Posted by Renan Reis on agosto 21, 2009 | 1 Comment
Não é de hoje que vemos muitas pessoas criticando as ações dos jovens ou de pessoas de outras tribos, metaleiros criticando os emos, roots criticando os fanfas, sociólogos criticando jornalistas e etc. O julgamento do próximo é uma característica inerente do ser humano, ele observa, filtra de acordo com o seu próprio pensamento e monta uma idéia, quase sempre dicotômica, o modelo do outro é inferior (por ser diferente) do que o meu.
O que pensamos hoje de certas coisas é fruto de nossas experiências do passado, temos nossas experiências, as superamos e criamos nossos conceitos, certo, errado, produtivo, improdutivo, idiota, genial, etc. Temos um problema quando observamos outros indivíduos que tomam atitudes que para nós são problemáticas simplesmente porque já “superamos” este padrão de comportamento. Quando uma pessoa que já trabalha a anos observa uma outra pessoa que esta ingressando no mercado de trabalho, e critica pejorativamente suas atitudes impulsivas, ele está, mesmo que inconscientemente, negando a experiência à esta pessoa.
Walter Benjamin tem um excelente artigo, “A Experiência”, que fala justamente disso. Seu exemplo se da na relação pai e filho, onde o primeiro toma sua experiência de vida como uma maneira certa de leva-la, e por seu filho não seguir este modelo ele estará automaticamente errando e consequentemente não terá uma vida segura como a do pai (esse exemplo é vivenciado por Benjamin). Não poderíamos deixar de entender o posicionamento do pai, visto que ele sempre (ou quase sempre) deseja o melhor pelo filho, mas esta atitude, que em algum nível todos nós tomamos, renega a atividade filosófica e cognitiva da vida; a qualidade de aprender por diferentes experiências.
Ao andarmos pelo mundo, observa-lo e interagir com ele estamos vivenciando-o e aprendendo; estamos automaticamente tendo experiências que nos mostram as diferentes possibilidades da realidade, assim como aprendemos suas regras, sua estrutura e a maneira que ela se desdobra em si mesmo. Sim, devido a nossas escolhas cometemos erros que podemos nos arrepender pelo resto da vida, mas estes não existem porque deixamos de seguir um modelo de vida, e sim devido às circunstâncias e a nossa própria culpa.
Termos a culpa e o mérito é fundamental para podermos nos ver como indivíduos que atuam e transformam o mundo a sua volta. Ora, se muitos seguiram a sua vida de acordo com suas próprias experiências, porque nos prendermos ao julgamento das ações de outros? Porque temos que observar os outros através da nossa ótica individual e crer que ele esta cometendo um erro simplesmente por estar atuando de forma diferente a nós?
Até onde pude observar, isso não tem resposta, me parece que é natural do ser humano fazer este julgamento dicotômico, mas ele é sempre feito sem reflexão, e quando há uma tentativa de pensar estes julgamentos, muitos ficam presos às premissas de seus preconceitos, e também ao velho argumento, “eu sei como que é”.
Isso é por demais fatal, a arrogância de crer que sua experiência deva ser modelo aos demais é o mesmo que negar aos indivíduos que eles vivam e aprendam, no sentido mais filosófico do que seria viver e aprender. Devemos refletir sobre estas questões sempre que julgamos as ações de outras pessoas, e vermos se o que pensamos realmente condiz com a realidade ou é simplesmente uma maneira de diminuir as pessoas pelas suas diferenças comportamentais e de escolhas.
Diga não a padronização e sim à experiência de cada dia.
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Posted by Renan Reis on março 15, 2009 | 3 Comments
Não poderia deixar de dividir com os leitores este vídeo super interessante que encontrei na internet. Trata-se de um experimento com ondas sonoras e seus efeitos na matéria.
Assistam ao vídeo: Sound Wave
Como podemos ver, diversas formas são feitas no sal, principalmente as formas geométricas encontradas na estrutura das mandalas.
