Phony Orphants - Iboga Records e a saga progressiva Mikael Dahlgaard e Jeppe Ornkilde . . . Calma, calma. Deu nó na sua língua só de ler esses nomes, né. Ok. Vou utilizar a partir de agora o nome solo e mais conhecido dessa dupla: Emok e Jeppe, os mesmos do nome complicado acima, são dois aclamados artistas, de reconhecimento mundial, por liderarem o que de melhor vem sendo produzido em termos de Trance Progressivo na ultima década. A sonoridade da dupla incorpora elementos do minimal, tribal, house, electro, deep, techno e de tudo que os habilidosos produtores foram criando e incorporando, sempre com muito sucesso ao riquíssimo estilo. Se tornando os legítimos precursores do Progressivo no norte da Europa e que logo influenciou cenas do mundo inteiro. A dupla fundou a prestigiada Iboga Records no final dos anos 90, e entre seus artistas, há nomes como Freq, Liquid Soul, Perfect Stranger, Ace Ventura, Sun Control Species, Gaudium, Earsugar, Flowjob e parcerias com diversos selos como Transient, Aries, Plastik Park, Nanobeat, Plusquam, Sonic Alliance e Tropical Beats. Emok e Jeppe também assinam as produções do projeto Phony Orphants que conta com participação especial de vários artistas. Como não bastasse, Emok, além de Manager oficial da Iboga é o responsável pelas produções do projeto Maelstrom. A criatividade, habilidade e energia dessa turma parece não ter fim e estar mais elevada do que nunca. No mês passado o Phony Orphants lançou o álbum Computer Music, o 3º álbum da dupla dinamarquesa que esta rodando o mundo com a turnê de lançamento. Entre seus projetos em Copenhagen e as recentes apresentações de Emok com o Phony Orphants no Brasil, o Plurall ainda conseguiu tempo na agitada agenda de Emok pra um bate papo que você confere com exclusividade logo abaixo. Por Roosevelt Soares. Colaboração de Wilmar Borges, Francisco Helio e Wild Artist Management Como surgiu o Phony Orphants? Conte um pouco sobre a montagem do primeiro estúdio, a escolha do nome, a primeira música lançada... PO: Bem... A ideia de iniciar o projeto veio de forma natural, quando começamos a ir a festas e depois até passamos a organizá-las durante algum tempo, foi quando passou a ficar óbvio que tínhamos que seguir para o “outro lado”, e começamos a produzir nossa própria música. Ainda mais que ambos já tocávamos um pouco antes de começarmos a fazer música eletrônica. Nosso primeiro estúdio era bem básico, comparado ao que se precisa, hoje, para se fazer música eletrônica. Nós tínhamos um Akai sampler, um Nordlead e um computador que só 'rodava' arquivos em MIDI, então, muita coisa mudou nesta área desde que começamos. Como era a cena na Dinamarca nessa época? PO: A cena eletrônica na Dinamarca era cheia de gente criativa e era bem animada. A música eletrônica não era muito bem aceita como gênero musical. Foi um desafio introduzi-la em eventos, pequenos e grandes. As pessoas que nos apresentaram as festas eram em sua maioria pessoas procurando uma 'bagunça', um lugar especial para escapar da rotina semanal. Atualmente onde vocês estão morando e onde vocês produzem? PO: Estamos morando em Copenhagen e é lá que temos nosso estúdio. O Progressive Trance é um dos sons que mais passam emoções com profundidade, ao mesmo tempo é o som que mais incorpora elementos musicais de outros gêneros. Quando vocês estão produzindo, o que influencia a criação do som de vocês? As gigs, outros artistas, filmes, o clima ... PO: Na verdade a maioria de outros sons da música eletrônica. Às vezes vem como uma ideia quase que pronta, outras vezes tem que ser construída passo-a-passo, com muito foco. É um processo que se inicia de varias formas até que conseguimos transpor tudo em nossa música. Não da pra falar do Phony Orphants, sem falar da Iboga e da influencia que a gravadora e o Orphants teve no Progressive Trance mundial. Não só como músicos por trás do Orphants, mas também como artistas que influenciam uma cena global. Como vocês vêem o Progressive Trance no mundo atual? PO: Bem, tem sido uma longa jornada. A cena e a música vêm crescendo e crescendo há 15 anos ou mais. Assim como estamos vivendo isso tudo desde o inicio, quando iniciamos a Iboga Records, a 15 anos atrás, e como a maioria das pessoas encontraram e conheceram nossa música, tudo vem lentamente com o tempo. Agora mais e mais pessoas estão aceitando melhor o progressivo em comparação com o full on, por exemplo, o que nos deixa muito feliz e nos faz sentir que contribuímos diretamente pra criarmos algo bom e que as pessoas adoram. Alguma diferença na cena Progressive Trance daqui com as demais? PO: No começo, a cena eletrônica brasileira era principalmente focada no full on, agora nos últimos anos, você vê mais e mais o trance progressivo nos festivais e eventos menores. Mesmo os artistas do full on não gostam de tocar o full on por muito tempo, as pessoas gritam por algo mais lento, ritmado, 'funkeado'... Vocês conhecem algum artista do Trance Progressivo no Brasil? PO: Nós conhecemos o Gabe, ele tem feito coisas muito boas em