Pesquisa - Parte 7 e Bibliografia
Posted by Renan Reis on maio 20, 2009 |
Conclusões.
Como se pode perceber, apesar das raves representarem uma festa onde o consumo de drogas seja de certa maneira liberado, e, consequentemente acarretando diversos problemas sociais, o que podemos ver é que elas também são uma espécie de rito moderno que herda das culturas xamânicas e hindus seus elementos mágicos.
A principal questão tomada por esse rito é a expansão da consciência, a interação com uma realidade não comum e a difusão de sentimentos positivos, como a paz, amor, união e respeito. Este rito possui duas questões que aparentemente não poderiam se misturar, a diversão e a transcendência, formando desta maneira uma espécie de rito único onde nem mesmo os membros destas raves percebam isso, talvez por falta de conhecimento ou por não quererem se preocupar com o tema.
Assim como os elementos constitutivos das raves são híbridos, o mesmo ocorre com a cena eletrônica no Brasil, assim como os freqüentadores. Isso caracteriza a rave como possuidora de diferentes pólos, sempre oscilantes entre a diversão e a transcendência. Ritual e festa, onde ambos se mesclam causando uma confusão em seus reais significados, sendo que na verdade o que se mostra é uma fusão entre os dois. Criando-se uma espécie de espiritualidade sem religião institucionalizada, sendo exercida na prática e acompanhada de uma filosofia espelhada na contracultura hippie.
Atualmente o que se pode dizer é que o movimente que há por traz das raves representa a atual contracultura do mundo, vinculando às festividades eletrônicas um significado cognoscível que representa um etilo de vida, que une humanismo, natureza e esoterismo.
Dentro deste meio híbrido nada mais natural que o neófito também o seja. O indivíduo que vai a ser iniciado neste meio representa a insatisfação com os princípios da sociedade em geral. Ele é o jovem que encontra nas raves o que ele não pode usufruir na sociedade. Para se inserir, ele se espelha nos freqüentadores das festas, tendendo a se comportar como eles, pelo menos isso ocorre na relação neófitos e tutores.
Nesta festividade onde a maior parte dos freqüentadores não esta sintonizada com os reais ideais do Psy-Trance, indo às raves unicamente por diversão e para o uso de drogas desenfreado, esse neófitos se espelham neste comportamento hedônico. Conseqüentemente a freqüência deste tipo de freqüentador aumenta, se tornando a parte majoritária de membros, levando as raves para a mídia de forma negativa e aumentado a briga que existe.
Desta maneira o rito das raves não é completamente exercido próximo ás metrópoles, descaracterizando o lado espiritual das raves. Sendo assim, a iniciação nas raves pode tanto ser uma iniciação mágico-social quanto puramente social. No primeiro caso, a iniciação se daria por questões culturais e com elementos xamânicos. Já no segundo, que é o que ocorre atualmente nas raves, a iniciação é unicamente a transição que o indivíduo fará de um status à outro, no caso, de simples membro da sociedade, para uma “raver”, o que para a sociedade seria um “drogado”, mesmo que realmente não o seja.
Referência Bibliográfica
1. CASTANEDA, Carlos. A Erva do Diabo: tradução de Luzia Machado da Costa – 32ª ed. Revista. Rio de Janeiro: Nova Era, 2006
2. DURKHEIM, Émile & MAUSS, Marcel. Algumas Formas Primitivas de Classificação. In: RODRIGUES, José Alberto (org.). Émile Durkheim: Sociologia. São Paulo: Ática, 1978. Col. Grandes Cientistas Sociais
3. GENNEP, Arnold Van. Os Ritos de Passagem: tradução de Mariano Ferreira. Petrópolis: Editora Vozes LTDA, 1978
4. GRAMACHO, Derval e GRAMACHO, Victória. Magia Xamânica. São Paulo: Editora Madras, 2002
5. LARKIN, Christopher B. Turn on, Turn in, and Trance out. Lewis and Clark College: Oregon, 2003
6. LEARY, Timothy. A Experiência Psicodélica - Um manual baseado no Livro Tibetano dos Mortos. 1963
7. MAUSS, Marcel. Ensaio Sobre a Dádiva. Forma e Razão na Troca nas Sociedades Primitivas. In: Sociologia e Antropologia. São Paulo: Cosac & Naify, 2003
8. NASCIMENTO, Ana Flávia Nogueira. Festivais Psicodélicos na Era Planetária. São Paulo: PUCSP, 2006
9. TURNER, Victor W. O Processo Ritual: tradução de Nancy Campi de Castro. Petrópolis: Editora Vozes LTDA, 1974
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Filed Under: Antropologia Cultural