[REVIEW] Tripping - 17 de janeiro - SP Um casaco, uma bermuda, 2 pares de meia, calça, tênis, camisa e partiu pra São Paulo. Minha primeira festa do ano se chama Tripping. Nessa jornada até a festa fui acompanhando a fotografa e amiga Julia Castro. Descobrimos que GPS hoje em dia é fundamental pra caçadores de raves e guarda chuva nunca é demais levar na mochila. Em uma sexta feira chuvosa, saímos do Rio de Janeiro e fomos parar no meio do nada absoluto. Vargem Grande é fichinha, esqueça tudo sobre rave afastada, essa é de longe a mais escondida rave de 24hrs que já fui. No caminho sinalizado por placas invisíveis foi o capetinha que nos ajudou a chegar sem se perder. Calma, não foi o próprio belzebu, era uma bendita plaquinha escrito capelinha que no meio da escuridão sempre líamos capetinha, e foi seguindo as placas do capetinha que caímos em uma estrada cercada por um mato gigantesco tipo aqueles canaviais de filme de terror com direito a espantalho e fumacinha saindo do chão. E cara, no meio do nada tinha uma igrejinha, um orelhão e um velhinho com chapeuzinho de cangaceiro, vestido de preto e de mãos dadas com uma criancinha macabra. Sinistro né, tudo lembrava filme de terror...rs... Ainda bem que a Julia compartilha do mesmo humor sem noção que o meu e assim fomos rindo de coisas como essas e nos distraindo já que o carro estava sem som e tínhamos a leve impressão de estar perdidos, indo direto pra alguma armadilha tipo a do filme O Albergue. Após horas nesse caminho onde o Judas perdeu as botas, vimos luzes rodando de um lado pro outro. Poderia ser ovnis, pois aquele lugar também era perfeito pra abduções alienígenas, mas felizmente ou infelizmente da minha parte, fiquei um pouco desapontado, pois ser abduzido indo pra uma rave em São Paulo daria uma boa história, mas eram apenas carros perdidos procurando a festa enquanto derrapavam na lamaceira da estrada. Todos perdidos, mas sem a menor possibilidade de não achar a rave, montamos um comboio e seguimos estrada adentro como se estivéssemos em um rally em terras barrentas com direito a rodar com o carro e cair em uma vala com a roda traseira. Aventura na madrugada. Mas valeu a pena. Ao chegar demos de cara com uma fazenda gigantesca que do estacionamento não dava pra ouvir nenhum som além dos grilos cantando. Era realmente uma big fazenda. Fomos o décimo carro a chegar na Tripping, estava vazia mas a festa estava linda. Com uma décor simples e hiper caprichada em luz negra. Um terrenão gramado com um palco lindo, móbiles de borboletas e flores interagindo com o vento da noite, uma tenda central, cercada por várias, várias lixeiras e cinzeiros de bambu além de duas tipi’s e centenas de árvores em volta criavam a magia do dancefloor. A noite foi clássica com muito dark rolando. Chegamos na hora do Magma Ohm que começava a sacudir as almas do povo flúor que já estava solto na pista. Rodrigo CPU veio em seguida literalmente torrando os neurônios enquanto Penta que chegou de mansinho, preparava sua parafernalha polifônica e testava sua lanterna de cabeça, que já é quase um símbolo do Penta. E haja Penta, set e live seguidos. Sonzeira pra uma pista que começava a bombar. Foi lindo, Penta tocando e o dia clareando, o som rasgando e um sol poderoso surgindo por entre as árvores e o povo quikando com gosto e sem nenhuma vergonha. Não tem como deixar de falar, paulista sabe fazer uma rave bonita, com simplicidade, mas com muito capricho. E acho que eles nem sabem do que estou falando. No Rio já não se encontra festa em locais com beleza natural... Opa, o Skazi tá na festa? Que nada, xô fantasma. Metal Wizard Live começava a tocar