relação a esse tipo de som. Um dos melhores. Felguk que se tornou bem mais conhecido depois de remixar Madonna. Eu descreveria o som deles mais como um “electrohouse”, porém não deixa de ser progressivo, além disso, conhecemos Flow & Zeo que tem feito coisas interessantes de minimal e também possuem uns dos melhores dj sets. Vamos falar do Computer Music. Terceiro álbum do Orphants sendo lançado e a promessa de voltar pro Trance Progressivo de raiz. Como foi a produção desse novo álbum? PO: As influencia vem, como já foi mencionado, de diferentes fontes, mas nesse álbum foi um processo bem rápido com algumas faixas, enquanto outras exigiram uma atenção maior. Vocês acabaram de tocar aqui no Brasil na festa Magic Paradise (28/11) em São Paulo. E uma amiga me disse que literalmente “flutuou” ao som de “Sweep Mama”. Ela é uma das grandes fãns tanto do Phony Orphants quanto do trabalho solo de vocês (Emok e Jeppe ) e me disse que o momento em que o Phony Orphants estava se apresentando o público vibrava de felicidade. Como foi pra vocês essa apresentação e como é sentir esse calor do público brasileiro tão carente desse som? PO: Nós sempre ficamos muito felizes quando temos um retorno positivo das pessoas, quando tocamos. Fico contente em ouvir que ela 'flutuava', especificamente, nesta música. Pois essa música tem todo um feeling especial, uns elementos musicais criados realmente com essa intenção. E esse é o melhor retorno que poderíamos ter pra esta música. O que vocês têm escutado ultimamente? DJs produtores de música eletrônica ou algo fora desse meio? PO: Honestamente, na maioria das vezes ouço rádio voltando pra casa, pop, baladinhas e assim por diante. O rádio fica sempre ligado, existem muitas músicas boas, músicas que eu gosto bastante e que de certa forma sempre nos influenciam. Devo admitir que eu não consigo ouvir musica eletrônica o tempo inteiro, pelo menos não da forma que ouvia quando era mais novo. Cansei disso... como se cansa de qualquer coisa quando você exagera. Mais nós ainda amamos música eletrônica, especialmente quando estamos com outros artistas e podemos ouvir coisas novas e inspiradoras. Se pudesse escolher uma festa ou festival que marcou uma apresentação do Phony Orphants, qual seria e porque? PO: . Existem 2 grandes festivais em que nós realmente sentimos aquele sensação de; “uau, fantástico estar aqui”. A primeira vez foi no Outback Eclipse festival na Austrália, em 2002. Aquela apresentação foi incrível, no meio da Austrália com 5000 pessoas e um eclipse solar inesquecível... Jamais esqueceremos isso. A segunda vez, com certeza foi nossa experiência no VOOV, logo depois do lançamento do nosso 2º álbum. O VOOV tinha uma excelente pista de progressivo, tínhamos um set completo, longo, parecia um live, e também estávamos com um novo processo visual pras nossas performances, então tudo colaborou pra ser incrível. E as novidades pro futuro em ralação ao Maelstrom, Iboga e seus artistas? PO: . Iboga sempre tem novos planos. Estamos atualmente trabalhando no álbum do Sun Control Species e no novo cd do Antix, também existe um novo projeto pro cd do Perfect Stranger, que esta a caminho. Em 2010 teremos um novo cd do Phony Orphants com alguns remixes e umas novas melodias. Alem disso, logo, teremos alguns lançamentos do Maelstrom que estão quase saindo do forno. Vamos lançar antes disso um novo som produzido por mim e o Lenny Ibizarre pro novo single do Maelstrom. E provavelmente o novo álbum do Maelstrom vai estar pronto pro fim de 2010. Em 2006, Emok lançou a loja virtual de CDs e downloads digitais ProgressiveTunes.com na Dinamarca. Aqui no Brasil assim como no mundo todo, podemos ver que alguns artistas têm optado em lançar suas músicas em seus próprios sites pra download gratuito. E músicas com excelente qualidade sonora. Como vocês vêem essa pratica que começa a ganhar força? PO: Primeiro de tudo, nós fechamos nossa loja online recentemente, já que tínhamos muito trabalho e poucas vendas. Eu pessoalmente acho que esta é uma grande evolução musical. Agora os artistas podem lançar suas próprias músicas, em seus próprios sites, sem ter uma gravadora especifica pra isso. Essa é uma ótima chance pra muitos artistas. A única coisa que é diferente, é que trabalhando com pessoas como as da Iboga Records ou qualquer outra gravadora bem estabelecida é que você ganha, como artista, o suporte e o know-how de uma gravadora experiente. As gravadoras experientes sabem como promover, fazer shows e tours, seleciona os djs certos pra divulgarem o som dos produtores, e assim por diante. Você sendo completamente auto-suficiente, terá que ter além de muito talento, estratégias para alcançar resultados satisfatórios. Agradecemos pela entrevista dada ao Plurall.com e pra encerrar mandem um “alou” pros fans do Brasil. PO: Bem, aqui vai uma mensagem nossa... Enquanto vocês se manterem sorrindo e dançando o mundo será um lugar bem melhor =]
Última edição por Roosevelt Soares; 10-12-2009 às 01:26.
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