Re: Cena cultural - Como se consolida uma? Isso é bem complicado. Esse texto na época que li, me ajudou bastante a enxergar que tudo é um ciclo de engrenagens que precisam existir pras coisas fluírem melhor, mesmo de forma amadora. Eu falo sobre isso, mas eu tb não sei qual é o caminho ... falo sugerindo um outra opção, puramente visão pessoal.
Toda boa referencia que tínhamos na música eletrônica veio de fora do país, então é de certa forma normal enxergar o que vem de fora como “o melhor”. Dizem que hoje já temos muita coisa boa sendo produzida aqui, apesar de eu não saber muito bem quem são esses. Os que sei, não chegam a uma dúzia (estou ixagerando). Mas temos!!!! DJs então, temos muitos que são bons, tem autenticidade, investem de fato em música, em horas de pesquisa, montam estúdios em casa pra fazer milhões de testes antes de apresentar seu trabalho ao publico. O psy-trance em especifico, viveu e esta preso em uma formula, onde produtores conquistam espaço no tabuleiro, trazendo nomes internacionais. Isso cria uma áurea em torno das produtoras ou produtor de identidade física, mais profissional e gera mais divulgação dentro e fora do meio eletrônico. É um jogo puramente estratégico. Mas a estratégia é também amadora, poucos tinham e tem visão do mercado cultural que precisa ser alimentado pra estrada se solidificar, ou ele vai andar, andar e quando perceber vai estar com seu super carro importado em uma estrada esburacada, podre, que vai detonar seu carrinho. Essas estratégias se concentram em gerar mídia, conquistar o público extra que faz das “listas de top sei la o que” um lifestyle, e que basicamente não conhecem muito de música eletrônica, pois esse público só pega o “top”, não pega nada nascendo, todo o processo que rola antes de ser filtrado e empacotado, não é sentido. Daí vem aqueles termos chatos de underground e mainstream e as infinitas discussões sobre onde termina e começa a migração de um pro outro. E porque tantos preferem mais um lado do que outro. A verdade é que um depende do outro e deveriam ter o mesmo valor. Tem que ter festas que valorizem as atrações locais/regionais e o público que gosta mesmo, freqüenta e da valor a isso, frequenta e sustenta o pouco que há. Tem festa no Rio, como a Oops, que toca o Mauricio Lopes, um de nossos maiores DJs e ele toca por horas. Ele é a única atração. A festa é ótima e não parece ser cara de ser produzida. Todos ganham ali. Já no psy, tem essa mania chata de colocar um milhão de DJs, e que se agrava quando produtores se fecham só com os mesmo nomes, por rolar na maioria das vezes uma desnecessaria permuta de coisas bizzonhas, ai quando a festa esgota sua formula e a falta de público pressiona por novidade, o produtor investe em quem? Nos gringos! Por ele não ter opção local, afinal não investiu nisso, investiu em um, dois, que uma hora vão vencer também, e esse vicio vira uma prisão. Ai se você olha pra alguns dj locais/regionais, muitos só tocam um único estilo e não conseguem improvisar e se tornou comum, sair de uma festa com 15 djs, e não ter gostado de nenhum, apenas de uma ou outra música. O que contribui pro público não se apegar ao que é daqui. Ta tudo muito desistabilisado. Acredito que a solução é essa que o Rio vem seguindo de 1/2 anos pra cá. Fazendo festas pequenas, com dj e produtores musicais locais/regionais que presam pela qualidade, que sabem o que estão fazendo, como a festa Feelings e outras. O público vai se unindo por gostar do clima, por ouvir comentarios, ver fotos e videos e saber que apesar da proposta ser outra, a diversão quase sempre vem casada com, ou mais intensidade até do que as mega+top+baladas-a-gringa.
Última edição por Roosevelt Soares; 10-03-2010 às 23:28.
|