tudo aquilo que pode ou não ser, é aquilo que se encontra além do imaginável e tudo o que for imaginável. O maior problema de se entender deus (se é que alguém já fez isso) é conseguir separar os conceitos, definir o abstrato, remover os aspectos culturais, o antropocentrismo, os arquétipos, etc.

Tudo o que escrevi não passa de uma reflexão, verdadeira e não verdadeira.

Deus é a possibilidade! E para você, o que é deus?

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