Visões de Pacha Mamma

Posted by Renan Reis on março 20, 2009 | 4 Comments

As mirações, ou mais conhecidas, alucinações, são sensações provocadas por um determinado psicoativo, em geral, alcalóides. Nas práticas enteógenas as alucinações servem, além de outras coisas, para o conhecimento de um determinado campo da realidade, no caso, o mundo espiritual.

Com o deslocamento para este campo da realidade, o indivíduo tem a possibilidade de se desprender do ego e poder mergulhar na dimensão mais profunda da sua mente ou espírito. As imagens criadas pelas alucinações não são necessariamente uma fotografia ou um vídeo do mundo espiritual, e sim um arquétipo.

O mundo espiritual escapa dos conceitos humanos sobre a realidade, suas formas e cores são, por muitas vezes, determinadas pela carga cultural que um indivíduo tem.

Por exemplo: Se um hinduísta utilizar o chá de ayahuasca, é muito provável que as imagens que ele veja sejam diretamente relacionadas com o paradigma religioso no qual faz parte, ele poderá ver Ganesh, por exemplo. Já um índio poderia encontrar espíritos da floresta, ou como diz a tradição da ayahuasca, Pacha Mamma (Gaia).

Vale lembrar que arquétipos são representações de uma “idéia”, de algo que precise ser representado para poder ser percebido pelos nossos sentidos.

A ayahuasca (assim como outros enteógenos) estimula os sentidos para além dos arquétipos (em trabalhos mais profundos e com pessoas mais experientes), mas antes disso, o indivíduo que esta começando a vida enteógena tem que passar por certos “testes”. Como já observei em diversas tradições xamanísticas (e em muitas outras religiões/espiritualidades), o medo é um elemento crucial para ser vencido e assim começar o “caminho do conhecimento” (termologia adotada pelo Nagualismo). Por isso é muito comum acontecerem “bad trips”, como já dissertei no post “Os demônios e os aprendizados”.

A seguir, um vídeo que mostra uma miração provocada pela ayahuasca. Mostrando de forma rápida, diferentes estágios da experiência religiosa com o chá. Desde o trabalho com o ego, até o enfrentamento com o medo e chegando finalmente ao momento de iluminação.

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Daturas e práticas enteógenas

Posted by Renan Reis on março 6, 2009 | 2 Comments

Datura é uma planta enteógena muito cultada na América Central, sua capacidade de dar poder é assombrosa. Relatos falam da capacidade de voar! Isso até pode soar como falso, ou simplesmente uma viajem devido a atropina e a escopolamina, substâncias ativas e alucinógenos encontradas nesta planta, porém não poderia dizer ser falso ou verdadeiro visto a subjetividade que encontra-se neste campo de estudo. Tudo o que digo aqui são constatações feitas por culturas e praticantes de enteogenia, relatos pessoas fundamentados em argumentos lógicos, apesar de não me dedicar a isso neste texto.

O que pretendo falar não são as propriedades alucinógenas, sua composição ou uso ritual dela. E sim porque é possível voar e ter poder por meio dela.

Antes de tudo, não creia que você poderá pular de um prédio e voar; tudo isso ocorre em um plano paralelo da realidade. Existem diversos nomes para este mundo, alguns chamam de mundo etéreo, realidade não comum, universo paralelo, etc. Eu prefiro denominar de “mundo energético”, pois esta realidade não é material, é puramente energia.

É a realidade estudada pela física e química quântica. Agora, porque uma planta poderia me dar poder nesta realidade? E como isso se procede? De forma simples, esse outro plano da realidade é acessível a nós pelos sentidos, ao expandi-los podemos com facilidade nos “deslocar” deste corpo físico, fazendo o nosso corpo energético sair do físico e atuar na trama da realidade energética.