com uma guitarrada que fez os anfetaminados se contorcerem até o chão. Um live iradíssimo com solos de guitarra e uma mistura com influências do som de goa. Vale conferir. Seguindo a dominação portuguesa do dancefloor, Zaraus Live. Esse é um legítimo freak e seu som então ... DOIDERA das boas. Um fullon psicodélico, dançante e bem noturno. Não conhecia a versão Live do Zaraus e recomendo. Haxirai Live foi o que me surpreendeu. O cara é pura energia, cômico que só vendo pra entender. Ele tocava bateria, pulava, dançava e tocava seu live de verdade, tudo ao mesmo tempo e com uma animação que era empolgante de ver. Um fullonzão diferente, sério e ao mesmo tempo alegre. Virei fã, ganhei cd e tudo =] O dia chegou com um sol que era impensável pela chuvinha que tinha caído durante toda a sexta e tarde de sábado. Horas acordado e já não tenho mais o pique de antigamente, fui dar uma descansada no carro que conseguimos colocar pra dentro da festa ao amanhecer já visando essa descansada. Do carro entre umas dormidas de piscar os olhos e acordar novamente assustado eu ouvia o set do Edu. Setzão. Muitos sons antigos que todo fullonzeiro já curtiu de se acabar. Até pensei em voltar pra pista e esquecer o cansaço, mas sabia que uma horinha de sono ia me colocar novo. Peguei no sono e quando acordei o dj Rhona estava acabando seu set. Não conhecia o trabalho dele mas o pouco que ouvi, gostei. Já de energias renovadas, sai do carro e no caminho até a piscina do de cara com o Thomas Dubreil do Altöm pegando suas coisas pra montar seu live. Não é que ele está craque na nossa língua... Pensei que ele só falava Frances ou Inglês, que nada, fala até o nosso “vai que vai”... Estava louco pra escutar o Thomas. Não sou muito fã de morning, mas o som do Altöm é uma jóia muito bem lapidada. Ele começou tocando praticamente todo o cd Hologram, o primeiro álbum do Altöm... Incrível. Volta ao tempo total, pois ele foi seguindo entre o set e o live, toda a sua discografia em ordem cronológica e ainda nos presenteou com musicas dos seus dois projetos solo, o Ocean e o Voyager, que são maravilhosos. Não tinha nem 50 pessoas no dancefloor, mas todas as 50 estavam dançando com um sorrisão no rosto! Foi um super presente pra quem resistiu em pé até o final. Ia rolar ainda o set do Mack e de mais alguns DJs que não compareceram, além do live final do Olive Tree Dance que estava na festa com tudo pronto pra tocar, mas de última hora não tocou e ainda não sei o por que ... Mas tudo que vi, ouvi e senti já tinha feito valer a pena toda a jornada. Uma festa diferente, acolhedora, com valores e muito fullon de todos os tipos e sem nenhuma interferência dos sonzinhos da moda. Foi muito bom sentir novamente uma festa ON de verdade, sem rolar aquela fase de baixar os bpm’s da pista, parte que quase sempre acho muito depressiva, apesar de respeitar essa fase. Que seja a primeira de muitas Trippings. Fiquem ligados nessa festa e quando puder ir, vá! Inê e Julia, obrigado pelo convite. Inê é a produtora da festa e vocês tinham que conhecer ela. Passou a festa inteira no meio da galera, dançando com o público, recebendo todo mundo que vinha falar com ela, sempre solícita a tudo e a todos... Nossa... Uma pessoa incrível e naturalmente guerreira.
Toda sorte e sucesso do mundo pra família TRIPPING! As fotos da festa por Julia Castro já estão no ar em nosso album, (PLURall - 17-01-09 Tripping (Suzano - SP)) e em breve vídeos e entrevistas com Penta, Metal Wizard e Altöm também estarão por aqui.
Nos encontramos por aí!
Última edição por Roosevelt Soares; 30-06-2009 às 01:51.
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