As mandalas são uma representação geométrica da relação do humano com os cosmos, é o arquétipo visual do retorno à unidade em um espaço delimitado, simbolizando o espaço sagrado onde podemos encontrar o divino. Eis o motivo da construção de templos serem baseados na forma de mandalas, pois ali se fará a conexão com o sagrado e será um espaço livre dos pecados do mundo ordinário.
Ora, como podemos ver no vídeo, o som tem a capacidade de modificar a organização da matéria (mesmo em níveis atômicos). Se formos investigar a menor das partículas, iremos chegar na teoricamente existente partícula de bóson (ou partícula de Deus). Sua forma de interação e organização é completamente incompreendida pelos cientistas. Aparentemente existe uma forma de inteligência que as organiza de modo a estrutura-las e assim irem criando as partículas que dão forma à matéria.
E porque as ondas sonoras têm o poder de organizar as moléculas? As ondas sonoras têm a capacidade de vibrar as moléculas, com essa vibração o som força as partículas a se moverem de acordo com a frequência da onda, de modo a reorganizá-las dentro da estrutura desta frequência. Sem cotar que o som pode influenciar a matéria de outros modos, como aumentar a temperatura da mesma.
Existiria então uma relação entre as freqüências sonoras e a geometria mística das mandalas? Possivelmente sim, poderíamos cogitar que o mundo material no qual vivemos seria uma ressonância de outro aspecto da realidade, sendo sua forma uma conseqüência das vibrações advindas de outro lugar. Mas isso não passaria de uma suposição com nenhum valor científico de modo a fazermos conclusões.
Mandalas, formas geométricas e som. O que podemos pensar a respeito? O que isso pode dizer sobre música e arte? E além, o que isso pode nos dizer sobre consciência e raves?
Para se fala da relação entre a arte e a consciência, devo antes de tudo dar uma definição da arte que tenta representar a consciência. A arte visionária pode ser definida de um modo bem simples: representação plástica do resultado de experiências de expansão da consciência. Esta forma de arte é muito presente nas raves, vão desde formas geométricas como desenhos de divindades. O que me interessa aqui são as formas geométricas.
Talvez possamos encontrar uma relação direta entre esta forma de arte plástica e o Psy-Trance. Já estamos cansados de ouvir dizerem que o Psy-Trance é uma forma de expansão de consciência através da música, que isso tem relação com as freqüências sonoras e afins. Conclusões nesse momento seriam precipitadas, pois teríamos que analisar cientificamente a relação entre o som e a estrutura cerebral. Mas ainda assim, podemos imaginar que as formas geométricas desenhadas pelo som têm uma relação direta com a música e que esta daria sentido e harmonia para estas formas.
Entende-se como “sentido” aquilo que queremos transmitir pela música, e “harmonia” a relação equilibrada entre aquilo que queremos transmitir e a arte musical. Podemos encontrar aí a forma de linguagem da música eletrônica. Essa linguagem que é representada nas artes plásticas e misticamente compreendida através das mandalas.
Como falei, mandalas são “arquétipos visuais do retorno à unidade em um espaço delimitado, simbolizando o espaço sagrado onde podemos encontrar o divino”. Para compreender melhor, entenda por “divino” como “existência”.
Talvez possamos compreender o Psy-Trance de uma maneira semelhante às mandalas. Poderíamos compreendê-lo como um arquétipo sonoro do “retorno à unidade”, uma musicalidade que nos denota a consciência do divino, ou, da existência.
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Posted by Renan Reis on fevereiro 12, 2009 | 5 Comments
Essa pergunta pode permanecer o resto da história sem resposta. Afinal de contas, nos parece que provar a existência ou não de deus seja uma tarefa impossível para a mentalidade humana. Temos os argumentos das ciências naturais, sociais e teológicas, porém nunca encontramos um consenso. O máximo que podemos fazer é encontrar diferentes formas de se ver deus, entretanto, estas diferentes “formas” servem para justificar, ou, legitimar uma maneira de pensar e observar o mundo. Quase todas estas visões, por defenderem uma perspectiva específica da realidade, são ou carregadas pelo antropocentrismo ou o seu oposto, o que prefiro denominar de “homem marginal”.
