O símbolo do psy

Posted by Renan Reis on setembro 18, 2009 | 6 Comments

OHMMuitos de nós ja se depararam com o símbolo do OHM em alguma rave, estaria mentindo quem disser que nunca viu. Hoje fiquei pensando, porque raios o OHM é tão presente nas raves e na cultura hippie de um modo geral? Já percebi que tem muita gente por aí que não conhece o significado do OHM, e outros ainda falam que esse é o símbolo (oficial?) do psy trance (???????). Sei que grande parte tem conhecimento do que é OHM, o mantra da origem, aquele que originou todas as outras coisas, o som do princípio do mundo.

Mas realmente não vejo uma ligação direta com as raves psicodélicas, o OHM até o que parece, é um elemento adicionado ao mundo psicodélico devido a aculturação ocorrida na origem das raves. De modo geral, todo movimento cultural tem uma necessidade interna de se verbalizar por meio de símbolos, sejam já existentes ou criados. O símbolo é um elemento determinante na grande maioria das culturas, é através dele que se demonstra de forma resumida uma rede de significados que caracteriza determinado grupo. A natureza do símbolo é “superior” a do conceito, visto que o conceito é a aglutinação de diferentes idéias para se formar uma idéia mais abrangente (ou o contrário, depende do contexto), já o símbolo é uma aglutinação de conceitos. E ainda existe a forma conjunta de símbolos, como podemos ver em qualquer imagem hindu, cada parte da imagem é o símbolo de um conjunto de conceitos. Exemplo é o rato que Ganesh tem sempre perto de ti, que representa a ignorância; o rato é o símbolo e a ignorância o conceito, e, a partir deste conceito, temos um ramo de idéias que o compõe. Essa é a natureza do símbolo, representar imageticamente um conceito, ou um conjunto destes.

TrancersNo mundo do psy trance temos uma problemática, não temos um símbolo original, e o que mais fica em voga, que é o OHM, não possui uma relação direta com o psy trance. Nos faltam conceitos em relação ao OHM, falta fazer uma conexão direta entre o “princípio de criação” e o psy trance.

Isso é um problema? É e não é! Isso se torna um problema quando precisamos de algum símbolo PARA o psy trance, um símbolo que determine uma musicalidade, estilo de vida, pensamento e comportamento determinado. Algo que quando levantado em uma bandeira as pessoas possam ver e dizer: “esse é o símbolo de minha cultura”, ou, “ali tem uma galera do psy”. Agora, isso não é um problema se formos pensar a questão de troca cultural; se um determinado indivíduo ver que o psy trance é simbolizado por um elemento de outra cultura, a nossa identidade multifacetada fica mais em voga, e isso é atrativo aos olhos de leigos. Um hindu, ao ver um símbolo de supra importância de sua religião em uma manifestação cultural diferente (em alguns pontos) da sua poderá ver que ali ele encontrará algo que irá gostar, se sentirá também como membro do grupo; ou o efeito contrário, pode ficar ofendido que seu símbolo sagrado seja usada tão vulgarmente.

Realmente considero de suma importância essa questão de símbolo, apesar que hoje estaria tarde demais para se pensar em criar um. Acaba que o nosso “símbolo” é a própria psicodelia, construção e reconstrução da realidade, multifacetar a identidade, a observação da realidade e o comportamento. Pensar um símbolo em uma cultura é pensar a identidade, e esse ponto no mundo do psytrance é tão diverso que fica praticamente impossível resumir em um símbolo.

Na falta de um símbolo imagético, acabamos substituindo-o por um símbolo sonoro, o próprio psy trance. Que mesmo sem palavras (em sua grande maioria) simboliza o que queremos que o OHM (que simboliza também um som) pintado em lycras simbolize para nós, é da música que criamos, é pela música que nos identificamos e é a música que nos legitima como cultura.

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Filed Under: Simbologia

Quanto vale um professor?

Posted by Renan Reis on setembro 9, 2009 | No Comments

Fugindo um pouco da temática do blog, gostaria nesta postagem mostrar aos caros internautas minha indignação a respeito da atitude de governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, perante a manifestação dos professores que ocorreu hoje em frente a Alerj.

A manifestação ocorreu em oposição votação da lei 2474 que incorpora a gratificação do Nova Escola em seis anos ao salário dos professores e também altera o plano de carreira estadual, os professores exigiam que a gratificação fosse incorporada ainda neste mandato, também exigiram que os professores com carga horária de 40 horas fossem incluídos no plano de carreira.

Entendo que qualquer manifestação deste tipo traga transtorno, como “desordem” e problemas no tráfego, entretanto ,temos que ver que os professores estão no direito de protestar, e a atitude de Sérgio Cabral não passa de uma forma autoritária de impor uma “ordem”, uma maneira de calar os professores. Eu não estava presente, mas imagino que a “bagunça” feita em frente a Alerj no dia da aprovação da lei que legitima o movimento do funk como movimento cultural tenha sido muito maior, mas neste assunto, é muito mais interessante ao Governo manter as aparências e se demonstrar politicamente correto, mesmo que as ações da polícia demonstrem o contrário.

O que é revoltante neste caso é justamente a violência, professores que lutam pelos seus direitos são tratados feito bandidos, e somente alguns deputados demonstram interesse imediato. Será que sempre iremos precisar que o caos se instaure para que as lutas sociais sejam vistas? Será que o Governo não conhece melhores maneiras de resolver o problema?

E é nesse mundo em que vivemos, policiais que recebem como base R$700,00, professores mau pagos, deputados superfaturados e uma política quase fascista para se enfrentar os problemas.

Enquanto isso a favela ta batucando, professores estão apanhando, alunos estão sem aula e deputados em audiência com o Paulo Otávio!

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