Esta realidade é aquele mundo que atuamos ao sonhar, aquele nosso “eu” que esta em nossos sonhos é o “eu” na segunda realidade (mundo energético). Quando estamos acordados no mundo físico, o nosso eu energético (do sonhar) esta dormindo, e o inverso acontece quando o corpo físico vai dormir.

Quando se utiliza enteógenos o que ocorre é despertarmos esse corpo do sonhar ao estarmos acordados com o corpo físico, fazendo isso colocamos o nosso corpo físico num estado alterado de percepção ao ponto de podermos sentir o mundo energético no corpo físico. Alguns podem chamar isso de “onda”, porém é um erro comum. Pois a “viajem” das drogas não segue nenhuma regra ou padrão, já com a enteogenia certas coisas são previstas, existem regras e resultados esperados, ou seja, é uma prática objetiva e com regulamentos, atributos não aplicáveis ao uso de drogas.

Agora, voltando a Datura. Essa planta, também conhecida como erva do diabo ou trombeta possui uma característica não necessariamente peculiar, mas interessante. Ela possui cinco diferentes partes, a raiz, o caule, a folha e a flor. Cada um possui um propósito, para as pessoas que a utilizam como guia, como fonte de saber e poder, usa-se somente a raiz. Mas o interessante é a oposição que ela possui entre o caule e a flor. O caule é usado pra curas, e a flor é usada para matar ou tornar as pessoas insanas. Isso nos mostra como esse universo é complexo. Mas, onde entra aí a outra realidade?

A cura advém do mundo energético, que influencia diretamente no mundo material, já a insanidade ocorre por uma maleficiência, é quando se desloca para outra realidade e não se volta mais de lá, já a morte é quando a planta atua tão poderosamente que além te de deslocar do mundo físico ela quebra o seu vínculo com o mesmo.

O uso de enteógenos não é aconselhado se não for feito com moderação e com prévio estudo. Não é uma simples brincadeira de curtir um “onda”, e sim uma fonte de conhecimento e poder, e acima de tudo descobrir mais sobre este mundo que é misterioso e assombroso, e ao descobrir isso as pessoas percebem que não é só de prazer que a enteogenia vive, de medo e provações também.

Enteogenia é prática, estudo, estilo de vida. Não confunda com uma simples fanfarrice.

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Filed Under: Experiência Enteógena

Os demônios e os aprendizados

Posted by Renan Reis on fevereiro 4, 2009 | 4 Comments

Visão

Dentro das práticas enteogênicas podemos encontrar diferentes formas de obstáculos, seja o medo, a “loucura espontânea” ou a completa decepção com o que se viu e com o que se vive. É muito comum ouvirmos falarem que plantas como as daturas e a amanita muscaria (sem contar quase todos os enteógenos e sintéticos alucinógenos) somente provocam aquilo que chamamos de “bad trip”.

Entretanto, podemos encontrar outra visão se formos procurar pelo conhecimento antigo ou até mesmo se formos procurar por Thimoty Leary na obra “A Experiência Psicodélica”. Seguindo esta perspectiva, podemos ver estas “bad trips” como um dos aspectos do que Carlos Castaneda definiu como “realidade não comum”. Este “aspecto’ seria a própria manifestação do que compõe o “pólo negativo” da realidade, o “lado negro da força”, o “mal” necessário para haver o “bem”. Ou seja, são aspectos elementares do que constitui a realidade como um todo e se fazem presentes em nós.

O que todos temos que ter em mente com estas “bad trips” é que muitas não passam de arquétipos presentes em nosso subconsciente. Aprender com elas é quebrar estes aspectos, é moldar o paradigma da realidade de modo a permitir que ela (a “bad”) se mostre de forma pura.

A primeira emoção que sentimos com as “bad trips” provocadas por diversos enteógenos é o medo. Este é o primeiro inimigo do indivíduo que busca o caminho do conhecimento. Medo este que se entende como o receio de perceber que tudo aquilo no qual se viveu e acreditou podem ser completamente desconexos com aquilo que se esta experimentando.

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