Eu prefiro trabalhar com dois conceitos, ou princípios, de deus. O primeiro é aquele onde deus é um “ser” (o que seria filosoficamente impossível) além de qualquer coisa existente e que tenha o poder de gerir a realidade, apesar de que, por ser consciente tem o poder de decidir em gerir ou não a realidade. O segundo é a visão de deus como a totalidade das coisas, o absoluto presente e manifesto em toda a existência. Dependendo da filosofia que defende esta “morfia” de deus, este pode ser um controlador ou não das coisas.
Ora, como alguém poderia afirmar se deus é uma coisa ou outra? A princípio, deus somente “é”, a manifestação do verbo! Entretanto, por ser universal ele deveria ser manifesto a todos os indivíduos sensíveis a sua presença (o que exclui os seres que não possuem consciência), porém podemos observar em cada canto da Terra que o modo de observar deus varia.
A princípio, todas estas diferentes formas de se ver deus são variáveis da cultura (o que implica na forma da consciência), resta-nos investigar o que é resquício cultural e o que é manifesto, aquilo que é presente e invariável. Para entender melhor isso, pense numa flor qualquer, ao observá-la você pode associá-la a beleza de uma mulher, já um biólogo se encantaria com as diferentes manifestações da vida. São duas visões diferentes para um mesmo objeto. Tomes-mos então deus como um objeto de observação, nossa dificuldade seria eliminar as perspectivas acerca de deus e conseguir isolar o objeto.
Vejamos então duas “subformas” de diferentes perspectivas. A primeira que pretendo falar é sobre a visão monoteísta de deus como um ser benevolente e onipresente. A segunda é a visão monoteísta animista. Nesta primeira (presente no cristianismo, evangelismo e afins) deus se “encontra” além da matéria, se faz presente em tudo, é dotado de moral, influencia a humanidade de forma direta e manifesta a moral em diferentes planos, celestes e infernais. Já na segunda maneira, deus se encontra em toda e qualquer coisa, não atua de forma direta, não possui moral e é representado na forma de arquétipos (inclusive os diferentes planos do mundo “sobrenatural” são dados como arquétipos).
Semelhanças? Sim, a totalidade. Se deus se faz presente na matéria ou é a matéria não faz diferença. Essas diferentes visões são interpretações culturais de diferentes povos. Podemos inclusive fazer uma espécie de mapa teológico. Os povos europeus vêem a matéria como algo sujo e que deva ser superado, os demais povos vêem a matéria como uma etapa e uma necessidade para o aprendizado. Se forem diferentes visões, que varia de cultura para cultura, é lógico que o “fato” de deus ser também a matéria ou não, isso ainda viria a uma perspectiva, logo deus é, não é, se manifesta e não se manifesta na matéria, é a manifestação do paradoxo, ou seja, tudo aquilo que não pode e pode ao mesmo tempo.
Sendo assim, como alguém poderia defender uma visão de deus? Qualquer visão de deus é pertinente, pois deus é aquilo que queremos que seja. Vale salientar que o que quero dizer não é que podemos sair inventando conceitos pra deus, como: “deus é uma galinha travesti”. Não se pode associar nada que seja cultural a deus. Deus não se encontra no paraíso, pois isso denota a idéia de santidade e comportamento ideal sob o prisma de uma moral que é determinada por uma cultura; deus não é acessível por um ritual, pois todos ritual manifesta arquétipos (Oxalá, Brahman, Quetzalcoatl, etc.), deus não é “x” nem “-x” é aquilo “entre” isso (o zero? o nada?).
Em resumo, deus é o paradoxo que por si só é a possibilidade. Deus é tudo aquilo que pode ou não ser, é aquilo que se encontra além do imaginável e tudo o que for imaginável. O maior problema de se entender deus (se é que alguém já fez isso) é conseguir separar os conceitos, definir o abstrato, remover os aspectos culturais, o antropocentrismo, os arquétipos, etc.
Tudo o que escrevi não passa de uma reflexão, verdadeira e não verdadeira.
Deus é a possibilidade! E para você, o que é deus?
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